"Um vaso és um vaso e vacilo..." - Casimiro de Brito
Um vaso és um vaso e
vacilo
enquanto as tuas mãos a tua boca alimentam
o fogo a tua língua nas bocas do meu corpo
enquanto escrevo e as tuas narinas
fremem e vacilo e respiro
o teu perfume e lavas o pó que me cobre o nojo
das cidades e o teu rosto
se movimenta no meu ventre enquanto
as águas
se dissolvem no meu crânio e unhas se cravam
nos ombros unhas de luz leite espáduas aéreas
enquanto escrevo enquanto escavo
na tua morte e és um lago
onde não tenho medo um animal
que se deixa beber mastigar
e me bebe e me devora
e por isso te amo como se ama a água
e o vaso a terracotta
que contém a água.
Casimiro
de Brito
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