domingo, 1 de maio de 2022

"Muitas vozes" - Ferreira Gullar

 




Muitas vozes

 

 

 

 



Meu poema


é um tumulto:


a fala


que nele fala


outras vozes


arrasta em alarido.




estamos todos nós


cheios de vozes


que o mais das vezes


mal cabem em nossa voz




se dizes pera


acende-se um clarão


um rastilho


de tardes e açucares


ou


se azul disseres


pode ser que se agite


o Egeu


em tuas glândulas




A água que ouviste


num soneto de Rilke


os ínfimos


rumores no capim


o sabor


do hortelã


essa alegria




A boca fria


da moça


o maruim na poça


a hemorragia da manhã




Tudo isso em ti


se deposita


e cala.


Até que de repente


um susto


ou uma ventania


(que o poema dispara)


chama


esses fosseis à fala.




Meu poema


é um tumulto, um alarido:


basta apurar o ouvido.



 

 

 

 

 

Ferreira Gullar


Conclusão da ONU sobre Lula é esmagadora para Moro e Deltan

 





Resultado exposto por autoridades internacionais do Comitê de Direitos Humanos é a impunidade brasileira. Para ler o texto de Janio de Freitas clique aqui







Com avanço do garimpo, terror se espalha nas terras indígenas 




Avanço do garimpo em reservas, sem fiscalização dos órgãos competentes, tem deixado rastro de violência e destruição. Para ler o texto de Cristiane Noberto e Tainá Andrade clique aqui


A Guerra na Ucrânia e os seus impactos - 3. Rússia e Ucrânia num mundo novo

 





Como Ignacio Ramonet assinalou, uma das consequências deste novo cenário é a crescente dependência da Rússia em relação à China, que está a adquirir poder hegemónico sobre aquele país. É significativo que Putin tenha ordenado a invasão da Ucrânia após uma reunião com Xi Jinping e uma vez terminados os Jogos Olímpicos de Inverno, o grande jogo de propaganda da China para a era pós-Covid. Para ler o texto de José Natanson clique aqui


Leia "James Tweedie: A NATO pode rearmar a Ucrânia?" clicando aqui


Leia "John Mearsheimer: Porque é o Ocidente o principal responsável pela crise ucraniana" clicando aqui


Leia "Gonzalo Lira: A recapitulação da guerra" clicando aqui


Leia "António Gomes Marques: Sobre a guerra na Ucrânia" clicando aqui


Leia "Alastair Crooke: A Guerra na Ucrânia - "Erros, tanto tácticos como com consequência estratégica"" clicando aqui


Leia "Michael Roberts: Acabou o impulso de globalização?" clicando aqui





Como a China ajuda os países em desenvolvimento a reduzir a dívida ao invés de aumentá-la

Justin Lin Yifu


Justin Lin Yifu (林毅夫) é o reitor do Instituto de Nova Economia Estrutural da Universidade de Pequim, e é ex-economista-chefe do Banco Mundial


Contexto

Com a crescente crise da dívida no Sri Lanka, a mídia ocidental dominante está novamente propagando a chamada "teoria da armadilha da dívida" chinesa, usando exemplos como o porto de Hambantota naquele país. Nesta entrevista, Lin Yifu refuta essa distorção midiática da cooperação para o desenvolvimento da China, aponta a ineficácia da ajuda dos países ocidentais e suas instituições financeiras multilaterais, e explica como a cooperação para o desenvolvimento internacional da China transcendeu o modelo ocidental para alcançar o desenvolvimento mútuo com o Sul Global.

