sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Veja, a tática do cinismo

Uma forma de desvendar a revista Veja é ler as cartas dos leitores, de um entusiasmo algo monótono: “um farol iluminando o mar de lágrimas de nosso mundo político”; “não somente uma bússola [ética], mas também fonte de constância e competência”; uma publicação “livre, corajosa e obcecada pela busca da verdade”.1 Outra é, simplesmente, folhear um exemplar.
A Veja é a revista mais influente da América Latina, com uma tiragem de aproximadamente 1,2 milhão de exemplares, dos quais 925 mil por assinatura, e recruta três quartos de seus leitores entre os 12% de brasileiros mais abastados – população que, parece, não se incomoda com uma visão de mundo conservadora. A seção “Panorama”, por exemplo, exibe regularmente imagens e citações de homens e mulheres públicos: os primeiros, de terno, expressam sempre suas preocupações políticas; elas, pouco vestidas, se inquietam sobre o peso ou as nádegas. Já a publicidade ocupa em média mais de setenta das 140 páginas da publicação. Na edição de 7 de novembro de 2012, os leitores depararam com dezesseis páginas seguidas de propaganda da Procter & Gamble.
É necessário, contudo, desembolsar R$ 9,90 para comprar a Veja em uma banca – o equivalente a 1/60 do salário mínimo. Essa proporção, na França, significaria desembolsar mais de 18 euros por uma L’Express ou Le Nouvel Observateur. Papel fino e principalmente cinza, manchetes capitulares, capa sensacionalista: a Veja não é propriamente uma revista elegante. Sua ambição? Figurar entre as instituições “indispensáveis ao país que desejamos ser”, como proclama seu slogan. E o país a que a Veja aspira não gosta nada do Estado.
Para ler o texto completo de Carla Luciana Silva clique aqui

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"My Song" - Keith Jarrett & Jan Garbarek


Keith Jarrett (08/05/1945) é um compositor e pianista estadunidense. Suas técnicas de improvisação conjugam o jazz a outros gêneros e estilos, como a música erudita, o blues, o gospel e outros. Jarrett também toca cravo, clavicórdio, órgão, saxofone soprano, bateria e outros instrumentos musicais. Ele tocava saxofone e percussão no American Quartet, embora suas gravações após a separação do grupo raramente tenham apresentado outros instrumentos. Nos últimos vinte anos, a maioria de suas gravações tem sido com piano acústico.

 Jan Garbarek (04/03/1947) é um saxofonista de jazz norueguês. Tornou-se importante pela criação de uma estética que privilegia a melodia e a sensibilidade, assim como pela mistura bem sucedida com a world music. Garbarek tornou-se de fato uma figura do jazz "europeu", atento ao silêncio e à lentidão.

Podem escutar Keith Jarret & Jan Garbarek interpretando "My song" aqui 

NOVOS TEMPOS: A enciclopédia sem limites

Após uma sucessão de desconfortáveis polêmicas com a Igreja Católica sobre a moral e a liberdade, o francês Denis Diderot inicia em 1747 um projeto pouco modesto. O objetivo, “mudar o modo como as pessoas pensam”. Com a frase, Diderot (morto em 1784, aos 71 anos) explicava a “Enciclopédia” e sua missão de reunir o conhecimento para as futuras gerações e para todos. Ao menos todos que soubessem ler. Foi um instante decisivo para a história da organização moderna do saber. 2012 pode ter sido o começo de seu fim.
Se esse período que termina em dezembro for lembrado exclusivamente pela paranoia apocalíptica, o ano guarda ao menos um real e potente signo sobre a mudança do tempo, da história e do comportamento. Depois de 244 anos, a “Enciclopédia Britânica” anunciou em 2012 ter descontinuado sua publicação em papel.
A enciclopédia (o espaço no qual o saber está reunido) é agora fluida, imaterial. E mesmo seu projeto (ou sonho) iluminista se move em uma atmosfera na qual o conhecimento está submerso em um oceano de imagens, sons, testemunhos e documentos oferecidos de todas as formas, mas desacompanhado de hierarquia. A era dos dispositivos digitais pode não estar alterando o modo como as pessoas pensam, mas certamente tem modificado a experiência de estar vivo.
Para ler o texto completo de Marcelo Rezende clique aqui

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Na nova Tunísia um Hino, uma canção como arma

As eleições da nova Tunísia realizadas em 23/10/2011 motivaram a produção deste hino, uma canção como arma, para sensibilizar a população para a participação no ato eleitoral e para a importância da sua voz.
Para ouvirem esta canção, interpretada por vários cantores da Tunísia clique aqui

EDGAR MORIN / ENTREVISTA: O futuro da humanidade

Para o sociólogo e filósofo Edgar Morin, veterano da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra, transformações invisíveis que acontecem neste momento em nossa sociedade escondem as sementes da construção do improvável. “Entre a desilusão e o encantamento existe uma via que é a da vontade e da esperança”, anuncia.
Para ler e entrevista de Edgar Morin clique aqui

domingo, 23 de dezembro de 2012

RICHARD CARRIER: Um peixe não escreveu este ensaio

É impressionante o número de pessoas que insistem em dizer que eu não sou um ateu. Parece bem óbvio para mim que eu não acredito que qualquer deus exista, e sinceramente acho que isso faz de mim um ateu. Contudo, aí estão essas pessoas, tão insistentes em dizer que eu não posso ser um ateu. “Você é muito bacana”, ela dizem, ou “na verdade, você acredita, só não sabe disso” (como é que é?). Às vezes eu ouço algo como “Você acredita em alguma coisa, e isto, na realidade, é deus” ou “você ainda está procurando, mas ainda vai encontrá-Lo” (ele está convidado a fazer uma visitinha à minha casa quando quiser). Quando eu tenho tempo de conversar com essas pessoas, elas geralmente me dizem isto: que, na verdade, eu sou agnóstico, pois estou querendo admitir que não sei se existe qualquer deus. É aparentemente tão importante para as pessoas acreditarem que eu seja “na verdade, apenas um agnóstico” que eu penso que isto é um sinal assustador do poder que a religião possui sobre as pessoas. É trágico que a simples ideia de que um bom amigo ou parente ser um verdadeiro e declarado ateu seja tão horrível que precise ser negada.
Para ler o texto completo de Richard Carrier clique aqui

