terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tango no trapézio


Se o circo já é algo hipnotizante e surpreendente, imagina misturar esta arte com o tango!?  
O número é estrelado por uma dupla francesa e faz parte da apresentação da trupe "Plus Grand Cabaret Du Monde", de Patrick Sébastien.

Veja a apresentação aqui  

A incultura totalitária

No conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga”, Guimarães Rosa nos fala de um homem perdido pelas veredas da vida mas que, no dia da sua morte, imprime à própria história um sentido que jamais tivera. Quantos de nós, quando chegar o momento, conseguirão fazer o mesmo? Trata-se, sem dúvida, de questão crucial, pois como seres semióticos não nos é dado viver sem perseguir significados – muito menos sem sermos por eles perseguidos.
Assediados por informações redundantes, a maioria dos humanos pós-modernos a elas reagem de maneira catastrófica: ora absorvem as notícias como se fossem parasitas, alimentando-se de bits que já chegam digeridos, ora engolem, sem critério, toneladas de conteúdos, para depois sofrerem de pantagruélica indigestão.
A internet é um caso exemplar. Por meio dela – creem os fiéis mais ardorosos – seria possível transmitir ao cidadão informações não distorcidas pelo “filtro pernicioso” da imprensa e também elevar o nível cultural do povo (há mesmo visionários que já sonham com democracias plebiscitárias, onde as questões relevantes seriam decididas “de casa mesmo”, pelo tamborilar obediente de milhões de dedos operosos no teclado místico da pátria).
Para ler o artigo completo de Cláudio L. N. Guimarães dos Santos clique aqui

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A onda que destrói a democracia


A ascensão do fascismo na Europa e nos EUA, assim como a reprodução de comportamentos autoritários pelos governos que pretendem impor às populações medidas de austeridade, são sinais de alerta.
Para ler o texto completo de Ricardo Coelho clique aqui

sábado, 3 de dezembro de 2011

O lugar da cultura acústica moçambicana numa antropologia dos sentidos


Uma antropologia dos sentidos deve sustentar que os modelos sensoriais universalistas da cultura, quer eles sejam visuais ou auditivos, quer se apoiem no texto ou na palavra, devem dar lugar à exploração de ordens sensoriais próprias das culturas. Neste trabalho, designa-se este tipo de cultura, que é predominante em Moçambique, como acústica, porque ela tem no som, no ouvido, e não na vista, seu órgão de recepção e percepção por excelência. Os traços fortes da oralidade (presentes nas línguas autóctones moçambicanas), contudo, não foram levados em consideração na política linguística adotada pelo poder político no pós-independência de Moçambique, o que acabou influenciando o processo de letramento. Ao analisarmos as possibilidades e limites duma revalorização da tradição oral, mais não pretendemos do que criar possibilidades de uma reflexão que possa mostrar caminhos para uma genuína revalorização cultural em Moçambique.
Para ler o artigo completo de José de Sousa Miguel Lopes clique aqui

Os 'Grundrisse': uma mina para ajudar a descortinar o século XXI. Entrevista com Ricardo Antunes

Para o sociólogo e professor da Unicamp, Ricardo Antunes, os textos de Marx ressurgem com força no momento atual por vários motivos. Um deles "é a crise profunda que o capitalismo e, em termos mais precisos, o sistema de capital se encontram hoje. E segundo, porque junto a essa crise, e tendo claras conexões com ela, surgem as lutas sociais ampliadas em várias parte do mundo, o que permite uma certa retomada positiva da obra de Marx”.
Ao analisar os Grundrisse, Antunes afirma, na entrevista que concedeu por telefone para a IHU On-Line, que Marx vai mostrar, em 1857-1858 (ano em que escreveu seus cadernos), "que se a ciência se desenvolvesse de modo livre, se o progresso tecnocientífico não fosse limitado, plasmado por relações sociais moldadas pelo capital, nós podíamos chegar a uma situação em que o trabalhador seria um simples vigia e supervisor do processo de produção. De tal modo que o trabalho seria cada vez menor, cada vez menos extenuante, cada vez mais autoconstituinte e, portanto, seria um trabalho cada vez mais livre, autônomo, autodeterminado”. E percebe que a obra é publicada no Brasil "talvez no melhor momento da conjuntura mundial das últimas décadas. Desde 1968 não tínhamos lutas sociais em escala global tão amplamente difundidas. Isso marca um cenário mundial muito rico para o século XXI”.
Leia a entrevista a Ricardo Antunes aqui

