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sábado, 30 de maio de 2026

Reflexões sobre o tempo presente





Futuro, sua filosofia e disputa


Márlon Pessanha: O espírito científico contra a certeza absoluta


José Tolentino de Mendonça: Manifesto humanista


Wilson Roberto Vieira Ferreira: Em 1995, Paul Virilio anteviu o sufocamento da Democracia pelo tempo real das redes no século XXI


Dylan Riley: Ângulos de visão


Felipe Carvalho Novaes - O preço da liberdade: como sociedades trocam ordem por criatividade, e vice‑versa


Vittorio Gallese: Seres humanos que acabam se considerando máquinas: eis o grande risco da IA


Alex Gourevitch: O socialismo nos permitirá trabalhar menos e em melhores condições


Reynaldo Aragon Gonçalves: Caminhos para o socialismo em tempos de IA


Cândido Grzybowski - O Princípio do Cuidado: Referência paradigmática para viver, pensar e agir no planeta Terra


Novidade editorial CLACSO


Notícias da China no. 24 | 30 de maio de 2026


Lorna Finlayson: Irreversível


Pedro Alcântara: Contra o eurocentrismo, em defesa de Marx


Luciene Tognetta - Pequenas violências, grandes sofrimentos: o bullying na educação infantil e as formas de combatê‑lo


Angela Boldrini e Carolina Moraes: Antes da maré verde


Dave Braneck: Os Enhanced Games não passam de uma fraude anabolizada


Susana Prizendt - Doenças e dívidas crônicas: o duplo veneno


Mariana Lins Costa: A boa empresa de IA ou o Mythos do nosso tempo


Tatiana Roque: A inteligência artificial é o espelho do que já fomos. A política é o que ainda podemos ser


Manuel G. Pascual - Catastrofistas versus aceleracionistas: a IA vai acabar com o mundo ou salvá-lo? 


Christopher Olah: Na IA encontramos coisas misteriosas, até mesmo perturbadoras, estados que refletem alegria, satisfação, medo, dor e inquietação


Carmen Navas Reyes e Carlos Ron: O debate sobre segurança pública e a disputa pelo território


Hugh Pym e outros: Redes sociais são tão prejudiciais a jovens quanto o cigarro, alertam médicos


Letícia Cesarino: É mais fácil imaginar o fim da internet que o fim das big techs?


Monica Stival: Precisamos atualizar nossa estratégia para enfrentar a guerra ecológica


Anne Applebaum: As empresas de tecnologia utilizam uma linguagem enganosa sobre a censura


Alan Arrigoni: Tempos difíceis para os direitos humanos


Noemi Alfieri: A Poesia de autoria afrodescendente e imigrante em Portugal nos circuitos independentes


Marta Lança: Porque demorámos tanto a escutar as Vozes da Afrodiáspora?


Selva Vargas Reátegui: Mais de 10 milhões de menores na África e na Ásia sofreram abuso sexual digital: “É muito fácil causar muito mal na internet


Maria José Oliveira: “Existia sadismo puro” da PIDE em Moçambique


sábado, 9 de maio de 2026

Reflexões sobre o tempo presente



























sábado, 4 de abril de 2026

Reflexões sobre o tempo presente







































sábado, 28 de março de 2026

Reflexões sobre o tempo presente


Vincent Berthelier: Será que Marx era estiloso?


Evgeny Morozov: Socialismo após a IA


Douglas Barros - Só há um mundo: cinco hipóteses contra a falência da crítica e por um novo horizonte comunista


César Bolaño: Por um decolonialismo marxista


Marcela Magalhães: O feminismo não é wokismo


Jwana Aziz e ​​​​​​​Anna Lavis: O que é um “macho alfa”?


