quarta-feira, 30 de maio de 2012

Para um estudo não-convencional das artes plásticas

E se o ensino de arte nas escolas não for apenas uma atividade cosmética, de menor importância no âmbito do currículo e das práticas docentes? As Artes Plásticas na Formação do Professor, primeiro livro de Mazé Leite, parte desta pergunta provocadora. Ao longo de 306 páginas, a obra sugere um roteiro para que, assim como História, Geografia, Literatura ou Teatro, o estudo da pintura, desenho, gravura, fotografia e outras artes visuais avance muito além das especializações técnicas que empobrecem a visão do ser humano e das sociedades como um todo.
Para ler o artigo completo de Jeosafá Gonçalves clique aqui

Sexta Carta às Esquerdas - Boaventura de Sousa Santos

Não estando o socialismo, por agora, na agenda política — mesmo na América Latina a discussão sobre o socialismo do século XXI perde fôlego — as esquerdas parecem dividir-se sobre os modelos de capitalismo. À primeira vista, esta divisão faz pouco sentido. Mas, de fato, não é assim.
Para ler o texto completo de Boaventura de Sousa Santos clique aqui

terça-feira, 29 de maio de 2012

As cinco habilidades da vida digital

Há uma farta literatura na praça discutindo os efeitos da internet. Uns garantem que a web está nos piorando de vários jeitos: ficamos mais burros, nossa vida privada escoa, quiçá web vicia. Outros seguem o caminho contrário. A internet democratiza, derruba ditaduras, vai reconstruir a sociedade, criar utopia. Net Smart, de Howard Rheingold, acaba de sair nos EUA e não se encaixa bem em nenhum grupo. Ele simplesmente parte do princípio de que a internet não vai embora e sugere que ainda não aprendemos a nos adaptar a ela. Net Smart, inteligência de rede, é algo que se aprende. E que mesmo gente que já está no mundo digital há um tempo, às vezes, não dominou o pacote completo.
Para Rheingold, o que ele chama de inteligência de rede inclui cinco habilidades A primeira é atenção. É a mais óbvia e também uma das mais difíceis. A web é vasta e baseada em links. Saia em busca dum assunto e é fácil se perder. Cruzou algo interessante, seguiu dali para outro canto. Os estímulos são muitos: o e-mail, o Twitter, o vídeo, tudo pisca pedindo um naco de tempo. Atenção é ter consciência contínua de qual a intenção. Fazer algo até o fim, reservar momentos para cada função. Disciplina para organizar a vida. Atenção é a capacidade de dizer não.
A segunda habilidade é participação. A internet é uma ferramenta útil de cidadania, mas exige que um grupo grande de pessoas decida agir em conjunto. Uma ditadura pode ser derrubada, mesmo que tenha décadas de vida. Tudo começa, no entanto, com a capacidade de um grupo grande de pessoas de se mexer. Um escreve um post em blog, outro vai para o Twitter e colabora para trazer o tema aos tópicos mais populares. É o conjunto que tem poder para ganhos que vão da defesa do consumidor à política. E tudo nasce de uma consciência do cidadão digital: ele tem de participar, senão a tecnologia serve de pouco.
Para ler o texto completo de  Pedro Doria clique aqui

SEXUALIDADE & IDENTIDADE: Michel Foucault e as confissões da Xuxa

Em História da sexualidade: vontade de saber (1976), o filósofo francês Michel Foucault (1925-1942) mostrou-nos, para quem tem olhos livres para ler, como o não menos “livre e democrático” Ocidente produziu, a partir de seu ponto G civilizacional, as subjetividades estilizadas que circulam em Nova York e que se tornaram os modelos de humanos a serem reverenciados e imitados por todo o planeta como exemplos de liberdade, plasticidade, alegria, despojamento e afirmação de diferenças sexuais ou simplesmente como exemplos de democracia encarnada em subjetividades humanas.
Michel Foucault recorreu às técnicas de confissão inquisitoriais impostas pela Igreja Católica na Idade Média e a partir delas nos mostrou que a especificidade do Ocidente, em relação a outros modelos de sociedade, foi a de ter produzido uma civilização confessional, na qual e através da qual somos o que confessamos ser: nossos sexos reis, senhores de nossas vidas e nossas identidades.
As técnicas confessionais desenvolvidas pela Igreja Católica medieval eram, como se sabe, inomináveis procedimentos de tortura física, através dos quais o torturado ou a torturada devia confessar a verdade dos pecados cometidos, quando não eram a própria punição voltada e devotada contra plebeus, mulheres, judeus, mulçumanos, africanos, homossexuais, – contra antes de tudo àqueles e àquelas que, por um motivo ou outro, não se adaptavam ao padrão divino, de puro sangue azul, das heterossexuais castas aristocráticas das monarquias medievais, principalmente as de Portugal e Espanha.
Para ler o artigo completo de Luís Eustáquio Soares clique aqui

LÍNGUA/LINGUAGEM: Evolução? Mudança!

