sábado, 21 de maio de 2022

"Tua mão em mim" - Marina Colasanti


 




Tua mão em mim

 

 

 

 

 

 



Você me acorda no meio da noite


e eu que navegava tão distante


cravada a proa em espumas


desfraldados os sonhos


afloro de repente entre as paradas ondas dos lençóis


a boca ainda salgada mas já amarga


molhada a crina


encharcados os pelos


na maresia que do meu corpo escorre.


Cravam-se ao fundo os dedos do desejo.


A correnteza arrasta.


Só quando o primeiro sopro escapar


entre os lábios da manhã


levantarei âncora.


Mas será tarde demais.


O sol nascente terá trancado o porto


e estarei prisioneira da vigília.

 

 

 

 

 

 



Marina Colasanti


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