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quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Reflexões sobre o tempo presente

 





Legado científico de Carl Sagan vai muito além da série de TV “Cosmos


Em 9 de novembro de 2024, o mundo comemorará o 90º aniversário de Carl Sagan - mas, infelizmente, sem Sagan, que morreu em 1996 aos 62 anos. A maioria das pessoas se lembra dele como o cocriador e apresentador da série de televisão “Cosmos”, assistida por centenas de milhões de pessoas em todo mundo nos anos 1980. Outros leram “Contato”, seu romance de ficção científica mais vendido, ou “Os Dragões do Éden”, seu livro de não ficção vencedor do Prêmio Pulitzer. Outros milhões de pessoas o viram popularizar a astronomia no “The Tonight Show” (um dos mais antigos e assistidos programas de entrevista dos EUA). O que a maioria das pessoas não sabe sobre Sagan, e que foi um pouco obscurecido por sua fama, é o impacto de longo alcance de sua ciência, que ressoa até hoje. Sagan foi um divulgador científico inigualável, um defensor astuto e um escritor prolífico. Mas ele também foi um cientista extraordinário. Para ler o texto de Jean-Luc Margot clique aqui







A violência não pode ser curada com o bastão. O que falta é o senso da lei



Os episódios cada vez mais frequentes de violência nas escolas pareceriam dar razão àqueles que gostariam de restaurar a severidade que existia antes de 1968, mas não é tão simples”. O psicanalista milanês Massimo Recalcati, 64 anos, falou no Festival Social Comunidades Educativas, na Gallerie d'Italia, em Turim, definindo “como loucura o pensamento nostálgico, porque, em primeiro lugar, a escola e a família antes de 1968 não funcionavam. O pai decidia por todos e a escola prolongava esse modelo fora de casa, extinguindo todo pensamento crítico e fantasia. O movimento de 1968 deu o direito de falar às mulheres e aos jovens, contudo não somos cegos e sabemos que o bebê foi jogado fora junto com a água do banho, de forma que agora é uma questão de reequilibrar, mas sem idealizar o passado”. Para ler o texto de Francesco Rigatelli sobre as reflexões de Massimo Recalcati clique aqui








O Estado digital e suas armadilhas



Ao modernizar serviços e dados públicos, países do Sul Global poderiam ampliar a soberania digital. Mas com frequência sucumbem às grandes corporações ocidentais. Cooperação regional ou Sul-Sul pode ser caminho contra esta maldição. Para ler o texto de James Görgen clique aqui



Margaret Atwood: Falamos muito sobre identidade e praticamente nada sobre classe


Fernando Nogueira da Costa: Fé Cega, Faca Amolada


Owen Hatherley: Lênin e o lazer


Um milhão de espécies estará ameaçada de extinção até o fim do século. Será que o homo sapiens é uma dessas espécies ameaçadas?


As lições das escolas do Reino Unido que baniram celulares: 'crianças deixaram de ser zumbis'


Silvia Federici: As bruxas e as lutas de classes


terça-feira, 28 de novembro de 2023

A guerra de Gaza e as revelações do ex-chefe do Estado-Maior de Israel

 




Recentemente, uma gravação áudio de uma reunião confidencial apareceu nos meios de comunicação social de todo o mundo, revelando o funcionamento interno do comando israelita e levantando completamente todo o segredo que anteriormente rodeava os militares e os seus assuntos políticos. Figuras importantes, incluindo Aviv Kohavi, antigo Chefe do Estado-Maior de Israel, participaram nesta reunião de alto nível que lançou luz sobre as operações militares e discussões estratégicas. Para ler o texto de  Viktor Mikhin clique aqui










quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Evidências extraordinárias em Vênus

 


A pergunta central que devemos nos fazer sobre a vida em Vênus é se as evidências são extraordinárias o bastante para satisfazer a ‘lei de Sagan’. Para ler o texto de Javier Sampedro clique aqui


