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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

CINEMA: As trasformações na China através de Jia Zhang-ke

As transformações na China através de Jia Zhang-ke
Os movimentos cinematográficos emergem quando culturas específicas vivem momentos de ruptura. Foi o caso do Neorrealismo, preocupado em repensar a identidade italiana após o trauma da Segunda Guerra Mundial, do Cinema Novo nascendo do desejo de criar o reflexo de um país independente e original nos anos 60, da Nouvelle Vague antecipando a turbulência sóciopolítica de maio de 68, do cinema independente nova-iorquino frente ao conflito do Vietnã, nos anos 70.
Hoje, nenhum país vive mutações tão aceleradas e violentas quanto a China. Nenhum cineasta capta essas contradições com mais acuidade e amplitude que Jia Zhang-ke.
“Antonioni me ensinou o que é o espaço; Bresson, o tempo; Hou Hsiao-hsien, a delicadeza”. Assim começou a primeira conversa com Jia, no ano da apresentação de “Em Busca da Vida” (“Still Life”), na Mostra Internacional de São Paulo. É na Mostra, e junto com Leon Cakoff e Renata de Almeida, que nasce a ideia de um livro sobre a obra de Jia Zhang-ke. A percepção de que ele se tornou o mais importante cineasta de sua geração – e não apenas na China – despertou a vontade de olhar de perto para o que torna seu cinema tão singular e inovador. O documentário sobre Jia Zhang-ke é a decorrência dessa percepção.
Para ler o texto completo de Walter Salles clique aqui

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

WALTER SALLES: Entrevista


O premiado diretor de cinema brasileiro Walter Salles fala sobre o festival da Mostra de São Paulo e sobre outras questões ligadas à arte cinematográfica. Seu primeiro filme relevante, “Terra Estrangeira”, foi rodado em 1995 e premiado como melhor filme do ano no Brasil e selecionado para mais de 40 festivais no mundo todo. Em 1998, lançou “Central do Brasil”, que recebeu ampla aclamação internacional e duas indicações ao Óscar, de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz para Fernanda Montenegro. Em 2001, “Abril Despedaçado”, foi nomeado para o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Ambos os filmes tiveram distribuição mundial. Em 2003, Salles foi eleito um dos 40 Melhores Diretores do Mundo pelo jornal britânico “The Guardian”. Seu maior sucesso internacional até agora tem sido “Diários de Motocicleta” (2004)), um filme sobre a vida do jovem Ernesto Guevara, que mais tarde ficou conhecido como Che Guevara. Foi a primeira incursão de Salles como diretor de um filme em um idioma diferente do seu nativo, português (espanhol, neste caso), e rapidamente se tornou um sucesso de bilheteria na América Latina e Europa. Em 2005, é lançado seu primeiro filme em língua inglesa, que é também seu primeiro filme hollywoodiano, “Água Negra”, uma adaptação do filme japonês de 2002 de mesmo nome. Seu último filme “Na estrada” estreado no 2º  semestre de 2012, é  uma adaptação do livro de Jack Kerouac, “On the Road”, com produção de Francis Ford Coppola.
Veja a sua entrevista no vídeo aqui

sábado, 26 de maio de 2012

"Na Estrada", novo filme de Walter Salles noFestival de Cannes

Cinco anos de sexo, drogas e jazz, on the road, na estrada. Depois de amanhã, quarta-feira, 23 de maio, o filme baseado no livro mítico de Jack Kerouac terá seu primeiro grande teste internacional, no Festival de Cannes, cercado de muita expectativa – e da torcida brasileira pelo sucesso de seu cineasta contemporâneo maior. O relato dessa longa viagem de jovens amigos que atravessam os Estados Unidos nos anos 50, transando, bebendo, escrevendo e delirando em busca da última fronteira americana, e também de si mesmos e de uma vida mais libertária e menos burguesa, foi publicado em 1957 – mas só virou filme agora, em 2012, pelo olhar sensível de um diretor carioca, Walter Salles. No Brasil, o livro On the road – a bíblia da cultura beatnik, escrita de um fôlego só por Jack Kerouac, morto de cirrose aos 47 anos – foi publicado sob o título de Pé na estrada, mas apenas em 1984, durante a redemocratização brasileira. Porque, antes, era considerado “subversivo”. A estreia em nossos cinemas foi confirmada para dia 15 de junho. “A primeira atriz que eu convidei”, diz Salles, “foi a Kirsten Dunst, logo em 2005, ao ser convidado por Coppola a dirigir o filme. A Kirsten faz a Camille, na vida real Carolyn Cassady, hoje vivendo na Inglaterra com quase 90 anos (Carolyn foi mulher de Neal Cassady e vivia um triângulo amoroso e permitido com o melhor amigo do marido, Jack Kerouac). Sempre fui um fã da precisão que a Kirsten tem, de sua capacidade de dizer tanto, parecendo fazer tão pouco. Ela é uma camaleoa”. Além de Kirsten Dunst, a outra lourinha que arrasa no novo filme é Kristen Stewart (Marylou), da série Crepúsculo e do filme de Sean Penn, Na Natureza Selvagem (Into the wild), onde interpreta uma adolescente de 16 anos. Por todos os lados, em cada esquina de Paris, vemos cartazes de Sur la route (On the road ou Na Estrada). A divulgação é maciça e profissional. O filme não só participa da competição em Cannes, mas estreia nos cinemas franceses. Existe uma forte aposta da mídia especializada, que considera o filme um dos favoritos para a Palma de Ouro em Cannes – num momento em que a Europa vive uma onda de contestação. Mas Salles não se deixa envolver por esse favoritismo. “Só desejo”, diz ele, “que o filme seja tão polêmico quanto o livro e, em vez de despertar unanimidade, crie opiniões pró e contra. E filmes polêmicos não costumam ser premiados em Cannes”. Conversei com Salles num café familiar e tradicional da Rive Gauche em Paris, onde ele é muito mais que um diretor de cinema festejado – é um cliente fiel, um vizinho simples e afetuoso, recebido com beijos e abraços pelos donos do café. Fã desde os 17 anos de “filmes de estrada” (road-movies), Salles dirigiu Central do Brasil, com Fernanda Montenegro, e Diários de Motocicleta, sobre a juventude do Che. Ganhou mais de 140 prêmios internacionais. Para embarcar com seriedade em “Na estrada”, confirmou sua reputação de perfeccionista: realizou, ao longo de seis anos, de 2005 a 2010, um documentário sobre a vida de Kerouac e os personagens que conviveram com ele. Um documentário que ainda nem foi editado, mas que deu a Salles a segurança para embarcar na ficção, e numa história aguardada por uma legião de adeptos da contracultura beat. A adaptação para as telas, embora seja uma coprodução europeia, leva o nome do Brasil a uma das maiores vitrines mundiais do cinema.
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