Taxar os ricos: Um conto de fadas animado

Escrito e dirigido por Fred Glass para a Federação de Professores da Califórnia, "Taxar os ricos: um conto de fadas animado" é um vídeo de 8 minutos sobre como chegamos a este momento de serviços públicos mal financiados e ampliando a desigualdade econômica. As coisas vão para baixo numa terra feliz e próspera após os ricos decidirem que não querem pagar mais impostos e dizerem às pessoas que não há alternativas.
Taxar os ricos: Um conto de fadas animado, é narrado por Ed Asner, com animação de Mike Konopacki. Escrito e dirigido por Fred Glass para a Federação de Professores da Califórnia. Um vídeo de 8 minutos sobre como chegamos a este momento de serviços públicos mal financiados e ampliando a desigualdade econômica. As coisas vão para baixo numa terra feliz e próspera após os ricos decidirem que não querem pagar mais impostos. Dizem às pessoas que não há alternativa, mas as pessoas não têm assim tanta certeza. Esta terra tem uma semelhança surpreendente com a nossa terra. Para mais informações, www.cft.org.
Veja o vídeo aqui

E se todas as dívidas do mundo desaparecessem?

Imagine que toda dívida mundial desapareceu quando o calendário Maia terminou.
Problemas como o aquecimento global e a pobreza extrema instantaneamente se tornariam facilmente solucionados com contratos justos e investimentos prospectivos. As dívidas estruturais de subsídios, capital investido, paraísos fiscais e acordos comerciais que mantém esses problemas distantes de uma solução simplesmente não existiriam mais.
Em seus primórdios, a tradição hebraica realizava esse sonho a cada sete anos. Costumava-se celebrar um grande jubileu, que dava cabo às dívidas e à escravidão econômica. Blocos de pedra em que inscreviam-se contas eram quebrados. Papiros com orçamentos, queimados. Escravos retornavam às suas famílias. A todos era oferecido um novo começo (a mesma tradição é viva atualmente com o projeto Rolling Jubilee, inspirado nos ocupas, que já aboliu mais de $9,000,000 em dívidas).
Para ler o texto completo de Joe Brewer clique aqui

sábado, 22 de dezembro de 2012

FEDERICO GARCIA LORCA: "Este é o Prólogo"

Este é o Prólogo

Deixaria neste livro

toda a minha alma.

este livro que viu

as paisagens comigo

e viveu horas santas.

Que pena dos livros

que nos enchem as mãos

de rosas e de estrelas

e lentamente passam !

Que tristeza tão funda

é olhar os retábulos

de dores e de penas

que um coração levanta!

Ver passar os espectros

de vida que se apagam,

ver o homem desnudo

em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,

a síntese do mundo,

que em espaços profundos

se olham e se abraçam.

Um livro de poesias

é o outono morto:

os versos são as folhas

negras em terras brancas,

e a voz que os lê

é o sopro do vento

que lhes incute nos peitos

- entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore

com frutos de tristeza

e com folhas murchas

de chorar o que ama.

O poeta é o médium

da Natureza

que explica sua grandeza

por meio de palavras.

O poeta compreende

todo o incompreensível

e as coisas que se odeiam,

ele, amigas as chamas.

Sabe que as veredas

são todas impossíveis,

e por isso de noite

vai por elas com calma.

Nos livros de versos,

entre rosas de sangue,

vão passando as tristes

e eternas caravanas

que fizeram ao poeta

quando chora nas tardes,

rodeado e cingido

por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,

mel celeste que emana

de um favo invisível

que as almas fabricam.

Poesia é o impossível

feito possível. Harpa

que tem em vez de cordas

corações e chamas.

Poesia é a vida

que cruzamos com ânsia,

esperando o que leva

sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos

sãos os astros que passam

pelo silêncio mudo

para o reino do Nada,

escrevendo no céu

suas estrofes de prata.

Oh ! que penas tão fundas

e nunca remediadas,

as vozes dolorosas

que os poetas cantam!

Deixaria neste livro

toda a minha alma...

Federico Garcia Lorca
(tradução: William Agel de Melo)

WIM WENDERS: A reinvenção de um cineasta por meio da dança

O Estado das Coisas (1982), Paris, Texas (1984), Asas do Desejo (1987) e Buena Vista Social Club (1999) são alguns dos filmes que marcaram a carreira de Wim Wenders na 2001 Vídeo. Em comemoração aos 30 anos da rede, o grande cineasta alemão falou com exclusividade sobre Pina e sua carreira.
Leia a entrevista de Wim Wenders aqui

Crianças que não brincam têm seu desenvolvimento prejudicado

O direito de brincar é reconhecido internacionalmente desde 1959 como consta na Declaração Universal dos Direitos da Criança, que prevê o brincar como uma vertente do direito à liberdade de meninos e meninas. Segundo especialistas, a infância brasileira tem passado por profundas transformações, influenciada pela intolerância do capitalismo, pelo complexo sistema da globalização, e pela redução do tempo livre devido ao “culto ao trabalho”, dentre outros fenômenos sociais modernos.
Brincadeiras de rua, banho de mangueira no quintal, ter contato com animais e correr livremente por aí, são algumas das atividades consideradas importantes para o processo de aprendizagem infantil. Porém, o trabalho, que a princípio deveria atingir somente a fase adulta, já faz parte do universo infantil, reduzindo cada vez mais o tempo da infância. O direito ao lazer e brincar, legitimado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Constituição, é tratado como menos importante ou supérfluo.
Para ler o texto completo de Yuri Kiddo clique aqui

A vida imita a arte? V de Vingança e a revolução na vida real

A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Atualmente presenciamos revoluções que tem uma relação direta com filmes, sendo quase que versão do enredo na vida real. Seria isso uma previsão dos acontecimentos pelos autores, uma tentativa de influenciar a população pelos mesmos ou um desejo dos jovens de viver um pouco da glória que a sétima arte propicia? Digamos que uma mistura de todos esses ingredientes.
Para ler o texto completo de Isabel Nobre clique aqui

Luiz Loures: 'Brasil pode ser 1º país a derrotar a Aids'

Um brasileiro acaba de ser escolhido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, para coordenar as políticas públicas da Unaids (braço da organização contra a Aids).
Luiz Loures vai assumir em janeiro a vice-diretoria executiva dos programas da entidade e também um cargo mais político, o de secretário-geral assistente da ONU.
O médico foi um dos pioneiros no cuidado a pacientes com Aids no Brasil. Loures está há 16 anos na Unaids, hoje em Genebra.
Ele diz que espera ver o fim da epidemia da Aids em 15 anos.
Mas, para isso, é preciso quase dobrar o número de pessoas em tratamento, investir em diagnóstico precoce e no fim do preconceito.
O Brasil, opina, tem condições de ser o primeiro país a declarar o fim da Aids.
Para ler a entrevista de Luiz Loures clique aqui

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Procol Harum - " Whiter Shade of Pale"

Para ouvir "A Whiter Shade of Pale" pelo Procol Harum clique aqui

Quem é dono do conhecimento e da cultura?