Carl Sagan: astrônomo "previu" há 50 anos possibilidade de vida em Vênus


Um estudo publicado na última segunda-feira (14) detectou evidências de que poderia existir vida em Vênus. Mas a descoberta não surpreendeu quem acompanhava de perto o trabalho de Carl Sagan. O astrônomo que ficou famoso pela série de TV "Cosmos" (1980) já havia alertado, em 1967, sobre a possibilidade de que as nuvens do planeta seriam o lar de algum de tipo de ser vivo — mas parece que não demos a devida atenção. Para ler o texto de Carina Brito clique aqui




quarta-feira, 28 de novembro de 2018

CARL SAGAN: As variedades da experiência científica

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Leonardo Motta

08/01/2008


Acabei de ler nessas férias o belíssimo livro The Varieties of Scientific Experience (As variedades da experiência científica) de Carl Sagan. A versão original pode ser encontrada aqui e a edição em português de Portugal aqui. O subtítulo do livro é uma visão pessoal da busca de Deus. Até onde eu saiba é o único livro de Sagan que fala explicitamente sobre religião. O livro é póstumo e foi publicado no final de 2006, editado pela sua esposa Ann Druyan e consiste nas Palestras Gifford de 1985 apresentadas por Sagan. Esta série de palestras é sobre teologia natural, i.e. aspectos da religião que não são obtidos por revelação divina. Ao longo da sua existência, esta série de palestras já apresentou ideias de diversos intelectuais, teólogos e cientistas, como os físicos Arthur Eddington ('26-'27), Niels Bohr ('48-'50), Werner Heisenberg ('55-'56), Freeman Dyson ('85), Roger Penrose ('92-'93) e humanistas do porte de Hannah Arendt ('72-'74) e Noam Chomsky ('05). O livro contém belas imagens coloridas do cosmos, bem típicas da paixão do astrônomo pelo mundo natural e também um apêndice com transcrições parciais das sessões de perguntas e respostas ao final de cada palestra.