A partir da falsa dicotomia língua primitiva X língua sofisticada, o linguista Sírio Possenti reflete sobre as adaptações da língua em diferentes sociedades, que adotam critérios próprios, de acordo com seu gosto e suas necessidades.
Para ler o artigo completo de Sírio Possenti clique aqui

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Aceleração e depressão – Maria Rita Kehl

Numa época em que a vida social parece tão antidepressiva, como é possível que o aumento das depressões tenha adquirido características de uma epidemia? Penso que a aceleração que marca a vivência temporal do sujeito contemporâneo desvaloriza a vida psíquica, produzindo justamente o sentimento de vazio interior que caracteriza as depressões.
Veja a palestra de Maria Rita Kehl no programa Café Filosófico no vídeo aqui

Para viver com a poesia de Mario Quintana

O melhor da obra de Mario Quintana está agora no livro de bolso “Para Viver com Poesia” da Editora Globo. O responsável pela organização e seleção dos poemas é o jornalista e escritor carioca Márcio Vassallo, que foi preciso ao prefaciar o conteúdo sensível de um dos maiores poetas brasileiros:
“Pra viver com poesia, como nos propõe Quintana, precisamos reaprender a olhar para tudo com o coração cheio de assombro e despedida, com os olhos de um menino e de um condenado, puxando perplexidade, beleza e ineditismo das cenas, dos sentimentos, das emoções, dos silêncios, das palavras, dos paradoxos, do cotidiano e das pessoas mais comuns.”
“Foi isso que o poeta sempre fez” – Vassalo aponta, e nos consola: “Ah, mas ninguém precisa ser Mario Quintana para viver poesia. Quem o lê percebe que a beleza está disponível para nós o tempo todo, mas que também precisamos ficar disponíveis pra ela”.
A ECOLÓGICO leu o livro e compartilha aqui os poemas que mais nos tocaram. Leia aqui

sábado, 26 de maio de 2012

Uma energia incompatível com a humanidade

Catorze meses após tragédia de Fukushima, exame de suas consequências movimenta, no Brasil, iniciativa cidadã para banir centrais nucleares.
Para ler o texto completo de Chico Whitaker clique aqui

"Na Estrada", novo filme de Walter Salles noFestival de Cannes

Cinco anos de sexo, drogas e jazz, on the road, na estrada. Depois de amanhã, quarta-feira, 23 de maio, o filme baseado no livro mítico de Jack Kerouac terá seu primeiro grande teste internacional, no Festival de Cannes, cercado de muita expectativa – e da torcida brasileira pelo sucesso de seu cineasta contemporâneo maior. O relato dessa longa viagem de jovens amigos que atravessam os Estados Unidos nos anos 50, transando, bebendo, escrevendo e delirando em busca da última fronteira americana, e também de si mesmos e de uma vida mais libertária e menos burguesa, foi publicado em 1957 – mas só virou filme agora, em 2012, pelo olhar sensível de um diretor carioca, Walter Salles. No Brasil, o livro On the road – a bíblia da cultura beatnik, escrita de um fôlego só por Jack Kerouac, morto de cirrose aos 47 anos – foi publicado sob o título de Pé na estrada, mas apenas em 1984, durante a redemocratização brasileira. Porque, antes, era considerado “subversivo”. A estreia em nossos cinemas foi confirmada para dia 15 de junho. “A primeira atriz que eu convidei”, diz Salles, “foi a Kirsten Dunst, logo em 2005, ao ser convidado por Coppola a dirigir o filme. A Kirsten faz a Camille, na vida real Carolyn Cassady, hoje vivendo na Inglaterra com quase 90 anos (Carolyn foi mulher de Neal Cassady e vivia um triângulo amoroso e permitido com o melhor amigo do marido, Jack Kerouac). Sempre fui um fã da precisão que a Kirsten tem, de sua capacidade de dizer tanto, parecendo fazer tão pouco. Ela é uma camaleoa”. Além de Kirsten Dunst, a outra lourinha que arrasa no novo filme é Kristen Stewart (Marylou), da série Crepúsculo e do filme de Sean Penn, Na Natureza Selvagem (Into the wild), onde interpreta uma adolescente de 16 anos. Por todos os lados, em cada esquina de Paris, vemos cartazes de Sur la route (On the road ou Na Estrada). A divulgação é maciça e profissional. O filme não só participa da competição em Cannes, mas estreia nos cinemas franceses. Existe uma forte aposta da mídia especializada, que considera o filme um dos favoritos para a Palma de Ouro em Cannes – num momento em que a Europa vive uma onda de contestação. Mas Salles não se deixa envolver por esse favoritismo. “Só desejo”, diz ele, “que o filme seja tão polêmico quanto o livro e, em vez de despertar unanimidade, crie opiniões pró e contra. E filmes polêmicos não costumam ser premiados em Cannes”. Conversei com Salles num café familiar e tradicional da Rive Gauche em Paris, onde ele é muito mais que um diretor de cinema festejado – é um cliente fiel, um vizinho simples e afetuoso, recebido com beijos e abraços pelos donos do café. Fã desde os 17 anos de “filmes de estrada” (road-movies), Salles dirigiu Central do Brasil, com Fernanda Montenegro, e Diários de Motocicleta, sobre a juventude do Che. Ganhou mais de 140 prêmios internacionais. Para embarcar com seriedade em “Na estrada”, confirmou sua reputação de perfeccionista: realizou, ao longo de seis anos, de 2005 a 2010, um documentário sobre a vida de Kerouac e os personagens que conviveram com ele. Um documentário que ainda nem foi editado, mas que deu a Salles a segurança para embarcar na ficção, e numa história aguardada por uma legião de adeptos da contracultura beat. A adaptação para as telas, embora seja uma coprodução europeia, leva o nome do Brasil a uma das maiores vitrines mundiais do cinema.
Para ler o artigo completo clique aqui 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