Assim como em outras áreas do direito, atualmente há maior percepção de que na década de 90 – período de maior incidência neoliberal nas políticas públicas do país – houve demasiada e indevida concessão da dimensão pública e social aos marcos jurídicos de interesse ligados ao comércio internacional e, especialmente, aos grandes temas como investimentos, serviços e propriedade intelectual, avalia Carol Proner, pesquisadora na área de propriedade intelectual e direitos humanos.
Para ler a entrevista de Carol Proner clique aqui

“Eu sou a mãe de Adam Lanza”

Três dias antes de Adam Lanza, 20 anos, matar sua mãe, e abrir fogo contra uma classe cheia de crianças em Connecticut, meu filho Michael (nome fictício), de 13 anos, perdeu o ônibus da escola porque estava usando calças que não eram as do uniforme.
“Eu posso ir com essas calças”, disse ele, o tom crescentemente agressivo, as pupilas negras engolindo as íris azuis.
“Elas são azul marinho”, respondi. “Sua escola diz que as calças só podem ser pretas ou cáqui”.
“Eles me disseram que eu podia usar dessa cor”, insistiu. “Você é uma vaca idiota. Posso usar as calças que bem entendo. Estamos na América, tenho direitos”.
“Você não pode usar as calças que bem entende”, eu disse, em tom afável, razoável. “E definitivamente não pode me chamar de vaca idiota. Você está proibido de brincar com seus jogos eletrônicos pelo resto do dia. E agora entre no carro que vou levá-lo para a escola.”
Vivo com um filho que tem uma doença mental. Amo meu filho, mas ele me apavora.
Para ler o texto comopleto de Liza Long clique aqui

Para viver além de Narciso

A vida é um fenômeno que resulta de relações: “não existe vida no isolamento”, ensina a professora e conferencista argentina Lia Diskin – em entrevista realizada para o estudo Política Cidadã, produzido pelo instituto Ideafix para o IDS (Instituto Democracia e Sustentabilidade). Os valores que deveriam nos orientar são, portanto, interdependência, empatia, solidariedade, cooperação, partilhamento: “a compreensão de que estamos imersos em uma comunidade viva que nos sustenta”. Ao contrário, a ideologia dominante em nossa cultura é a do individualismo. “Mas nenhum de nós se fez sozinho, embora se tente fazer crer que a criação desta obra ou daquela ideia seja exclusivamente de fulano ou beltrano”, recorda ela.
Para ler a entrevista de Lia Diskin clique aqui

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O segundo governo Obama: e agora, o que acontece?


A reeleição de Obama fez alguma diferença, mas muito menos do que o próprio afirmava ou do que os republicanos temiam. O governo dos EUA ainda deseja levar a cabo uma política imperial em todo o mundo. O problema que enfrenta é muito simples. A sua capacidade para fazê-lo declinou drasticamente, mas as elites (incluindo Obama) não querem reconhecê-lo. Ainda falam dos EUA como a nação “indispensável”. Trata-se de uma contradição com a qual não sabem lidar.
Para ler o texto completo de Immanuel Wallerstein clique aqui

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

JORNALISMO LITERÁRIO DE KAPUSCINSKI: Um breve estudo sobre a verdade

Ryszard Kapuscinski escreveu grandes livros de jornalismo literário. Entre eles, figura Ébano, escrito em meados de 1958, que reúne os relatos do correspondente polonês sobre suas viagens pelo continente africano. Com uma narrativa envolvente e uma descrição detalhada dos lugares, dos habitantes e seus costumes, Kapuscinski se consagrou como um grande repórter, um modelo para escritores e jornalistas.
Na revista CartaCapital n° 720, do mês de outubro de 2012, foi publicada uma matéria sobre o lançamento da versão em inglês do livro do também polonês Artur Domoslawski, Ryszard Kapuscinski – A life. A reportagem aborda as polêmicas declarações do biógrafo, que afirma que o jornalista “tornou-se um mito do jornalismo ao contar mentiras”. Propondo que as obras de Kapuscinski sejam consideradas ficção em vez de jornalismo literário, a revelação desses fatos provoca uma quebra no contrato que prevê que os relatos jornalísticos devem sempre buscar a verdade, lançando muitas incertezas sobre o jornalismo literário.
Não sendo possível desprezar esses novos elementos para analisar a verdade, a subjetividade e a objetividade na obra Ébano, esse artigo vai utilizar os conceitos de teóricos como Bill Kovach e Tom Rosenstiel, Daniel Cornu e Ben-Hur Demeneck para destacar a importância de um contrato de credibilidade estar agregado a uma obra jornalística.
Para ler o texto completo de Nidiane Perdomo clique aqui

MÍDIA & PRECONCEITO: Psicologia, religião e direitos humanos: onde está o limite?