Com sua diplomacia intelectual característica, Sagan fala sobre as razões para acreditar em um Deus ou outros entes sobrenaturais que poderiam intervir no rumo do universo em especial no quotidiano humano. Sem palavras ásperas ou ataques, Sagan tenta construir um momento de reflexão para todos que tem interesse em avaliar sua fé. É um livrinho muito salutar para qualquer pessoa, e é um dos poucos com alguma chance de abalar a fé dos religiosos liberais, contrastando bastante com os mais vendidos de Richard Dawkins e Sam Harris. Infelizmente, como Sagan mantém um discurso sereno e cheio de conteúdo ao invés de inflamar corações, é bem provável que ele não figurará entre os mais lidos.
Aqui eu gostaria de colocar alguns pedaços do livro que mais me chamaram atenção.
Metafísica
Um dos aspectos da experiência religiosa é a metafísica, aquelas ideias sobre a existência, em algum sentido, de "apêndices" da realidade, da natureza. Por exemplo, a idéia de que os relâmpagos são fisicamente lançados por um homem gigante e muito forte no alto do monte Olimpo; ou a existência dos milagres, de anjos, espíritos e outros entes imateriais que podem se comunicar direta ou indiretamente conosco; ou uma consciência omnipotente que arquitetou e executou o programa da vida no universo. Vamos começar a refletir sobre este aspecto lembrando que na Idade Média acreditava-se que eram os anjos que empurravam os planetas no céu. Hoje temos a compreensão de que existe gravidade no universo. No final das contas, o aspecto metafísico da religião busca buracos na ciência e os preenche com uma hipótese do gênero: "se isso não se explica pelo movimento de elétrons, então só pode ser obra divina". Mas o fato de não termos uma compreensão completa de um fenômeno não significa que uma explicação racional, objetiva e matemática, não exista. De fato, a história tem mostrado sistematicamente que várias das idéias da metafísica da religião de séculos passados foram explicadas em termos científicos que gerou um poder de explicação muito mais abrangente. Pense por exemplo em como a hipótese de que os relâmpagos são produto de Zeus poderia nos levar a construir o aparelho de rádio.
Hoje em dia a maioria das pessoas não disputaria com a ciência o que produz o relâmpago. Embora o princípio seja o mesmo, há pessoas que aderem a concepções de mundo logicamente inconsistentes que aceitam a explicação científica para o relâmpago mas acreditam que apenas no que diz respeito a criação do universo e da vida, e somente nisso, há um dedinho de Deus. O capítulo 3 do livro de Sagan versa sobre esse debate. Algo de muito interessante que aprendi nesse capítulo é que as moléculas orgânicas mais simples  os blocos químicos que compõe os aminoácidos, proteínas, DNA e RNA — são muito comuns em lugares inesperados do universo, como por exemplo a cauda de um cometa. Além disso, no próprio sistema solar há corpos como os satélites de Saturno Iapetus e Titã que contém água e moléculas orgânicas (como cianeto, hidrocarbonetos, metano, álcoois). Titã em especial contém uma atmosfera dominada por nitrogênio, assim como é a da Terra (nós vivemos numa atmosfera quase 70% de gás nitrogênio). Carl Sagan expressa sua admiração por esse mundo:
Eu acho que é algo muito interessante que há um mundo no sistema solar exterior carregado de material para vida. E nós podemos calcular, dada a taxa com que esses materiais são formados hoje em Titã, quanto destes materiais acumulou lá ao longo da vida do sistema solar. A resposta é equivalente a uma camada de pelo menos cem metros de espessura por todo Titã e possivelmente quilômetros de espessura. [...] E, coincidentemente, há também evidências que há uma camada de oceano de hidrocarboneto líquido. Então, apenas pense sobre esse ambiente. Há terra, provavelmente há oceano. A terra é coberta por essa camada orgânica que cai do céu. [...] O que aconteceu com esse material ao longo de 4,6 bilhões de anos? Quão complexas são as moléculas lá?
A presença de moléculas orgânicas em várias partes do universo, produzidas pela ação das reações nas caudas de cometas ou formação de atmosferas de planetas e satélites indica que a vida deve ser muito comum no universo. Só o telescópio espacial Hubble é capaz de enxergar 1020estrelas (equivalente ao número de grãos de areia de toda a superfície da Terra!). Como o Sol é uma estrela típica, muitas dessas estrelas possuem sistemas planetários, e tal como o nosso, provavelmente produziram ao acaso a vida, uma vez que moléculas orgânicas estão disponíveis em abundância na formação desses sistemas. Como a evolução é um relojeiro cego, alguns desses mundos podem ter produzidos apenas micróbios, outros podem ter produzido seres muito mais inteligentes que os seres humanos. Não temos evidências de que há vida fora da Terra, todavia a argumentação precedente indica que ela muito provavelmente existe. Se um dia o projeto SETI ou outro similar fizer contato com extraterrestres inteligentes, será algo profundo para repensar o quão importante os seres humanos são para esse universo e se o criador realmente intervém a nosso favor em qualquer situação.
Folclore sobre extraterrestres

Sagan foi um explorador espacial, então muito lhe interessava alegações sobre visitas de alienígenas. Ele relata com mais cuidado sua experiência no ramo da investigação de relatos de abdução em O Mundo Assombrado Pelos Demônios (Cia. das Letras). É evidente que para critérios razoáveis de veracidade nunca fomos visitados por alienígenas. Sagan compara a experiência que teve com estas investigações com os relatos das experiências religiosas e dos milagres. Muitas pessoas genuinamente tem experiências religiosas, dizem ter visto milagres ou terem sido elas próprias salvas por milagres. Isso contudo não significa que a coisa seja como alegado. Por exemplo, uma experiência religiosa muito relatada é a sensação de atravessar um túnel com uma luz intensa no final. Esta experiência é descrita por muitas pessoas reanimadas por desfibriladores. Esta sensação é real e pode ser obtida num experimento controlado como na decolagem de um avião supersônico. O que acontece é que a desoxigenação rápida do cérebro, característica deste experimento controlado ou de certos tipos de paradas cardíacas, causa essa alucinação. As pessoas podem ser facilmente enganadas por si próprias, por desconhecerem o funcionamento de ilusões de óptica, alucinações ou delírio. Em alguns casos a questão é pura fraude. De qualquer modo, a respeito disso é muito forte o pensamento do político Thomas Paine, como citado por Sagan:

É mais provável que a Natureza sairá do seu rumo ou que um homem contará uma mentira?

