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sábado, 15 de março de 2025

O que a extrema direita brasileira ganha com Trump?

 


Após anos de embates com governos de esquerda na América Latina, EUA de Trump devem favorecer a nova direita na região. Para ler o texto de Greg Grandin clique aqui



Armando Alvares Garcia Júnior: Vácuo de liderança dos EUA é oportunidade de liderança ou risco de perda de relevância para o Brasil


Gilberto Maringoni: Diplomacia de eventos?


Venezuela entrega 180 mil hectares de terras ao MST como parte do projeto Pátria Grande do Sul


Luiz Vianna Sobrinho: Podem as Novas Tecnologias em Saúde unir Brasil e China?


Clima: Lições e desafios para a diplomacia brasileira


Inez Mustafa: Com Brasil à frente, Brics planeja aliança global contra doenças ligadas à desigualdade


Luiz Carlos De Oliveira e Silva: Trump, Bolsonaro e crise de hegemonia, essa esquecida


Eduardo Viveiros de Castro: A floresta de cristal


VÍDEO - Manuel Domingos Neto - Bolsonaro réu: como reagirão os militares?


Guilherme Rodrigues: Questões sobre a ordem militar


Luis Felipe Miguel: O que leva ao bolsonarismo?


Leandro Prazeres - Frei Gilson: quem é o sacerdote anticomunista criticado pela esquerda e abraçado pelo bolsonarismo


Fernando Castilho: Eduardo Bolsonaro, o patriota americano


Ricardo Nêggo Tom: Cloroquina ou leite condensado? Como Bolsonaro será envenenado na prisão?


João Filho: Ato de Bolsonaro em Copacabana é desespero e não reverterá condenação por golpe


"Bolsonaro age como se estivesse acima da lei", diz jurista Alfredo Attié


Camila Bezerra: Defesa de Bolsonaro tem muito barulho e pouca efetividade


Luiza Caires - Brasil: Para não esquecer os crimes na pandemia


Sérgio Ramalho: Por que os vizinhos do Bolsonaro mataram Marielle Franco


Patricia Hill Collins - O último discurso de Marielle Franco: quando a verdade ameaça quem está no poder


Clécia Rocha: Nascemos para Servir, mas Não como Frei Gilson pensa


Hugo Souza: As relações exteriores de Eduardo Bolsonaro no ápice da trama golpista


Wilson Roberto Vieira Ferreira: Pânico como valor no Capitalismo de Catástrofe e como mídia descobriu que Gleisi é mulher


Gisele Lobato: Do ‘PL da Censura’ ao Rumble, como ‘big techs’ e extrema direita se aliaram no Brasil


Raquel Isidoro: Transições de carreira das mulheres cientista


Clécia Rocha: O Desafio das Mulheres no pós-cárcere


Eduardo Bronzidio: Fluxos de marés na Amazônia dariam dimensão “gigantesca" a acidente com petróleo


Leandro Becker - Poderes exclusivos e impeachment no STF: por que a extrema direita quer tomar o Senado em 2026


Governo lança guia para uso saudável de telas por crianças e adolescente


Livro aborda educação literária para crianças de até 10 anos


Karen Shiratori, Clara Roman e Daniel Cangussu: A história de Atxu


Melissa Curi: Mineração em terras indígenas fere a Constituição e desconsidera os direitos indígenas


Diana Anunciação e Carlos Alberto Santos De Paulo: Carnaval, entre captura e esperanças


Luis Felipe Miguel: Trabalho intelectual e remuneração


sábado, 17 de junho de 2023

Indígena

 





Dar-se conta de que somos todos indígenas – exceto aqueles que não o são – é juntar-se à luta por uma retomada da Terra pela terra. Para ler o texto de Eduardo Viveiros de Castro clique aqui


Leia "Carolina Brígido: Elogios de bolsonaristas a Zanin fazem parte de jogo ensaiado de bastidor" clicando aqui

domingo, 29 de agosto de 2021

Eduardo Viveiros de Castro: Liberdade de expressão dos Povos Indígenas



Os povos indígenas têm o direito de continuarem a ser indígenas, de continuarem a exprimir sua indigeneidade, exercendo os direitos originários que lhes são reconhecidos pela Constituição Federal de 1988. Para ler o texto de Eduardo Viveiros de Castro clique aqui


Leia "A Borba Gata de Roraima e o Marco Temporal" de José Ribamar Bessa Freire clicando aqui