Nos últimos tempos, a mídia tem sido acometida por um boom de informações relativas a um suposto preconceito religioso do Sistema Conselhos de Psicologia contra uma psicóloga que, reportando-se ao Artigo 5º da Constituição Federal, afirma “sofrer perseguição religiosa” por parte de seu órgão de classe [LOBO, M. – Fala do Processo Ético – CFP Perseguição Religiosa e Preconceito. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=CLMBMkk-xsMacessado em 27/11/2012]. A psicóloga afirma que o CFP deu-lhe um prazo de quinze dias para que ela tirasse de suas redes sociais “tudo que a ligue a Deus”. A profissional afirma que se recusou a cumprir a determinação do Conselho, assegurando que “dentro de seu consultório, nunca induziu ninguém a convicções políticas, religiosas ou de orientação sexual”, conforme preconiza o Código de Ética Profissional da categoria em seu Artigo 2º, b, “Ao psicólogo é vedado induzir a convicção política, filosófica, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções” [CFP – Código de Ética Profissional do Psicólogo, disponível aqui, acessado em 27/12/2012]. A profissional em suas redes sociais apresenta-se como “psicóloga cristã”, suposto motivo que justificaria a ação do CRP-08.
Para ler o texto completo de Luiz Eduardo V. Berni clique aqui

MASSACRE EM CONNECTICUT: Não são as armas, é a ideologia

Até o início da noite de segunda-feira (17/12), nossos canais de notícias e portais da internet mantiveram uma cortina de silêncio em torno da National Rifle Association (NRA), a responsável pela obsessão americana em preservar o comércio e uso de armas de fogo.
Repórteres, correspondentes e âncoras lembraram a Segunda Emenda à Constituição, que garante ao cidadão os meios para se defender, mas prudentemente evitaram trazer para o debate o mais poderoso lobby americano, criado em 1871 e hoje com 4,3 milhões de associados.
A NRA não se encarrega apenas de blindar a legislação que dá suporte legal à venda e utilização de armas, ela consegue monitorar até mesmo o registro de candidatos antiarmas dos dois partidos mais importantes. Um político que não é membro desse clube dos enfezados tem poucas chances de sobreviver.
Horas depois do massacre, ainda na sexta-feira (14), na emocionada mensagem ao país, o presidente Barack Obama teve o cuidado de não falar em armas, foi além: pediu uma união nacional, “independente da política” (regardless of politics) para evitar a repetição de tragédias. Não poderia explorar o doloroso momento para uma convocação mais expressiva. Por isso foi criticado pelos setores mais radicais dos desarmamentistas.
Para ler o texto completo clique aqui

ENTREVISTA / KWAME ANTHONY APPIAH: Morta de vergonha

Em outubro de 1995, o telefone tocou no Palácio de Buckingham e um comediante franco-canadense se apresentou a assessores da rainha Elizabeth como o então premiê do Canadá, Jean Chrétien. O plebiscito sobre a separação de Quebec se aproximava e o ator Pierre Brassard conseguiu enganar a rainha durante 17 minutos, numa conversa em que ela cometeu pelo menos uma gafe, ao prometer apoio para manter o Canadá unido. Afinal, a soberana da Comunidade Britânica não podia tomar partido em disputas eleitorais nas ex-colônias. O clima da conversa foi tão informal que Brassard perguntou à Rainha se ela já tinha fantasia para o Halloween. Elizabeth riu e respondeu que era festa para crianças. O palácio reclamou, o comediante pediu desculpas, canadenses e britânicos se divertiram a rodo com o incidente.
O trote passado por radialistas em figuras públicas, especialmente na mídia de língua inglesa, é comum. Em novembro de 2008, dias antes da eleição de Barack Obama, Sarah Palin, candidata a vice do republicano John McCain, conversou com um comediante de Montreal certa de que tinha Nicholas Sarkozy na linha. Deu um show de ignorância e deslumbramento com o poder que, tinha certeza, conquistaria nas urnas. Disse ao “Nicholas” que achava sua mulher, Carla Bruni, o máximo e combinou ir caçar com ele, apesar do evidente tom de zombaria do comediante.
Trotes já produziram momentos de hilaridade e embaraço, mas até hoje não se sabe de um desfecho trágico como o suicídio de Jacintha Saldanha. Ela foi a enfermeira que, no dia 4 de dezembro, passou a chamada de dois radialistas australianos para outra enfermeira encarregada de atender Kate, a duquesa de Cambridge, internada no Hospital King Edward VII, em Londres, com enjoos de gravidez. Os radialistas se fizeram passar pela rainha Elizabeth e o príncipe Charles, Saldanha acreditou e a colega que cuidava de Kate aparece numa gravação dando detalhes sobre o estado da princesa, grávida do herdeiro do trono britânico.
Sarah Palin saiu do vexame da rádio e da derrota eleitoral para uma lucrativa carreira na TV. Jacintha Saldanha, arrancada violentamente do anonimato, se enforcou três dias depois, nas dependências do hospital. Casada e mãe de dois filhos, ela deixou três cartas para a família, cujo conteúdo não foi revelado. O hospital e a família de Saldanha não fizeram nada para dispersar a impressão de que seu suicídio está ligado à humilhação pública que passou por ter servido de instrumento da violação da privacidade real. Numa era em que se humilhar em público pela mídia é profissão em horário integral, cortesia da reality TV, a ideia de um suicídio motivado pela honra parece pertencer à literatura do século 19.
A honra é o tema do último livro do filósofo Kwame Anthony Appiah, lançado recentemente no Brasil. Em O Código de Honra: Como Ocorrem as Revoluções Morais(Companhia das Letras), o descendente da nobreza axânti, de Gana, por parte do pai, e da nobreza britânica por parte da mãe, trata de um assunto que marcou sua juventude, mas encontrou resistência entre filósofos contemporâneos.
Appiah é professor de filosofia na Universidade Princeton e construiu uma reputação de intelectual público ao se debruçar sobre temas como identidade étnica e sexual. Ele argumenta, em O Código de Honra, que o progresso resultante da abolição de práticas odiosas como a escravidão e os chamados “assassinatos por honra” de mulheres paquistanesas não são necessariamente obtidos pela vitória da certeza moral e da razão. O livro de Appiah cita outros casos, como os duelos por honra na Grã-Bretanha ou a amarração de pés femininos na China, e todos têm em comum o fato de que costumes foram extintos quando entraram em conflito com a honra numa cultura. A honra de um cidadão, diz ele, requer respeito coletivo e controle da própria imagem. Vergonha e orgulho são emoções centrais da honra. Quando a honra corre paralela à moralidade, diz o filósofo, o bem comum sai ganhando. Appiah conversou com o Aliás do seu escritório em Princeton.
Para ler a entrevista de Kwame Anthony Appiah clique aqui

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Formação de professores, educação infantil e diversidade étnico-racial: saberes e fazeres nesse processo