Nós nunca vimos no nosso tempo a Natureza sair do seu curso. Todavia há evidências de que milhões de mentiras já foram contadas no mesmo tempo. É portanto pelo menos um milhão para um que um relator de milagres está mentido.

Ou na versão de David Hume, com um pouco mais de significado para o cristianismo:
Quando alguém me diz que viu um homem ressuscitar dos mortos, eu imediatamente me pergunto o que seria mais provável: esta pessoa estar mentido ou ter sido enganada, ou o milagre relatado ter realmente ocorrido. Eu sempre escolho a opção menos milagrosa. Se a
falsidade do relato for mais milagrosa do que o evento que ele descreve, então ele pode dizer que comanda meu credo ou opinião.

A hipótese de Deus

O ápice do livro talvez seja o capítulo 6, intitulado A hipótese de Deus. Sagan começa com um debate sobre as tentativas de justificar a existência de Deus, incluindo ideias hindus, porém se concentrando na tradição judaico-cristã-islâmica. Ele desnuda cada uma das justificativas. Depois segue-se uma breve avaliação dos problemas inerentes a existência de Deus, como o clássico problema da antiguidade grega que evidencia que Deus não pode ser ao mesmo tempo omnipotente, omnisciente e bondoso:
Deus deseja acabar com o mal, mas não é capaz?

Então ele não é omnipotente.

Ele é capaz, mas não deseja?

Então ele é malevolente.

Ele é capaz e também deseja?

Então ele pratica o mal?

Ele não é capaz nem deseja?

Então porque chamá-lo de Deus?


— Epicuro

A propósito desta parte do livro, há uma outra observação interessante apontada por Albert Einstein. Um Deus pessoal que intervém no universo a nosso favor discorda com o princípio básico da ciência de que há leis imutáveis que regem o comportamento do universo, leis que podem ser inferidas por meio de experimentos reprodutíveis. O eletromagnetismo macroscópico é descrito por equações — as equações de Maxwell  e não pela vontade de uma consciência que altera como lhe convém o comportamento da luz, da eletricidade e do magnetismo. Ou a ciência pode utilizar-se de modelos lógicos e racionais para descrever o universo sem ambiguidades ou não pode. Neste último caso, nossos modelos científicos devem estar errados.

Para encerrar o capítulo 6, Sagan faz uma pergunta legítima e simples que merece uma resposta honesta. A tradição judaico-cristã-islâmica é baseada na ideia de que algumas pessoas (entre elas, supostamente: Abraão, Moisés, Jesus e Maomé) receberam comunicação direta de Deus, sabedoria então registrada nos livros ditos sagrados. É também um fato universal que todas religiões precisam se validar de alguma forma apresentando ideias sobre como ocorrem intervenções sobrenaturais que "provam" as alegações dessas religiões (e.g. a psicografia no espiritismo ou a encarnação da pomba-gira na umbanda). Dito isto, a pergunta de Sagan é: por que Deus (ou outros deuses) não deixaram claro e evidente para todos os seres humanos sinais de Sua existência? Por exemplo, o Deus cristão bem que podia ter colocado um crucifixo maior que Júpiter em órbita ao redor do Sol. Ou ao invés de ter secretamente fornecido a Moisés os dez mandamentos no alto de uma montanha, quando ninguém estava por perto para ter certeza, poderia tê-los escrito em hebraico na superfície da Lua. É incrível como o Deus da Bíblia preocupou-se em repassar informações sobre as regras e legitimidade de escravização (e.g. Êxodo 21:2-7), o uso da pena de morte para crianças mal criadas, feiticeiros, prostitutas, ateus e homossexuais (e.g. Deuteronômio 21:18-21, Levítico 20:27, Levítico 29:1), quais vilas o exército de Israel deve invadir e destruir (Números 31:14-18), etc., todas afirmações perfeitamente passíveis de terem sido escritas por seres humanos comuns (uma análise crítica apontaria que o Velho Testamento foi mais provavelmente escrito por líderes políticos e generais de exército do que uma consciência sobre-humana), mas foi incapaz de fornecer uma única frase que seria impossível de ser entendida ou concebida por humanos na época em que as escrituras foram preparadas. Ora, Abraão e Moisés tiveram o privilégio de ver Deus eles próprios, então nada mais razoável que Deus tivesse dado a eles alguma informação que seria compreendida apenas no século 21 e que serviria da prova de sua existência. Por exemplo, ele poderia ter repassado entre os dez mandamentos: "Não ultrapassarás a velocidade da luz". Tal mandamento passaria como um enigma legítimo até o início do século 20. Com a descoberta da relatividade ficaria claro que este mandamento fora realmente comunicado a Moisés por uma consciência muito melhor informada sobre o universo do que qualquer humano daquela época poderia ser. Desta forma haveria evidências da existência de tal consciência não apenas para Moisés como para todo homem do século 21. No entanto, não há uma única mensagem matemática ou código sobre o universo escrito na Bíblia, e as poucas passagens literais sobre a planura da Terra e a origem da vida se provaram equívocas. Por que Deus não deixou prova clara de sua existência dessa forma ou por que ele cometeu erros tão grosseiros sobre a organização do cosmos?
Eu gostaria de enfatizar que o argumento precedente se aplica não apenas ao Deus das escrituras sagradas, mas igualmente a alegações sobre a existência de espíritos e outras formas sobrenaturais. Há uma ampla gama de ideias que parecem apelar para nós como evidências das religiões mas que são construídas de forma a serem deliberadamente impossíveis de serem experimentadas por todos os humanos. Portanto é legítimo e bastante honesto perguntar: se esses entes tem os poderes alegados, a importância alegada para a organização da vida humana, por que se provam escusos para quase todos nós? Por que não deixam claro a sua existência?

