quinta-feira, 4 de julho de 2013

A covardia europeia contra o presidente Evo Morales



Os europeus, os campeões da defesa da democracia, do Estado de Direito e da liberdade, demonstraram que suas relações com a Casa Branca estão acima de tudo e que podem pisotear os direitos de um avião presidencial caso isso seja preciso para que o grande império não se incomode com eles. Um rumor infundado sobre a presença no avião presidencial boliviano do ex-espião estadunidense Edward Snowden, conduziu a um sério incidente diplomático aeronáutico entre Bolívia, França, Portugal e Espanha.
Para ler o texto completo de Eduardo Febbro clique aqui
Pode ler também o texto "Todos de joelhos?" de Elizabeth Carvalho clicando aqui
Leia o texto de John Pilger Um ato de pirataria aérea

Deliciosa chance de questionar os mitos


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Os mitos, por vezes, dizem infinitamente mais sobre um povo, um país, do que a sua própria história. Em sua construção de uma outra verdade, trazem uma provocação terrível que nos obriga à reflexão. A auto-imagem, habilmente construída pelo senso comum, de que éramos um povo acovardado, incapazes de defender os seus direitos mais básicos, parece ter se instalado em nosso tecido social como uma doença auto-imune. Essa expressão nos ocupa corações e mentes, desde muito tempo, a ponto de imaginá-la como natural.
Referendada por toda a sorte de governos, lideranças políticas, ingênuos, raposas espertas, intelectuais perdigotos, jornalistas inescrupulosos, grandes empresários, a construção desse imaginário doentio insinuou-se como uma metáfora da gente brasileira. Como se contra a força não existisse nenhuma resistência e aos homens não fosse dada a capacidade de pensar e escolher.
Num signo curioso, a brava gente é apresentada como um povo indolente, preguiçoso e sem caráter. Deturparam tudo. Até a imagem do herói nacional, Macunaíma, que Mário de Andrade inventara na sua rapsódia, a partir das lendas indígenas do alto Amazonas.1 Na verdade, a figura do herói dizia uma coisa, mas foi retorcida como uma camisa, e virou outra realidade substancialmente diversa.
Para ler o texto completo de Theotonio de Paiva clique aqui

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Elogio dos sonhos" - Wisława Szymborska

 
Elogio dos sonhos
-
Nos sonhos
eu pinto como Vermeer van Delft.
Falo grego fluente
e não só com os vivos.
Dirijo um carro
que me obedece.
Tenho talento,
escrevo grandes poemas.
Escuto vozes
não menos que os mais veneráveis santos.
Vocês se espantariam
com minha performance ao piano.
Flutuo no ar como se deve
isto é, sozinha.
Ao cair do telhado
desço de manso na relva.
Respiro sem problema
debaixo d’água.
Não reclamo:
consegui descobrir a Atlântida.
Fico feliz de sempre poder acordar
pouco antes de morrer.
Assim que começa a guerra
me viro do melhor lado.
Sou, mas não tenho que ser
filha da minha época.
Faz alguns anos
vi dois sóis.
E anteontem um pinguim.
Com toda a clareza.
 Wisława Szymborska

A sociedade espetacular planetária de maio de 68


Os filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari propuseram duas formas de política para atuar, pensar, criar, ler, viver: uma política existencial molar e uma política existencial molecular. A primeira, a molar, é constituída por planos fixos, segmentados, já instituídos, como certa ideia de esquerda em contraposição a outras não menos previsíveis visões do que seja direita; bem versus mal, povo homogêneo, amigo versus inimigo, centro e periferia; pobre e rico; homem e mulher, heterossexual, homossexual; ser branco, ser negro, ser índio, ser criança, ser latino, ser americano, ser jovem, fases etárias, saberes instituídos, a própria língua, entendida como um conjunto de convenções que nos faz falar cadeira, por exemplo, e imediatamente pensar ou ver uma cadeira, objeto de quatro pernas contendo um suporte onde sentamos para realizar múltiplas atividades cotidianas; enfim, molar é tudo que está estratificado, organizado, dado, realizado, sendo perceptível, dedutível, acreditável. Por sua vez, a segunda perspectiva existencial, a molecular, é precisamente o contrário da molar: é tudo que não está dado, que não está pronto, que não está instituído, nunca é um à priori, de modo que também não é fixo, é movente, metamórfico, uma coisa e outra e outra, sem que possamos regular de antemão; sem que possamos dizer, “é isto”, “é aquilo”, porque é sempre um aglomerado de partículas, de misturas, de heterogêneos, de imperceptíveis, de séries divergentes. O molecular é, pois: o não visto, o não sentido, não pensado, não escutado, não realizado, não esquadrinhado, multiplicidades imprevisíveis.
Para ler o texto completo de Luís Eustáquio Soares clique aqui

