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sábado, 24 de janeiro de 2026

"No cair da noite..." - José de Sousa Miguel Lopes

 



No cair da noite...



Tu és a mulher à flor da pele, bem calculada por dentro.


Mulher nascida de si mesma, sem vida nos outros.


Mulher de além-desejo, voo de ave,


caminhando fora dos passos, um torvelinho de tonturas.



Sonho em despir-te até à nudez pecaminosa


e lanço os olhos no cair da noite.


Sinto toda a força das tuas duas colinas,


toda a ternura da silhueta envolta em cabelos ondulantes,

 
toda a firmeza da pele acetinada,


todo o trigo desse abrigo adormecido,


toda a tempestade recolhida nesse pedaço de noite.



É então que sopra uma espécie de vento


que fustiga o meu interior e ergo no ar o corpo que arde por dentro


com sabor a mel, antes de dar ao fogo


a momentânea liberdade de queimar o sonho que morre ao longe.



José de Sousa Miguel Lopes

sábado, 20 de dezembro de 2025

Navegando pelo cinema



Está no ar mais um episódio do CINE CIDADANIA! Neste episódio recebemos um convidado muito especial para nós duas e para a temática Cinema e Educação! O professor, autor de muitos livros sobre este tema: José de Sousa Miguel Lopes! Doutor em Educação pela PUC-SP e pesquisador das relações entre cultura acústica, oralidade e educação intercultural, Miguel mantém também o blog "Navegações nas fronteiras do pensamento", que vale muito a pena ser visitado e lido. Acesse, ouça, comente e compartilhe sua entrevista clicando aqui

Profa. Aline Choucair Vaz

Faculdade de Educação da UEMG - CBH




Carlos Alberto Mattos: 130 anos de cinema


Carlos Alberto Mattos: Fim de Turno – Saídas de Fábrica no Cinema de Lumière a Loach


Josué Frank: Meus filmes favoritos de 2025


Eduardo Escorel: O cinema em 2025


Pelos caminhos do cinema português em 2025


Apolo de Carvalho: Fomes coloniais, arquivo e silenciamento: Portugal colonial e a (necro)política da vida


Ricardo Antunes: Um gênio do drama social moderno


Wilson Roberto Vieira Ferreira: O cinema sempre usou o Além para falar do "aqui" em 'Eternidade'


Davi Caro - “It: Bem-Vindos a Derry” expande, com louvor, o universo de horror de Stephen King


Eduardo Magalhães - William A. Wellman (1896-1975), Vol. III – Entrevista com Frank T. Thompson


Raquel Morais: Os fantasmas são o que temos deles


José Geraldo Couto: Um filme irresistível para os cinéfilos


Críticas a "Nouvelle Vague", de Richard Linklater


Hugo Gomes: Um realizador acossado na lente de um americano


Carlos Alberto Mattos: Uma descoberta do mundo


Jake Ures: A Netflix precisa ser parada


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João Paulo Barreto: “O Iluminado”, clássico de Stanley Kubrick, completa 45 anos e volta aos cinemas provocando calafrios


Críticas a "Where to Land", de Hal Hartley


Carlos Alberto Mattos: O dia a dia de uma revolução


sábado, 26 de julho de 2025

Evento "Versos & Canções: O Som do Poema"


No dia 10 de julho de 2025 teve lugar em Cachoeiro de Itapimirim o Evento "Versos & canções: O Som do poema". A idealizaçao e a direção geral do projeto foi da responsabilidade de Therezinha Fassarela e Adilson Dilem.

Texto de apresentação: Roberto de Oliveira

Desde os primórdios, poesia e música caminham de mãos dadas. Antes mesmo de se fixar no papel, o poema era som — canto entoado em rituais, lamento em forma de melodia, celebração em ritmo e palavra. A voz do poeta foi, desde sempre, também a voz do músico. A métrica, o compasso, a pausa — são pulsações partilhadas por essas duas artes irmãs.

Mallarmé, o poeta da sugestão e do mistério, afirmou certa vez: "A música antes de tudo." E ele sabia o que dizia. Porque todo poema guarda dentro de si uma partitura secreta, uma cadência que convida o leitor — ou o ouvinte — a mergulhar em sua musicalidade interna. A poesia, quando lida com o ouvido atento, revela-se canção. E a canção, quando ouvida com sensibilidade, revela-se poema.