MIA COUTO e "A Confissão da leoa"

Mia Couto: "Era muito tímido, acho que me apaixonava três ou quatro vezes por dia". Este é o título da entrevista que o Mia deu a Susana Garrido, do jornal i, a propósito do seu último livro A Confissão da Leoa. Já entrevistei o Mia várias vezes e as conversas com ele são sempre muito tocantes. Hoje deixo aqui a entrevista que deu ao i, para quem tiver interesse e tempo para a ler. Vale a pena.
"Mia Couto é tão sereno e envolvente como os livros que escreve. Fala pausadamente, no sotaque cantado de África. E cada resposta é uma história. Convidou-nos para uma conversa num café rodeado de árvores, longe do barulho da cidade, onde nos contou o que significa ser irmão do meio e ter crescido numa casa de poesia, com a cabeça nas nuvens. António Emílio, que em criança decidiu chamar-se Mia, nasceu em Moçambique, na cidade da Beira, há 56 anos. Tem três filhos, dois deles biólogos, como o pai. Desistiu de medicina, foi jornalista e tornou-se biólogo. O seu novo livro, “A Confissão da Leoa”, foi inspirado pelos ataques de leões a pessoas em Moçambique, mas transformou-se noutra coisa a meio do caminho.

Leia a entrevista de Mia Couto aqui

Os sem-celular

O telefone celular não é apenas um artefato do Coisa-Ruim, assim como a televisão é a Besta encarnada. É um rastreador do governo/alienígenas/palhaços/Grandes Corporações que serve para manter cada indivíduo sob o domínio deles. Via satélite, eles controlam aonde o senhor 9999-9999 vai, o que fala, quanto tempo demora a digerir um rosbife e tudo o que está pensando, inclusive quando, silenciosamente, comemora: "Humm, rosquinhas."
Somos 37 os integrantes do combalido Grêmio Pan-americano de Repúdio ao Celular, organização com fins lucrativos que se dedica a imprecar contra o aparelho de telefonia móvel. No quadro de associados, figuram meu avô, o Elton John, um sujeito que mora ao sul de Tocantins, uma velha chamada Celeste que tem os dedos gordos e não consegue apertar as teclas individualmente, o Chico Buarque, o Matheus Nachtergaele, o tio de uma amiga minha, a cantora Stephany do Piauí, um andarilho chamado Ganesha Sol de Oliveira e eu.
Nos últimos meses, o número de membros só tem diminuído, devido à idade avançada dos fundadores e por conta de certos escândalos - como telefones pessoais vibrando durante a reunião de diretoria.
Para ler o artigo completo de Vanessa Barbara clique aqui

