"O Poeta e as estrelas" - Rodrigo Guimarães Pena
O Poeta e as estrelas
diz-se do Poeta:
-quer somente ouvir estrelas... mas discordo
abertamente.
Sei que ele persegue e ousa entendê-las, às
vezes tão completamente,
ao ponto de pensar que a luz que elas vertem,
vertem por saber que alguém,
cá embaixo, quer vê-las.
Se iludem, os tolos...
Os poetas sabem que as estrelas perceberam,
por seu brilhar pungente, tudo aquilo, que há
muito sabe a lua...
-que o ser-poeta, faz e rala, reza baixo e em
fé cultua,
que um dia um verso seu possa alcança-la,
e arrebata-la só para si, eternamente.
Ah! Poetas...
por elas, partem em raios insurgentes,
transmutam cores, voam os poentes,
procuram um jeito de entretê-las, à espera que
aconteça o tal momento,
de transformar-se, ou ser parte delas, das
etéreas, ou mesmo cadentes,
que dividem dois o firmamento...
E, vez por outra,
o ser - Poeta, para, estanca ao percebê-las,
cala, ouve, e inquieto espia, invade vista e a
mente afeta
ao ver descer do céu de estrelas, a clara luz
que faz o dia...
E ao ver e ouvir, pensar em tê-las,
veste o azul do céu profundo, roga à noite :
impeça o dia,
em luz de estrelas, a luz tardia, ao acordar e
amanhecê-las,
e vive em si um céu no mundo.
É assim que o ser-poeta acontece...
Nascido humano, ao acidente, vem logo a si,
chama qual prece,
voz de anjo e a mente tece, a profecia que o
sagrado lhe trazia:
-que o maior segredo em céu e terra, que fez
nascer a estrela-guia,
é o seu brilhar intermitente, que mostra medo,
mais que aparente , que toda estrela tem, de um dia, ao brilhar sobre um poeta,
lá do alto, tão distante,
não ver nascer, passado instante, que o amor
mandado em luz brilhante,
foi transformado em poesia...
Rodrigo Guimarães Pena
0 comentários:
Postar um comentário