Este projeto nasce desse entrelaçamento. "Versos & Canções: o som do poema" propõe um passeio por essa zona de encontro entre verso e melodia, palavra e acorde. Aqui, lemos e declamamos poesias como se fossem canções e cantamos poemas que foram musicados por vários compositores.  Assim, tudo se mistura, se entrelaça, se reencontra.

Porque, como escreveu Sérgio Sampaio, nosso conterrâneo de alma sensível: "Um livro de poesia na gaveta / não adianta nada / lugar de poesia é na calçada."

E é justamente isso que desejamos: tirar a poesia da gaveta, trazê-la ao corpo vivo da voz, do gesto, do som — levá-la à calçada, ao palco, ao coração de quem ouve.

Sejam bem-vindos. A apresentação vai começar. Deixem que as palavras cantem.

 

Ficha técnica  Vídeo Ficha técnica.mp4

Vídeo de abertura e algumas fotos do evento






O autor do blog sente-se muito honrado por ter sido incluído no evento. Seu poema "Procura-se a poesia"* foi lido por Roberto de Oliveira e Ana Cristina.


Procura-se a poesia



Não há poesia na bomba que explode

Na bomba que extermina

Na bomba que destrói e arrasa

Na bomba que indiscriminadamente aniquila.



Não há poesia na bomba.



Não há poesia na bala

Na bala que trespassa o corpo

No corpo que recebe a bala

No corpo que se contorce em dor.



Não há poesia na bala.



Não há poesia na morte

Na morte que trucida os corpos

Na morte que os violenta

Na morte que os viola.



Não há poesia na morte.



Não me falem de guerras de democratização

Uns olhos de um homem morto

São uns olhos mortos.



Quem defende a guerra que me apresente



Um morto livre

Um morto democrata

Um morto com causas

Um morto com religião.



Não há poesia na guerra.

Há morte, crueldade, caos, brutalidade

Extermínio, sangue, vazio e destruição...



E o silêncio.

A ausência.



José de Sousa Miguel Lopes



*O poema faz parte do livro "Nas sílabas do vento" (pág. 200-201). Curitiba: Editora Appris, 2023. 

  


sábado, 17 de maio de 2025

Educação e Formação Humana: como dar um sentido à complexidade do mundo contemporâneo




Se o trabalho escolar não estiver pautado num projeto transformador das relações sociais, nas virtudes e na ética, a ação educativa se reduzirá a uma simples instrução, não podendo ser jamais uma educação formadora. Para ler o texto de José de Sousa Miguel Lopes clique aqui

 





Frei Betto: "não são os ateus que fazem mal ao mundo. As pessoas mais ignóbeis que conheço se dizem crentes"


Hitler se considerava católico, o Trump presbiteriano. As pessoas que mais causam dano à humanidade enchem a boca falando de Deus", critica o religioso. Para assistir à sua entrevista clique aqui
























































terça-feira, 13 de maio de 2025

14º Aniversário do Blog




Neste 14º Aniversário do blog registro um    agradecimento especial aos milhares de leitores que, diariamente, o acessam. 

 




Ainda chove




Ainda chove


Subi para sentar-me em frente à pequena colina


O céu e as montanhas desapareceram há dias


Não sei nada do tempo e das horas


A infusão de alecrim e camomila fumega como a chaminé não tão distante de mim


Em pequenos goles bebo a melancolia


Tem o sabor das horas inacabadas e das ações perdidas


Eu vasculho o céu


e as tempestades para guardar apenas a flor: você


Só você me dá sua mão na estrada onde eu me precipito neste sonho que me abandona




José de Sousa Miguel Lopes

sábado, 29 de março de 2025

Chifre da África, uma nova crise no horizonte?




Desestabilizar o Chifre da África é uma estratégia já conhecida pelo mundo anglo-americano para tentar manter a região em um estado de instabilidade útil para a dominação comercial. Para ler o texto de  Lorenzo Maria Pacini clique aqui














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