sábado, 30 de abril de 2022

Navegando pelo cinema

 






"Vitalina Varela" - À beira do desespero





Documentário de Pedro Costa aborda luta de uma mulher para falar com o espírito do marido. Para ler o texto de Eduardo Escorel clique aqui








'História(s) do cinema': poema-ensaio de Jean-Luc Godard





O ‘Nexo’ publica trecho de livro de cineasta franco-suíço, referência do movimento nouvelle vague. A obra percorre a vida pessoal do diretor, sua carreira no cinema e também apresenta reflexões sobre o século 20.  Para ler o trecho do livro clique aqui







"Nosferatu", de F. W. Murnau (Blu-Ray HD Remastered) | 1922 




Friedrich Wilhelm Murnau estudou filologia, história da arte e literatura e trabalhou com o diretor de cinema e teatro Max Reinhardt. Combateu na Primeira Guerra Mundial, na frente leste e depois na Força Aérea alemã, em França, tendo sido ferido. Prisioneiro na Suíça, participou num grupo de teatro e escreveu um argumento. Desde cedo que se interessava pelo cinema. O filme "Nosferatu", rodado em 1921 e lançado em 1922, foi uma adaptação não autorizada de “Drácula” de Bram Stoker, com nomes e outros detalhes alterados porque o estúdio não conseguiu obter os direitos do romance (por exemplo, "Vampiro" se tornou "Nosferatu" e " Conde Drácula" tornou-se "Conde Orlok"). Os herdeiros de Stoker processaram a adaptação e uma decisão judicial ordenou que todas as cópias do filme fossem destruídas. No entanto, algumas cópias de “Nosferatu” sobreviveram, e o filme passou a ser considerado uma influente obra-prima do cinema e considerado uma das obras mais representativas do expressionismo alemão. A partir de 2015 é, segundo o Rotten Tomatoes, o filme de terror mais visto de todos os tempos. Para assistir ao filme (1:28:11) clique no vídeo aqui


15 retratos de Oleg Shuplyak, o mestre das ilusões de óptica

 





Há sempre um elemento de trabalho de detetive na decodificação de ilusões de ótica, e as pessoas geralmente odeiam ou adoram. O artista ucraniano Oleg Shuplyak baseou todo o seu estilo artístico na premissa de ilusões de ótica, construindo cuidadosamente cada retrato de uma forma que refletisse a essência e o caráter da figura retratada, algo que dificilmente seria possível em um retrato comum. Então, goste ou não de decodificar ilusões de ótica, essas 15 pinturas farão todo o sentido para você porque refletem a vida e a obra das pessoas famosas a quem se dedicaram. Enquanto Isaac Newton está descobrindo as regras da física no mítico jardim de macieiras, os galhos da macieira emolduram seu rosto. Uma paisagem ensolarada na Riviera Francesa é o pano de fundo para o retrato de Claude Monet, e um enorme marlin paira sobre um velho em um barco, criando assim o rosto de Ernest Hemingway. Para ver alguns de seus retratos clique aqui





Os edifícios de Hundertwasser: manifestos construídos de uma arquitetura para o ser humano 



Friedensteich Hundertwasser foi um arquiteto austríaco como nenhum outro. Ele viveu uma vida colorida e tinha uma estética única, descrita por alguns como Dr. Seuss ou fantasmagórica. Começou sua carreira como artista e se tornou arquiteto aos 55 anos. Ele defendia que o projeto arquitetônico precisa estar em harmonia com a natureza. Para ver algumas de suas obras clique aqui





Miguel Sermão: "A pergunta que faço é: O que é uma cara africana?



Acho que existe um preconceito, não só na sociedade, mas no meio artístico também. Não podemos ter em conta que um personagem tenha a cor de quem a representa, a não ser para certos personagens históricos, que impliquem zelar pelo que escreveu o autor. Qualquer personagem é feito por qualquer outra pessoa, só que, infelizmente, quem dirige ou coordena as companhias, ao pensar num espetáculo não pensam nos atores negros, sejam africanos ou afrodescendentes. Não existe esse pensar de que há no meio artístico português atores negros. Quando se pensa tendencialmente, os papeis são característicos digamos. Para ler a entrevista de Miguel Sermão clique aqui


sexta-feira, 29 de abril de 2022

"Manifesto contra a letra-munição e a palavra-arma que fazem do dia-a-dia terreno de batalha para almas baldias" - Fernando Rios

 




Manifesto contra


a letra-munição


e a palavra-arma


que fazem do dia-a-dia


terreno de batalha


para almas baldias



 

Para Sofia,


Neta de dezesseis meses que já se comunica por beijos e carinhos.


