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2. 4.fev.2018
Walter
Porto
Resumo O cineasta José Padilha faz um balanço de sua carreira e da
indústria audiovisual nos dez anos desde que recebeu o Urso de Ouro por
"Tropa de Elite". Ele critica a ausência de uma política estruturada
para o setor no Brasil e fala sobre seus novos projetos: uma série sobre a Lava
Jato e um filme sobre a questão israelo-palestina. Há uma década, José Padilha, 50, recebia o Urso de Ouro das mãos
de Costa-Gavras, referência de 9 entre 10 diretores que engajam seu cinema em
causas políticas. O prêmio máximo do Festival de Berlim foi a coroação de
"Tropa de Elite" depois de uma estreia brasileira marcada por
pirataria sem precedentes e debate acirrado.
Não era para menos: Padilha
punha o holofote na violência de um batalhão policial e centrava sua narrativa
na figura —hoje icônica e ainda polêmica— do capitão Nascimento, que combatia o
tráfico se valendo de tortura e assassinato.
O cineasta foi acusado de
corroborar o comportamento do protagonista, crítica a que reagiu (e reage) com
virulência e que respondeu com outro longa, "Tropa de Elite 2 - O Inimigo
Agora É Outro" (2010), que se tornou recorde de bilheteria.
Realocado desde então em
Los Angeles, Padilha se firmou como diretor de superproduções internacionais,
com "RoboCop" (2014) e a série "Narcos" (2015-), da
Netflix.
Ele agora volta seu olhar
novamente para o Brasil com uma série sobre a Operação Lava Jato: "O
Mecanismo" (estreia prevista para 23/3), que, segundo o diretor, só
poderia ter sido feita como produção (e com dinheiro) internacional.
Neste mês, Padilha também
fecha um ciclo, retornando à Berlim que o consagrou dez anos atrás com um novo
longa, "7 Dias em Entebbe" (lançamento previsto para maio), que
discute o conflito palestino-israelense —sinal de que ele tampouco tem medo de
brincar com fogo internacional.
O cineasta falou à Folha por telefone um dia depois do anúncio
da seleção de seu filme em Berlim.
Folha - "Tropa de
Elite" marcou a indústria cinematográfica brasileira e pautou o debate
social. O que ele significou para o cinema nacional?
José Padilha - Se olharmos para as filmografias americana, inglesa e francesa,
há inúmeros filmes cujos personagens centrais são policiais. No Brasil, isso
simplesmente não existia. O cinema brasileiro sempre se pautou por uma visão de
mundo marxista, se opondo (corretamente, é claro) a uma ditadura de direita. E policiais não cabem no
estereótipo marxista, não são excluídos da sociedade. Se "Tropa de
Elite" inovou, foi por ignorar, por transgredir esta perspectiva.
Assistir a "Tropa de
Elite" em 2018 é diferente de ter visto em 2008?
É muito diferente. Quando
fiz o filme, minha ideia era fazer o contraponto ao "Ônibus 174", um
filme em que conto uma história de um ponto de vista aceitável para o marxismo:
a história de um menino de rua —um excluído— narrada do ponto de vista do
menino de rua. Ao olhar o processo que o transformou numa pessoa violenta, a
gente fez uma análise das instituições que deveriam lidar com esses meninos
como problema social e não o fazem.
Com "Tropa", eu
quis fazer o contrário: transformei o policial em narrador. E o filme caiu como
uma bomba porque não cabia no padrão estético e analítico marxista. O personagem principal era o inimigo
do excluído. Isso, no Brasil de 2008, foi um tremendo choque cultural.
Hoje, as pessoas conseguem
olhar, pelo menos para o cinema, sem ser sob a ótica da ideologia. Com ela, o
cara bota um óculos e vê tudo vermelho, sem notar. Vários óculos já foram
retirados da intelectualidade brasileira. Acho que "Tropa" contribuiu
[para isso].
