terça-feira, 1 de setembro de 2020

"Verdade" - Carlos Drummond de Andrade

Verdade – Carlos Drummond de Andrade | Poesias Preferidas


Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia  o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidem.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

Esquerda ainda não encontrou caminho para enfrentar bolsonarismo nas redes sociais, avaliam especialistas

Foto: Reprodução

Eleito presidente com apoio de uma estrutura digital que ainda é objeto de investigação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Jair Bolsonaro, no governo, segue com a mesma estratégia de comunicação digital que o levou ao Palácio do Planalto. Enquanto isso, partidos do campo progressista ainda buscam espaço na disputa de narrativas das redes sociais. 
Para ler o texto de Alisson Matos clique aqui

Leria "Carta de Paris: O Brasil cruel e cordial de Gilles Lapouge" de Leneide Duarte-Plon clicando aqui

Leria "Entrevista: 'Damares e Guedes são parte do mesmo projeto político', diz pesquisador" de Rosana Pinheiro-Machado clicando aqui

Leria "O milagre da multiplicação de bilhões - para os bancos" de Paulo Kliass clicando aqui

Leria "Movimento sindical em tempos de tormenta" de José Álvaro de Lima Cardoso clicando aqui

Leria "Ofensivas antigênero" de Maria Clara de Mendonça Maia clicando aqui

Leria "Ecofeminismo" de Vandana Shiva clicando aqui

Leria "A destruição da sacrossanta" de Manuel Domingos Neto clicando aqui

Leria "Drauzio Varella: Sequelas da Covid-19" clicando aqui

Leria "Glauber Rocha sempre: ''É preciso resistir''" de Léa Maria Aarão Reis clicando aqui

Leria "Entre velas e Welles" de Carlos Alberto Mattos clicando aqui

Por que o modelo de negócios do Uber está condenado

Empresas de compartilhamento de carona, como Uber e Lyft, não geram insegurança no trabalho, mas alimentam a insegurança que é onipresente na economia contemporânea (Jarrod Valliere/REX/Shutterstock)

Como outros aplicativos de transporte, o Uber apostou alto em um futuro automatizado que não se concretizou. 
Para ler o texto de Aaron Benanav clique aqui

Leia "Wallerstein, o sociólogo da descolonização" de Boaventura de Sousa Santos clicando aqui

Leia "Alemanha. Para enfrentar a pandemia, esquerda propõe uma semana de trabalho de quatro dias" de Aldo Mas clicando aqui

Leia "Trabalho remoto: o "novo normal"" de Jordana de Souza Santos clicando aqui

Leia ""Será que a imagem colonial ainda mantém uma ligação ao real?" - Fantasmas do Império" de Afonso Dias Ramos clicando aqui

Leia "Extrema-direita cometeu a maior parte dos atos terroristas nos EUA desde 1994, aponta estudo" de David Brooks clicando aqui

Leia "A polícia incentiva a direita armada, como o atirador em Kenosha" de Branko Marcetic clicando aqui

Leia "O novo velho continente e suas contradições: A pulsão do abismo" de Celso Japiassu clicando aqui

Leia "Líbano: a ira despertou a esquerda" de Jean-Pierre Perin clicando aqui

Leia "Os Direitos Humanos e a impunidade global corporativa" de Marie Madeleine Hutyra de Paula Lima clicando aqui

Leia ''Não há nada de misterioso no desastre da esquerda italiana'' clicando aqui


Luka Sulic &. Evgeny Genchev: " Numb"

LUKA SULIC - Publications | Facebook

Para assistir à interpretação de " Numb" por Luka Sulic &. Evgeny Genchev clique no vídeo aqui

"Independência não significou liberdade para Guiné-Bissau", diz sociólogo e ativista africano


Em entrevista especial, Miguel de Barros fala sobre a situação atual e os desafios colocados ao continente africano, no geral, e à Guiné-Bissau em particular. 
Para ler sua entrevista clique aqui

A filosofia do século XX está falida; é preciso uma paideia contemporânea

A filosofia do século XX está falida; é preciso uma paideia contemporânea.  Entrevista especial com Rossano Pecoraro - Instituto Humanitas Unisinos -  IHU
A filosofia do século XX está falida; é preciso uma paideia contemporânea.  Entrevista especial com Rossano Pecoraro - Instituto Humanitas Unisinos -  IHU

Os diferentes fenômenos que observamos nos últimos anos, potencializados durante a crise pandêmica, como o negacionismo científico, a indiferença, a disseminação de fake news e o autoritarismo político, escancaram “a inadequação e a falência do pensamento filosófico da atualidade”, afirma o filósofo Rossano Pecoraro
Para ler sua entrevista clique aqui

Revista USP, n. 125 (2020): Dossiê Saramago


Há uma cena logo no início do filme A chegada (2016), na qual a personagem central, uma linguista, propõe uma aula sobre a história da língua portuguesa. Quando está dizendo para a sala, mais ou menos vazia, que o português surge num tempo em que a língua era vista como uma expressão de arte, ela é interrompida pelos inúmeros celulares que começam a tocar incessantemente, cujo suspense dará espaço para o desenrolar da trama de ficção científica do longa de Denis Villeneuve. Pois bem. O fato é que, não obstante a irrelevância do conteúdo da aula para o desenvolvimento da ação narrativa do filme, alguns de nós ficamos curiosos por saber aonde a protagonista, interpretada pela atriz Amy Adams, iria chegar (sem nenhuma ironia ao título do filme) com aquele comentário. Mas, pensando bem, não é tão difícil assim. Decerto falaria da idade de ouro renascentista, citaria Camões, Gil Vicente, lembraria o aluvião inventivo do Barroco, com Vieira, quem sabe Rodrigues Lobo ou Gregório, passaria por Herculano, Garrett, Alencar, Camilo, Machado, Eça, Rosa... e, seguindo esse percurso, ou veredas, inevitavelmente chegaria a José Saramago. Saramago soube como ninguém enxergar a língua, essa nossa língua portuguesa, como expressão de arte. Uma arte para a qual, aludiu certa vez, pressupõe-se a metáfora da crisálida, sendo a transformação sua força motriz e mecanismo de sobrevivência. “Não se inventam, pois, as línguas, mas talvez possam, e devam, ser reinventadas”, era no que acreditava esse ateu convicto e que foi, sobretudo, um mestre do ofício de escrever; ou, como preferia, um prático, a quem foi “vedado penetrar em arcanos teóricos”. Do exercício desvelado dessa prática é que surgiram – para nossa sorte! – 18 romances e outros tantos contos e peças e crônicas e poemas e memórias. Dez anos após sua morte, suas histórias – e a forma como soube contá-las – continuam a nos maravilhar e a suscitar leituras as mais diversas e instigantes. O dossiê deste número da Revista USP, organizado por Jean Pierre Chauvin, da ECA/USP, e inteiramente dedicado à sua obra, é prova disso.
Jurandir Renovato

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