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terça-feira, 16 de junho de 2026

Reflexões sobre o tempo presente













sábado, 4 de abril de 2026

Reflexões sobre o tempo presente







































sábado, 21 de fevereiro de 2026

Reflexões sobre o tempo presente

 
































Julián Fuks - Viver por viver, não mais para contar: um não ao predomínio do trabalho


"A vida não é a que cada um viveu, e sim a que cada um recorda e como recorda para contá-la." Durante muitos anos, até pouco tempo atrás, acho que vivi de acordo com essa máxima. São as palavras com que Gabriel García Márquez abre a sua autobiografia, palavras das quais poucos escritores costumam discordar. A vida, para um escritor dedicado, pode ser uma sequência de experiências menos ou mais valorosas, cujo valor se estima pelo efeito posterior que produzem quando narradas. Não interessa, então, se um escritor se anima, se alegra, se comove, se apaixona. Interessa se será capaz de provocar um efeito semelhante, fazer daquilo matéria suficiente para animar, alegrar, comover, apaixonar.

Já não concordo com García Márquez, não concordo com o escritor que fui durante tantos anos. Talvez não seja dedicado o bastante, talvez me falte algo da ambição de jovem, mas não creio mais que a finalidade última da vida estaria em sua conversão em prosa, menos ainda para o consumo de alguns estranhos. Escrever pode ser uma forma privilegiada de entender uma experiência própria, de fixá-la num sentido particular, mas não é a única e nem mesmo a melhor. Recordar com palavras é sempre um pouco distorcer, corromper, deturpar.

Recordar em si é já realizar essa deturpação, criar na mente um sucedâneo impreciso da experiência que acabará por tomar o seu lugar — mas paciência, recordar é da ordem do inevitável. Escrever é que oferece uma escolha: escrever ou não escrever, substituir ou não o real por seu simulacro tão falho.

Há nisso tudo uma discussão sobre o papel preponderante da razão, de um movimento mental ordenado. Se a vida não é a que cada um viveu, e sim a que cada um conta a si mesmo e aos outros, toda uma série de emoções e sensações inomináveis se perde de maneira irreparável. O corpo não contaria com outra memória senão aquela da consciência e da linguagem, o corpo seria uma máquina de ideias e nada mais. É uma visão utilitária da vida; só o que nela vale é o que pode se tornar relato. Ora, mais verdadeiro deve ser o contrário: talvez haja mais intensidade naquelas vivências cuja finalidade se encerra em si mesma. Como, digamos, o canto, a dança, o sexo, todos habitualmente tão inenarráveis, tão mal narrados.

Sinto que não estou falando aqui só de literatura, ou da vida desinteressante dos escritores. Um escritor não só vive sua experiência própria, procura também observar a dos demais. E ao meu redor vejo por toda parte pessoas cada vez menos dispostas a abdicar dos prazeres ditos menores, cada vez mais entregues ao riso, à alegria, à fruição, ao exercício cotidiano de uma felicidade (sim, é possível que eu ainda esteja marcado pelo Carnaval). O desejo de registro e de relato, ao menos agora, tem prescindido em grande medida da reflexão e da palavra. Por ora, os que me cercam parecem esquecidos de suas ambições vagas, de seus anseios sérios demais, em vez disso se dedicando ao encontro de seus prazeres reais numa partilha com os próximos.

Não há de ser casual que a luta maior do momento presente, em termos políticos e sociais, seja por uma vida menos devotada ao trabalho. Houve um tempo em que lamentaríamos o hedonismo, ou o descompromisso das novas gerações, sua carência de ambições. 

Agora não, os tempos convulsivos já nos fizeram entender outra coisa, que não há nenhum ganho em conceber a existência como uma sequência de obrigações, de deveres, de martírios diários. Que há algo bem mais fundamental do que as metas que estabelecemos para nós mesmos, em momentos sisudos que apagam toda leveza possível, toda beleza. E que, afinal, só com isso, só com a restituição dessa leveza, dessa beleza, desse prazer, temos alguma chance de encontrar o sentido perdido do trabalho, o sentido extraviado da escrita. Quem sabe assim cheguemos a alcançar algo digno de recordar.