Que assim seja.




 

I


 

que palavra é essa


que fere além da boca


que morde, estraçalha


e sem qualquer ciência


transforma em tralha


toda possível consciência



 

que palavra é essa


assim mal dita


que seria benfazeja


(se fosse bem dita)


como a mesma mão


que se muda de tapa e soco


para carinho suave emoção



 

que palavra é essa


que grita, atemoriza


aterroriza


e faz do diálogo


um monólogo narcisista


de uma gente amiga


uma estranha inimiga



 

que palavra é essa


que afasta


transforma uma praça diálogo da paz


em tormenta de batalha


monólogos de guerra


e deixa no corpo


as letras-estilhaços


explodidas de uma boca-granada



 

que palavra é essa


que uso no cotidiano


e que não sei


que avaria ela causa


porque ela não me deixa ver nada


além do meu próprio nariz



 

que palavra é essa


que uso sem saber


que é um dardo envenenado


uma bala azeda


que sai enviesada


penetra fundo pelo ouvido


sem passar pelo coração


vira a cabeça de quem ali


amigo irmão conhecido desconhecido


expõe entranhas falácias e medos


porque não queremos mostrar


aquilo que somos,


arremedos


do que gostaríamos de ser



 

que palavra é essa


que o tempo todo


uso como ameaça


para lutar contra a sorte azar


virtude fortuna


maquiavelicamente construída


e fazer de mim um falso forte



 

essa fala, contudo


mal criada


não muda nada


porque continuo assim


sempre frente a frente


sem escapar de mim



 

que palavra é essa


que quando me dou conta


bumeranguemente


me expõe ao vazio


entranhamente vazio


eu


um corpo em terreno baldio



 

 

II


 

quero tirar a palavra guerra da minha fala


já que não posso ainda tirá-la da vida afora


quero tirar a palavra luta da minha fala


porque não posso ainda tirá-la da vida que em outros assola


quero tirar a palavra arma da minha fala


já que não posso ainda tirá-la da mão assassina


quero tirar a palavra metralhadora da minha fala


já que não posso ainda tirá-la da linha de frente


quero tirar a palavra exército da minha fala


já que não posso ainda e ainda excluí-la dos impérios nações


quero tirar a palavra soldado da minha fala


já que não posso ainda transformá-lo em ave solta


quero tirar a palavra fuzil da minha fala


já que não posso ainda tirá-la do olho cego dos raivosos


quero tirar a palavra granada da minha fala


já que não posso ainda enterrá-la na areia movediça


quero tirar a palavra revólver da minha fala


já que não posso ainda removê-la das mentes covardes e dedos insanos


quero tirar a palavra trincheira da minha  fala


já que não posso ainda transformá-la em canteiro de bons sabores e odores



 

quero usar na minha fala


somente tudo o que seja calma e verdade


e sobretudo


que não destrua


nem a minha nem a sua


alma irmandade



 

quero usar na minha fala


isto sim e sempre


ao invés de intrépidos e dolorosos torpedos


suaves, simples e claros argumentos



 

III



 

quero tirar algumas palavras da minha vida


já que não posso excluí-las do dicionário


porque não posso tirá-las da cabeça dos incautos



 

quero tirar a palavra bala irada da minha fala


e transformá-la num sempre doce alimento



 

porque a bala que se aninha e se aloja


provoca um sangrento ferimento


tanto no corpo animado


como no pensamento



 

falo em metáfora bala


como qualquer armamento


porque são letras soltas


que em dado momento


desconstroem uma cabeça


e com uma simples sentença


destroem qualquer sapiência



 