Este artigo apresenta parte de pesquisa de doutorado, que teve como principal objetivo compreender os modos pelos quais professoras da primeira infância se apropriaram de conhecimentos adquiridos em cursos de formação continuada que tinham por objetivo estimular a inclusão de práticas pedagógicas que tratassem da diversidade étnico-racial. Foram analisadas duas experiências, uma desenvolvida pela Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, e outra pela Secretaria Municipal de Educação de Campinas/SP. O trabalho se ancora em concepções da teoria crítica da educação, para a qual as práticas pedagógicas estão relacionadas com as práticas sociais, sendo também tarefa do professor a construção de estratégias educacionais que fomentem o respeito da diversidade étnico-racial.
Para ler o artigo completo de Lucimar Rosa Dias clique aqui

Guimarães Rosa lido por africanos: impactos da ficção rosiana nas literaturas de Angola e Moçambique

Abordo os impactos da obra de João Guimarães Rosa nas literaturas de Angola e Moçambique, centrando minha atenção em depoimentos e obras dos angolanos Luandino Vieira e Ruy Duarte de Carvalho, e do moçambicano Mia Couto.
De início, importa mencionar a imensa relevância da literatura brasileira na formação da literatura destes países, Angola e Moçambique, que certamente não se restringe à obra rosiana. Interessantemente, porém, a obra de Rosa ocupa um lugar bastante especial na trajetória dos escritores mencionados, lugar que procurarei apontar.
Para ler o texto completo de Anita Martins de Moraes clique aqui

domingo, 16 de dezembro de 2012

"Caminhemos serenos" - PAPINIANO CARLOS

Caminhemos serenos

Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.

De mãos dadas,

através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade
caminhemos serenos.


Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos
caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia connosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,

já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?
caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.
Papiano Carlos*
*Nasceu em 1918 em Lourenço Marques (Maputo – Moçambique) e faleceu no Porto no dia 06/12/2012. Com dez anos de idade foi para Portugal, vivendo no Porto, em cuja Faculdade de Engenharia se licenciou. Ligado ao movimento neo-realista, foi colaborador da "Seara Nova", da "Vértice" e do "Jornal de Notícias” e de outras revistas e jornais. Principais obras publicadas: Esboço, (1942); Estrada Nova, (1946); Terra com Sede, (1946 ); Mãe Terra, (1952); Caminhemos Serenos, (1957); Uma Estrela Viaja na Cidade, (1958); A Menina Gotinha de Água (1962).

"Mass Murder" nas escolas: aconteceu...mais uma vez!

A teimosia dos políticos, e dos especialistas americanos, em não discutir a livre venda de armas, a segurança nas escolas e programas de educação que valorizem o trabalho social, os objetivos de equipe e que diminuam as “guerras” entre grupos de “losers” e de “populars” nas escolas é, claramente, parte causal dos massacres. O recuo, durante a campanha eleitoral de 2012, do Presidente Obama em colocar com clareza a questão da livre venda e porte de armas automáticas mostra uma indesculpável rendição perante os mitos da direita conservadora e reacionária norte-americana.
O artigo de Francisco Carlos Teixeira pode ser lido aqui

Crise abre espaço para ultra-conservadores na Europa

A crise econômica tem fornecido um solo fértil na Europa para o retorno dos ultraconservadores ao primeiro plano político. Partidos de extrema-direita estão em alta, com a recuperação por parte dos setores mais reacionários dos espaços conquistados nas últimas décadas pelos direitos civis. Xenofobia, populismo, discurso católico fundamentalista e defesa dos valores do cristianismo, antieuropeísmo e um nacionalismo patriótico como poção mágica para todos os males do mundo são algumas das suas manifestações mais evidentes.
O artigo de Eduardo Febbro pode ser lido aqui

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

DEZEMBROS por Fagner & Zeca Baleiro

Para escutar a música "Dezembros" na voz de Zeca Baleiro e Raimundo Fagner clique aqui

Terra estrangeira


Pressionados a obter terras agriculturáveis, países desenvolvidos e emergentes, como China, Índia e produtores de petróleo do Golfo Pérsico, estão adquirindo ou arrendando vastas áreas em nações pobres, sobretudo na África.
Para ler o texto completo de Madiodio Niasse, Praveen Jha, Rudolph Cleveringa e Michael Taylor clique aqui

"TABU": um filme de Miguel Gomes

Ao cineasta português Miguel Gomes não falta ousadia para dar à sua terceira longa-metragem o título de um dos monumentos do cinema mudo. Mas a sua ousadia compreende-se quando se vêem simultaneamente a pertinência deste empréstimo e a qualidade do resultado. A sua pertinência consiste em trazer Murnau para nos falar hoje da perda em termos de cinema. Se o seu filme mergulha na nostalgia, não é seguramente para lamentar a colónia nem sequer para evocar a frustração amorosa, mas porque ligar as duas lhe permite falar da ambivalência das imagens. O resultado é magnífico porque esta experiência a preto e branco, tão desestabilizadora como envolvente, redesenha a nossa relação com o imaginário tanto da colónia como da relação amorosa.
Para ler o texto completo de Olivier Barlet clique aqui

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Como a Ley de Medios pode ser referência para América Latina

Sociólogo mexicano, Buen Abad, analisa inovações propostas pelo governo argentino e defende articulação internacional na região para enfrentar monopólios midiáticos.
Leia e entrevista de Buen Abad aqui

JORGE LUIZ VARGAS: Poema da despedida



Um dia, quando chegar a hora da sua despedida

E você tiver que ir embora

Mesmo que eu sinta profunda tristeza

Prefiro que não me olhes!

 
Queria que sua despedida

Fosse como a da tarde em relação ao dia

Dando lugar à minha lua para enfeitar a noite

Que depois cede seu lugar ao sol

Para iluminar e aquecer um novo dia

 
Queria que sua despedida

Tivesse a leveza de um botão desabrochando em flor

Com cor e perfume para alegrar um coração apaixonado

O mesmo coração que um dia você nele se plantou

 
Queria que sua despedida

Deixasse em meu coração um lindo jardim

Com rosas, margaridas, orquídeas e jasmins

Plantadas por você e com seu jeito doce de gostar de mim

 
Queria que sua despedida fosse como a calmaria do mar

Tranquila, serena sem marear

Onde eu possa com minha nau navegar...

Sem sobressaltos
 

Queria que sua despedida

Fosse como a corrente dos rios

Que ao encontrar seu destino, o mar

Se harmonizam o doce com o sal

E desmancham tristezas e mágoas

Se acaso elas existirem

 
Queria que sua despedida

Fosse como a lua se despede do sol

Como o dia se despede da noite

Como as estrelas se vão, apenas deixando de brilhar

Mas elas, elas sempre estarão lá

 
Queria que você, ao se despedir de mim

Não falasse nada. Não dissesse nada...

