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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A melancolia fora de lugar

Gravura "Mellancolia", de Albrecht Dürer
Refletir, pensar, saber o porquê: eis uma das características marcantes dos seres humanos – que se acentua em alguns, noutros menos.
Sentir, provar, viver intensamente o que se apresenta, eis outra característica que também se acentua em uns, em outros não tanto.
Ser melancólico e saber o que é melancolia, creio, sempre acompanhou o homem em sua trajetória pela terra. Melancolia, então, tornou- se um grande enigma: por uns vivido, por outros pretensamente desvendado.
Embora presente em todas as culturas, foi entre os gregos da Antiguidade que se destacou a sua racionalização, ou seja, a real compreensão do que poderia ser. Em Aristóteles conseguimos ter sua sistematizacão, que chegou até nós após ter influenciado várias sociedades. Ele faz uma clara associação entre melancolia e criatividade.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Joseph Campbell, que ajudou a ver além da razão

Joseph Campbell me parece aquele tipo de sujeito com quem a gente gostaria de sentar em um lugar agradável e dividir um papo, uma prosa, sobre o sentido da vida e do universo. Uma figura especial, dessas que deixam um rastro por onde passam, com ensinamentos que fluem em palavras simples e proveitosas, raras nos dia de hoje.
Embora, inicialmente tenha começado seus estudos na área da biologia e da matemática, esse norte-americano de Nova York, nascido em 1904, dirigiu os seus estudos acadêmicos para a literatura inglesa e literatura medieval, tema de seu mestrado na Universidade de Columbia.
Porém, o que o tornou mundialmente conhecido foi ter-se tornado uma das maiores autoridades mundiais sobre os mitos das diversas culturas humanas. Foi uma inclinação que se desenvolveu desde os tempos de infância, quando tomou contato e se apaixonou pelo modo de vida dos povos que povoaram a América antes da chegada dos europeus. Esta paixão foi incentivada por seu pai, que o levava frequentemente ao Museu Americano de História Natural de Nova York, onde, maravilhado, tomou contato com impressionantes coleções antropológicas.
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domingo, 1 de abril de 2012

O progresso conduz a uma vida melhor?

Para encontrar espaço entre quem vê tecnologia como redenção do ser humano e quem nega seu papel de forma absoluta.
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sábado, 25 de fevereiro de 2012

A obra em que Darcy Ribeiro desafia o Brasil


No ano de 1995, o professor Darcy Ribeiro conseguiu concluir e publicar a obra que mais desejava mostrar ao mundo: o livro O Povo Brasileiro: a Formação e o Sentido do Brasil.

Na verdade, Darcy passou a maior parte de sua vida almejando escrevê-lo. Por duas vezes na sua conturbada vida de antropólogo, indigenista, filósofo, educador, escritor e político, tentou concluí-lo, sendo sempre afastado do epílogo pelas batalhas em que sempre se envolveu. Só o fez, quando sentiu que tinha pela frente um inimigo que não podia vencer – a morte, que o rondava desde muito, mas que sempre adiava sua cartada final, pois ele a convencia de que ainda não era hora. Parece que houve um acordo final, nesse jogo de xadrez bergmaniano. Tomou a forma de uma pequena trégua. Após escapar do CTI de um hospital, de quase ninguém acreditava que saísse vivo, Darcy encontrou forças do fundo do seu ser, exilou-se em Maricá e legou à posteridade essa obra – talvez a mais magistral de todas, da robusta lista de criações originais que fez sobre o nosso Brasil.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Para reencontrar "O país da delicadeza perdida"

O país da delicadeza perdida é nome do documentário dirigido por Walter Salles e Nelson Mota sobre a carreira de Chico Buarque, feito especialmente para a televisão francesa FR3 e lançado em 1990, há 22 anos. O tema e a performance do compositor e cantor convidam a revê-lo, à luz da atualidade. Na época, Walter Sales ainda não era o premiado diretor internacional de Terra Estrangeira (1995), Central do Brasil (1998), Abril Despedaçado, ou mesmo do internacional Diários de Motocicleta, sobre a odisseia do jovem Che Guevara nos confins da América Latina. Mas já demonstrava seu talento, trazendo para as telas a contradições dos Brasis de Chico Buarque, que se expressavam através do seu repertório e sua visão sobre um novo país, que ali despontava. Produzido para dialogar com um público internacional, O país da delicadeza perdida procura explicar quem somos e o que desejamos nesse mundo globalizado. O compositor segue certamente as premissas que um dia eu vi expostas por Caetano Veloso: um país não existe meramente por existir; tem um sentido intrínseco, de trazer algo original para o conjunto da humanidade. Por isso, paira no ar a pergunta: qual é realmente o sentido da nossa existência? Que trazemos de novo, para o conjunto da humanidade?
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Por que (re)ver Dersu Uzala