Leia "Randolfe Rodrigues: "Nunca se cometeram tanto crimes como nos últimos anos de Jair Bolsonaro"" clicando aqui


Leia "Quem nega altos riscos na ação de bolsonaristas no 7 de Setembro está a serviço de Bolsonaro" de Janio de Freitas clicando aqui


Leia "No idioma torto de Bolsonaro e dos militares, a democracia comporta um golpe" de João Filho clicando aqui


Leia "Narrativa, fascismo, epidemia" de Nuno Gonçalves Pereira clicando aqui

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

Eduardo Viveiros de Castro: Crônica dos índios Guayaki

 




Mais conhecido como o pensador da “Sociedade contra o Estado”, como um dos poucos antropólogos, se não o único, que produziu uma reflexão política a partir do marco teórico do estruturalismo – reflexo política que ainda hoje surpreende pela radicalidade –, Pierre Clastres (1934-1977) foi também um excelente etnógrafo de campo. Para ler o texto de Eduardo Viveiros de Castro clique aqui



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Eduardo Viveiros de Castro: 'O governo gravou guerra aos índios'

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro avaliou que uma escalada do desmatamento e a pressão sobre povos indígenas piorou após a seleção de Jair Bolsonaro Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Numa palestra recente, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro disse que governar é criar desertos. Ele usou a metáfora para descrever a relação dos donos do poder com o meio ambiente. “Quem já andou pela Amazônia sabe que uma grande realização de todo o monumento é derrubada como árvores e restaurantes na praça”, comenta. Crítico de obras faraônicas de ditadura militar e dos petistas, o professor da UFRJ considera que a situação ficou ainda pior desde a posse de Jair Bolsonaro . Ele atribui uma escalada de desmatamento a uma aliança da gestão atual com os setores mais atrasados ​​da economia, que derrubou a floresta para soja plantar e extrair minério. O avanço das motosserras aumentou a pressão sobre os povos indígenas , que estudou antropólogo desde a década de 1970. “O que eles querem é acabar com os índios no Brasil”, afirma. 
Para ler sua entrevista clique aqui
Observação - No texto, onde aparece a palavra índices, leia-se índios.

Leia "A vida dos povos indígenas não pode ser o preço do desenvolvimento econômico" Entrevista com Joenia Wapichana clicando aqui

Leia "Safatle e as esquerdas suicidas" de Ricardo Almeida clicando aqui

Leia "Fortalecimento das milícias e eleições: a dupla motivação do motim policial no Ceará" de Jordana Pereira clicando aqui

Leia "Motim no Ceará: como a justa luta por direitos dos policiais serve de palanque político" de Cecília Olliveira clicando aqui

Leia "Caos no Ceará é sintoma da bolsonarização das polícias" de Murilo Cleto clicando aqui

Leia "Conflito escala com disputa política sobre motim de PMs no Ceará e espiral de agressões" de Afonso Benites clicando aqui

Leia "Polícias em crise no Brasil: Tensão entre policiais e governos cresce em 10 estados" de Débora Álvares clicando aqui

Leia "Militares, milicianos e o governo Bolsonaro: uma hipótese de interpretação dos últimos acontecimentos, por William Nozaki" clicando aqui

Leia "Partidarização das polícias é risco para a democracia, diz cientista político" de Claudio Couto clicando aqui

Leia "Por que Bolsonaro está preocupado com o telefone de Adriano?" de Helena Chagas clicando aqui

Leia "Família Bolsonaro molda narrativa ambígua para se descolar de miliciano morto na Bahia" de Breiller Pires clicando aqui

Leia "Algo se move nas elites contra Bolsonaro" de Tereza Cruvinel clicando aqui

Leia "Sobre a ocupação em massa dos militares no Planalto" clicando aqui

Leia "Década perdida: por que indústria brasileira continua em recessão apesar de juro baixo e dólar alto?" de Camilla Veras Mota clicando aqui

Leia "Perseguição, fraudes e desmonte: governo acentua guerra contra fiscais ambientais" de Erick Gimenes clicando aqui

Leia "Governo arma arapuca para gestores de universidades com base na regra de ouro" clicando aqui

Leia "Ampliar o Fundeb é ato de responsabilidade cidadã" de Gregório Durlo Grisa clicando aqui

Leia "O Estado contra o povo brasileiro: não se engane, estamos em guerra civil há 500 anos" de Paulo Cannabrava Filho clicando aqui