Apenas deixe de brilhar

E transforme em silêncio

A certeza que permanecerá...

Eternamente viva no meu coração

 
Queria que na sua despedida

Você simplesmente fosse...

Como foi...

 
Mas deixando em mim a esperança

De quem sabe um dia

Embalando sonho e fantasia

A gente possa se reencontrar...

Lá no céu...

Eu, você, a lua... e a poesia

Um em três: Dilma, Lula e PT fatiados

Oposição e mídia conservadora tentaram dissociar imagem da presidente da de Lula e do PT, como condutora de um “novo PT”; mas já começam a colocar Dilma, também, na mira dos ataques.
Para ler o artigo completo de Rodrigo Vianna clique aqui

Os bastidores da ascensão de Joaquim Barbosa

Alguns dados sobre a trajetória do“novo herói” da mídia, o Joaquim Barbosa, que podem ser úteis ou importantes tanto aos seus fãs como àqueles que não concordam com os seu atos frente ao julgamento da Ação Penal 470. Vale à pena dar uma conferida! Afinal, informação é fundamental para a formação de uma opinião isenta e equilibrada.
Para ler o texto completo de Paulo Nogueira clique aqui

Paul Krugman: Robôs e magnatas ladrões

Embora a economia ndos EUA esteja em depressão, os lucros das corporações batem recordes. Os lucros sobem cada vez mais às custas dos trabalhadores. Há duas explicações plausíveis para isso, sendo ambas verdadeiras até certo ponto. Uma diz que a tecnologia colocou os trabalhadores em desvantagem; a segunda que estamos sofrendo os efeitos de uma monopolização e da ação dos "robber barons" ("magnatas ladrões", termo usado para caracterizar os capitalistas do século XIX"). O artigo de Paul Krugman pode ser lido aqui

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O ativo mais importante do século XXI é o conhecimento

O mercado quase implodiu o sistema. O planeta não aguenta mais. Sérgio Besserman Vianna é enfático: ou mudamos espontaneamente ou seremos obrigados a fazê-lo. Economista, vencedor de prêmio do BNDES, professor de História Econômica da PUC-Rio, Besserman sabe do que está falando. Ele é membro do conselho diretor da ONG WWF-Brasil, já fez parte da missão diplomática brasileira em duas Conferências das Partes da ONU e preside a Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável e de Governança Metropolitana da cidade do Rio de Janeiro. Embora veja melhorias, inclusive no Brasil, Besserman sublinha que, por estas bandas, o buraco é ainda mais embaixo: “Nós temos essas questões que marcam o século XXI, mas também arcamos com milhões de problemas do século XX e até alguns do XIX”.
Irmão mais velho do humorista Bussunda – Cláudio Besserman Vianna (1962-2006) –, Sérgio Besserman nasceu em 1957 e aprendeu a gostar de política em casa. Filho de médicos que eram membros do Partido Comunista, ele sempre teve muita liberdade, mas com duas decisivas condições: manter-se antenado com os acontecimentos e ler muito. E assim veio a Economia, pouco depois de um flerte com a Engenharia. Mas foi a História que vingou como linha de pensamento. “É um equívoco pensar que a análise especializada da realidade social possa prescindir da visão histórica”.
Presidente do IBGE entre 1999 e 2003, período que assinalou transformações na sociedade brasileira, ele acompanhou de perto muitas mudanças que marcaram o país. É para falar sobre elas e sobre o que ainda podemos fazer que Sérgio Besserman recebeu a equipe da RHBN no restaurante do Clube Naval, no Rio de Janeiro. O entrevistado enfatiza a urgência de um planejamento que dê conta da demanda justa, mas inviável, de países emergentes que almejam as mesmas condições de vida das nações desenvolvidas. Neste processo, a História é uma ferramenta para os questionamentos.
Para ler a entrevista de Sérgio Besserman Vianna clique aqui

Documentário “O XADREZ DAS CORES”