Tribos urbanas: os processos coletivos de criação no graffiti

O graffiti urbano se caracteriza como movimento de intervenção na cidade, por meio do qual diversos grupos expressam novas formas de viver nos espaços urbanos. Este trabalho visa refletir sobre os processos de criação coletiva no graffiti urbano de Florianópolis. Realizou-se entrevistas com seis grafiteiros da cidade de Florianópolis, pertencentes a crews diferentes, observações, registros fotográficos e filmagens de suas atividades criadoras na cidade. Percebeu-se que a formação dos grupos de grafiteiros depende de relações de afinidade e proximidade a partir das quais partilham suas experiências e emoções. Nos processos de criação dos graffitis participam grafiteiros de diferentes crews, as quais trocam entre si técnicas e sugestões. As relações na crew e entre crews dos grafiteiros investigados se caracterizam por certa volaticidade e flexibilidade em suas relações. A re-qualificação do espaço urbano ocorre por meio destas intervenções conjuntas, reinventando a cidade e a si mesmos.
Para ler o texto completo de Janaina Rocha Furtado clique aqui

Mortas por serem quem são

Nas últimas semanas a imprensa divulgou pesquisa nacional sobre homicídios de mulheres no Brasil. Os dados apresentados revelam a magnitude dos assassinatos de mulheres, ocupando nosso país a sétima posição no contexto de 84 outros países onde mais ocorrem esses eventos. A pesquisa ratifica estudos realizados desde a década de 80 que apontam o local de residência como o principal espaço onde ocorre essa violência, bem como o fato de os agressores serem majoritariamente cônjuges, ex-cônjuges, namorados e ex-namorados. Esses dados revelam a domesticidade dessa criminalidade, que poderia ser tipificada como femicídio, fenômeno em grande parte banalizado como simples tragédias da vida privada.
Para ler o texto completo de Leila Barsted clique aqui

Como surgiu a literatura de cordel

De tanto ouvir Roberto Carlos mandar tudo para o inferno, nos versos da canção que dominava as rádios no fim dos anos 1960, o poeta Enéias Tavares dos Santos decidiu que o "rei" havia feito por merecer uma resposta - e do tinhoso em pessoa. Escreveu então o folheto de cordel Carta de Satanás a Roberto Carlos, em que o diabo se dirigia queixoso ao cantor, diretamente da "corte das trevas". (Um trecho da peça é reproduzido no caixão abaixo.)
Ao reunir realidade e ficção, sátira e bom humor, a conversa franca entre Satanás e seu "grande amigo Roberto" tornou-se um dos maiores sucessos da literatura popular em versos brasileira. Rendeu incontáveis reimpressões e inspirou dezenas de folhetos de outros cordelistas, como Resposta de Roberto Carlos a Satanás, de Manuel d’Almeida Filho, e A Mulher que Rasgou o Travesseiro e Mordeu o Marido Sonhando com Roberto Carlos, de Apolônio Alves dos Santos.
Além da sorte, Enéias Tavares usou a seu favor a astúcia dos grandes cordelistas: conjugou a crendice popular (centrada na figura do diabo) à modernidade do novo ídolo, que estampava capas de revistas e alavancava audiência na televisão ao embalo do iê-iê-iê. O autor soube interpretar um momento de sua época, na mesma toada em que há mais de um século a literatura de cordel retoma tradições e constrói, em forma de poesia, crônicas da sociedade e da política brasileiras.
Para ler o texto completo de Érica Georgino clique aqui

Luta pelos direitos do trabalho é hoje vital diante da crise cabal do capitalismo

A crise financeira global vem sendo invariavelmente ‘remediada’ pelas mesmas medidas ortodoxas e neoliberais que levaram ao colapso. O Correio da Cidadania entrevistou o sociólogo Ricardo Antunes, que analisou o momento de rebeliões vivido em diversos países e continentes e as suas respectivas singularidades.
Leia a entrevista aqui

A porta dos silêncios

Nesta porta dos silêncios, onde entrei,
de maravilha em maravilha fui passando
e, quando o tempo, a pouco e pouco foi parando,
cegou-me a luz, pesou-me o corpo,
regressei.

Talvez mais tarde, na quietude da alvorada
do justo dia,
da precisa madrugada
em que no céu, se recortar a sombra esguia
do peregrino, percorrendo a mesma estrada,
as aves romperão em alegria
pela porta, novamente franqueada.


