terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Jacques Rancière: a democracia deles e a nossa


Recém-lançado no Brasil, O Ódio à Democracia (Boitempo, 128 págs, R$ 29), do filósofo francês Jacques Rancière, é um ensaio potente, pronto a ser lido de um fôlego só. Embora tenha sido publicado na França há quase dez anos, o livro nos é incrivelmente atual. Mais ainda: ele parece ter um tom quase profético quando olhamos para o Brasil de hoje.
Afinal de contas, estamos atolados em um pântano feito de manifestações fascistas que alentam a ideia de um novo golpe militar, de relatos incessantes de agressões físicas e intimidações nas redes sociais sobre quem não se alinha com essas pulsões (sobretudo eleitoralmente), de casos crescentes de crimes de ódio contra homossexuais, índios e outras minorias, da ideia cada vez mais consensual de que a política é ruim, temos mais é de nos contentar com o gerencialismo e assim por diante.

Rancière problematiza o que seria essa democracia sobre a qual tanto falamos, não raro perdida em meio a tantas confusões. Mas ele também fala sobre seus adversários: e eles não são apenas as manifestações de intolerância pontuais ou os projetos neo-autoritários, mas de um ponto quase sempre ignorado pelo pensamento político, que é o que há de autoritário no nosso próprio sistema político “normal”. O fascismo cotidiano e mascarado de cada dia. Na França, a máscara do poder na normalidade atende pelo nome de republicanismo. 

Para ler o texto completo de Hugo Albuquerque clique aqui

Viva os Hackers da Coreia do Norte

montagemCOREIA


Para ler o texto completo de Bruno Altman clique aqui

Metrópoles, crise civilizatória e alternativas

141221-SãoPaulo

Buzinas, gritos, motores roncando, algaravias urbanas. “Para uma conversa sobre São Paulo, essa música de fundo é bem apropriada”, afiança o arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha, antes de fechar a janela de seu escritório, localizado na rua General Jardim, centro da cidade. Com o ambiente silenciado, ele se debruça sobre uma maquete de papel: o Cais das Artes, na Enseada do Suá, em Vitória, sua cidade natal.
“Olha só, o café do teatro se comunica com essa calçada aqui, você pode frequentar o café mesmo sem espetáculo”, explica o arquiteto. “A técnica só revela uma monumentalidade que já havia”.
“Mas tem que ter sensibilidade para captar”, alguém sugere.
“Não é sensibilidade, meu bem” interpela. “Sensibilidade não se pode ensinar, muito menos cultivar. É sabedoria e raciocínio! Assim, você transforma a dimensão artística em uma frescura”.
Para ler a entrevista de Paulo Mendes de Rocha clique aqui

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Mark Knopfler - "Postcards From Paraguay"


Para ver a interpretação de "Postcards From Paraguay" por Mark Knopfler clique aqui

HUMOR E POESIA: O matuto no cinema


Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954 na cidade de Campina Grande. Fez faculdade de Arquitetura na UFPB -- João Pessoa, concluindo curso em 1982. Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura, tendo obras espalhadas por todo o Nordeste, principalmente na área de concessionárias de automóveis.  
Na área artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.
Interessado na causa poética nordestina persegue fatos e histórias sertanejas com olhos e faro de rastejador. Autor dos livros: "Paisagem de Interior" (poesia), "Agruras da Lata D`água" (poesia), "O Chapéu Mau e o Lobinho Vermelho" (infantil), "Prosa Morena" ( poesia e acompanha um pires de CD ), "Política de Pé de Muro - O Comitê do Povão" ( legendas e imagens gargalhativas sobre folclore político popular ), CDs: "Paisagem de Interior 1 e Paisagem de Interior 2", o livro: "Bandeira Nordestina" (poesia e acompanha um pires de CD), A Folha de Boldo Notícias de Cachaceiros - em parceria com Joselito Nunes -- todos editados pelas Edições Bagaço do Recife - além de causos, músicas, cordéis e outros escritos. 
Preenchendo uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino, o poeta Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, côcos, cantorias músicas, piadas e textos de nordestinidade apurada.
Dono de um estilo próprio "domador de palavras" - até discutido em sala de aula - de uma verve apurada e de um extremo preciosismo no manejo da métrica e da rima, o poeta, ao contrário dos repentistas que se apresentam em duplas, mostra-se sozinho feito boi de arado e sabe como prender a atenção do distinto público. 
Nos espetáculos com fundo musical, apresenta-se acompanhado de músicos de primeira grandeza, entre os quais, dois filhos, que dão um tom majestoso e solene ao recital. São eles: Vitor Quirino (violão clássico), André Correia (violino) e Matheus Quirino (percussão). Os músicos Letinho (violão) e China (percussão) atuam nos espetáculos mais elaborados.
Apesar de muitos considerá-lo um humorista, opta pela denominação de poeta, onde procura mostrar o bom humor e a esperteza do matuto sertanejo, sem, no entanto fugir ao lirismo poético e literário. 
Sobre Jessier, disse o poeta e ensaísta Alberto da Cunha Melo: "...talvez prevendo uma profunda transformação no mundo rural, em virtude da força homogeneizadora dos meios de comunicação e das novas tecnologias, Jessier Quirino, desde seu primeiro livro, vem fazendo uma espécie de etnografia poética dos valores, hábitos, utensílios e linguagem do agreste e do sertão nordestinos. ... Sua obra, não tenho dúvidas, além do valor estético cada dia mais comprovado, vai futuramente servir como documento e testemunho de um mundo já então engolido pela voragem tecnológica.".
Divirta-se com o humor de Jessier Quirino clicando no vídeo aqui

Poema de Ricardo Reis


Poema de Ricardo Reis

Quero dos deuses só que me não lembrem.
Serei livre — sem dita nem desdita,
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos,
Cada um com seu modo, nos oprimem.
A quem deuses concedem
Nada, tem liberdade. 

Cuba e Estados Unidos: a nova jogada no xadrez global

Adam Jones / Flickr

É certo que um passo de peso foi dado pelos governos de Cuba e dos Estados Unidos, se admitirmos, em primeiro lugar, as condições draconianas e cavernárias que a essência do bloqueio e do embargo continuam tendo. E da posição geral dos Estados Unidos em relação à questão cubana.
As distintas camadas de euforia e confusão atual, pela esquerda e pela direita, distorcem, des-interpretam o fato concreto. Perde-se a justa dimensão política. Porque a “normalização” não é de todo certa. Há apenas passos em direção a ela. E ninguém se preocupará em explicar a você o que é essa “normalização” em uma guerra permanente.
Para ler o texto completo de Comunidad Saker Latinoamérica clique aqui

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