O Curta metragem "O Xadrez das Cores " (2004, 21’), dirigido por Marco Schiavon, narra a história de uma senhora branca que fica sob a guarda de uma empregada doméstica negra. A idosa não faz questão nenhuma de disfarçar seu racismo é utiliza o jogo de xadrez humilhar a empregada, mas é justamente o jogo de xadrez que fará com que as personagens produzam reflexões que mudarão as suas vidas.
Cida, a empregada doméstica, é um ser humano extremamente respeitoso e poucas vezes se irritou e fez cara feia. Parecia conformada pelos tantos atos de preconceito e discriminação já sofridos ou ela teria tanta compreensão daquela situação que sabia a hora de “mover o xadrez” da vida real? Se a segunda hipótese for a verdadeira, o que lhe deu essa capacidade? Que tipo de formação Cida teve em sua vida para agir assim?
Que tipo de escola Cida frequentou? Que educação, no sentido de formação, teve na sua família em relação ao negro e à sua condição? Que educação recebeu a senhora idosa, Dona Stela, que a fez tão convictamente racista? O que aquelas crianças, que brincavam tanto com armas, aprendiam na escola? Que futuro e que direitos possivelmente, aquelas crianças terão?
Cida parecia ser uma pessoa com pouca escolaridade pelo fato de ter uma ocupação de empregada doméstica, mas ela se mostra reflexiva, com uma visão crítica e capaz de dominar o jogo de xadrez, apesar das orientações da patroa e lendo, sozinha, o manual.
Inevitavelmente emergiram algumas perguntas e reflexões relacionadas aos direitos humanos. Quero dizer, entretanto, que antes de pensar, eu senti. Antes de refletir me veio um sentimento. Um sentimento de indignação e mesmo de revolta. Acredito que Marco Schiavon, diretor desse filme, possivelmente, quis nos provocar colocando repetidamente cenas em que a senhora idosa branca e racista, cutuca a empregada com a bengala e a humilha julgando-a desonesta, incapaz e lhe atribuindo toda a sorte de suspeitas, adjetivos e qualificações degradantes. Dito isso, podemos levantar algumas reflexões.
A primeira de todas me fez voltar na história e perguntar: que direitos tinham os negros, na época da escravidão quando sofriam todo o tipo de maus tratos e lhes eram colocados toda a sorte de rótulos inclusive os distinguindo radicalmente dos seres humanos de cor de pele branca? (“Não tinham alma, tinham um cérebro inferior”). Embora se trate de um filme de ficção, sabemos que ainda existem pessoas como essa senhora, mesmo que algumas com um grau de intensidade menor. E isso é inadmissível se pensarmos nas mudanças em termos do direito, ocorridas da abolição da escravatura até aos nossos dias. Mas por que isso ainda ocorre? Acredito que ainda vivemos em uma “Casa Grande e Senzala”.
O que será que provocou a morte do filho de Cida? Será que sua morte poderia ter sido evitada? E seu direito à vida? E o direito das crianças brincarem, estudarem e viverem a infância como mereceria ser? E por falar em direito, que direito aquela senhora idosa tinha de tratar a empregada daquela forma? Ela tinha o direito ou tinha o poder?
Aqui, faço um parêntesis para comentar a perspicácia do diretor do filme em usar o jogo de xadrez no centro do enredo. Nos estudos da antropologia, analisa-se entre os aspectos da cultura, os ritos e os jogos como forma de repassar e reforçar os valores de uma sociedade, quando em casa ou na escola as crianças brincam, elas estão não apenas desenvolvendo suas capacidades motoras e cognitivas, mas também incorporando crenças e valores. E isso nem sempre ocorre de maneira explícita, mas sim, de forma, muitas vezes sutil, quase sorrateira. Por isso é muito interessante observar os valores “invisíveis“ do jogo de xadrez, como quando a patroa remarcou sobre a quantidade de “peões” sem valor equivalente às empregadas domésticas. Podemos destacar ainda as peças brancas e as peças pretas.
A partir desse filme, que diálogo pode ser estabelecido entre a educação e os direitos humanos? O que a educação pode fazer para que cenas como essas, não se tornem naturais, para que a relação entre as Stelas e Cidas da vida real seja modificada? O que a educação pode fazer para que crianças como aquelas do filme possam ter direito a uma infância plena, tranquila e segura, material e psicologicamente falando?
Não se pretende propor aqui a educação como “redentora” de todos os males ou um discurso do tipo durkheimiano, seguindo o qual bastaria o acesso à escola para que os indivíduos deixassem de lado seu egoísmo e aprendessem a viver de forma mais cordial em sociedade, como se não existissem desigualdades. Nem tampouco proponho algo romântico, do tipo “vamos todos nos dar as mãos” e tudo será maravilhoso. Podemos também lembrar o que Marx nos ensinou sobre a história do homem como a história da contradição e da luta de classes. Mas hoje a sociologia acrescenta à categoria classe social, outros determinantes entre os quais as crenças, as relações familiares e a etnia, que ajudam a explicar, inclusive, as relações de poder na sociedade. Importa ressaltar que a contradição e o conflito existem. Fazem parte das relações sociais, fazem parte do homem, são intrínsecos à natureza, como nos mostrou Hegel.
Então, eu volto à pergunta: o que a educação pode fazer diante disso? Importa dizer que quem atua em uma faculdade de educação, em um curso de pedagogia, tem como desafio principal atuar nas escolas e eu diria que, prioritariamente, nas escolas da rede pública. Uma outra questão é que existem concepções que se diferenciam e se aproximam mais ou menos da educação escolar como sendo redentora das desigualdades, leia-se equalizadora dos direitos humanos (como as concepções da escola compensatória ou equalizadora) ou como reprodutora das desigualdades (concepção de Bourdieu e Passeron, por exemplo). Mas entre esses extremos encontramos pensadores como Gramsci ou Paulo Freire, ao lado de inúmeros outros, que defendem uma perspectiva que acredita em uma mudança e na transformação das relações de poder vigentes, mas sem ignorar ou subestimar os obstáculos e os interesses contrários a isso.
Particularmente, defendo e concordo com Paulo Freire, quando ele defende que a educação deve ser um instrumento de luta, um instrumento que as classes oprimidas poderão usar para se emanciparem e compreenderem os mecanismos que produzem a realidade em que vivem. Um instrumento que lhes possibilitem serem capazes de transformar essa realidade em algo melhor para a maior parte dos indivíduos.
Faz-se, portanto, necessário pensar que tipo de educação queremos e que práticas podemos desenvolver, para que possamos diminuir o preconceito e a discriminação, possamos garantir o direito, por exemplo, de mais negros ocuparem o lugar de professores universitários no Brasil (uma pesquisa realizada há poucos anos, mostra que estes representam cerca de apenas 1%), e também os direitos de todos aqueles que são cidadãos apenas no papel mas que não vivem com dignidade, enfim para que possamos combater os mecanismos que produzam a existência de futuras Stelas e Cidas, como as do filme que vimos aqui. Sugiro fortemente, que uma dessas práticas seja o cinema (Áurea Regina Guimarães Thomazi).

Para asssitir ao documentário clique aqui

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Site sobre CLARICE LISPECTOR

Organizado pelo Instituto Moreira Salles foi inaugurado no dia 10 de dezembro de 2012 o site sobre  escritora brasileira Clarice Lispector. Nele pode ter acesso à vida e obra de uma das maiores escritoras do Brasil. Para entrar no site clique aqui

Um testamento em aberto para Manoel de Oliveira, 104 anos

De algumas poucas coisas a gente pode dizer: eu estive lá. Eu estive no Action République, em 1976 (ou 1977?). Quem me arrastou “para ver um filme português” foi Ignacio Fuentes, cinéfilo colombiano radical, o mais radical que eu conheci.
Eu, que pouco tempo antes tinha visto “Tras os Montes”, que é uma beleza de filme (de Antonio Reis e Margarida Martins Cordeiro) estava animado com a perspectiva de um cinema português que recomeçava, pós 25 de abril.
Fiquei bem menos animado ao saber que o “Amor de Perdição” a ser exibido tinha quatro horas de duração. Um filme português de quatro horas era, naquele momento, para a gente ao menos desconfiar.

