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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O silêncio decoroso está destruindo a Universidade de São Paulo


Há poucos dias o Departamento de Filosofia da USP divulgou uma nota, sem data, intitulada “Manifestação de professores do Departamento de Filosofia à comunidade universitária”. Disponível na íntegra no site do DF, a manifestação é assinada por 24 docentes, o que representa dois terços do quadro de docentes do DF na ativa.
A manifestação é longa. Por isso, os comentários que decidi escrever e divulgar são igualmente longos. Desnecessário dizer que tais considerações são de caráter individual.
Antes de mais nada, considero bastante positivo que os signatários da nota afirmem seu entendimento de que “greves são instrumentos legítimos de pressão e luta” e que “algumas [das greves anteriormente deflagradas na FFLCH] foram movidas por razões justas e obtiveram resultados importantes e benéficos”. A nota chega a dizer “não [ser] senão natural que, [nas atuais] circunstâncias, se deflagre uma greve”.
Para ler o texto completo de Antonio David clique aqui

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Greve no Hospital Universitário da USP: uma aula..

Adusp

Os cursos de Direito nas Faculdades ensinam, em geral, as formas jurídicas, ou seja, o modo estático como o direito se apresenta nas leis. Quando se trata de greve, por exemplo, a aula tende a trazer um breve relato histórico dos movimentos dos trabalhadores e como a greve de um ato ilícito se tornou um direito.
Esquece-se de dizer, no entanto, que essa transformação jurídica trouxe consigo, também, a limitação ao exercício da greve.
Além disso, a aula geralmente não traz um estudo sociológico acerca da relevância política das greves, notadamente com relação à sua influência nas mudanças sociais, conforme se verificou na história do mundo capitalista desde a sua consolidação.
Assim, a greve resta examinada apenas na perspectiva dos incômodos que gera.
E com esse alimento cultural contrário à quebra da normalidade que a greve produz, deixa-se de abordar o direito de greve e passa-se, em concreto, a examinar os limites do exercício da greve, colocando em evidência os outros direitos que se chocam com o ato da greve.
Para ler o texto completo de José Luiz Souto Maior clique aqui
Leia também do mesmo autor o texto "Ilegalidades e intransigência da Reitoria tensionam o conflito na USP" clicando aqui 


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Apertem os cintos, o piloto sumiu

14.05.22_Souto Maior_Greve
E, de repente, os ônibus de São Paulo pararam, em flagrante ilegalidade. Pode ser que assim alguém se refira ao fato ocorrido ontem na cidade paulistana, mas estará incorrendo em grave equívoco de perspectiva, falando sobre um mundo que já não existe.
Primeiro, os fatos sociais não simplesmente brotam do nada, ou seja, não ocorrem “de repente”. Há sempre um contexto histórico que os embasam. Segundo, não são os ônibus que param e sim os motoristas, que são, de fato, trabalhadores. Dar vida a seres inanimados, no caso os ônibus, serve apenas para negar existência aos seres humanos que se relacionam ao fato, a não ser para puni-los, quando se trata de mobilização popular. E, terceiro, a legalidade não é suficiente para qualificar o fato ocorrido e, ademais, seu parâmetro tradicional é abalado, fazendo irromper uma sensível mudança. Afinal, não são os fatos sociais que devem se adaptar ao direito e sim o direito que deve refletir esses mesmos fatos.
 Para  ler o texto completo de Jorge Luiz Souto maior clique aqui

terça-feira, 11 de março de 2014

O dia em que o Rio ovacionou os garis

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Mais de mil garis, em sua maioria negros, pais e mães de família, moradores das periferias e favelas do Rio, foram ovacionados nesse domingo pelos cariocas em uma inesquecível passeata que começou na Prefeitura do Rio e tomou o centro da cidade como uma verdadeira onda laranja abolicionista. Porque a primeira coisa que o Brasil precisa reconhecer é que a luta dos garis se ergue contra os resquícios de escravidão mais arraigados em nossa sociedade.
Para ler o texto completo clique aqui

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Rio de Janeiro: as razões da greve gigante

Assembleia de professores em agosto de 2013. Foto: SEPE RJ.
Tenho pouco mais de cinco anos atuando como professora no município do Rio de Janeiro. Nesse tempo já vi de tudo. Já vi assédio moral, já vi diretor participando de paralisação, já vi aprovação automática na famigerada gestão César Maia (quando entrei, peguei seu último ano explícito, agora ela existe veladamente), mas nunca vi o que rolou esse ano. Cheguei à rede municipal do Rio com uma categoria destroçada, participei de assembleias bastante esvaziadas. A primeira coisa, então, é que mal sabem os de fora o orgulho que os professores sentem de estar em assembleias e passeatas que chegaram a congregar 20 mil (números da PM) nas ruas, principalmente profissionais da educação, em defesa de uma educação pública de qualidade.
Sem dúvida a mobilização de profissionais da educação foi estimulada pela Primavera Carioca [1] e pelas jornadas de junho. Muitos voltaram a participar da política a partir daí. A partir daí reconhecemos que a rua é nossa, e eles é que tem que nos engolir, não o contrário. Profissionais passaram a reconhecer que seu sindicato não é uma entidade com personalidade própria e começaram a disputar as políticas com garra, no peito e na raça. E aí começamos também a refletir o estado da nossa rede de educação. Vi a greve nascer numa assembleia com mil decretando o estado de greve, e a vi crescer, ao lado de afetos que carrego desde a graduação.
Para ler o texto completo de Larissa Costard clique aqui

terça-feira, 31 de julho de 2012

A paralisação nas universidades vai continuar

Já se vai mais de um mês da greve dos trabalhadores técnico-administrativos das universidades, mas, no geral, essa parece ser uma greve invisível porque na mídia, quando os jornalistas falam em greve nas universidades, se referem no mais das vezes aos professores. Isso, em verdade, não se configura novidade, pois desde sempre a hierarquia nas universidades tende a colocar o trabalho dos técnicos sempre em segundo plano, como se esse contingente de pessoas atuasse apenas numa atividade meio, não fazendo muita diferença no resultado do trabalho educativo.
Há um filme de produção estadunidense que mostra explicitamente como é usual esta relação complicada entre os técnicos e os professores. É o Quase deuses, que conta a história da inusitada parceria entre um faxineiro da Universidade John Hopkins e um médico professor/pesquisador que busca descobrir novas técnicas para a cirurgia do coração. O faxineiro Thomas, um homem simples e negro, é um exímio inventor de ferramentas que começa a operar corações junto com o professor, conseguindo criar novas técnicas cirúrgicas e ferramentas que fazem a pesquisa avançar e tornam o professor famoso. Há uma cena paradigmática na qual o fotógrafo/jornalista chama todos os dirigentes da universidade para posar para a foto da matéria que anunciará as novidades científicas descobertas ali. O pesquisador vai, todo vaidoso, e vê, ao longe, o faxineiro, que na verdade é o real inventor da técnica. Ele se cala, segue para a foto e não o chama, não anuncia a sua façanha, não o inclui na vitória que, de fato, é do trabalhador.
Para ler o artigo completo de Elaine Tavares clique aqui

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