Sara Goes e Paola Jochimsen: O “homem cancelado” como identidade política


Vinicius Siqueira: O nascimento do racismo na Alemanha – Hannah Arendt


Thomas Meaney: Normcore, Jurgen Haberrmas


Como (e por que) montar seu próprio curso online


Claudia Bacci: Para escancarar a misoginia das ditaduras


Luís Nassif: O risco invisível do crédito privado global


Emilano José: Agências norte-americanas e ascensão do neoliberalismo – parte 8


Novidade editorial CLACSO


Notícias da China no. 16 | 28 de março de 2026


Soberania Digital - 27/03/2026


Soberania Digital - 26/03/1026


Soberania Digital - 25/03/2026


Soberania Digital - 23/03/2026


Cory Doctorow: A possível internet pós-corporações


Fabricio Solagna: A cosmocomputação contra o colonialismo digital


Patricia Simón: O amor como ética pública e resistência


Vinício Carrilho Martinez: Como o capitalismo digital e o tecnofascismo estão reproduzindo antigas estruturas de dominação


Matthew P. Bergman e Zamaan Qureshi: Meta e Google são consideradas culpadas em casos históricos por causarem danos a jovens de forma consciente


Andrea DiP, Sofia Amaral, Ricardo Terto, Stela Diogo, Thaís Santana - Fé e IA: como as tecnologias estão transformando as experiências religiosas


Laís Martins: Como a IA abre caminho para o tecnofascismo


Paul D. McNelis, SJ: O argumento a favor de uma renda básica universal na era da IA 


Como a guerra no Oriente Médio pode acelerar a transição energética


Oliver Milman: Pesquisa revela que os EUA causaram US$ 10 trilhões em danos climáticos desde 1990


Franco Delle Donne: A extrema-direita aprendeu que primeiro se conquistam as mentes, depois as urnas


Roberto Mangabeira Unger: A rebeldia nem sempre compensa, mas a obediência sempre é punida


sábado, 14 de março de 2026

Reflexões sobre o tempo presente


 

Sêneca: Sobre a brevidade da vida


Célio Turino: Arte como forma de revolução


Débora Nunes e Emerson Sales: Viagens ao novo mundo das Ecovilas


Maurício Vieira Martins: Marx e o quarto “golpe no narcisismo humano


Marina Amaral: Vale a pena acreditar em jornalista?


Sophie Gilbert: O poder sexual é o único que as pessoas querem que as mulheres tenham


Redpill: saiba mais sobre este e outros termos de ódio contra mulheres


Jacqueline Muniz - Regret Nothing: a fotografia de um masculinismo capturado


Vinicius Siqueira: Trend “treinando caso ela diga não” é uma catarse do feminicídio


Novidade editorail CLACSO


Soberania Digital - 10/03/2026


Soberania Digital - 09/03/2026


Adão Cruz: Reflexão sobre nada


Felipe Melonio: O comunismo como festa


Alex Castro: Como ler jornal


Enrico Franceschini: O ganhador do Prêmio Nobel, Ishiguro, e outros 10 mil escritores assinam um "livro em branco" contra a Inteligência Artificial


Adela Cortina - Inteligência artificial: para quê?


Rafael Evangelista e Rodolfo Avelino - IA: Do pesadelo atual à luta por florescimento humano


Emily Santos: Adolescentes passam um terço do horário letivo no celular e têm prejuízos na atenção, revela estudo


Governo espanhol cria ferramenta para monitorar e responsabilizar discursos de ódio na internet


Raíssa Araújo Pacheco: Para pensar patriarcado e valor


João Bernardo: Ecologia. 2) Uma resposta desagradável?


Beatriz Daruj Gil e Marcelo Módolo: Linguagem inclusiva


Rodrigues & Weber: Como Bad Bunny levou a América Latina ao centro do Super Bowl


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Reflexões sobre o tempo presente


































Julián Fuks: Elogio do beijo, fantástica invenção humana que funda o momento


Nesta estrepitosa véspera de Carnaval, larga véspera que muito se arrasta, não quero conflito com ninguém e por isso me presto à mais fácil das escritas: ao elogio daquilo que todos apreciam enormemente.