Manuel Filipe

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Fim do Apartheid completa 18 anos, mas sul-africanos ainda veem país longe da união

Na madrugada de 27 de abril de 1994, era baixada a última bandeira símbolo do regime do Apartheid na África do Sul. Naquele dia seriam realizadas as primeiras eleições verdadeiramente democráticas no país, que levariam o líder Nelson Mandela à Presidência. O fim da política oficial de segregação racial representou para a maior parte da população a possibilidade de sonhar com um futuro melhor, algo impossível no passado de discriminação e intolerância.
Passados quase 20 anos, o país mudou muito. Ocorreram mudanças significativas em relação à participação da maioria negra (79% da população) na política, economia, sistema educacional, mercado de trabalho. Entretanto, há muito a ser feito e antigos problemas persistem.
Para ler o artigo completo de Gleyma Lima clique aqui

Neoliberalismo tingido de verde de olho na Rio + 20

Em entrevista à Carta Maior, a antropóloga e ambientalista Iara Pietricovsky adverte para os riscos do agenda da chamada economia verde na Rio+20. "O ambiente de crise financeira dos países ricos estaria jogando água no moinho da lógica neoliberal de enxugamento dos estados nacionais também na área ambiental e abrindo generosos parágrafos para o setor privado se credenciar como o principal gestor de um novo paradigma econômico e ambiental", diz.
Pra ler a entrevista de  Iara Pietricovsky clique aqui

"A internet é muito mais do que um depósito de conhecimentos"

Em entrevista à Carta Maior, Robert Cailliau, engenheiro belga que fez parte da equipe que lançou os pilares da internet, reflete sobre a evolução da rede, seus riscos e potencialidades. "Em sua grande maioria, os usuários pensam que estas coisas são como o ar ou o espaço, que existem, que são livres para todo o mundo. Ninguém se questiona sobre elas. Onde estão? Quais são as empresas que os administram? Em que espaço legal se encontram?"
Leia a entrevista de Robert Cailliau aqui

terça-feira, 22 de maio de 2012

Como nossos dados pessoais enriquecem gigantes digitais

Facebook e Google se apoiam quase no mesmo modelo econômico: quanto mais se sabe sobre os gostos e inclinações dos usuários, mais dinheiro pode-se fazer com esses dados sem que o usuário tenha dado sua permissão para tanto. É neste contexto que a associação Internet sem Fronteiras propõe a criação de um e-sindicato para defender os direitos dos usuários do Facebook e de outros gigantes digitais que espiam cada um de nossos clics para convertê-los em ouro.
O artigo de Eduardo Febbro  pode ser lido aqui

ENTREVISTA / JON LEE ANDERSON: Censurar diários de Che é “enganação”, diz biógrafo

A supressão de trechos do diário de Che Guevara durante a guerrilha em Cuba, feita pelo centro de estudos sobre o argentino em Havana para a publicação de um livro, é uma “enganação histórica”. Quem diz é o biógrafo de Che, Jon Lee Anderson, que teve acesso aos cadernos disponíveis – há tomos oficialmente desparecidos – para escrever o seu Che Guevara – Uma Biografia, cuja primeira edição apareceu em 1997 e agora foi relançada em edição revista pela Objetiva.
Ao menos dois trechos dos diários foram retiradas do Diário de um Combatente, lançado no ano passado em Cuba e neste mês no Brasil, pela editora Planeta. São duas passagens em que Che executa pessoas durante a campanha para derrubar Fulgencio Batista em 1959. A edição foi preparada pelo Centro de Estudos Che Guevara em Havana, dirigido pela viúva do guerrilheiro, Aleida March, e cobre o período de dezembro de 1956 ao começo de dezembro de 1958 (não há os cadernos para o período de agosto de 1957 a abril de 1958).
Um dos trechos censurados foi a execução de Eutimio Guerra, acusado de traidor pelo grupo de Che e Fidel Castro. “É lamentável. À lupa da história, a execução de Eutimio foi um momento superimportante. […] Foi o tiro que demonstrava que a revolução era para valer”, disse Anderson à Folha. “Não sei o que temem. Foi um crime? Não foi um crime. Isso é o que faz em uma guerra. Não é bonito, ninguém gosta, mas acontece. A partir desse momento, se endurece a revolução e aí se começa a usar a lógica clássica, severa das guerrilhas, de Cuba aos vietcongs. É assim.”
Uma nota de Diários avisa que trechos serão suprimidos por conter juízos de valor “circunstanciais” feitos pelo guerrilheiro, no calor da batalha e entre ataques de asma entre 1956 e 1958. “Cuba não é como outros países. Um punhado de pessoas decide o que os demais vão saber”, segue. “Esperava-se que 53 anos depois pudessem ser consequentes com a sua própria história. O bonito dos diários de Che Guevara é que mostram ele antes de ser homem público.”
O jornalista da New Yorker diz que “não sabia o que esperar” da edição preparada pelo centro cubano, mas diz que a operação de retirar trechos não chega a surpreender. Ele conta que até meados de 2000 os cubanos jamais haviam visto uma foto de Che Guevara morto na Bolívia, em 1967. Para ler os principais trechos da entrevista de Jon Lee Anderson clique aqui

Relembrando os vinte e cinco anos da gravação do álbum "Graceland", de Paul Simon