"Revolution" - Tracy Chapman


Tracy Chapman (30 de Março de 1964) é uma cantora de música pop, R & B, Jazz, e soul norte-americana, vencedora por diversas vezes do Grammy. Tracy Chapman toca guitarra e escreve canções desde criança. Ingressou no programa "A Better Chance", voltado a identificar nacionalmente crianças negras talentosas para o desenvolvimento acadêmico, o que lhe permitiu frequentar a Wooster School, em Connecticut e posteriormente a Tufts University, em Medford (Massachussets). Em maio de 2004, a Tufts University concedeu-lhe o título de doutora honoris causa em Belas-artes, por sua contribuição como uma artista socialmente engajada e por suas realizações artísticas.
Ouçam-na cantando a música “Revolution” no vídeo aqui

Cinco fragmentos poéticos de Affonso Ávila


6/ V INTERNACIONAL


O poeta é visto todos os sábados no bar com um grupo de jovens dentre eles um negro e um barbado

O poeta é visto todos os sábados no bar com um grupo de jovens
negros e barbados

O poeta é visto todos os sábados no bar com um grupo de jovens
barbados

O poeta é visto no bar com um grupo de jovens barbados

O poeta é visto no bar com um grupo de barbados

O poeta é visto com um grupo de barbados

O poeta é visto com uns barbados estranhos

O poeta é visto com uns barbados suspeitos

O poeta é visto com uns suspeitos

O poeta é um suspeito

O poeta é suspeito

O POETA É UM TERRORISTA


7/ LE BATEAU IVRE


Os jovens cabeludos da rua onde mora o poeta têm fama de fumar
maconha

Os jovens cabeludos da rua onde mora o poeta fumam maconha

Os jovens cabeludos fumam maconha na rua do poeta

Os jovens cabeludos fumam maconha na casa do poeta

Os jovens cabeludos fumam maconha em sua casa com o poeta

Os jovens cabeludos buscam maconha na casa do poeta

Os jovens cabeludos buscam drogas na casa do poeta

Os jovens saem drogados da casa do poeta

Os jovens são drogados pelo poeta

O POETA É UM TRAFICANTE DE DROGAS


8 / PARNASO OBSEQUIOSO

O poeta recusou convite do governador para jantar em seu palácio
com o ministro

O poeta foi convidado pelo governador para jantar em seu palácio
com o ministro

O poeta convidado pelo governador foi jantar em seu palácio com
o ministro

O poeta jantou no palácio com o governador e o ministro

O poeta costuma jantar no palácio com o governador e seus convidados

O poeta janta sempre no palácio com o governador e seus convidados

O poeta jantando no palácio causa prazer ao governador e seus
convidados

O poeta alegra o governador e seus convidados nos jantares do palácio

O poeta diverte o governador e seus convidados

O poeta faz rir o governador e seus convidados

O POETA É UM BOBO-DA-CORTE DO SISTEMA


9/ PSICOLOGIA DA COMPOSIÇÃO


O poeta articula lentamente as palavras e a gente parece perceber entre uma e outra longos espaços de reflexão e silêncio

O poeta articula lentamente as palavras e a gente percebe entre uma e outra longos espaços de salivação e silêncio

O poeta procura lentamente as palavras e a gente percebe entre uma e outra longos espaços de salivação

O poeta fala com dificuldade parecendo mastigar e salivar as palavras

O poeta fala com muita dificuldade e a boca cheia de saliva

O poeta não sabe falar e mastiga jocosamente as palavras

O poeta masca as palavras como se mascasse chicletes

O POETA É UM RUMINANTE DE PALAVRAS


10 / ARTE DE FURTAR

O poeta declarou que toda criação é tributária de outras criações no
permanente processo de linguagem da poesia

O poeta afirmou que todo criador é tributário de outros no processo
de linguagem da poesia

O poeta se confessou um criador tributário de outros na linguagem de
sua poesia

O poeta não esconde que sua poesia é tributária da linguagem de
outros criadores

O poeta não esconde que sua poesia é influenciada pela linguagem de
outros criadores

O poeta não faz segredo de que se utiliza da linguagem de outros poetas

O poeta fala abertamente que se apropria da linguagem de outros poetas

O poeta é um deslavado apropriador de linguagem

O POETA É UM PLAGIÁRIO



Affonso Ávila


Cinco dos onze fragmentos do DISCURSO DA DIFAMAÇÃO DO POETA que podem ser encontrados no volume "Homem ao termo – poesia reunida [1949-2005]", editado pela UFMG.  

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