Os quebradores de máquinas: Ludistas
Houve um tempo,
esse tempo houve,
foi no início do século XIX;
na Inglaterra, artesãos e operários
quebraram máquinas a marteladas:
Ludistas, os “quebradores de máquinas”.
Não foi possível deter as máquinas,
mas é possível com esse tempo aprender.
A memória de Ned Ludd,
o operário que se revolta
contra o patrão e suas engrenagens,
não vai se perder,
de seu martelo nasceu o sindicalismo
e todos os direitos que vieram depois.
Simbolicamente:
– Quebremos os espelhos de silício,
rasguemos os véus da névoa programada!
Na vida real
ainda temos a rua,
o gesto, a voz
que não se dobra
ao comando sem rosto
das assombrações digitais.
Que importa o relógio dos donos do mundo
se ainda sabemos contar histórias?
Célio Turino