IV

 



há que cuidar das letras


e temperá-las com aromas


que as transformem em perfumes


ou saborosos sabores


daqueles comidos em família


sangue  ou não do meu sangue


sem ser exangue



 

quero brincar com as letras


e com elas criar palavras


sensíveis, verdadeiras, possíveis


como paz, amor, carinho, solidariedade,


e usá-las à vontade


sem medo nem vergonha


e tentar que elas pouco a pouco


afastem calma  e suavemente


o ódio, a raiva, a inveja, a maldade



 

vamos juntar letras areias e barros


e criar palavras tijolos e paredes


e construir novas moradas


para cabermos todos inteiros


nos nossos todos momentos


quando somos grandes ou pequenos


mas somos


e conscientemente


existimos



 

vamos juntas letras sementes


e criar hortas, canteiros, pomares, florestas


e criar alimentos


daqueles que se almoça e janta


para sonhar intensamente a noite


e comemorar um novo dia



 

vamos juntas letras notas musicais


e cantar em coro a alegria de sorrir



 

vamos juntar letras


e construir palavras


e então


poder olhar


depois da tempestade


um arco-íris


num horizonte porvir



 

o alfabeto é nosso


as letras estão aí


e as palavras...



 

só nos faltam ciência, coragem e consciência


para reconstruir talvez as mesmas palavras


para um novo nosso dicionário


que humanize pacificamente


por noites e manhãs


toda a nossa fala hoje amanhã dia após dia



 

 

 

 

Fernando Rios


Bolsonarismo fala com valores do Brasil profundo, dizem pesquisadores

 




Com índices pouco favoráveis na economia e uma criticada gestão da pandemia de covid, a maior crise de saúde em um século, Jair Bolsonaro não só tem se mostrado um candidato competitivo à reeleição como vem registrando crescimento nas últimas pesquisas. Analistas viram, nos números mais recentes, os efeitos favoráveis de alguns fatores para Bolsonaro: saída da corrida presidencial do ex-juiz Sergio Moro, implementação do programa Auxílio Brasil e atual fase da pandemia, com sensação maior de otimismo entre a população após a reabertura. Para ler o texto de Shin Suzuki clique aqui



Leia "Marcia Tiburi: Bolsonaro e o paradoxo do mentiroso" clicando aqui



Leia "Pastores usam a Bíblia para defender posse de armas de fogo no Brasil" de Bárbara Poerner, Bruno Fonseca e Mariama Correia clicando aqui



Leia "Maioria dos deputados da Frente Parlamentar Evangélica apoia pautas antiambientais" de Bárbara Poerner clicando aqui



Leia "Edelberto Behs: Cortina de fumaça desvia a atenção da imprensa" clicando aqui



Leia "Mais do que "construir casinhas", assegurar direito à moradia exige políticas públicas complexas. Algumas análises" de João Vitor Santos, Patricia Fachin, Ricardo Machado e Cristina Guerini clicando aqui



Leia "Liberdade para escravizar" de Alexandre Aragão de Albuquerque clicando aqui



Leia "Filmados e largados" de Renato Sérgio de Lima clicando aqui



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Leia "Os desconhecidos casos de crianças e bebês sequestrados na ditadura brasileira" de Eduardo Reina clicando aqui



Leia "Ditadura tentou censurar na Itália denúncias de tortura no Brasil" de Janaina Cesar clicando aqui


Daniel Vaz de Carvalho: Acerca da manipulação triunfalista

 





O jornalismo no dito ocidente alinha num contexto que só se entende numa guerra entre a Rússia e a NATO. A orientação é dada a partir de Washington, sem sequer tentar manter as aparências. Fatos inverosímeis são dados como certos, as evidências rejeitadas, a paixão suprimiu a lógica. As centrais de desinformação produzem noticias à medida das estratégias EUA/NATO e os “comentadores” palram sobre a realidade virtual que lhes é dada sem preocupação de ter ou confirmar provas. Passaram de especialistas em economia, em climatologia, em virologia, a especialistas militares em estratégia e planeamento tático. O mais espantoso é que recusam ouvir os verdadeiros especialistas destas matérias e, quando não pode deixar de ser, remetem evidências e considerações cientificas para a categoria de “opiniões”… Para ler o texto de Daniel Vaz de Carvalho clique aqui



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Leia "Jean Claude Werrebrouck: Será o euro salvo pela crise ucraniana?" clicando aqui



Leia "Como os gestores europeus e norte-americanos ajudam os oligarcas russos" clicando aqui



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