Fonte
  (21/02/2026)

sábado, 8 de março de 2025

O pacto com o diabo

 




No Ocidente passou a ser pecado falar de neonazis na Ucrânia, dando-se início à maior campanha de branqueamento de um regime político realizada até hoje. Para ler o texto de Carlos Branco clique aqui




































































quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Reflexões sobre o tempo presente





Avatar, a videoconferência judiciária do futuro



Não há acordo. O caso é simples e a audiência poderia ser encerrada rapidamente, mas o avatar do juiz preferiu dar a palavra às partes. Para ler o texto de Fábio de Oliveira Ribeiro clique aqui



 





5 livros para pensar uma educação anticapitalista



Se a forma escolar capitalista forma para relações dominação, de mando e de submissão, é preciso exercitar uma nova forma escolar, na qual se vivencie a auto-organização”, aponta Henrique Tahan Novaes.  Para ler o texto completo clique aqui




O “Livro negro do comunismo” é uma péssima obra com erros ridículos



O "Livro negro do comunismo" foi extremamente influente e vendeu milhões de cópias desde sua publicação em 1997. No entanto, algumas das dramáticas afirmações feitas por seu editor, Stéphane Courtois, foram refutadas até por seus próprios colaboradores quando o livro foi lançado. Para ler o texto de Stefan Gužvica clique aqui







O retorno do negacionismo



O avanço do neoliberalismo submeteu a educação à lógica de mercado. A educação se tornou ameaça e o desprezo pelo conhecimento e a perseguição aos que ensinam caminharam juntas. Para ler o texto de Jonathan de França Pereira clique aqui

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Novidade editorial CLACSO & Reflexões sobre o tempo presente


 
 
Este livro, integrante da coleção En Movimiento, busca realizar uma análise panorâmica do processo sociopolítico brasileiro das últimas quatro décadas, relacionando diferentes dinâmicas e temporalidades, sem contudo se prender ao meramente conjuntural. Analisa a origem e o declínio da Nova República, período iniciado na década de oitenta com o fim da ditadura militar, que vem sendo colocado em xeque na última década com uma dinâmica gradual de retrocessos democráticos e ataques aos seus principais pilares, inclusive. os agentes, agendas e instituições que dominarão a cena pública no Brasil contemporâneo.
 
 
 
A rebelião social e popular de 2021 na Colômbia
 
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Aprendizados do movimento zapatista
 
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Explosão nos Andes
 
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Reflexões sobre o tempo presente 







Verdade científica: a jornada em busca de consensos



Explicar que fatos científicos não “caem do céu”, mas que são fruto de uma complexa construção do conhecimento, precisa ser parte do combate ao negacionismo, avaliam pesquisadores. Para ler o texto de Rodrigo de Oliveira Andrade clique aqui







Do transgenerismo ao transumanismo, a agenda para redefinir a realidade para a conformidade em massa



O desmantelamento da biologia e da identidade dentro da sociedade parece estar pronto para a rápida realização da eugenia, reembalada como transumanismo. Para ler o texto de Kayla Carman clique aqui







Neoliberalismo e a destruição da consciência



Ao destruir o professor, o Ocidente neoliberal está destruindo algo ainda mais importante: nossa autoconsciência! Para ler o texto de Hugo Dionísio clique aqui


Luísa Lobão Moniz: A segregação e a exclusão


Márcia Moussallem: A sociedade dos corpos perfeitos


Juan David Almeyda Sarmiento - Teologia política tecnodigital e transmodernidade: sobre o devir político da racionalidade digital


James E. Jennings - A esperança surge eternamente: decepcionada, acaba sendo mortal


Mari Mar Boillos Pereira e ​​​​​​​Ana Blanco Canales: Somos uma pessoa diferente quando falamos outra língua?


Sandra Schmitt Soster: Iniciativas da Wikipédia buscam preservação coletiva da memória do patrimônio histórico


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