Leia "Carnaval, arte ao serviço da transformação social" de Luis Miguel Modino clicando aqui

Leia "Cultura alimentar agoniza, mas não morre. e o carnaval te socorre" de Amanda Flora clicando aqui

Leia "Geosmina: a ponta do iceberg" de Viviane Tavares clicando aqui

Leia "Cinema brasileiro vive seu melhor momento e marca presença vigorosa em Berlim" clicando aqui

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Eduardo Viveiros de Castro: Os Involuntários da Pátria

Resultado de imagem para Eduardo Viveiros de Castro: Os Involuntários da Pátria

Hoje os que se acham donos do Brasil — e que o são, em ultimíssima análise, porque os deixamos se acharem, e daí a o serem foi um pulo (uma carta régia, um tiro, um libambo, uma PEC) — preparam sua ofensiva final contra os índios. Há uma guerra em curso contra os povos índios do Brasil, apoiada abertamente por um Estado que teria (que tem) por obrigação constitucional proteger os índios e outras populações tradicionais, e que seria (que é) sua garantia jurídica última contra a ofensiva movida pelos tais donos do Brasil, a saber, os “produtores rurais” (eufemismo para “ruralistas”, eufemismo por sua vez para “burguesia do agronegócio”), o grande capital internacional, sem esquecermos a congenitamente otária fração fascista das classes médias urbanas. Estado que, como vamos vendo, é o aliado principal dessas forças malignas, com seu triplo braço “legítimamente constituído”, a saber, o executivo, o legislativo e o judiciário. 
Para ler o texto de Eduardo Viveiros de Castro clique aqui

quinta-feira, 7 de março de 2019

ELIANE BRUM: Bolsonaro (des)governa o Brasil pelo Twitter

Presidente Jair Bolsonaro durante posse em janeiro.

Ao tomar decisões pelo volume dos gritos nas redes sociais, o presidente corrompe a democracia. 

Para ler o texto completo de Elaine Brum clique aqui 


Leia "EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO: "Vocês sabem muito bem o que estão fazendo e são assassinos" clicando aqui


Leia "EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO: “O que se vê no Brasil hoje é uma ofensiva feroz contra os índios" clicando aqui


Leia "EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO: "Indígenas vivem em ‘Faixa de Gaza brasileira’" clicando aqui


Leia "EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO: O capitalismo sustentável é uma contradição em seus termos" clicando aqui 


Veja "VÍDEO: Boaventura de Sousa Santos entrevista Jean Wyllys sobre crise da democracia" clicando aqui 


Leia "Seriam elas as coveiras da velha ordem?" de Antonio Martins clicando aqui


Leia "Histórias da Previdência golpeada: Maria, doméstica" de David Deccache clicando aqui


Leia "O tuíte de Bolsonaro e as transgressões do Carnaval " de Cláudio Gonçalves Couto clicando aqui


Leia "Uma análise de nossa tragédia política (e uma mensagem a Lula)" de Roberto Amaral clicando aqui


Leia "Como a teoria da 'cegueira deliberada' se aplica à lei brasileira" de Carlos Edinger clicando aqui


Leia "Do negacionismo climático a mudanças de estruturas administrativas: ações do governo que põem em xeque a política ambiental" Entrevista de Adriana Ramos clicando aqui


Leia "Muita terra para pouco índio?" clicando aqui


Leia "Impasses da hora presente" de Luiz Werneck Vianna clicando aqui


Leia "Costurando uma história do feminismo brasileiro" de Carla Rodrigues clicando aqui


Leia "Suicídio assistido da indústria brasileira" de Artur Araújo clicando aqui


Leia "Política é show business para pessoas feias" de Rosana-Pinheiro Machado clicando aqui


Leia "Golden Shower: Bolsonaro calculou ataque ao Carnaval, diz jornalista Ricardo Capelli" clicando aqui


Leia ""Carnaval é e sempre será instrumento de subversão: a cultura de fresta", diz historiador Luiz Antônio Simas" clicando aqui



sexta-feira, 19 de maio de 2017

EDUARDO VIVEIROS DE CASTRO: "O que estamos vendo no planeta hoje é um combate de povos e não de classes. Ou as classes estão voltando a se redefinir como povos"


O antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro esteve em Lisboa para o ciclo “Questões indígenas: ecologia, terra e saberes ameríndios” do Teatro Municipal Maria Matos, no qual também participou o líder indígena Ailton Krenak. De uma longa conversa ficam fios de reflexões sobre antropoceno, apocalipse, crise da antropologia, noções de humano, antropomorfismo, reindigenização da modernidade, devir índio, os povos por vir e os direitos da natureza.
Para ler a entrevista de  Eduardo Viveiros de Castro clique aqui

sábado, 23 de abril de 2016

VIVEIROS DE CASTRO: O antropólogo contra o Estado. "Foi preciso a esquerda para realizar o projeto da direita"



Do ponto de vista intelectual, Viveiros de Castro é herdeiro de cientistas sociais que ajudaram a derrubar o senso comum de que os povos indígenas são marcados pelo atraso em relação ao mundo ocidental. Essas sociedades sempre foram descritas como “primitivas” por carecerem de instituições modernas – como o Estado e a ciência.
Para ler o texto completo de Rafael Cariello clique aqui

Leia o texto “Transformação” na Antropologia, transformação da “Antropologia” de Eduardo Viveiros de Castro clicando aqui

Leia o texto “Afinal, como Viveiros vive a política?” de Alex Martins Moraes e Juliana Mesomo clicando aqui

Leia o texto “Viveiros, indisplina-te” de Alex Martins Moraes e Juliana Mesomo clicando aqui

sábado, 21 de março de 2015

"Diálogos sobre o fim do mundo" - Entrevista com Eduardo Viveiros de Casto & Déborah Danowski


A entrevista a seguir contém alguns dos momentos mais interessantes de cinco horas de conversa. No mundo alguns acontecimentos se destacaram: 400.000 pessoas, segundo os organizadores, participaram da Marcha dos Povos pelo Clima, em Nova York, e 4.000 no Rio de Janeiro; Barack Obama afirmou que “o clima está mudando mais rápido do que as ações para lidar com a questão” e que nenhum país ficará imune; e o Brasil recusou-se a assinar o compromisso de desmatamento zero até 2030.
É possível afirmar que para muitos parece mais fácil aderir a ameaças de fim de mundo, como a suposta profecia maia, de 21 de dezembro de 2012, do que acreditar que a deterioração da vida que sentem (e como sentem!), objetiva e subjetivamente, no seu cotidiano – e que em São Paulo chega a níveis inéditos com a seca e a ameaça de faltar água para milhões – é resultado da ação do homem sobre o planeta. É mais fácil crer na ficção, que ao final se revela como ficção, salvando a todos, do que enfrentar o abismo da realidade, em que nosso primeiro pé já encontrou o nada.
É sobre isso que se fala nesta entrevista. Mas também sobre pobres e sobre índios, e sobre índios convertidos em pobres; sobre esquerda e sobre direita; sobre capitalismo e sobre o fim do capitalismo; sobre Lula, Dilma Rousseff e Marina Silva. Sobre como nos tornamos “drones”, ao dissociar ação e consequência. E como todos estes são temas da mudança climática – e não estão distantes, mas perto, bem perto de nós. Mais próximos do que a mesa de cabeceira onde desligamos o despertador que nos acorda para uma vida que nos escapa. O problema é que o que nos acorda nem sempre nos desperta. Talvez seja hora de aprender, como fazem diferentes povos indígenas, a dançar para que o céu não caia sobre a nossa cabeça.

Para ler a entrevista do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e da filósofa Déborah Danowski clique aqui

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Rafucko entrevista Eduardo Viveiros de Castro


Veja a entrevista de Eduardo Viveiros concedida a Rafucko clicando no vídeo aqui

segunda-feira, 24 de março de 2014

"A escravidão venceu no Brasil. Nunca foi abolida" - Eduardo Viveiros de Castro

Eduardo Viveiros de Castro, 62 anos, é o mais reconhecido e discutido antropólogo do Brasil. Acha que “a ditadura brasileira não acabou”, evoluiu para uma “democracia consentida”. Vê nas redes sociais, onde tem milhares de seguidores, a hipótese de uma nova espécie de guerrilha, ou resistência. Não perdoa a Lula da Silva ter optado pela via capitalista e acha que Dilma Rousseff tem uma relação “quase patológica” com a Amazônia e os índios. Não votará nela “nem sob pelotão de fuzilamento”.
Professor do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, autor de uma obra influente (destaque para A Inconstância da Alma Selvagem ou Araweté — O Povo do Ipixuna, este último editado em Portugal pela Assírio & Alvim), Viveiros de Castro é o criador do perspectivismo ameríndio, segundo a qual a humanidade é um ponto de vista: a onça vê-se como humana e vê o homem como animal; o porco vê-se como humano e vê a onça como animal. Humano é sempre quem olha.
Nesta longa entrevista, feita há um mês no seu apartamento da Baía de Botafogo — antes ainda da greve dos garis (homens e mulheres do lixo), um exemplo de revolta bem sucedida — Viveiros foi da Copa do Mundo ao fim do mundo. Acredita que estamos à beira do apocalipse.
Para ler a entrevista de Eduardo Viveiros de Castro clique aqui

