sábado, 3 de dezembro de 2011

CONTRA A LEITURA

 – “Não se ofenda, professor, mas eu quero saber se o senhor bebeu, hoje, antes de vir para a universidade?”. A pergunta me foi feita dentro da sala, por uma aluna, chamada Luíza, depois que eu anunciei, convicto, o tema da aula: uma reflexão CONTRA a leitura. Perplexa, Luíza confessou sua profunda decepção. Afinal, a gente havia se conhecido anos antes, numa biblioteca comunitária criada pelo pedreiro Evando dos Santos, na garagem da casa dele, Vila da Penha, no Rio, durante um concurso de poesia no qual ela fora premiada. A partir de então, militamos juntos em prol do livro, participando de vários eventos. Por isso, achou que, agora, eu devia estar de porre.
Apresento aqui um resumo da aula que dei, para que os quatro fiéis leitores dessa coluna possam avaliar também meu estado etílico, já que eles podem ficar incomodados com a crítica à leitura, pois todos os domingos a exercitam aqui nesse espaço. Dessa forma, espero também provocar os participantes do Festival Literário Internacional da Floresta – o Flifloresta – cuja abertura ocorre amanhã, em Manaus. Um dos seus objetivos é justamente o de formar novos leitores. Para ler o quê? Como?
O discurso dominante reverencia o livro, como algo sagrado que transporta luz e saber. Por isso, quem defende a não-leitura é considerado herege ou, no mínimo, bêbado. A leitura é endeusada como o único caminho que conduz ao conhecimento. Quanto mais leitura, mais humanos somos. A ausência de leitura nos brutaliza. Mentira! Puro blá-blá-blá. A História mostra que essa moralização da leitura é falsa. Por inacreditável que pareça, muitos professores, editores e pais de família que proclamam as vantagens da leitura, raramente abrem um livro.

Para ler o texto completo de José Ribamar Bessa Freire clique aqui

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vale sempre a pena reler Carl Sagan

O capítulo que se segue – «Haverá vida inteligente na Terra?» – foi transcrito do livro «O Ponto Azul-Claro», inspirado na iconográfica fotografia da Voyager de um distante planeta Terra e planeado como uma sequela do célebre «Cosmos: uma viagem pessoal», um livro baseado na série de televisão.
Este livro foi publicado em 1994, dois anos antes de Sagan morrer, mas mesmo a passagem dos anos não lhe tira atualidade e pertinência: talvez porque ele nunca se preocupou em escrever apenas sobre Ciência, mas em partilhar uma visão de futuro que tem tanto de científica como espiritual.
O capítulo aqui transcrito aborda uma situação hipotética: se uma nave de extraterrestres visitasse o nosso sistema solar e investigasse a Terra, que encontrariam eles? Como descobririam a existência de vida? Como seriam capazes de detetar organismos inteligentes?
Ao inverter os papéis e fazer da Terra o objeto das observações, Sagan propõe-nos reconsiderar, com acutilância, imaginação e sentido de humor, o nosso papel no Cosmos e o que andamos a fazer neste frágil ponto-azul claro.
Segue-se então o texto de Carl Sagan, traduzido por Augusto Manuel Marques e Jorge Landeck. As fotografias aéreas são da autoria de Yann Arthus-Bertrand. Para ler o texto de Carl Sagan clique aqui

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O Campo Turbulento da Produção Acadêmica e a Importância da Rebeldia Competente

Há poucos anos, quando professores universitários se encontravam para almoçar, a conversa, provavelmente, incluiria os diversos assuntos do dia - tais como congressos, bolsas, associações científicas -, além das inevitáveis fofocas que são partes do cotidiano humano. Provavelmente, também, terminariam a conversa de bom humor! Hoje é bem possível que um outro tema domine a mesa, mas, desta vez, deixando seus componentes de mau humor: as exigências crescentes da produção acadêmica e os ratings da avaliação CAPES. A citação do livro de A Tale of Two Cities, de Charles Dickens, sobre a Revolução Francesa é - tanto nas suas palavras, como também na sua referência histórica - uma imagem literária do momento atual: um momento de contradições, conflitos, de posições antagônicas, mas também do sentimento que há muito mais em jogo do que uma simples discussão sobre avaliação. Trata-se, em termos da teoria organizacional, da descrição de um campo turbulento no sentido atribuído por Emery e Trist (1965; 1972), no seu trabalho seminal sobre a textura causal dos ambientes organizacionais, do qual destacamos seu alerta a respeito da necessidade de outros tipos de relação entre organizações e das consequências negativas de uma orientação estratégica e individualista exagerada.
Para ler o artigo completo de Peter Kevin Spink e Mário Aquino Alves clique aqui