Além disso, eu já fiz o
"Tropa 2", completei minha trilogia. Se você olhar os três filmes,
entende que eu estou falando dos dois lados da mesma moeda. É evidente que eu
acho horrível uma estrutura social que gera alguém como o capitão Nascimento,
que tortura e mata. E acho horrível uma estrutura social que gera alguém como o
Sandro [de "Ônibus"], que também tortura e mata. Aí no "Tropa
2" eu falei: será que não tem algo a ver com o mecanismo?
Na época do lançamento,
você foi acusado de ter feito um filme de teor fascista. O distanciamento de
uma década mudou essa percepção de parte da crítica e do público?
O público nunca acusou o
filme de ser fascista, só parte da crítica. Foi uma acusação bastante primária,
diga-se de passagem. Qualquer estudante de ginásio sabe que o fascismo ocorre
quando algum grupo político controla um país de forma totalitária, com controle
dos meios de comunicação, do processo educacional, da cultura e do processo
político. E a repressão trabalha para manter esse controle.
Ora, "Tropa de
Elite" mostra uma polícia totalmente descontrolada, esculhambada e
corrompida. Uma polícia abandonada pelo Estado, que resulta de bagunça, de
truculência, de subdesenvolvimento e de falta de civilidade. Logo, a
caracterização não faz sentido algum.
O engraçado é que eu recebi
o Urso de Ouro de Costa-Gavras, um dos mais importantes cineastas de esquerda
do mundo, autor de filmes clássicos contra as ditaduras latinas, como
"Missing" ["Desaparecido - Um Grande Mistério"] e "Z".
Será que ele viu outro filme?
Em termos de indústria, o cinema brasileiro evoluiu de lá para
cá?
O Brasil, como todos os
países que fazem cinema, à exceção da Índia, depende de incentivo fiscal para
garantir produção audiovisual contínua. Quando uma atividade, seja qual for,
precisa de incentivo estatal, ela flutua com a capacidade econômica do país e a
organização do governo.
O Brasil passa por um
processo de depuração. Ele acordou para o fato de que a classe política
dominante inteira, todos os partidos e líderes políticos —FHC, Lula, Serra,
Aécio, sem exceção— fazem parte de um processo de sangria continuada e
institucionalizada dos cofres públicos. De dez anos para cá, por nada a ver com
cinema, foram afetadas várias áreas econômicas, entre elas o audiovisual.
Isso impediu que o cinema
brasileiro atingisse sua total capacidade?
Não. No Brasil, não existe
política organizada, estruturada e pensada para o setor audiovisual. É um
acochambramento: "Como é que a gente faz uma leizinha aqui para dar um
dinheirinho pros artistas?". O incentivo fiscal brasileiro é muito mais um
cala-boca para o formador de opinião que faz cinema do que uma política
estruturada. E o sistema de fiscalização é muito falho.
Não há processo
institucionalizado na alocação de recursos. Muitas vezes você consegue o
dinheiro ligando para o político que você apoia. Vide a Odebrecht no
"Lula, o Filho do Brasil". É o melhor exemplo. A Odebrecht não tem a
ideologia do PT, né? Mas investiu no filme. Por que será?
Quando houver uma política
organizada, em que as pessoas entendam por que está sendo privilegiada essa ou
aquela região, entendam se o objetivo é alocar recursos para filmes que têm
potencial de mercado ou para os que têm menos potencial —qualquer que seja a
política, quando os critérios são enunciados de forma clara, a gente pode
debatê-los. Não é o caso no Brasil.
Você defende algum modelo?
Eu acho que a produção
audiovisual vai sofrer um processo de transformação no Brasil. Vamos falar de
audiovisual porque falar em cinema a essa altura do campeonato, com Netflix,
Amazon, streaming [vídeos on-line] fazendo filmes de US$ 70 milhões, é quase
assumir posição retrógrada.
No Brasil, há um componente
de mercado que não funciona à base de incentivo, que são as televisões abertas
e a TV a cabo. Essas operações, sobretudo de TV aberta, são verticalizadas. Ou
seja, a Rede Globo desenvolve o roteiro, decide qual minissérie ou novela vai
fazer, contrata os diretores, os atores, produz, monta e depois exibe. A cadeia
produtiva inteira está dentro de uma organização só.