FONTE: Aqui

Leia “A sequência de Cosmos que estava nos planos de Carl Sagan” de Élisson Amboni clicando aqui


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Leia um trecho (“A hipótese da existência de Deus”) retirado do livro “As variedades da experiência científica” de Carl Sagan, clicando aqui

Leia “Sagan à procura de Deus” clicando aqui

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

CARL SAGAN: "O mundo assombrado pelos demônios"

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Assombrado com a escuridão que parece tomar conta do mundo, onde explicações pseudocientíficas e místicas ocupam cada vez mais os espaços dos meios de comunicação, Carl Sagan* acende a vela do conhecimento científico para tentar iluminar os dias de hoje e recuperar os valores da racionalidade. Em meio a anjos e ETs, astrólogos e médiuns, fundamentalismos religiosos e filosofias alternativas, dois mais dois continuam a ser quatro e as leis da mecânica quântica permanecem valendo em qualquer parte do planeta. Este livro é uma reafirmação plena do poder positivo e benéfico da ciência e da tecnologia.
Para ter acesso ao conteúdo integral do livro de Carl Sagan "O mundo assombrado pelos demônios", clique aqui

*Carl Sagan foi professor de astronomia e ciências espaciais na Cornell University e cientista convidado no Laboratório de Propulsão a Jato do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Autor de dezenas de artigos e livros científicos e agraciado com várias medalhas e prêmios por suas contribuições ao desenvolvimento e divulgação da ciência, é também autor de muitos best-sellers, entre eles “Cosmos”, o livro de ciência mais lido no mundo, e “Pálido Ponto Azul”, publicado pela Companhia das Letras.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

As dicas de ‘fact-checking’ do astrônomo Carl Sagan

carl sagan cosmos

Em livro de 1996, especialista sugere fontes independentes e desconfiança com relação a ‘autoridades’. Para ler o texto completo de Camilo Rocha clique aqui

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Vinte anos sem Carl Sagan

sagan

Há vinte anos atrás o mundo perdeu um grande ser humano. Carl Sagan foi um astrônomo estadunidense, cosmólogo, astrofísico, astrobiólogo, popularizador da ciência, cético científico, professor, autor ganhador do Prêmio Pulizter, celebridade televisiva ganhadora do Prêmio Peabody e um humanitário visionário, dedicado a melhorar a alfabetização científica em todo o mundo. Ele recebeu a Medalha de Distinção em Serviço Público da NASA, ajudando a planejar as primeiras mensagens da Terra enviadas ao Espaço e defendendo o Projeto SETI (Busca por Inteligência Extraterrestre). Sua série na televisão pública nos anos 80, Cosmos, atingiu centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Ele foi um verdadeiro defensor da ciência, do ceticismo científico e do pensamento crítico. Carl Sagan morreu de pneumonia com 62 anos, em 20 de dezembro de 1996, depois de ter sofrido com um câncer e passar por vários transplantes de medula óssea.

