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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Açúcar, droga pesada

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A alimentação talvez seja o exemplo mais emblemático da distância que pode existir entre riqueza e prosperidade. Parte importante daquilo que o sistema econômico oferece à vida social agrava problemas cujas soluções vão ficando cada vez mais difíceis e caras.
Não há dúvida de que para eliminar a vergonhosa existência de 1 bilhão de pessoas em situação de fome é necessário dispor de alimentos. Mas a verdade é que há, no mundo contemporâneo, 500 milhões de obesos. Somados às vítimas do sobrepeso, é um contingente que supera e cresce muito mais que o de famintos.
As doenças do excesso ameaçam mais gente que as enfermidades da falta. Os riscos sociais que decorrem daí são crescentes e repercutem sobre a própria viabilidade de financiamento dos sistemas de saúde em diferentes países.
Esta é a razão pela qual o tema desperta o interesse não só dos especialistas em saúde pública, mas também de organizações financeiras globais.
Para ler o texto completo de Ricardo Abramovay clique aqui

terça-feira, 25 de setembro de 2012

ENTREVISTA/RICARDO ABRAMOVAY: O modo pós-capitalista de estar no mundo

Num momento em que a humanidade debate-se diante de novos impasses – agora provocados pela crença absoluta na razão, pela exploração da natureza sem limites e por um sistema econômico que subordina todas as relações sociais ao dinheiro e ao lucro –, Ricardo Abramovay sustenta que a saída já existe. Ela está presente em valores e lógicas que, embora contra-hegemônicos, são adotados por um número expressivo de pessoas e se alastram de forma crescente pelas próprias relações de produção.
Não se trata, esclarece o entrevistado, de um retorno ao “socialismo real”. Ninguém mais defende o controle direto, pelos Estados, dos meios de produção e das decisões sobre o que produzir e como trocar. A crítica e a alternativa são de outra natureza. Provavelmente, muito mais profundas, porque questionam as relações sociais e simbólicas associadas ao sistema – não apenas o grupo ou classe social que está em seu comando.
Abramovay – que acaba de lançar um novo livro, “Muito além da Economia Verde“ [ler resenha] – aponta exemplos concretos. Vão ficando para trás as noções que associavam sucesso pessoal ao acúmulo de bens materiais. Um dos focos desta superação é o automóvel, mercadoria-símbolo do capitalismo. De que vale possuí-lo, se ele já não oferece mobilidade alguma, nos centros urbanos? Na desconstrução de seu fetiche, emergem reivindicações como o direito à cidade, ou o transporte coletivo de qualidade; e mesmo a valorização da bicicleta e das caminhadas, há pouco desqualificadas como arcaicas.
Coloca-se em xeque a competição, um valor central na lógica dominante. Cultiva-se a colaboração e o cooperativismo – que, graças à internet, já não estão presos ao território, à família e ao local. Pratica-se o trabalho compartilhado a distância: por exemplo, nas comunidades de software livre. Seus integrantes não pensam em restringir o uso dos conhecimentos que desenvolvem. Sabem que ele se enriquecerá cada vez mais, enquanto for compartilhado. Por isso, preferem mantê-lo aberto e disponível aos demais. E este modo de agir, que produz resultados notáveis, é acatado e contratado por grandes empresas do setor, como IBM e Google.
A estas práticas, corresponde uma nova visão de democracia – que vai muito além do voto, do partido ou da representação. Busca-se participar permanentemente da vida pública: em movimentos, redes e ONGs voltados a todos os tipos de causas. Exige-se das empresas padrões de comportamento adequados a objetivos sociais. Questiona-se seu suposto “direito” de buscar apenas resultados econômicos.
Onde chegará este questionamento, que coloca em xeque os próprios valores do sistema? Abramovay não está preocupado com rótulos. Como o Galileu de Brecht, enxerga que “o tempo antigo acabou, e começou um novo”. Quer valorizar um outro modo de estar no mundo; criar condições para que se propague, demonstrando como são obsoletas as velhas relações – mas também possível e indispensável a mudança.
Leia a entrevista de Ricardo Abramovay aqui

terça-feira, 24 de abril de 2012

Repensar a economia, o desafio do século 21

Ricardo Abramovay dispara, em entrevista: “Trata-se de fazer a pergunta que a ciência econômica sempre omite: crescer para quê, para produzir o quê, para qual resultado?
Confira a entrevista aqui

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rumo a uma sociedade da partilha?


Não é inocente o uso da palavra revolução no nome de batismo das eras econômicas. Mais do que técnicas e possibilidades de mercado, o que está em jogo na terceira revolução industrial anunciada por Jeremy Rifkin é um novo poder: partilhado, descentralizado, colaborativo ou, para usar a expressão do título de seu último livro, lateral. Em comum com as duas revoluções industriais anteriores, a do século XXI também emerge da convergência entre novos meios de comunicação e formas inéditas de produção de energia. A coerência dos grandes períodos históricos dos últimos dois séculos é dada por essa unidade entre comunicação e energia. O carvão e o vapor, no século XIX, abrem caminho não só para estradas de ferro, e imensas frotas navais, mas também para a massificação de materiais impressos, o que favorece o surgimento da educação pública na Europa e nos Estados Unidos. Na segunda revolução industrial, que domina todo o século XX, o petróleo e a eletricidade permitem o motor a combustão interna, o automóvel individual e, sobretudo a comunicação apoiada em grandes centrais elétricas: telégrafo, telefone, rádio e televisão.
A terceira revolução industrial tem como marca central a rede de energia/internet. O fundamental não está na energia, na internet ou na noção de rede, e sim na junção das três: não só a energia, mas parte crescente da prosperidade do século XXI virá de uma organização social assinalada pela descentralização, pela cooperação e pela partilha.
Para ler o texto completo de Ricardo Abramovay clique aqui

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