Nos EUA, Warner, Netflix,
HBO, CBS, não funcionam assim. Aqui, são os produtores independentes que
propõem projetos para as exibidoras e distribuidoras, que escolhem e financiam
os de sua preferência. A execução fica na mão do produtor.
Se a Netflix quer fazer
séries no Brasil ou na Itália, é mais rápido, porque ela tem uma estrutura
executiva organizada para avaliar projetos, operar dentro dessa lógica e
contratar produtores locais. Globo, Record e SBT não conseguem fazer isso,
porque estão engessadas numa estrutura de produção própria que custa muito
dinheiro e que não pode ser expandida ou reduzida rapidamente de acordo com a
demanda.
A política audiovisual
brasileira tem que considerar estrategicamente o desenvolvimento das
tecnologias de audiovisual do mundo e como isso afeta a cadeia produtiva. Mas
as pessoas que fazem essa política não sabem nada sobre esses assuntos. Então a
política nunca vai ser coerente, porque muda governo, ou então tem briga dentro
de um governo. É uma colcha de retalhos.
A primeira coisa a fazer é
definir o objetivo da política audiovisual. Eu nunca ouvi de um governante ou
de um ministro da Cultura brasileiro um enunciado claro sobre o que sua
política audiovisual quer alcançar.
A lógica de incentivo que
existe hoje é antieconômica. Nos EUA, o estúdio paga produtoras para ter ideias
e desenvolver projetos. Mas no Brasil quem arca com o custo de desenvolvimento
é o produtor. Eu escrevi o roteiro do "Tropa de Elite", eu investi
nos meus filmes. Se não virassem filmes, aquele custo morreria comigo.
O modelo brasileiro
privilegia o distribuidor. Na maioria das vezes, o distribuidor fica esperando
os projetos virem a ele, e depois que o produtor já arrumou algum dinheiro e
está quase conseguindo fazer o filme, ele diz: "Vou te dar o dinheirinho
que falta".
Normalmente é de incentivo
fiscal, não vem do bolso dele e não tem risco nenhum. Mas você assina um
contrato bilíngue que reflete a realidade americana, em que todo o risco foi do
distribuidor. Então o distribuidor brasileiro não correu quase nenhum risco e
fica com quase todos os direitos do seu filme. Qual produtor vai gostar desse
tipo de trabalho? Só diletante.
Vejo muito a direita falar
mal dos incentivos fiscais. É igualmente ignorante. Não sabem como funciona nos
outros países. "RoboCop" teve um orçamento de US$ 120 milhões e 30%
foi incentivo fiscal dos EUA e do Canadá.
Tem aquele discurso de que
os cineastas estão mamando nas tetas do Estado.
O cineasta brasileiro vive
o pão que o diabo amassou. Eu já fui cineasta brasileiro. É um inferno.
Você falou "eu já fui
um cineasta brasileiro"...
Hoje eu sou um cineasta,
mas eu já fui um cineasta que trabalhava exclusivamente no Brasil.
Como as portas de Hollywood
se abriram para você, um dos poucos brasileiros que se estabeleceram em Los
Angeles?
Tem uma frase muito
repetida aqui: "Você é tão bom quanto a última coisa que fez". O
cinema americano é muito orientado por resultado. Não sei se é sorte, se atirei
no que vi e acertei no que não vi. Primeiro eu fiz o "Ônibus 174" (2002),
que ganhou o Emmy, foi para vários festivais e para a shortlist do Oscar
[espécie de semifinal].
Já por conta disso, um
monte de gente que trabalhava em Los Angeles começou a me procurar. Fiz outros
documentários: "Garapa" (2009), que foi para Berlim, e "Segredos
da Tribo", que foi para Sundance em 2010. Aí fiz o "Tropa 2",
uma das maiores bilheterias do mundo naquele ano, e isso mudou tudo. Os caras
olharam e disseram: "Espera aí, esse cara fez documentário que deu certo,
longas que deram certo...".