Assistir Dersu Uzala é um exercício de reflexão sobre o instinto de sobrevivência natural do ser humano, na verdadeira acepção da palavra. Creio ser esta a obra mais eloqüente que o cineasta japonês Akira Kurosawa produziu a respeito do tema. De forma sutil, ele nos faz pensar em nossos limites, propondo situações em que a natureza nos põe à prova, testando nossa habilidade de sobrevivência em um mundo diferente do nosso, onde pouco importa o que aprendemos anteriormente. Em tais condições, seguir os ensinamentos de quem já tem a experiência da adaptação ao ambiente que nos é inóspito torna-se primordial. Ao superarem obstáculos em conjunto, os personagens constroem uma relação de mútuo respeito, em que conhecimento é transmitido de forma natural.
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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre Guy Debord: nossa sociedade do espetáculo

A Sociedade do Espetáculo é um filme que não iremos encontrar facilmente nas locadoras. Para assistirmos a essa obra, ou a algumas das outras obras cinematográficas do pensador, poeta, cineasta e ativista político Guy Debord, teremos que nos valer da internet, ou mesmo de cópias feitas por integrantes da imensa legião de admiradores que ele tem em todo mundo. Além de seus filmes, também é difícil ter acesso a suas publicações. Só recentemente uma editora em Paris resolveu publicar suas obras completas, num volume de 2.000 páginas. Mas, por incrível que pareça, suas ideias e mesmo sua militância política encontram cada vez mais ressonância no mundo atual.
Segundo o filosofo alemão Anselm Jappe, autor do livro Guy Debord, isto se dá devido ao fato de que sua obra como um todo é inaceitável para aqueles que dominam a mídia, e, quando são divulgadas, suas ideias são banalizadas. “Devemos lamentar essa desinformação?”, pergunta Jappe. “Quando li Marx pela primeira vez fiquei surpreendido por não ter ouvido falar dele nas escolas. Quando comecei a entender Marx, isso deixou de me surpreender.”
No caso de Debord, o entendimento de sua teoria vai muito além da constatação de ser ele um expoente das vanguardas artísticas, como os integrantes do seu grupo, A Internacional Situacionista, que queria superar a própria arte através do detournement (desvio), ou mesmo da “teoria da deriva”, que se tornou famosa e, inclusive, foi aplicada nas escolas de urbanismo em todo o mundo. Detournement seria, então, um procedimento utilizado na maioria de suas obras, inclusive em A Sociedade do Espetáculo, que consistiria na utilização de imagens retiradas de filmes variados, documentários históricos, spots publicitários, que são compartilhados por textos lidos em off, dentro da concepção de que a arte tem um valor universal, não cabendo a privatização de seus elementos por direitos autorais.
Para ler o texto completo de Arlindenor Pedro, seguido do filme de Guy Debord clique aqui.

sábado, 29 de outubro de 2011

Kluge enxerga um Marx esquecido

Separei este último final de semana para assistir em DVD a obra de Alexander Kluge (foto), que no Brasil tomou o nome de Noticias da Antiguidade Ideológica: Marx, Eisenstein e o Capital. Em mais de oito horas de duração, distribuídos em 3 DVDs , esta obra do genial diretor alemão, realizada em 2008, no auge da crise financeira mundial, nos faz mergulhar no universo criativo do diretor russo Serguei Eisenstein, do Encouraçado Potemkin, e nas ideias de um dos mais importantes pensadores da humanidade: Karl Marx, articulando-as com a realidade do mundo contemporâneo. Uma bela iniciativa da distribuidora Versátil, em parceria com o Instituto de Tecnologia Social (ITS), o Goethe-Institut São Paulo e o SESC. Obra original, um documentário com expressivas inovações estéticas, que merece ser vista e comentada.
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