Vinte e cinco anos depois da gravação do álbum "Graceland", que vendeu 14 milhões de cópias no mundo todo é hora de relembrar uma das faixas de maior sucesso "Diamonds On The Soles Of Her Shoes". Veja o vídeo  aqui

ENSINO INTERATIVO ONLINE: Que venha a revolução

Andrew Ng é professor assistente de ciências da computação em Stanford, e ele tem uma maneira bastante simpática de explicar como a nova empresa de ensino interativo online da qual ele é cofundador, a Coursera, espera revolucionar o ensino superior ao permitir que estudantes de todo o mundo assistam às aulas dele, recebam tarefas para fazer em casa, sejam avaliados, recebam um certificado de conclusão do curso e então usem isso para conseguir um emprego melhor ou a admissão numa faculdade melhor.
“Normalmente, costumo lecionar para 400 alunos”, explicou Ng. Mas no último semestre ele deu aula para 100 mil num curso online de aprendizagem de máquina. “Antes, para chegar a tal número de alunos, eu teria de dar as aulas do meu curso normal de Stanford por 250 anos.”
Bem-vindo à revolução no ensino das universidades. Grandes avanços ocorrem quando aquilo que se torna subitamente possível encontra-se com aquilo que é desesperadamente necessário. O custo da obtenção de um diploma superior tem aumentado mais rapidamente do que o do atendimento médico e, por isso, a necessidade de oferecer um ensino superior acessível e de qualidade tornou-se mais aguda do que nunca. Ao mesmo tempo, numa economia do conhecimento, a obtenção de um diploma do ensino superior é mais vital do que nunca. E, graças à disseminação da tecnologia de acesso sem fio à internet de alta velocidade, dos smartphones, do Facebook, da computação em nuvem e dos tablets, o mundo passou de conectado a hiperconectado em apenas sete anos. Por fim, uma geração que cresceu cercada por essas tecnologias sente-se cada vez mais à vontade para aprender e interagir com os professores por meio das plataformas online. A combinação de todos esses fatores resultou no nascimento da Coursera.org, lançada em 18 de abril, contando com o apoio de fundos de investimento do Vale do Silício, como informou meu colega John Markoff.
Para ler o artigo completo de Thomas L. Friedman clique aqui

domingo, 20 de maio de 2012

O drama dos seres humanos ilegais — e como interrompê-lo

O antropólogo iraniano Shahram Khosravi escreve sobre imigrantes, trabalhadores que o capital simultaneamente deseja e exclui. E aposta que controles migratórios podem se tornar obsoletos…
Para ler a entrevista clique aqui

Conheça Summerhill, a escola em que o aluno pode (quase) tudo

Aos 90 anos, a mais famosa escola democrática do mundo, segue firme na defesa das aulas não obrigatórias e das decisões coletivas.
Para ler o artigo completo de  Rodrigo Ratier clique aqui

Quem foi Osama? Quem é Obama?

Enquanto o presidente e supremo comandante dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama "celebra" o primeiro aniversário da alegada morte de bin Laden, mantém-se inalterada a questão de fundo de QUEM FOI OSAMA BIN LADEN.
Para ler o artigo completo de Michel Chossudovsky clique aqui

Famoso psiquiatra pede desculpas por estudo sobre "cura" para gays


O fato foi simplesmente que ele fez tudo errado, e ao final de uma longa e revolucionária carreira, não importava com quanta frequência estivesse certo, o quão poderoso tinha sido ou o que isso significaria para seu legado. O dr. Robert L. Spitzer, considerado por alguns como o pai da psiquiatria moderna, que completa 80 anos nesta semana, acordou recentemente às 4 horas da madrugada ciente de que tinha que fazer algo que não é natural para ele. Ele se esforçou e andou cambaleando no escuro. Sua mesa parecia impossivelmente distante; Spitzer sofre de mal de Parkinson e tem dificuldade para caminhar, se sentar e até mesmo manter sua cabeça ereta. A palavra que ele às vezes usa para descrever essas limitações –patéticas– é a mesma que empregou por décadas como um machado, para atacar ideias tolas, teorias vazias e estudos sem valor. Agora, ali estava ele diante de seu computador, pronto para se retratar de um estudo que realizou, uma investigação mal concebida de 2003 que apoiava o uso da chamada terapia reparativa para “cura” da homossexualidade, voltada para pessoas fortemente motivadas a mudar.
Para ler o texto completo de Benedict Carey clique aqui

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A noite na ilha - Pablo Neruda


Dormi contigo toda a noite
junto ao mar, na ilha.
Eras doce e selvagem entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.