Então me chamaram para
fazer o "RoboCop", que ganhou dinheiro —não ganhou muito, mas também
não perdeu, então não me atrapalhou. E o "Narcos" foi uma das maiores
séries do mundo. Os projetos foram dando certo e as oportunidades foram
aumentando.
A questão para mim é: o que
eu prefiro? Fazer um filme aqui, onde tem dinheiro e caminho para distribuir,
ou ficar no Brasil sofrendo o pão que o diabo amassou para tentar levantar um
dinheirinho? Neste ano estou lançando "O Mecanismo". Selton Mello e
Carol Abras [atores da série] estão em Los Angeles e vão fazer o marketing no
prédio da Netflix. O dinheiro inteiro é da Netflix e a série é 100% sobre o
Brasil. Vai ser distribuída no mundo inteiro, legendada em várias línguas. É a
série que eu queria fazer sobre o Brasil. Onde arrumei o dinheiro? Em Los
Angeles.
Tudo indica que vou fazer
mais audiovisual sobre o Brasil nos próximos três, quatro anos do que fiz em
toda minha vida. Todos projetos financiados por empresas americanas e exibidos
no mundo inteiro, o que nunca conseguiria no Brasil.
Sim, hoje em dia a TV americana talvez
tenha até mais qualidade do que o cinema. As séries inovam, correm risco. Se um
filme der errado, o estúdio tem prejuízo. A Netflix e a Amazon não ganham
dinheiro com a venda de um filme, mas com a assinatura mensal. Se eles fizerem
20 séries e 3 derem certo, mantêm os assinantes. A receita, no curto prazo, não
está amarrada à qualidade da série. Só no longo prazo. Então dá para arriscar,
experimentar muito mais.
Eu fiz "O
Mecanismo" na Netflix dos EUA por vários motivos. Primeiro, se eu fizesse
em qualquer canal de TV brasileiro, as pessoas retratadas na série iam me
acusar de ter um "bias" [viés], de ser partidário. A mídia do Brasil
está inserida na política, como está nos EUA também. A Netflix é estrangeira,
não está inserida em política brasileira nenhuma. Então é muito melhor do ponto
de vista da isenção.
Segundo: a Lava Jato é uma
história que não se conta em duas horas. Você pode fazer um filme sobre um
pedacinho da Lava Jato, mas ela em si, é impossível. Então tinha que ser série.
Mas por que você optou por
fazer uma ficção baseada na Lava Jato tão a quente, enquanto a operação ainda
está se desdobrando?
Estou fazendo a série em
temporadas. O que eu estou tratando na primeira temporada já passou. Estou
atrás da realidade, mas coladinho nela. Acho que é melhor e gera mais debate.
Nunca vou andar na frente da história, certo? E estamos tendo muito cuidado em
olhar fatos e documentos.
Existe a espuma, o debate
motivado ideologicamente, a disputa de poder. Um cara defende o Temer, o outro,
o Aécio, o outro, o Lula. Chamo isso de espuma porque, na verdade, são todos
culpados. Todos, 100%. Quando você olha os fatos, esquece a ideologia, não há
dúvida de que, desde o primeiro governo democrático, do Sarney até hoje, o
processo é o mesmo. O mecanismo funciona desde os primórdios da nossa
democracia. Quem se elege pega o bastão da corrupção e estrutura o processo mediante a
ocupação de cargos públicos, acordos no Congresso etc.
A eleição de 2018 vai ser a
primeira para cargos federais depois que a Lava Jato avançou. Você está animado
ou desanimado com ela?
Não estou muito animado com
o Brasil, não. Acho que o país está jogando fora uma oportunidade de fazer uma
reestruturação da política. Está faltando inteligência, inclusive das pessoas
honestas, dos políticos honestos. O país tem forte tradição de formadores de
opinião balizados por ideologias predefinidas. Em vez de as pessoas se unirem
para desmontar a clara estrutura corrompida da política e do setor público e
depois reinstaurar uma nova ordem, elas ficam tentando defender o seu político
corrupto.
