sábado, 4 de julho de 2026

“Intelectuais Apolíticos” - Otto René Castillo

 



Intelectuais Apolíticos


Um dia,


os intelectuais


apolíticos


de meu país


serão interrogados


pelo homem


comum


de nosso povo.



Perguntarão a eles


sobre o que fizeram


quando


a pátria se apagava


lentamente,


como uma fogueira doce,


pequena e solitária.



Não serão interrogados


sobre suas roupas,


nem sobre suas longas


siestas


depois do lanche da tarde,


tampouco sobre seus estéreis


combates com o nada,


nem sobre sua ontológica


maneira


de chegar às moedas.


Não serão interrogados


sobre a mitologia grega,


nem sobre o asco


que sentiram de si,


quando alguém, ao fundo,


se dispunha a morrer covardemente.


Nada será perguntado


sobre suas justificativas


absurdas,


crescidas na sombra


de uma mentira rotunda.


II


Esse dia verão


os homens comuns.


Que nunca couberam


nos livros e versos


dos intelectuais apolíticos,


mas que chegavam todos os dias


a lhes deixar o leite e o pão,


os ovos e as tortilhas,


os que costuravam suas roupas,


os que conduziam os carros,


os que cuidavam de seus cachorros e jardins,


e trabalhavam para eles,


e perguntarão,


“O que você fez quando os pobres


sofriam, e se queimavam com eles,


gravemente, a ternura e a vida?”


III


Intelectuais apolíticos


de meu doce país,


não poderão responder nada.


Abutres de silêncio devorarão


suas entranhas.


Roerão suas almas


sua própria miséria.


E ficarão calados,


com vergonha de si mesmos…



Otto René Castillo* (1934-1967)


*Poeta revolucionário guatemalteco escreveu este poema no início de 1965, dois anos antes de ser assassinado pelos militares guatemaltecos.

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HUMOR





Mesmo transtorno






Somente a verdade





Um padre e uma freira na estrada


Um padre e uma freira estão viajando para um mosteiro distante quando o carro deles quebra no meio do nada, em meio a uma nevasca. Eles encontram uma cabana abandonada e se abrigam. Encontram um saco de dormir, uma cama e um monte de cobertores. O padre, sendo um cavalheiro, oferece a cama à freira e fica com o saco de dormir. Enquanto se aconchegam para dormir, a freira exclama:"Padre, padre, estou com frio!".

Então o padre se levanta e coloca outro cobertor sobre a freira. "Está melhor, irmã?", pergunta ele.

"Sim, padre, muito melhor", responde ela. Então ele volta para o seu saco de dormir e começa a cochilar quando ela exclama novamente:

"Padre, ainda estou com frio!". Mais uma vez, o padre se levanta e coloca outro cobertor sobre ela, certificando-se de que ela esteja bem aconchegada na cama. "Está melhor, irmã?", pergunta ele.

"Oh, sim, padre, está muito melhor", diz ela. Então o padre volta para o saco de dormir e, desta vez, está começando a sonhar quando acorda com o chamado dela:

"Padre, padre, estou com tanto frio!" O padre pensa bastante sobre isso e finalmente diz:

"Irmã, estamos no meio do nada, em meio a uma nevasca. Ninguém além de você, eu e o próprio Senhor saberá o que acontecerá aqui esta noite. Que tal, só por esta noite, fingirmos que somos casados?"

A freira reflete por um minuto. Ela não consegue negar que estava curiosa e finalmente responde, hesitante: "Está bem, padre, só por esta noite, vamos fingir que somos casados."

"Maravilha", responde o padre. "Agora levante e pegue seu próprio cobertor, sua preguiçosa!"


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