segunda-feira, 1 de agosto de 2022

"Pecado original" - Ugo Betti

 




Pecado original

 

 

 



A luz sobre os calmos mares


lentamente difundiu-se;


Dormiam como cerradas folhas


os continentes solitários.


E adiantaram-se as duas criaturas


Amedrontadas, dando-se a mão,


por dentro do silêncio e da frescura.



 

Aos seus passos, como uma pomba


desaninhada o eco elevou-se, depois emudeceu.


Timidamente abriram a ramagem...


espiaram a cava sombra das águas...


e naquela sombra avistaram dois rostos


que subiam fremendo


por entre os céus revoltos.



 

Então, com grande pasmo e medo,


olharam-se, tocaram-se,


Nus estavam, entre o céu e as rochas


e arrepiavam-se, como ao vento,


Dentro dos torsos de argila


Inchava-se uma ignota


tristeza, com o mugir da onda...


Depois caíram. E gravaram a lama


com indelével cunho.

 

 

 



Ugo Betti

 


(Itália, Camerino 1892- Itália, Roma 1953)


Janine Ribeiro: 'Nunca vivemos momento tão ruim em nossa história'





O presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, conversou com a coluna e fez um balanço não só do evento, mas da situação atual. "Nunca tivemos um momento tão ruim na nossa história desde o período colonial. Ele é preocupante porque temos um país muito mais complexo do que há algumas décadas e que está devastado por ódio, ignorância e perseguição às coisas boas", diz. Ribeiro é professor de filosofia da USP (Universidade de São Paulo), cientista político e escritor. Chegou a ser ministro da Educação entre abril e outubro de 2015, durante o governo Dilma Rousseff (PT). Para ler sua entrevista clique aqui


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Como é que a ganância fez da América um país pobre

 



Como é que a América se tornou o mais novo país pobre do mundo – E o fascismo se tornou inevitável. Para ler o texto de Umair Haque clique aqui



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HAEVN: "Throw Me a Line"

 




Para assistir à interpretação de "Throw Me a Line" pela banda HAEVN clique no vídeo aqui

HUMOR - Batalha 2

 




Desde que o mundo é mundo, homens precisam caçar seu alimento. Muito antes da domesticação de animais e da prática da agricultura, só se alimentava quem partia para emboscar o almoço, correr riscos e talvez até disputar carniça com urubus e hienas para ter o que levar de volta pra tribo. Nada muito diferente da quarta da carne do supermercado, com sambiquira a R$ 4,49, limitado a dois pacotes por cliente. Divirta-se clicando aqui

Navegando pelo cinema

 






 O destino bate à sua porta




Os cineastas da Nova Hollywood estão indo embora aos poucos. Não faz muito tempo que Peter Bogdanovich se foi. Monte Hellman partiu em abril do ano passado. E neste sábado, dia 23, foi a vez da partida de Bob Rafelson. Que bom que os cineastas mais ativos ainda estão muito vivos e atuantes (Spielberg, Scorsese, Eastwood, Coppola, De Palma, Malick, Lynch, Schrader, Polanski, Allen), mas há que se concordar que o tempo não poupa ninguém. Enfim, é melhor não pensar muito nisso. O momento é de celebrar a vida e a obra de um dos mais importantes cineastas desse movimento de renovação do cinema americano, ele que chegou chutando portas com “Os monkees estão soltos” (1968) e “Cada um vive como quer” (1970). Para ler o texto de Ailton Monteiro clique aqui





Quando o eterno é efêmero... 



Pandora (Ava Gardner, primeira vez filmada a cores, ou melhor, em technicolor) tem praticamente tudo ao seu alcance; beleza, sedução, determinação, encantamento e o exotismo encontrado na costa de Barcelona. O calor, a vida boémia recheada de iguarias, álcool e homens, mas mesmo assim, algo a inquieta, o seu olhar pertence ao horizonte longínquo do Mar Mediterrâneo. Para ler o texto de Hugo Gomes clique aqui








"A Nossa Terra, o Nosso Altar" de André Guiomar





A Nossa Terra, O Nosso Altar” testemunha as últimas rotinas no quotidiano do bairro social do Aleixo, marcadas pela tensão de um destino forçado. Entre a queda da primeira e da última torre, o processo de demolição arrasta-se durante anos, deixando a vidas dos moradores em suspenso. Obrigados a aceitar o fim da sua comunidade, assistem de forma impotente à lenta desfiguração do seu passado. Para ler o texto de Maria Inês Gomes clique aqui

Neuroética: quando os valores são uma questão de cérebro

 





Vinte anos após a sua fundação, a neuroética ainda não tem um estatuto definido: em parte, beira a bioética, mas atua em contextos específicos como o impacto moraljurídico e social da pesquisa. Para ler um trecho do prefácio de Andrea Lavazza e Vittorio A. Sironi para o livro por eles editado e intitulado “Neuroetica. Interpretare e orientare la rivoluzione delle neuroscienze” [Neuroética. Interpretar e orientar a revolução das neurociências] clique aqui





 Helena Hirata: referência para a reflexão sociológica de hoje



A articulação de conceitos como classe, gênero e raça/cor da pele realizada por Helena Hirata nos ajuda a reinterpretar os diferentes modos como homens e mulheres, brancos e negros, europeus, americanos ou asiáticos, vivenciam o trabalho em suas diferentes modalidades. Para ler o texto de Liliana Segnini clique aqui







Nômades digitais: ascensão e queda previsível




São profissionais cobiçados pelas corporações. Têm ótimos salários e regalias, ao contrário dos imigrantes comuns. Muitos buscam um novo estilo de vida (e bom wi-fi) no Sul global. Mas seus empregadores já fazem as contas para descartá-los…Para ler o texto de Rafia Zakaria clique aqui








 O princípio de cooperação - Dominique Maingueneau




Trata-se de um princípio constitutivo para a comunicação verbal, não de uma norma a ser acatada: a cooperação é o princípio que permite a existência e eficiência das normas de fato, na medida que, pelas normas serem explícitas e ordenadas, precisam do reconhecimento mútuo entre enunciador e destinatário, entendimento de que a comunicação é impositiva e a utilização de mensagens verbais à comunicação da norma. Não há norma sem cooperação. Para ler o texto de Vinicius Siqueira clique aqui

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