quinta-feira, 17 de junho de 2021

"Rente ao cair da folha" - Adão Cruz


 



Rente ao cair da folha

 




 

 

O plácido abrir da madrugada vai espalhando pelo chão da alma adormecida

todos os gestos sensuais do cair da folha


 

Os olhos presos no teto escuro pousam por momentos na frouxa luz

que entra pela frincha da janela


 

Sonâmbulo ainda, o corpo estremece, e os dedos cruzados na tábua do peito

começam a bulir, tirando do sono os fios do pensamento


 

A fantasia esfrega os olhos de entontecida, e do teto começa a descer

o fio-de-prumo de uma consciência desconjuntada pelos sonhos da noite


 

Nasce da mente um fino nevoeiro de ilusão tentando encobrir a desilusão

da realidade de mais um dia.


 

Mais um dia…menos um dia, a caminho do meu poema azul

 



 

 

Adão Cruz



 

 

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