Os nossos sonos uniram-se
talvez muito tarde
no alto ou no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento agita,
em baixo como vermelhas raízes que se tocam.

O teu sono separou-se
talvez do meu
e andava à minha procura
pelo mar escuro
como dantes,
quando ainda não existias,
quando sem te avistar
naveguei a teu lado
e os teus olhos buscavam
o que agora
– pão, vinho, amor e cólera –
te dou às mãos cheias,
porque tu és a taça
que esperava os dons da minha vida.

Dormi contigo
toda a noite enquanto
a terra escura gira
com os vivos e os mortos,
e ao acordar de repente
no meio da sombra
o meu braço cingia a tua cintura.
Nem a noite nem o sono
puderam separar-nos.

Dormi contigo
e, ao acordar, tua boca,
saída do teu sono,
trouxe-me o sabor da terra,
da água do mar, das algas,
do âmago da tua vida,
e recebi teu beijo,
molhado pela aurora,
como se me viesse
do mar que nos cerca.

A mídia, as cotas e o sempre bom e necessário exercício da dúvida

Tenho escrito alguns artigos sobre racismo e, em todos, invariavelmente, apareceu quem tentava fugir do assunto para falar sobre cotas. São assuntos relacionados, eu sei, mas também complexos por si só. Cotas não seriam necessárias se não houvesse racismo. Mas estão aí, os dois, e talvez agora, depois da histórica decisão do Supremo Tribunal Federal, nos dias 25/04/2012 e 26/04/2012, reafirmando a constitucionalidade das cotas, possamos começar a conversar de verdade sobre eles. Porque talvez a velha mídia pare de fazer a campanha suja que vem fazendo e nos deixe, finalmente, tratar desses assuntos e das vidas das pessoas por eles modificadas (brancos, negros, cotistas, não-cotistas etc…) com a honestidade e o respeito que todos merecem. É agora que começa o trabalho, e é bom que a gente tente separar, principalmente, o que é fato do que foi campanha, o que é verdade histórica do que foi mero exercício de futurologia. Será um longo caminho que vamos ter que aprender a trilhar juntos, independente de sermos contra ou a favor. Somos sujeitos históricos: o que fizemos ontem, como povo e como indivíduos, reflete na realidade que temos hoje, assim como o que fazemos hoje vai determinar com o que teremos que conviver amanhã. A História não nos deixa viver impunes. Para ler o artigo completo de Ana Maria Gonçalves clique aqui

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O desenho educacional que move a inovação na China

“Esta é a história sobre uma mãe, suas duas filhas e suas duas cadelas. Era para ser uma história de como os pais chineses são educadores mais competentes do que os pais ocidentais. Em vez disso, narra um amargo choque de culturas, um sabor fugaz de glória e a forma como fui humilhada por uma menina de treze anos”. Esse texto estampa a capa da versão brasileira do livro Grito de guerra da mãe-tigre, de Amy Chua, filha de chineses e professora de direito na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, onde criou suas filhas. Elas receberam uma educação rigorosa, que proibia brincadeiras com os amigos, considerava 9 uma nota ruim e exigia dedicação intensa ao piano e ao violino. O livro ganhou destaque na imprensa norte americana e as críticas de pais e educadores horrorizados diante de uma criação tão severa e tão pouco complacente com as dificuldades e desejos das crianças.
Quando falamos de China, seja política, econômica ou socialmente, o que vemos é um impressionante quadro, de dimensões tão grandes quanto o próprio país. A educação chinesa não é exceção. E não há consenso na visão ocidental sobre ela. Ao passo que muitos no Ocidente desferiram críticas cortantes à professora de Yale, há quem enxergue na China um modelo educacional a ser seguido – possivelmente, o segredo da emergente potência chinesa. É arriscado dizer que foi a educação quem ergueu o gigante, mas é certo que a maneira como a educação é encarada no país reflete muito os valores chineses e as suas expectativas na liderança mundial.
Para ler o texto completo de Aline Naoe clique aqui

O Progresso das Mulheres no Brasil 2003-2010


Em 02 de abril foi lançada a publicação O Progresso das Mulheres no Brasil 2003-2010, organizada e editada pela Cepia e pela ONU Mulheres com o apoio do Programa Intergerencial de Promoção de Igualdade de Gênero, Raça e Etnia e do MDG-F.
Esta edição apresenta um panorama da mulher no Brasil no período 2003-2010, complementando publicação anterior, relativa ao periodo 1992-2002. Com a colaboração de renomadas especialistas analisa a sua situação nas esferas de trabalho, política, violência, educação, saúde e direitos sexuais e reprodutivos, no ambiente rural e urbano. Analisa também a divesidade etnico-racial, o marco legal e traça percursos da ação de advocacy pelos direitos humanos das mulheres.
A publicação está disponível para download em pdf no endereço aqui