A sala estava cheia. Lotada. Quem fazia a apresentação era ninguém menos que Serge Daney, o grande crítico de sua geração.
Manoel estava lá. Era um velhinho (assim me pareceu). Beirava os 70 anos. Em princípio, podia-se acreditar que recebia o reconhecimento parisiense (ou seja, europeu) e tchau.
Ele tinha, na minha lembrança, mais ou menos as mesmas feições de hoje. E hoje (ou até pouco tempo atrás) Oliveira parece que tem uns 70 anos.
E ele tomou a palavra. E reclamou à beça das novelas brasileiras, que tomavam o lugar das produções portuguesas, de tal modo que seu “Amor de Perdição”, originalmente uma série para TV, nem passou por lá.
Foi sempre assim, aliás: o mundo inteiro bota o cinema de Oliveira nos cornos da Lua. Em Portugal tratam ele como um ninguém. É sempre assim...
Para ler o texto completo de Inácio Araújo clique aqui

EDUCAÇÃO: O calmo desespero das elites

Ilhados em escolas-bunker, nossos filhos estão sucumbindo a um 'dever' implícito e inconteste: ultrapassar seus coetâneos, transformados em aguerridos rivais pelo melhor lugar ao sol do consumo.
Para ler o artigo completo de Julio Groppa Aquino clique aqui

África: Os homens sábios

Quando os navegantes portugueses chegaram às praias da África no século XV, os povos desse continente ao sul do deserto do Saara tinham acumulado vastos conhecimentos que se manifestavam nas esferas econômicas e sociais.
Para ler o artigo completo de Roberto Correa Wilson clique aqui

CIÊNCIA & JORNALISMO: O mundo assombrado pelos demônios

O temor provocado por um alardeado fim do mundo, no próximo dia 21 de dezembro (solstício de verão no hemisfério sul), talvez seja a evidência mais clara da impotência da ciência em sensibilizar a sociedade humana para um olhar além da miséria filosófica e do sofrimento dispensável. Ao menos para parcelas significativas da população mundial.
Na verdade, não se trata da impotência apenas da ciência, mas também do jornalismo, enquanto possibilidade (de participar) da construção de uma cidadania contemporânea, no sentido da convivência crítica com fatos que vão de navegações que extrapolam o Sistema Solar, passando por paradoxos na mecânica quântica (emaranhamento quântico e relatividade restrita, por exemplo) e conquistas surpreendentes na genética, entre outros campos do conhecimento.
Ao que tudo indica, estamos vivenciando uma experiência de retorno de conteúdos arcaicos, típicos da era pré-científica, quando os demônios tinham o inteiro controle da situação e, de tempos em tempos, castigavam os humanos com relatos e previsões os mais horrendos em que se podia pensar.
Porque isso está ocorrendo agora, mais uma vez, é um fato que procede da complexa dinâmica da máquina do mundo. De imediato, no entanto, pode-se dizer que, até às vésperas da publicação da gravitação universal por Isaac Newton (1686), a igreja católica obtinha ganhos com essa mesma atuação terrorista.
Antes de Newton, com frequência, quando aparecia um cometa no céu, os padres badalavam os sinos de suas paróquias e trombeteavam o “fim do mundo”. Os homens ricos, com a consciência pesada pela maneira como haviam acumulado suas fortunas, corriam então às igrejas e faziam suas doações, como forma de aplacar os pecados e assim livrar-se das chamas eternas que crepitavam no inferno, renovadas pelo ardor da Inquisição. O mundo estava para acabar, mas, ainda assim, as ofertas eram aceitas. Os pobres, como os ricos, também gemiam seus pavores entre os (poucos) dentes, mas, açoitados a cada dia pela miséria, quase mais nada tinham a perder.
Pela altura em que Newton publicou sua gravitação universal, um estilo literário, as “narrativas fantásticas” corriam o mundo. Eram o espelho da mentalidade da época. Nesses registros estava incluído o conceito de um mundo em forma de bacia, de que navegantes mais ousados − aventurando-se no que os portugueses chamaram de “mar-oceano” − podiam cair, precipitando-se no caos e na degeneração.
Nesses relatos era comum a descrição de criaturas com corpos humanos e cabeça de animais, como cães, touros e serpentes. As descrições geográficas das terras que abrigavam esses seres eram as mais exóticas e inconsistentes, mas, ainda assim, tomadas como um contínuo da realidade.
Foram os portugueses os primeiros a refutar esse obscurantismo febril que marcou a longa noite da Idade Média, a partir do século 4, com o apagamento da cultura greco-romana, até um conjunto de datas irregulares espalhadas pelo Ocidente. Pedro Nunes (1502-1578), D. João de Castro (1500?-1548) e Garcia de Orta (1501-1568) foram alguns dos responsáveis por essa glória portuguesa, sem reconhecimento difundido além de Portugal, e praticamente ignorada no Brasil.
Para ler o texto completo de Ulisses Capozzoli clique aqui

Cidade dos livros

A Cidade, um espaço imenso e maravilhoso, é constituída de pátios, jardins e espaços onde foram reunidas as bibliotecas particulares de diversos escritores mexicanos: José Luis Martínez, Antonio Castro Leal, Jaime García Terrés, Alí Chumacero e Carlos Monsiváis, que somam, juntas, cerca de 350 mil volumes.
Cada biblioteca foi confiada a um grupo de arquitetos, artistas e decoradores que reconstruíram e organizaram as diferentes coleções respeitando a personalidade, os gostos, as manias, as fantasias e as ideias de seus antigos proprietários. Ao mesmo tempo, procurando facilitar ao máximo o acesso aos livros e o conforto dos leitores. Não exagero quando afirmo que todos esses edifícios – muito diferentes um do outro – são criações onde o bom gosto, a funcionalidade e a atmosfera agradável estimulam de modo extraordinário qualquer intelectual. Sei por experiência própria. Passei a vida lendo e escrevendo nas bibliotecas de todas as cidades em que vivi e – com exceção talvez da antiga British Library, quando estava no Museu Britânico e antes de se transferir para o mastodonte de St. Pancras – não me lembro de sentir tanta vontade de escrever (e até viver ali) como nas várias bibliotecas da Cidade mexicana.
Para ler o texto completo de Mario Vargas Llosa clique aqui

LEONARDO BOFF: Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho


A revista Veja se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro. Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana.
Para ler o texto completo de Leonardo Boff clique aqui 
Para ler o texto "O funeral midiático", de Luís Eustáquio Soares clique aqui
Para ver as algumas das obras geniais de Oscar Niemeyer clique aqui
Para ver um documentário com entrevistas e depoimentos sobre Niemeyer clique aqui
 

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