terça-feira, 25 de setembro de 2012

BRASIL: Outros valores, além do frenesi de consumo

Preferiria começar por uma desgeneralização: vejo a sociedade brasileira como profundamente dividida no que concerne à sua visão do país e do futuro. A ideia de que existe um Brasil, no sentido não-trivial das ideias de unidade e de brasilidade, parece-me uma ilusão politicamente conveniente (sobretudo para os dominantes) mas antropologicamente equivocada. Existem no mínimo dois, e, a meu ver, bem mais Brasis. O conceito geopolítico de Estado-nação unificado não é descritivo, mas prescritivo. Há fraturas profunda na sociedade brasileira. Há setores da população com uma vocação conservadora imensa; eles não integram necessariamente uma classe específica, embora as chamadas “classes médias”, ascendentes ou descendentes, estejam bem representadas ali. Grande parte da chamada sociedade brasileira — a maioria, infelizmente, temo — se sentiria muito satisfeita sob um regime autoritário, sobretudo se conduzido mediaticamente pela autoridade paternal de uma personalidade forte. Mas isso é uma daquelas coisas que a minoria libertária que existe no país, ou mesmo uma certa medioria “progressista”, prefere manter envolta em um silêncio embaraçado. Repete-se a todo e a qualquer propósito que o povo brasileiro é democrático, “cordial”, amante da liberdade, da igualdade e da fraternidade – o que me parece uma ilusão muito perigosa. É assim que vejo a “participação política do povo brasileiro”: fraturada, dividida, polarizada, uma polarização que não está necessariamente em harmonia com as divisões politicas oficiais (partidos etc.). O Brasil permanece uma sociedade visceralmente escravocrata, renitentemente racista, e moralmente covarde. Enquanto não acertarmos contas com esse inconsciente, não iremos “para a frente”. Em outros momentos, é claro, soluços insurreicionais esporádicos, e uma certa indiferença pragmática em relação aos poderes constituídos, que se testemunha sobretudo entre os mais pobres, ou os mais alheios ao teatro montado pelo andar de cima, inspiram modestas utopias e moderados otimismos por parte daqueles que a historia colocou na confortável posição de “pensar o Brasil”. Nós, em suma.
Para ler a entrevista completa do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro clique aqui

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A morte como ritual (A morte como quase acontecimento) – Eduardo Viveiros de Castro


Esta palestra fala sobre uma experiência recorrente nos mundos indígenas: o perigoso encontro com espíritos na floresta, quando se está sozinho. As verdadeiras mortes por acidente espiritual são raras. Nos encontros com espíritos na mata, quase sempre nada acontece; mas sempre algo quase acontece, e que é propriamente a experiência do sobrenatural. O sobrenatural não é o imaginário, não é o que acontece em outro mundo; o sobrenatural é aquilo que quase-acontece em nosso mundo, ou melhor, ao nosso mundo, transformando-o em um quase-outro mundo. Quase-acontecer é um modo específico de acontecer: nem qualidade nem quantidade, mas quasidade. Não se trata de uma categoria psicológica, mas ontológica: a intensidade ou virtualidade puras. O que exatamente acontece, quando algo quase acontece? O quase-acontecer: a repetição do que não terá acontecido? Por outra: todo quase-acontecer teria sempre a forma de um quase-morrer? “Quase morri…” – essas são as histórias que vale a pena contar. O quase que permite a narrativa do quase. Nesse sentido, o quase-acontecer seria ao mesmo tempo um quase-parar de acontecer – a morte, o fim da narrativa.

Do site: www.cplfcultura.com.br
Segue o link com o vídeo na íntegra.
http://www.cpflcultura.com.br/site/2009/10/16/integra-a-morte-como-quase-acontecimento-eduardo-viveiros-de-castro/

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