Todos não, dirá o leitor impertinente, não há neste mundo nada que alcance o consenso absoluto, eu sei, mas sei também que poucos atos são tão estimados quanto este que decidi tornar assunto do meu texto.

Quero fazer o enfático elogio do beijo, essa ação maior que o sonho humano alimenta e que, como a liberdade que professou Cecilia Meireles, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

O beijo é o sumo gesto do carinho e do desejo, mas é muito mais que isso. O beijo longo, lânguido, atento, língua sobre língua e mãos entre os cabelos, é um eficaz dispositivo fundador de momentos. Quem beija se isola do espaço, inexiste a tudo aquilo que o cerca, apaga todo ruído para se concentrar no sólito ato tão libidinoso quanto inocente. Tudo em volta desvanece, exceto a boca própria e a boca alheia, o corpo do outro que se entrega com a mesma devoção ao mesmo momento. No beijo há um equilíbrio notável, não há alguém que o dê e outro que o receba, num bom beijo há sempre dois que igualmente se beijam (às vezes até três, ou cinco, num velho prazer que uns quantos têm reaprendido neste novo século).

O beijo é um dispositivo fundador de momentos, eu dizia, no beijo o próprio tempo desaparece. E, no entanto, porque funda o momento ele é capaz de preservá-lo com largueza, ele o inscreve numa memória quase indelével, um outro cronista até diria para sempre. Tudo aquilo que havia em volta e desvaneceu, tudo aquilo súbito renasce quando recordamos um beijo: as cores que cada um trajava, as velhas companhias do dia, a forma das nuvens no céu, a luz trêmula das estrelas. Nada nos devolve tão bem ao passado quanto a lembrança do primeiro beijo com alguém, quem quer que seja. O leitor não o sente, mesmo você, leitor impertinente? Não se vê devolvido agora de forma vívida àquele dia longínquo em que beijou pela primeira vez sua companheira, ou uma paixão qualquer, adolescente?

Cada beijo é único e irrepetível, e talvez seja isso o que garanta sua permanência no tempo. Cada beijo é único e irrepetível, e por isso insistimos em beijar, buscando na repetição o resquício do beijo que foi e o assombro do beijo que virá. O beijo é uma das marcas distintivas de cada sujeito, como as impressões digitais, como o formato do rosto reconhecido pelas máquinas. Distingue até mais do que os traços físicos, porque cada um beija com sua anatomia, sim, com a carne dos lábios e a maciez da língua, mas beija também com algo mais etéreo que traz dentro de si. Beija com as nuances de sua personalidade, beija com seus humores secretos, com avidez, ansiedade, audácia, com amor, candura, delicadeza, com temor, espanto, desespero, com paixão, volúpia, desejo, com medo de morrer e ânsia de viver.

Conhece-se muito do outro a partir do encontro com seus lábios, com sua língua, com sua nuca e seu pescoço, e por isso perde muito aquele que descarta de forma terminante o beijo com alguma amiga, algum amigo, com qualquer um que se almeje próximo e querido. O beijo funda o instante presente, sim, mas funda também um futuro, inaugura uma intimidade que não se perderá tão cedo, às vezes alguma ternura, ou uma promessa que porventura peça renovação de tempos em tempos. Nesse sentido o beijo é como a nudez: pode produzir uma cumplicidade quase imediata, pode revelar algo que talvez jamais se esqueça.

Este texto poderia ser infinito, como todo beijo extrapola o seu próprio momento e flerta com o infinito enquanto não se encerra. Quando um beijo se encerra, não é raro que venha seguido de um suspiro e uma entrega ao peito alheio, uma entrega ao devaneio. Com o texto não pretendo tal efeito, seu objetivo é bem mais modesto. Com a demora destas palavras, o leitor e eu já nos aproximamos uns minutos a mais do Carnaval, quando toda a teoria há de calar em nome da prática muito mais prazerosa.

Julián Fuks

Fonte: Aqui



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