A decadência da civilidade

O programa de maior audiência da televisão brasileira é uma novela. E não uma novela qualquer, mas aquela novela que ocupa o horário nobre da noite, a novela das 8, que mesmo sendo referida por gerações de brasileiros como a novela das 8, na realidade vai ao ar às 9 da noite, pegando logo de início significativa audiência deixada pelo telejornal mais longevo e mais assistido do Brasil, o Jornal Nacional.
Não por acaso, o folhetim, entra ano sai ano, é produzido e transmitido pela Rede Globo de Televisão. O gênero há muito se firmou como produto televisivo tipicamente brasileiro e seus personagens, além de falarem português, são assistidos por milhões de espectadores mundo afora, como a Escrava Isaura, dublada em Pequim em mandarim, ou qualquer personagem vivido por Toni Ramos sendo entendido por audiências finlandesas, mexicanas ou italianas.
Para ler o artigo completo de Washington Araújo clique aqui

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Universidade “globalizada” em tempos de “pecaminosidade consumada”!

Para falar sobre universidade publica do sec. XXI e seu processo de privatização, seria necessário falar de um quadro global da historia mundial de mercantilização de todos os aspectos da vida. Ou seja, seria preciso debater, para sermos rigorosos e responsáveis com que estamos querendo discutir, três dos fenômenos socioeconômicos, e de repercussão ético-cultural, mais importantes depois das Revolução Francesa e  Revulução Industrial. Teríamos que discutir, desta maneira, primeiramente a reestruturação produtiva, que intensificou a incorporação direta na linha de produção dos saberes técnico-científicos produzidos nas universidades (o que alguns chamaram de “3ª Revolução Industrial ou Revolução Informacional”); em segundo lugar, discutir a ideologia neoliberal (que entende o ser humano como possessivo e competitivo por natureza; e a sociedade como espaço onde esse ser realiza seus propósitos privados, logo, uma sociedade na qual cabe apenas agente administrar a desigualdade, e não extingui-la); e, por ultimo, teríamos que discutir o que se conveniou chamar de globalização, ou melhor dizendo, mundialização do capital: momento em que a forma mercantil das relações sociais passaram a predominar em todo planeta.
Certamente que eu não vou me deter nesses três fenômenos, tamanha são suas complexidades e suas interconexões.
A intenção por apontá-los é deixar claro que, para mim, a discussão que fazemos no interior da universidade publica sobre o seu processo de privatização, embora guarde precisas especificidades e é sobre elas que temos que nos deter para pensarmos soluções; é de que essa discussão se coloca em patamares que vão além da própria universidade. Dessa forma, eu preferi na minha fala (dado a minha ignorância sobre o assunto e o tempo cedido) pedir que apenas façamos dois exercícios: primeiramente de pensarmos esse processo que precariza a universidade como parte inserida num universo mais geral/amplo; e, segundo, de que esse processo mais geral possui uma envergadura não somente socioeconômica, mas também ético-cultural.

Para ler o artigo completo de Leandro Comodoro clique aqui

Língua portuguesa: sobre gramáticas

Com exceção de alguns especialistas, todos fomos levados a crer que uma gramática é um compêndio de regras que devem ser seguidas. Ela é praticamente reduzida a uma lista de acertos, o que provoca o surgimento de listas de erros.
Uma enormidade de apostilas, sites, blogues de especialistas em ‘reprodução’ fornece a curiosos ou a pseudonecessitados outras listas com as formas que podem e as que não poderiam empregar em seus relatórios (mas empregam...).
É verdade que esse tipo de regra (listas?) é uma gramática, mas apenas em um sentido da palavra e que leva em conta apenas uma das funções que tais obras desempenham em sociedades como a nossa.
Sua principal função é manter e realimentar o imaginário sobre uma suposta língua correta e bonita, sempre mais antiga. Outra função é contribuir com um ingrediente muito importante para cimentar a ‘unidade nacional’, com a ideia de que somos um povo que falamos uma só língua (tese fácil de desmentir, aliás, mas suficientemente forte para resistir a argumentos e a fatos).
Nunca se ouve, em uma festa ou em mesa-redonda, alguém perguntar pela classificação de “exceto”, ou se “fantasma” é abstrato. Mas todos querem saber se a pronúncia correta é “ibero” ou “ibero” (as letras em negrito representam as sílabas tônicas), se é ou não um sinal do fim do mundo que se diga “Minha bolsa cabe de tudo” e onde vamos parar se os jovens não distinguem mais “ascendência” de “descendência” e se escrevem “ele se difere dela”, em vez de “se diferencia”.
Enfim, as gramáticas não só prescrevem. Elas também descrevem e tentam explicar fatos de linguagem que ocorrem, seja na escrita (que é muito diversificada), seja na fala (ainda mais variada).
Para continuar a ler o texto de Sírio Possenti clique aqui

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