Preferências ideológicas e jornalismo tribal

Talvez mais interessante do que entender as razões pelas quais as recentes manifestações eclodiram no país é tentar entender as reações das pessoas perante os fatos. Tão neutro e imparcial quanto consigo ser, eis o que penso ser incontestável: um grupo chamado “Movimento Passe Livre”, insatisfeito com o aumento de preço das passagens de ônibus no município de São Paulo, organizou uma manifestação exigindo, entre outros temas ligados ao transporte, a extinção do aumento. A Polícia Militar do estado, então, reprimiu os manifestantes. Mais por solidariedade aos manifestantes reprimidos do que por qualquer outra razão, manifestações começaram a acontecer em outras cidades do país. Estas, inicialmente, tinham a mesma pauta dos protestos paulistanos.
Vê-se, de passagem, a notável burrice do comando da Polícia Militar, que conseguiu tornar uma manifestação corriqueira em algo de dimensões históricas. No entanto, podemos absolver o comando da polícia de uma eventual acusação de ter conseguido esse feito de propósito, pois a não menos notável incompetência que vigora em boa parte das instituições públicas do país impede que quase todas as ações planejadas sejam plenamente bem sucedidas. No caso, a adequação dos meios aos fins foi perfeita demais para ter sido pensada pelos oficiais de gabinete que ocupam os cargos de comando.
Com o passar dos dias, as manifestações espalhadas pelo país não tinham mais uma pauta clara, já que o problema das tarifas de ônibus havia se diluído entre outras reivindicações. E foi mais ou menos nessa altura que as ilusões se propagaram. Várias pessoas passaram a emitir sobre os fatos opiniões segundo as próprias preferências ideológicas. Isso chegou a um ponto tal que rapidamente as várias versões oferecidas tornaram-se incompatíveis entre si. Embora não pretenda fazer de uma observação pessoal um dado com validade estatística, uma olhada rápida no que as pessoas que conheço diziam nas redes sociais foi o suficiente para concluir que virtualmente todas as opiniões dadas e compartilhamentos feitos foram o que seria de se esperar dessas pessoas, dadas as suas preferências.
Para ler o texto completo de Aluízio Couto clique aqui

Primavera brasileira assusta conservadores


Os conservadores estão errados, tanto os da esquerda quanto os da direita. Não há mais no horizonte o “comunismo”, como no passado. Não há, ao menos aqui, o “terrorismo”, que faz as democracias recrudescerem. As forças militares do país não estão sendo provocadas. Ninguém do governo ou da oposição participa de qualquer ato que incentive quebra de hierarquia ou disciplina dentro dos quartéis. Não há liderança civil ou militar, jovem ou velha, falando em desestruturação do Estado de direito. Os dois ex-presidentes, Lula e FHC, foram unânimes em dizer que não se deve desqualificar o movimento de protesto, e sim, ouvi-lo e atendê-lo. Por tudo isso, então, é fácil dizer: não há golpe militar ou desestruturação do Estado de direito no horizonte brasileiro.
Sendo assim, realmente ainda não entendi qual a razão de tanto medo e tanto conservadorismo por parte do meu amigo Luiz Felipe Pondé na TV, no programa do William Waack, da Rede Globo. Tanto quanto a militância do PT, ele acredita que os protestos que formam a Primavera Brasileira, e que eu chamo de a “revolução do indivíduo”, estão criando o caos que irá derrubar nossas instituições democráticas.
Para ler o texto completo de Paulo Ghiraldelli Jr. clique aqui

Signos engrouvinhados, vândalos engravatados

 
Há coisa de dez anos, o nome do francês José Bové correu o mundo. Líder de comícios antiglobalização, ganhou aura de celebridade radical. Em 2002, arranjou uma boa encrenca com as autoridades de Villeneuve-lès-Maguelone, em Montpellier, no sul da França, por depredar uma lanchonete do McDonald's.
Bem sabemos que Bové não foi o único praticante dessa modalidade de protesto. Desde que começaram a eclodir na Europa as jornadas contra a globalização, na virada do século, esse negócio de quebrar instalações do McDonald's virou um esporte globalizado (com todo o respeito). A cada reunião do G-8, logo meia dúzia de rapazes saía correndo para jogar pedras nas vitrines da mais notória rede de hambúrgueres do planeta. Não que os agressores tivessem uma rusga com a funcionária do caixa ou com o moço que pilotava a chapa na cozinha. O ato não era pessoal, mas “político”, diriam eles. Na verdade, só era político porque era antes um ato linguístico (ou semiótico, se você preferir).
A explicação é relativamente simples. Ao lado da Coca-Cola, o logotipo do McDonald's alcançou o status de símbolo do “american way of life”, um selo inconfundível do imperialismo. A partir daí, depredar o signo do imperialismo (no caso, a lanchonete do McDonald's) virou sinônimo depredar o próprio imperialismo. É verdade que, no caso específico de Bové, investir contra a cadeia de fast food imperialista tinha significados outros, como rechaçar os transgênicos e amaldiçoar os alimentos importados que tiravam mercado dos agricultores e pecuaristas franceses – mas, fora essas esquisitices, o esporte globalizado de quebrar McDonald's foi o jeito performático que os manifestantes encontraram de gritar, na linguagem do espetáculo, “yankee, go home!” ou “vade retro, Tio Sam”.
Para ler o texto completo de Eugênio Bucci clique aqui

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