Lembramos dele com carinho neste dia, gratos pela inspiração e educação que ele forneceu a tantos.
Na montagem contemplativa a seguir, Carl Sagan lê um texto de seu livro, Pálido ponto azul: uma visão do futuro da humanidade no espaço
Para assistir ao vídeo clique aqui


sábado, 5 de janeiro de 2013

CARL SAGAN: Sobre ser um humanista secular

Carl Edward Sagan
 
Carl Edward Sagan, astrônomo, foi e ainda é um dos grandes expoentes do humanismo secular. Divulgou de forma apaixonada a ciência contra o obscurantismo religioso e pseudocientífico, além de ser um grande ativista contra a iminente guerra nuclear entre EUA e Rússia durante a Guerra Fria.
Para ler o seu artigo clique aqui

sábado, 29 de setembro de 2012

CARL SAGAN: A arte refinada de detectar mentiras

Meus pais morreram há anos. Eu era muito ligado a eles. Ainda sinto uma saudade terrível. Sei que sempre sentirei. Desejo acreditar que sua essência, suas personalidades, o que eu tanto amava neles, ainda existe — real e verdadeiramente — em algum lugar. Não pediria muito, apenas cinco ou dez minutos por ano, para lhes contar sobre os netos, pô-las ao corrente das últimas novidades, lembrar-lhes que eu os amo. Uma parte minha — por mais infantil que pareça — se pergunta como é que estarão. “Está tudo bem?”, desejo perguntar. As últimas palavras que me vi dizendo a meu pai, na hora de sua morte, foram: “Tome cuidado”.
Às vezes sonho que estou falando com meus pais, e de repente — ainda imerso na elaboração do sonho — sou tomado pela consciência esmagadora de que eles não morreram de verdade, de que tudo não passou de um erro horrível. Ora, ali estão eles, vivos e bem de saúde, meu pai fazendo piadas inteligentes, minha mãe muito séria me aconselhando a usar uma manta porque está frio. Quando acordo, passo de novo por um processo abreviado de luto. Evidentemente, existe algo dentro de mim que está pronto a acreditar na vida após a morte. E que não está nem um pouco interessado em saber se há alguma evidência séria que confirme tal coisa.
Por isso, não rio da mulher que visita o túmulo do marido e conversa com ele de vez em quando, talvez no aniversário de sua morte. Não é difícil de compreender. E se tenho dificuldades com o status ontológico daquele com que ela está falando, não faz mal. Não é isso que importa. O que importa é que os seres humanos são humanos. Mais de um terço dos adultos norte-americanos acreditam que em algum nível estabeleceram contato com os mortos. O número parece ter dado um pulo de 15% entre 1977 e 1988. Um quarto dos norte-americanos acredita em reencarnação.
Para ler o texto completo de Carl Sagan clique aqui

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Aborto: é possível ser “pró-vida” e “pró-escolha” ao mesmo tempo?

