quarta-feira, 1 de junho de 2022

"Balada para uma mulher" - Joaquim Pessoa

 





Balada para uma mulher

 

 

 

 



Reparem quando ela passa.


Beija os filhos no olhar!


Esta palavra ternura


quem é que a soube inventar?



 

Lá vai ela. Como tem


os lábios cor de romã!


Ela vai. Mas quem bebeu


nos seus seios a manhã?



 

Tem ancas de sofrimento.


É simples como a pobreza.


Nos cabelos dorme o vento


com a palavra tristeza.



 

Lá vai ela. Minha dor.


Égua de prata a correr!


Vai a fingir que o amor


também se pode vender.



 

Lá vai. Lá vai. E que importa


a dor que me nasce a rodos?


Ela vai de porta em porta


vender um pouco de todos.


 


Ela vai. Como se fosse


minha irmã ou minha mãe.


É como o vinho mais doce


e mais amargo também.



 

Lá vai ela. Minha dor.


Égua de prata. Luar.


Vai a fingir que o amor


também se pode pagar.



 

Lá vai. Lá vai. E no peito


rompe uma flor de ciúme.


A raiva cresce no leito


entre lençóis de azedume.



 

Ela vai. É como a luta


de um homem contra a desgraça.


Chamem-lhe flor mãe ou puta


mas não riam quando passa.



 

Lá vai ela. Meu amor.


Égua de prata a morrer!


Vai a fingir que esta dor


também se pode esquecer.

 

 

 

 



Joaquim Pessoa

 


Breve discurso amoroso, em resistência à bestialidade do país

 





(Na noite de ontem me casei, com a mulher com quem estou há vinte anos. Numa semana em que o país revelou de novo a dimensão de sua selvageria, achei que estes fragmentos de uma história e de um discurso amoroso eram o melhor que eu poderia oferecer aqui. São as palavras que disse ontem a ela, à Fernanda). Para ler o texto de Julián Fuks clique aqui


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Noam Chomsky - Texto 1. Como evitar a terceira guerra mundial?

 





Noam Chomsky é um dos intelectuais mais influentes do mundo. Escreveu mais de 100 livros, mais recentemente Consequences of CapitalismManufacturing Discontent and Resistance, em co-autoria com Marv Waterstone, a que se irá seguir, ainda no prelo,  The Withdrawal: Iraq, Libya, Afghanistan, and the Fragility of U.S. Power com Vijay Prashad. Atualmente é Professor Laureado na Universidade do Arizona e Professor Emérito no Departamento de Linguística e Filosofia no MIT. Chomsky apareceu recentemente no podcast Current Affairs numa entrevista com o editor Nathan J. Robinson, onde discutiram a ameaça da guerra nuclear, como a cultura americana frequentemente fomenta a indiferença pelo sofrimento das pessoas noutros países, e a história da política externa americana que nos trouxe até este ponto. Para ler a entrevista clique aqui


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Boyce Avenue: "Time After Time"





Para assistir à interpretação de "Time After Time" pelos Boyce Avenue clique no vídeo aqui

 

HUMOR - Refém

 





O Brasil continua vidrado no sequestro do ônibus da Expresso Nilo. Vai dar merda. Rogério, que disse para a esposa que estava no ônibus, agora tenta convencer Mirella, amante que está com ele num motel, a ajudá-lo a entrar no ônibus. Vai dar merda. Jordana, esposa de Rogério, é assediada pela imprensa e resolve colocar o marido "sequestrado" nos holofotes. Vai dar merda. A apresentadora Betina quer promover o drama do casal para alavancar audiência, causar comoção popular e pressionar as autoridades. Vai dar merda. Para resolver o caso, a polícia conta com o Peçanha. Vai dar merda. O Peçanha conta com o Assis e Wilson. Vai dar merda. E você continua assistindo pra ver onde isso vai dar. Mas você já sabe que é em merda. Divirta-se clicando aqui

Navegando pelo cinema

 





 Cinema em coma até ao regresso da Humanidade




Entendemos que Bertrand Bonello tem-se dedicado aos “fins” acima das criações, seja o término da romantização da “profissão mais velha do mundo” (“L’Apollonide: Souvenirs de la Maison Close”, 2011) como da pornografia e as réstias do seu debatido requinte (“Le Pornographe”, 2009) ou até mesmo da ideologia (“Nocturama”, 2016), esse é o signo trabalhado por um realizador que anseia reafirmar-se num panorama autoral francês. Para ler o texto de Hugo Gomes clique aqui








"Lazzaro Felice", de Alice Rohrwacher (2018)




Podemos analisar o filme italiano Lazzaro Felice (também conhecido como Feliz Como Lárazo) através de três prismas. São eles: o religioso, o fantástico e o político. Na estória, Lázaro é um jovem bondoso que não vê maldade nenhuma nas pessoas. Por isso, todos na fazenda de tabaco Inviolata, no interior da Itália, se aproveitam dele. Eles sempre pedem para o rapaz fazer algum serviço, que ele cumpre com satisfação. Quando Tancredi, o filho da “Marquesa”. a proprietária, desaparece, a polícia aparece para investigar. Dessa forma, descobre que ela mantém os trabalhadores no local em regime de semi-escravidão. Décadas depois, todos os personagens envelheceram, exceto Lázaro. Na cidade grande, os trabalhadores da fazenda mendigam e trapaceiam para se sustentar. Já o herdeiro Tancredi está falido. Para ler o texto de Eduardo Kaneco clique aqui





"Sentimental" - Sentimentos à flor da pele e na ponta da língua



Numa época em que os filmes inundam o cinema e os espectadores de frames rápidos, cortes e milhares de planos, sabe bem deixar os olhos respirarem. "Sentimental" é um filme que seduz com palavras, que cresce pelas palavras e que nos prende pelas palavras, e claro, pela excepcional performance dos atores. Um filme com muito humor, sarcasmo e seriedade em torno da complexidade das relações humanas, dos tabus e da curiosidade sobre os nossos semelhantes. "Sentimental" ou “The People Upstairs” é a adaptação de uma peça do próprio Cesc Gay. Uma comédia que estreou em San Sebastian, em 2020, e que já ganhou vários prémios em festivais em Espanha. Atrasada pela pandemia, chega agora ao circuito internacional. Para ler o texto de Pedro Ferreira clique aqui


Crítica do espetáculo - o pensamento radical de Guy Debord

 





Para ler a Introdução do autor, Gabriel Ferreira Zacarias, ao livro "Crítica do espetáculo - o pensamento radical de Guy Debord" recém-publicado clique aqui


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