domingo, 13 de maio de 2012

Uma crise estrutural exige uma mudança estrutural - István Mészáros

Permitam-me começar por citar um artigo recente dos editores de The Financial Times, jornal diário de referência da burguesia internacional.
Ao abordar os perigos das crises financeiras – reconhecidas agora até pelos seu editores como perigosas – terminam o seu editorial com as seguintes palavras: "Os dois lados (Democratas e Repúblicanos) são responsáveis pelo vazio de liderança e pela ausência de uma decisão responsável. É uma falha grave de governação e mais perigosa do que aquilo que Washington pensa." [1] A sabedoria editorial não vai mais longe que isto no que toca à questão das "dívidas soberanas" e do crescente défice orçamental. Aquilo que torna o editorial do Financial Times ainda mais vazio que o "vazio de liderança" que critica é o sonante subtítulo do artigo: "Washington deve parar de fazer pose e começar a governar". Como se os editoriais deste tipo não contribuíssem mais para a pose do que para a governação propriamente dita. Pois o que está realmente em questão é o endividamento catastrófico da toda-poderosa "casa-mãe" do capitalismo global, os Estados Unidos da América, onde a dívida do governo (excluindo as dívidas individuais e privadas) atinge já o valor de 14 milhões de milhões (trillions) de dólares – valor que aparece projectado na fachada de um edifício público de Nova Iorque a atestar a tendência crescente da dívida. Para ler o texto completo de István Mészáros clique aqui

"Odio l'Estate" - Roberta Gambarini



Roberta Gambarini é uma cantora de jazz italiana nascida em Turim. Em janeiro de 2007 ela foi indicada para o prêmio de melhor cantora de jazz da Itália. Ela canta aqui  “Odio l’Estate”, exibindo todos os seus recursos vocais, entonação e timbre impecáveis, uma técnica incrível e enorme habilidade de improvisação. O jazz feito em nome italiano ganhou uma nova cor com o crescendo de carreira de Roberta Gambarini. Gambarini foi descrita por Hank Jones (uma das lendas do jazz norte-americano) como tendo uma das melhores vozes do jazz dos últimos 50 anos. Nascida em Turim, Itália, Roberta deu início à sua ligação com a música bem cedo, quando começou a estudar clarinete com apenas 12 anos. A verdade é que pouco tempo depois, Gambarini encontrou na sua voz o seu verdadeiro e único instrumento. Anos mais tarde, começou a cantar em clubes de jazz, até decidir emigrar para Milão, cidade onde deu um impulso ainda maior à sua carreira.
Durante a segunda metade da década de 90 atuou em diversos festivais europeus, antes de ir estudar jazz, com uma bolsa que ganhou, nos Estados Unidos. Foi em território americano que participou na Thelonious Monk International Jazz Competition, em 1998, evento que conseguiu terminar em terceiro lugar. Mais tarde, Roberta mudou-se para Nova Iorque, e continuou a cantar no circuito de jazz, sem no entanto garantir um contrato discográfico. Só em 2006 é que a cantora italiana logrou editar "Easy to Love", o primeiro disco em nome próprio.

Veja sua interpretação de "Odio L'Estate" aqui

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O discurso contra-hegemônico no cinema

O cenário da sociedade atual se caracteriza pela ausência de referências fixas para formação de identidade, fluidez espaço-temporal e um desinteresse pelo investimento prolongado. O papel desempenhado em outros tempos pelo Estado, pela religião e pela família, para situar o cidadão em seu território físico e na concepção de sua subjetividade foi abalado pelas rupturas de paradigmas que o mundo assistiu após a revolução industrial. Um novo sujeito se formou a partir destas mudanças: um sujeito que vive a crise da representação (MORIN, 2006).
No mundo contemporâneo, a cultura de massas, acentuada pela globalização, expõe as sociedades e suas culturas a uma homogeneização. Segundo o autor, esta cultura cria elementos padronizantes direcionados ao comportamento e ao consumo a fim de criar um “homem universal” (Ibidem). Ou seja, um homem que tenha atitudes preconcebidas e valores generalizados independente do país em que viva.
É nessa modernidade tardia ou período pós-moderno, que outras formas de guiar o ser humano pela sua jornada na sociedade passam a vigorar. Questões como a moral e a ética não estão mais dependentes em totalidade da tradição clássica. O controle social é estabelecido agora a partir da posição hegemônica ocupada pela mídia e seu desenvolvimento tecnológico sem precedentes.
Para ter o texto completo de Yana Santos Kaufmann clique aqui

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