A questão fora resolvida havia anos. Os tribunais decidiram o caminho do meio. Pensava-se que a luta havia acabado. Ao invés disso o que temos são ataques, bombas e intimidação, assassinato de trabalhadores em clínicas que fazem abortos, prisões, lobby intenso, drama legislativo, audiências públicas, decisões dos supremos tribunais, grandes partidos políticos quase se definindo inteiramente através desta questão, e religiosos ameaçando políticos à perdição. Militantes disparam acusações de hipocrisia e assassinato. A defesa da Constituição e a vontade de Deus são igualmente invocadas. Argumentos duvidosos são repetidos como certezas. As facções em disputa reivindicam a ciência para sustentar suas posições. Famílias se dividem, maridos e esposas decidem não discutir sobre o tema, amigos de longa data não mais se falam. Políticos consultam as pesquisas de opinião para saber o que dizem suas consciências. No meio de tanta gritaria fica difícil para os adversários se escutarem. As opiniões se polarizam. As mentes de fecham.
É errado abortar uma gravidez? Sempre? Às vezes? Nunca? Como decidir? Escrevemos este artigo para melhor compreender que visões disputam tais questões e para ver se nós mesmos encontramos uma posição que nos satisfaça. Não haveria um caminho do meio? Foi preciso pesar os argumentos de ambos os lados em relação a sua consistência e propor exemplos-teste, alguns destes puramente hipotéticos. Se em alguns destes testes parecemos ir muito longe, pedimos aos leitores e leitoras que sejam pacientes conosco – estamos tentando forçar as várias posições até seu limite para ver sua fragilidade e onde falham. 
Para ler o artigo completo de Carl Sagan e de Ann Druyan clique aqui

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Nós estamos aqui: o Pálido Ponto Azul - Carl Sagan

Este emocionante texto de Carl Sagan nos faz pensar sobre o que realmente importa na vida.
“Devido ao reflexo da luz do sol na nave espacial, a Terra parece estar pousada num raio de luz, como se nosso mundo tivesse um significado especial”. Mas é um acidente de geometria óptica. O sol emite sua radiação eqüitativamente em todas as direções. Se a foto tivesse sido tirada um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde, nenhum raio de sol teria dado mais luz à Terra.
Deste ponto distante de observação, a Terra talvez não apresente nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente.
Olhem de novo para aquele ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, todos os que conhecemos de quem ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas.
Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, “superastros”, “líderes supremos”, todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol.
A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração deste ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes mal distinguíveis de algum outro canto em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes.
Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no universo, tudo é posto em dúvida por este ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.
A Terra é, até agora, o único mundo conhecido que abriga a vida. Não há nenhum outro lugar, ao menos em futuro próximo, para onde nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Estabelecer-se, ainda não. Goste-se ou não, no momento a Terra é o nosso posto.
Tem-se dito que Astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina humildade.
Talvez não exista melhor comprovação das loucuras da vaidade humana do que esta distante imagem de nosso mundo minúsculo. “Para mim, ela sublinha a responsabilidade de nos relacionarmos mais bondosamente uns com os outros e de preservarmos e amarmos o pálido ponto azul, o único lar que conhecemos.”
Carl Sagan - (de “Um pálido ponto azul”, 1994).
Se preferir, assista ao vídeo, narrado pelo próprio Sagan, com uma emocionante homenagem a esse grande divulgador da ciência.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vale sempre a pena reler Carl Sagan

O capítulo que se segue – «Haverá vida inteligente na Terra?» – foi transcrito do livro «O Ponto Azul-Claro», inspirado na iconográfica fotografia da Voyager de um distante planeta Terra e planeado como uma sequela do célebre «Cosmos: uma viagem pessoal», um livro baseado na série de televisão.
Este livro foi publicado em 1994, dois anos antes de Sagan morrer, mas mesmo a passagem dos anos não lhe tira atualidade e pertinência: talvez porque ele nunca se preocupou em escrever apenas sobre Ciência, mas em partilhar uma visão de futuro que tem tanto de científica como espiritual.
O capítulo aqui transcrito aborda uma situação hipotética: se uma nave de extraterrestres visitasse o nosso sistema solar e investigasse a Terra, que encontrariam eles? Como descobririam a existência de vida? Como seriam capazes de detetar organismos inteligentes?
Ao inverter os papéis e fazer da Terra o objeto das observações, Sagan propõe-nos reconsiderar, com acutilância, imaginação e sentido de humor, o nosso papel no Cosmos e o que andamos a fazer neste frágil ponto-azul claro.
Segue-se então o texto de Carl Sagan, traduzido por Augusto Manuel Marques e Jorge Landeck. As fotografias aéreas são da autoria de Yann Arthus-Bertrand. Para ler o texto de Carl Sagan clique aqui

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