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sexta-feira, 5 de maio de 2017

"Barulho" - Ferreira Gullar

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Barulho

Todo poema é feito de ar
apenas:   
          a mão do poeta
          não rasga a madeira
          não fere
                      o metal
                      a pedra
         não tinge de azul 
         os dedos
         quando escreve manhã
         ou brisa
         ou blusa
                     de mulher.

O poema
é sem  matéria palpável
         tudo
         o que há nele
         é barulho
                    quando rumoreja
                    ao sopro da leitura.


Ferreira Gullar

domingo, 11 de dezembro de 2011

Polêmica acerca de literatura negra brasileira


No texto “Preconceito cultural” o poeta brasileiro Ferreira Gullar defende, entre várias questões, não ser pertinente considerar a existência de uma literatura brasileira negra, sustentando que Cruz e Souza e Machado de Assis foram herdeiros de tendências europeias, não se podendo afirmar que faziam ‘literatura negra’.
O texto provocou respostas dos escritores Francisco Maciel e Luiz Silva que contestam as posições defendidas por Gullar.
Os três textos podem ser lidos aqui

sábado, 29 de outubro de 2011

Dois e dois: quatro - Ferreira Gullar


Como dois e dois são quatro

Sei que a vida vale a pena

embora o pão seja caro

e a liberdade pequena

Como os teus olhos são claros

e a tua pele morena

Como é azul o oceano

e a lagoa, serena

como um tempo de alegria

por trás do terror me acena

e a noite carrega o dia

no seu colo de açucena

- sei que dois e dois são quatro

sei que a vida vale a pena

mesmo que o pão seja caro

e a liberdade pequena.

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