Qual minha crítica à classe
formadora de opinião do Brasil, da qual eu faço parte? A maioria dessas pessoas
tem opinião formada sobre tudo. Sabem tudo. Eu não sei nada.
Por que eu acho que tenho
algo a dizer? Porque não tenho ideologia nenhuma. Filosoficamente, sou um
socrático. Sou radicalmente consciente da minha ignorância. Mas sei olhar o que
está acontecendo e, limitadamente, dizer: "Me parece que tem um mecanismo
exploratório estruturado na política brasileira", "Me parece que o
mais importante no Brasil é acabar com esse processo em vez de ficar dizendo se
eu quero eleger o marxista bandido ou o friedmaniano bandido". O mercado,
por exemplo, quer eleger o Henrique Meirelles. Dá uma lida no currículo dele...
Os grandes partidos têm o
controle político do Brasil. Como eles têm o número de representantes no
Congresso que lhes dá tempo de TV, é muito difícil que alguém de fora do
mecanismo se eleja. Então os partidos têm que ser desmontados. Se a lei fosse
seguida à risca, PT, PSDB e PMDB estariam quebrados. Só que no STF estão os
amigos.
A série vai estrear bem no
meio dessa polarização. Muita gente vai assistir só para
concluir se ela é coxinha ou petralha. Teme que ela seja apropriada por um dos
lados?
Eu não posso impedir que as
pessoas se apropriem do que eu falo. Seria louco de tentar controlar o que as
pessoas pensam sobre uma série de televisão que eu fiz. O que posso fazer é
produzir e dirigir com base nos meus valores, de maneira honesta e correta. As pessoas
são livres para debater e emitir opinião.
Eu não vou jamais cercear a liberdade das pessoas de discordarem de mim, de
me xingarem, de me chamarem disso ou daquilo. Podem falar com razão ou sem
razão. Eu vou responder na medida da minha paciência [risos]. Sempre vou brigar
para fazer o tema que me interessa, independentemente de ter ou não patrulha ideológica.
Acabei de fazer um filme ["7 Dias em Entebbe"] sobre o conflito entre
palestinos e israelenses. É o assunto mais boicotado do mundo.
Como esse novo filme se
encaixa na sua obra?
Ele conta a história
verídica de um sequestro sob o ponto de vista de dois sequestradores alemães e
dois políticos israelenses [em 1976, um voo que ia de Tel-Aviv a Paris foi
forçado a pousar na Uganda; os passageiros judeus foram tornados reféns para
exigir a libertação de presos, em sua maioria palestinos].
É um caso específico,
limítrofe, entendido no mundo como a operação especial mais incrível da
história. Tropas de Israel foram até a Uganda, oito horas de avião, para
libertar cento e tantos reféns e trazê-los de volta para casa. É quase
impossível fazer isso.
O filme discute esse
evento, mas não a parte militar. Olhamos para a parte política e a lógica dos
sequestradores. A ideia é mostrar a complexidade do processo decisório dentro
do governo de Israel na ocasião, com Yitzhak Rabin mais propenso a negociar e
Shimon Peres não querendo negociar de jeito nenhum. Essa dicotomia entre
"vamos negociar" e "não vamos negociar" é a variável mais
importante para a solução do problema palestino.
No mundo inteiro, o
político opera com duas lógicas: precisa debater os fatos objetivamente, pensar
o que deve ser feito ou não com base em questões econômicas e éticas, por
exemplo, mas também tem a lógica da política interna, que diz o que ele pode
fazer de acordo com sua base eleitoral. Essas lógicas podem ser incompatíveis.
O mesmo se aplica à questão
de Israel e Palestina. Para se eleger em Israel, [o político] tem que ter uma
série de posições, e isso contamina [as decisões] com relação a diferentes
assuntos, inclusive a crise com a Palestina. E o mesmo é válido para o lado
palestino. Isso restringe a capacidade de ambos de negociar. O filme é sobre
isso.
Walter Porto, 25, é repórter da
"Ilustríssima".
Fonte: Aqui
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