Pontos-chave

  • Os problemas da dívida de muitos países em desenvolvimento se acumularam durante um longo período de tempo. Por exemplo, estudos feitos por especialistas mostram que 90% da dívida do governo do Sri Lanka foram contraídos através de empréstimos a outros países, e apenas 10% foram creditados a empréstimos chineses. Oitenta e cinco por cento da dívida dos "países altamente endividados" da África foram adquiridos de países desenvolvidos antes dos investimentos do país asiático no continente.
  • Depois dos anos 80, com o recrudescimento do neoliberalismo, o Ocidente empurrou a narrativa de que a lacuna de infraestrutura poderia ser reduzida pelo setor privado. Seguindo o conselho do FMI e do Banco Mundial, a maioria dos países em desenvolvimento implementou reformas para reduzir os gastos públicos do governo e aumentar o papel do mercado. Isso levou a uma deterioração das condições econômicas.
  • Um exemplo de condicionalidade resultante de um empréstimo do FMI é que Burkina Faso foi solicitada a implementar 500 reformas institucionais por ano.
  • A assistência prestada a partir de empréstimos dos países ocidentais aos em desenvolvimento foi baseada na experiência dos primeiros. Seus investimentos, de modo geral, foram feitos em setores como educação, saúde, direitos humanos e transparência política, que não puderam reduzir os gargalos de desenvolvimento.
  • Com base em sua própria experiência como país em desenvolvimento, a China criou um modelo de desenvolvimento de infraestrutura mais cooperação em parques industriais baseado nos princípios de consultas extensivas, contribuições conjuntas, e benefícios compartilhados. O modelo não apenas ajudou a criar um ciclo contínuo de crescimento econômico para os países em desenvolvimento, mas também aumentou sua capacidade de pagar suas dívidas. Essa é a razão pela qual os projetos internacionais de infraestrutura da China são apoiados por muitos países.

Resumo

Lin assinala que não existe algo como a "armadilha da dívida" chinesa. Se as economias dos países em desenvolvimento não crescerem, as regiões sofrerão com o desemprego e agitação social e política. Os países em desenvolvimento deveriam descobrir um caminho adequado para seu próprio desenvolvimento com base em seus próprios fracassos e sucessos.

Fonte: 观察者网


Kendji Girac: "Cool"

 





Para assistir à interpretação de "Cool" na voz de Kendji Girac clique no vídeo aqui

HUMOR - Conveniente

 





Por que não resgatar o antigo hábito de "beber o morto", que é tomar uma gelada lembrando das grandes histórias do falecido? Pra deixar a coisa mais moderna, podemos também "churrascar o morto", "sextar o morto", "dar grau na moto pro morto", "tacar streaming no morto", tudo para demonstrar aquele afeto por quem se foi. Divirta-se clicando aqui

Navegando pelo cinema





"Azor": money talks




"Azor" (Azor – Nem Uma Palavra, 2021) não será o primeiro filme que toma como encargo ir indagar de uma génese do mal na década de oitenta. É um traço que identificamos noutros filmes, tais como o recente "The Nest" (O Ninho, 2020) ou mesmo "Donnie Darko(2001).  Em "Azor" situamo-nos no mundo da alta finança, aterrando numa cidade de Buenos Aires onde o clima político é instável. Para ler o texto de Daniela Rola clique aqui






Ângelo Varela - "As minhas curta-metragens são reflexões de problemas que me rodeiam e sobre os quais acho que se deve falar



As pessoas têm de perceber que a arte não tem de ser adaptada. Ela é uma forma de expressão. Estou muito curioso para ver como serão os próximos tempos e como é que os artistas visuais vão lidar com a nova criação de vídeos na vertical. A adaptação não é algo necessariamente negativo, mas acima de tudo não deveria ser algo que inibisse o artista de ser ele próprio. Uma coisa é certa, apesar de tudo, a sociedade tem aberto mais olhos para as pessoas com menos representação nas esferas sociais e tem havido criações mais diversificadas, com perspectivas mais originais e críticas. Para ler a entrevista de Ângelo Varela clique aqui








"No Táxi do Jack" de Susana Nobre estreia nas salas de cinema





Neste filme somos guiados por Joaquim Calçada, um ex-emigrante de 63 anos, que apesar de estar quase na reforma, se vê obrigado a cumprir as regras do centro de emprego, para usufruir do subsídio de desemprego. Joaquim relata as memórias da sua antiga vida de emigrante em Nova Iorque, onde trabalhava como taxista. Para ler o texto de Maria Inês Gomes clique aqui


Acabou o impulso de globalização?

 





O colapso da globalização pode se transformar não apenas em uma batalha entre dois blocos, mas em uma mistura complexa de unidades econômicas concorrentes. Para ler o texto de Michael Roberts clique aqui

  © Blogger template 'Solitude' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP