terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A revolta de Chiapas, 20 anos depois

Gaspar Morquecho Escamilla se recorda como se fosse ontem, na praça central de San Cristóbal de las Casas. Passaram-se 20 anos daquele 1º de janeiro de 1994. A madrugada assomava no céu quando, no meio do entrevero da praça ocupada pelos zapatistas, apareceu o Subcomandante Marcos. Foi o primeiro jornalista que falou com ele naquele nascente ano novo que iria marcar para sempre a história do México e da América Latina.
 Já se passaram anos e anos, e também balas e mortos, prisões e injustiças. Ocorreram críticas e zombarias, mas Marcos e os zapatistas seguem aqui, presentes. Há quem diga que estão mortos, esquecidos, caídos no poço da história. Mas não. Felipe Arizmendi Esquivel, bispo da diocese local, diz: “muita gente pergunta se ainda existe o Exército Zapatista de Libertação nacional (EZLN) e eu lhes digo que não só existe, como tem presença, força, planos e projetos, não é algo do passado, nem semi-morto”.
Ocorreram tantas coisas que seria preciso detalhá-las por ordem alfabética. Isso pode ser visto, a céu aberto, de um lado da praça, em frente à catedral. Agora instalaram uma pista para patinar sobre o gelo e um tobogã para deslizar-se no presente. A rua Real de Guadalupe é uma miniatura da oferta ultra-liberal. As marcas internacionais tem seu lugar, se oferece “pão europeu”, há bares com nomes em inglês, não menos de quatro restaurantes argentinos e uma infinidade de butiques de luxo que vendem roupa e essa pedra suave como a lua que é o âmbar. “Os indígenas surfam entre essas modernidades”, diz com um tom de lucidez neutra um jovem em um dos muitos bares da moda que se esparramam ao longo da Real Guadalupe.
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ENTREVISTA / EDWARD SNOWDEN: ‘Eu já venci’

A voz familiar ao telefone do hotel não economizou palavras. Ele perguntou as horas, checou a resposta com a precisão dos ponteiros do próprio relógio, descreveu o local do encontro e disse: “Te vejo lá.”Entre turistas e locais, Edward Joseph Snowden emergiu sozinho na hora marcada, esticou a mão para um cumprimento e virou-se, indicando um caminho. Em pouco tempo, guiou o visitante a um espaço seguro, longe dos olhos do público. Durante as mais de 14 horas de entrevista, a primeira concedida ao vivo desde que chegou a Moscou, em junho, Snowden não abriu a cortina ou saiu. Apesar de a Rússia ter lhe concedido asilo temporário até 1º de agosto, ele continua sendo alvo de enorme interesse para serviços de Inteligência cujos segredos ele desvendou em escala épica.
Seis meses depois das primeiras revelações, Snowden concordou em refletir sobre seu feito e a repercussão de suas escolhas. Ele estava relaxado e animado em dois dias de conversas quase ininterruptas, movidas a hambúrgueres, macarrão, sorvete e doces russos. Snowden permitiu conhecer trechos de sua carreira na Inteligência e da vida recente como um “gato trancado” na Rússia. Mas sempre leva a conversa de volta à vigilância, à democracia e ao significado dos documentos que expôs. “Para mim, em termos de satisfação pessoal, a missão já está cumprida. Eu já venci. A partir do momento em que os jornalistas puderam trabalhar, tudo o que eu vinha tentando fazer foi validado. Porque, lembre-se, eu não quis mudar a sociedade. Eu quis dar à sociedade a chance de decidir se ela deveria mudar. Tudo o que eu quis foi que o público pudesse dizer como quer ser governado. Passamos desse marco há muito tempo. Agora, todos estamos pensando nos objetivos complementares.”
Para ler o texto completo de Barton Gellman clique aqui


UMBERTO ECO: A caça aos jornais

No início dos anos 60, Marshall McLuhan, um professor e intelectual bastante controverso, previu algumas mudanças profundas na forma como as pessoas pensariam e se comunicariam. Uma de suas ideias era de que estávamos entrando em um estado de conectividade que ele apelidou de “aldeia global”. Não há dúvida de que muitas de suas previsões se concretizaram na era da internet. Em A Galáxia de Gutenberg, McLuhan analisa a influência da imprensa na evolução da cultura e de nossas sensibilidades individuais. Com o tempo, entretanto, sua posição mudou: em Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem e outras obras, ele previu o declínio da linearidade alfabética e a ascensão da imagem – um fenômeno que a mídia de massa hipersimplificou como sendo, essencialmente: as pessoas não lerão mais; em vez disso, elas assistirão televisão.
McLuhan morreu em 1980, precisamente quando o cotidiano estava prestes a mudar com o advento do computador pessoal. (Modelos que eram pouco mais que experimentais apareceram no final dos anos 70, mas o mercado de massa para computadores surgiu em 1981, quando a IBM introduziu o PC.) Se McLuhan tivesse vivido mais alguns anos, ele teria sido obrigado a admitir que, mesmo em um mundo dominado ostensivamente por imagens, uma nova cultura alfabética estava surgindo: com o computador pessoal, você não vai muito longe a menos que saiba ler e escrever.
Para ler o texto completo de Umberto Eco clique aqui


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

ELIANE BRUM: Rolezinhos: O que estes jovens estão "roubando" da classe média brasileira

eliane brum
O rolezinho, a novidade deste Natal, mostra que, quando a juventude pobre e negra das periferias de São Paulo ocupa os shoppings anunciando que quer fazer parte da festa do consumo, a resposta é a de sempre: criminalização. Mas o que estes jovens estão, de fato, “roubando” da classe média brasileira?
Para ler o texto completo de Eliane Brum bem como a entrevista que ela faz a Alexandre Barbosa Pereira (Professor da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp), clique aqui


domingo, 29 de dezembro de 2013

A reinvenção da América Latina

Em 1958, o historiador mexicano Edmundo O’Gormam publicou um livro intitulado La invención de América, com o qual sacudiu a historiografia dedicada a documentar e explicar o descobrimento e a conquista americana. Inventar, significa, de acordo com o dicionário da Real Academia da Língua, achar ou descobrir algo novo ou não conhecido.
Em seu texto, O´Gormam explica, de maneira nova para seu tempo, a forma em que o relato sobre a história e o devenir do “novo continente” foi construído. Hoje, retomando essa imagem, podemos dizer que América Latina está se reinventando.
O conceito América Latina tem por trás de si uma longa história. Muitos anos antes de que O’Gormam publicasse sua obra, em 1857, o escritor colombiano José María Torres escreveu em seu poema Las dos Américas as chaves do novo imaginário regional: “Mais isolados se encontram, desunidos/Esses povos nascidos para aliar-se:/A união é seu dever, sua lei amar-se:/Igual origem têm e missão; /A raça da América latina, /A frente tem a saxã raça, /Inimiga mortal que já ameaça”.
Pouco antes, em 1856, o filósofo chileno Francisco Bilbao, havia usado, durante uma conferência, o mesmo termo.
Para ler o texto completo de Luis Hernández Navarro clique aqui


sábado, 28 de dezembro de 2013

Como identificar os falsos produtos sustentáveis

Diante da crescente preocupação com a interferência do homem no meio ambiente, o mercado ecosustentável, em todas as suas formas, vem atraindo a atenção dos consumidores. O problema é que o crescimento não vem sendo aproveitado da maneira necessariamente devida por todas as empresas. Essa prática é conhecida como greenwashing.
O termo inglês se refere a falsos benefícios ambientais oferecidos por empresas de produtos ou serviços, uma espécie de máscara colocada nos rótulos para induzir a compra de forma enganosa. Como não cair neste erro?
Foi pensando nisso que a TerraChoice criou um relatório dos pecados cometidos quando o assunto é greenwashing (veja lista abaixo), que funciona desde 2007 como um manual para se prevenir dessas práticas.
“Como o consumidor ficou muito sensibilizado com as questões ambientais e éticas, a forma como uma empresa gerencia seus impactos tornou-se um dos pontos que trazem reputação para a marca no mercado”, ressalta Natalia Pasishnyk, consultora sênior da Keyassociados.
Característricas genéricas como "verde", "natural", "sem produtos agrotóxicos” também podem ser utilizadas de maneira imprecisa.
Para ler o texto completo de Lygia Haydée clique aqui

"VALSA BRASILEIRA" - CHICO BUARQUE

VALSA BRASILEIRA
 
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
 
CHICO BUARQUE



'IN THE MOOD' - Glenn Miller



Veja a interpretação de “In the Mood” por Glenn Miller e sua banda clicando no vídeo aqui



África do Sul: Uma criança à janela disparando uma pistola de plástico

Localização da África do Sul
Começa assim o último livro da escritora sul-africana Nadine Gordimer, No Time Like the Present: “Houve uma Era do Gelo, uma Era do Bronze, uma Era do Ferro. Parecia que uma Era tinha terminado. Certamente, nada menos do que uma Nova Era, em que a lei não é promulgada em pigmento e qualquer pessoa pode viver, viajar e trabalhar em qualquer sítio num país como se fosse dela. Algo com o título convencional de “Constituição” abriu estas portas de par em par. Só um vocabulário grandioso pode dar esse sentido aos milhões que não tinham reconhecido os direitos que estão sob a palavra Liberdade. As consequências são imensas nos aspetos das relações humanas que costumavam ser restringidas por decreto.”
Seria difícil encontrar uma forma mais breve e simultaneamente mais clara para definir o estado actual da África do Sul, 23 anos depois da libertação de Nelson Mandela, 19 anos depois do fim do apartheid e da eleição do primeiro negro como Presidente desta república fundada por ingleses, colonizada por holandeses, com 50 milhões de habitantes, 11 línguas oficiais, com uma elite intelectual sofisticada, uma tecnologia de vanguarda na Medicina (lembremo-nos do primeiro transplante de coração feito pelo cirurgião Dr. Christiaan Barnard em 1967), na Biologia, na Astronomia, sujeita durante 46 anos a um regime segregacionista e renascida desse período inumano da sua história com um líder que se tornou uma referência mundial como líder político e, sobretudo, como a referência mais humanista ao fundar uma nova ética baseada na possibilidade efectiva do perdão, constituindo todo o processo de reconciliação e de justiça através do lema “Perdoar, mas não esquecer” .
Para ler o texto completo de António Pinto Ribeiro clique aqui

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino: a Roma de Fellini 51 anos depois

Há críticos franceses debruçados sobre o que vêm chamando, com propriedade, de cinema da vulgaridade. Filmes como Bling Ring, a gangue de Hollywood, de Sofia Coppola, exibido no Brasil este ano, é um deles: uma ode à vulgaridade californiana. Outro é o italiano A grande beleza, sétimo filme de Paolo Sorrentino, um dos cineastas mais interessantes surgidos na península recentemente, que acaba de estrear nos cinemas do eixo Rio-São Paulo. Sorrentino é um dos que ajudam a levantar o prestígio do cinema de seu país e agora nos oferece um alentado presente de fim de ano para quem ama o cinema.
La grande bellezza, sem dúvida, é um dos grandes filmes de 2013. Seus personagens, de uma vulgaridade espantosa, ganham vida em um dos cenários mais belos do mundo, Roma, a cidade que resiste indiferente ao grotesco espetáculo dos humanos.
A grande beleza da Roma de Fellini, mais de meio século depois, é revisitada pelo napolitano de 43 anos nascido oito anos após a estreia de A doce vida, em 1960.
Para ler o texto completo deLéa Maria Aarão Reis clique aqui


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

VIGILÂNCIA & PRIVACIDADE: Por asilo, Snowden promete ajudar Brasil

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O delator do esquema de espionagem do governo americano, Edward Snowden, promete colaborar com a investigação sobre as ações da NSA (Agência de Segurança Nacional) no Brasil. Para que possa fazer isso, em troca, quer asilo político do governo Dilma Rousseff. A promessa de ajuda está em uma “carta aberta ao povo do Brasil”, obtida pela Folha, que será enviada a autoridades e fará parte de uma campanha online, hospedada no site da ONG Avaaz, especializada em petições.
A ideia é sensibilizar Dilma a conceder abrigo a Snowden, ex-agente de inteligência do governo americano. “Muitos senadores brasileiros pediram minha ajuda com suas investigações sobre suspeita de crimes contra cidadãos brasileiros. Expressei minha disposição de auxiliar, quando isso for apropriado e legal, mas infelizmente o governo dos EUA vem trabalhando muito arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo”, declara na carta, originalmente em inglês.
Snowden se refere à CPI aberta no Senado para investigar as atividades da NSA no Brasil, que incluíram monitoramento de comunicações de Dilma e da Petrobras. Segundo ele, não é possível colaborar diante da precária situação jurídica em que se encontra agora, com apenas asilo temporário, concedido pela Rússia até o meio de 2014. “Até que um país conceda asilo permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir em minha capacidade de falar”, afirma Snowden, na carta.
Para ler o texto completo de Fábio Zanini clique aqui
Leia o texto "O ano de Edward Snowden" de Ryan Gallagher clicando aqui

A vitória e os segredos dos livros proibidos

Permissão ler livros proibidos
Muitas vezes o fogo ficou órfão, para alegria da eternidade. Estão aí a Eneida e Lolita, separadas por mais de 20 séculos, mas irmanadas, mais além de sua beleza literária, pelas chamas infrutíferas que seus próprios autores lhes prometeram e com aquelas com que ameaçaram alguns autonomeados guardiões das ideias políticas, religiosas, sociais, éticas ou morais.
Uma aura de cinzas parece ter sido a sina de muitos livros ao longo dos 35 séculos da criação da escrita. O autor e crítico literário alemão Werner Fuld segue esse rastro vergonhoso do ser humano para relatar a história das obras que foram salvas da censura e perseguição, em Breve historia de los libros prohibidos (RBA). Um livro de arena de todos os tempos e as civilizações, sobre os obstáculos e armadilhas à criação literária que se converte em uma chama que traz à tona a necessidade de estarmos sempre alertas para a perpétua tentação de vigilantes e inquisidores com listas de livros proibidos e um fósforo na mão.
“Não há como negar que a maior parte da literatura universal estimula o pensamento próprio. No interesse da paz social, essa perturbação é intolerável”, afirma em tom irônico Werner Fuld, recordando a crítica de Ray Bradbury em Fahrenheit 451.
As páginas iluminam as passagens que possibilitaram o milagre de podermos desfrutar desses textos “suspeitos” e de escritores salvos quando balançavam à beira do abismo, além de outros que chegaram a cair ou os que foram resgatados, como Jonas da baleia.
Virgilio, Diderot, Dos Passos, Voltaire, Zola, Nabokov, Ovídio, Rousseau, Sartre, Hemingway, Balzac, Faulkner, Gorki, Kant, Melville, Hammett, Joyce, Descartes, Proust, Quialong, Beauvoir, Cleland, Goethe, Wilde, Genet, Solzhenitsyn, Kafka, Flaubert, Lorca, Zweig, Baudelaire, Lawrence, Mandelstam, Sade, Sagan, Ibsen, Hernández, Ginzburg, Bulgákov, Rushdie…
Para ler o texto completo de Winston Manrique Sabogal clique aqui

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Currículo de Alfabetização midiática e informacional - UNESCO

Vivemos em um mundo no qual a qualidade da informação que recebemos tem um papel decisivo na determinação de nossas escolhas e ações, incluindo nossa capacidade de usufruir das liberdades fundamentais e da capacidade de autodeterminação e desenvolvimento. Movida pelos avanços tecnológicos nas telecomunicações, manifesta-se também a proliferação das mídias e de outros provedores de informação, por meio de grandes quantidades de informação e conhecimento que são acessadas e compartilhadas pelos cidadãos. Com esse fenômeno, e partindo dele, existe o desafio de avaliarmos a relevância e a confiabilidade da informação sem quaisquer obstáculos ao pleno usufruto dos cidadãos em relação aos seus direitos à liberdade de expressão e ao direito à informação. É nesse contexto que a necessidade da alfabetização midiática e informacional (AMI) deve ser vista: ela expande o movimento pela educação cívica que incorpora os professores como os principais agentes de mudança.
Para ler o Prefácio e o documento completo (192 págs.) relativo ao currículo de Alfabetização midiática e informacional - UNESCO clique aqui




segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Ian Anderson & Lucia Micarelli - Mo'z Art Medley

Para assistir à interpretação "Mo'z Art Medley" por Ian Anderson (flauta) & Lucia Micarelli (violino) clique aqui


domingo, 22 de dezembro de 2013

"Venho de um jardim distante" – Adão Cruz

Venho de um jardim distante florido de memórias ou de um outro sonho qualquer entre risos e lágrimas caindo de um céu de chumbo ou de um céu de magnólias.
Venho do seio do orvalho da madrugada num punhado de vida libertada em qualquer rumor de passos brincando nos telhados acesos pela luz do dia.
Venho de um jardim distante onde grinaldas de flores abrilhantam a festa do azul dos tempos no incêndio do crepúsculo ou no ardor da manhã do meu berço de mistério e universo.
Venho das esquinas do tempo em recordações avulsas ao sabor das pontes da vida rasgando a cor do vento que assobia nas ruas estreitas mordendo as pedras com punhais de silêncio.
De onde venho ninguém sabe.
Venho talvez da intimidade salgada do mar ou de um jardim distante com um rio de passos e palavras salpicado de pedaços de sol num rosário de pérolas mordendo a neblina do nascer da vida.
Venho quem sabe da nudez adormecida no espesso silêncio do tempo destinado à simplicidade da morte pelo sinuoso caminho de recordações perdidas no chão fundo das angústias e nos retalhos do nevoeiro
Venho talvez das sombrias entranhas prenhes de fulvos e ilusórios tesouros que emergem do fundo do mar sublimados de cor e luz à superfície traiçoeira das águas bordadas de espuma.
Ou então,
Ou então serei filho de um mundo sem resposta sujeito a ventos e marés que enrugam o latejar das veias e o voo das artérias com lugar no corpo rompendo o fluir da vida no interior do sonho.
Não.
Eu não venho de lugar algum fora da mente nem trago comigo a erva daninha. Eu venho de um jardim distante entre o sonho e a razão, onde o pensamento se agiganta para vencer as trevas e a ilusão.
Adão Cruz




sábado, 21 de dezembro de 2013

Os 24 lugares mais incríveis e surreais que existem no planeta Terra

 
Para ver os 24 lugares mais incríveis e surreais que existem no planeta Terra clique aqui

Caderno Metodológico para Ações de Educação Ambiental e Mobilização Social em Saneamento

Este Caderno Metodológico é um esforço de instrumentalização, um material orientador que pretende estimular os diversos atores sociais a participarem de forma ativa, organizada e intencional em processos de educação ambiental e mobilização social em saneamento, exercendo, de forma qualificada, seu fundamental papel no controle social das ações de saneamento desencadeadas.
É um documento elaborado de forma participativa, fruto do trabalho compartilhado entre Ministério das Cidades, Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Educação, Ministério da Integração Nacional, Ministério da Saúde por meio da Funasa – Fundação Nacional de Saúde e Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz, e Caixa Econômica Federal. O caderno acolheu ainda as contribuições surgidas ao longo de dois ciclos de oficinas que ocorreram nos anos de 2006 e 2008 em diferentes regiões do País, envolvendo a participação de diversos atores sociais com atuação em educação ambiental, mobilização social e saneamento.
Para ter acesso ao caderno clique aqui


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Os 20 filmes que marcaram os cinemas em 2013

O ano de 2013 entra para a história do Brasil como um ano de insurgência. E o cinema? Relembre aqui o ascenso do cinema nordestino, o ressurgimento de autores clássicos, os efeitos da crise e a xenofobia.
Veja os trailers dos vinte filmes que maracaram os cinemas em 2013 clicando aqui


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Os "10 mandamentos" de Luiz E. Soares

No meu caso, a exaustão provocou insônia e vontade de compartilhar meus "10 mandamentos", que podem ser nove ou vinte e um. São minhas crenças, minha religião, algumas coisas que aprendi ao longo da vida:
1) Prefiro agir, me insurgindo contra o status quo, mesmo errando, do que me resignar a conviver com desigualdades sociais, exploração econômica, opressão política e iniquidades ou injustiças. Mas se me arrisco a errar, que sejam erros novos. Portanto: erremos, mas erremos erros novos. Nada mais melancólico e patético (e regressivo) do que errar erros velhos.
2) A iniquidade mais profunda e grave – porque estruturante –, na sociedade brasileira, é o racismo. Quatro séculos de escravidão moldaram a matriz a partir da qual as demais desigualdades têm sido formatadas e experimentadas. Por isso, ao contrário do que pensa a maioria de meus colegas, considero as desigualdades sócio-econômicas sobredeterminadas pela tirania da cor. A falta de consciência desse fenômeno, a meu juízo, resulta da naturalização do racismo, um processo violento e perverso.
Para ler o texto completo de Luiz Eduardo Soares clique aqui


Morreu o poeta moçambicano Virgílio de Lemos

O poeta moçambicano Virgílio de Lemos, de 84 anos, morreu na sexta-feira (06/12/2013) perto de Paris. Para o ensaísta Eduardo Lourenço, Virgílio de Lemos é "um dos incontornáveis pensadores portugueses do século XX" e, juntamente com José Craveirinha e Rui Knopfli, "um dos três poetas de vulto de Moçambique". Considerado um dos vanguardistas da lírica moçambicana, a sua poesia aborda temas como a liberdade do desejo e contém críticas às injustiças sociais e à repressão colonial. Virgílio de Lemos criou também três heterónimos: Lee-Li Yang, pelo seu erotismo; Duarte Galvão, pelo seu engajamento, e Bruno dos Reis, pela sua poesia geracional, associando a cada um uma temática poética. Abaixo três poemas de Virgílo de Lemos:
Quando eu nasci em vinte e nove, gritei de revolta
a meio do mar, eu vela, eu balão iboisado, saudei o mundo
o dadaísmo Kafka Dostoievsky Tchekov Camões e Eça, Assis,
[Graciliano, e Pau Brasil de Andrade.
Os velhos me falaram do Rio capital de Moçambique,
pimenta, ouro e escravatura início dos Oitocentos.
 
 
Mas qual o poeta que não tem
incestuosa
uma relação com a língua
qual a língua que não devora
o poeta?
 
 
Quem viveu teu corpo
por dentro,
teus sentidos e paixões
perde-se em ti,
nunca te esquece.
 
Para conhecer alguns dados sobre sua biografia clique aqui
Leia também o texto “Virgílio de Lemos: diálogos poéticos” de Fábio Santana Pessanha clicando aqui




quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Crônicas do Consumismo, à entrada de dezembro

A culpa cumpre um papel. É o que distingue o resto da população dos psicopatas. Trata-se do sentimento que você tem quando é capaz de sentir empatia. Mas a culpa inibe o consumo. Para sufocá-la, surgiu uma indústria global que usa celebridades, personagens de desenhos animados e música de elevador. Ela procura nos convencer a não ver e a não sentir. Parece funcionar.
Os resultados da pesquisa Greendex 2012 (“Consumers Choice and the Environment”, ou “As Opções dos Consumidores e o Meio Ambiente”) mostram que nos países mais pobres as pessoas sentem-se, em geral, mais culpadas com relação aos impactos causados na natureza do que as populações dos países ricos. Os países onde as pessoas sentem menos culpa são Alemanha, Estados Unidos, Austrália e Grã-Bretanha, nessa ordem – enquanto Índia, China, México e Brasil são os países onde as pessoas estão mais preocupadas. Nossa culpa, revela o estudo, acontece na proporção inversa ao tamanho dos danos causados pelo consumo. Isso é o contrário do que nos dizem milhares de editoriais da imprensa corporativa: que as pessoas não podem dar-se ao luxo de cuidar da natureza até que se tornem ricas. As evidências sugerem que deixamos de cuidar justamente quando nos tornamos ricos.
Para ler o texto completo de George Monbiot clique aqui


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Quem tem medo de mulher pelada?

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Assim como O último tango em Paris ficou famoso – e estigmatizado – por causa da “cena da manteiga”, Azul é a cor mais quente está ganhando fama e estigma por causa de uma longa cena de sexo entre as duas protagonistas, Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux). Falaremos dessa passagem mais adiante. Por enquanto, cabe dizer que o filme de Abdellatif Kechiche é muito maior do que os tão falados minutos de sexo sáfico, mas não pode ser compreendido plenamente sem eles.
Para ler o texto completo de José Geraldo Couto clique aqui

Ganhador do Nobel boicota periódicos científicos

Os principais periódicos acadêmicos estão distorcendo o processo científico e representam uma “tirania” que deve ser quebrada, de acordo com um ganhador do Prêmio Nobel que declarou boicote às publicações. Randy Schekman, um biólogo estadunidense que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina este ano e recebe seu prêmio em Estocolmo, na terça-feira (10/12), disse que o seu laboratório não enviaria mais artigos de pesquisa aos periódicos de alto nível Nature, Cell e Science.
Schekman disse que a pressão para publicar em revistas de “luxo” levou pesquisadores a cortar arestas e a seguir áreas científicas na moda, em vez de fazerem o trabalho mais importante. O problema, disse ele, foi agravado pelos editores, que não são cientistas ativos, mas profissionais que favoreceram os estudos com mais chances de causar furor.
O prestígio de aparecer nas grandes revistas levou a Academia Chinesa de Ciências a pagar aos autores bem-sucedidos o equivalente a US$ 30,000 [cerca de R$ 69 mil]. Metade dos ganhos de alguns pesquisadores foi obtido por meio de tais “propinas”, disse Schekman em uma entrevista.
Para ler o texto completo de Ian Sample clique aqui

"Carrópolis", a cidade invadida pelo automóvel

Vídeo montagem apresentado na Bienal faz um retrospecto do avanço da cultura do automóvel, revelando seus impactos negativos na vida de cidades,como SP, Rio ou NY
Destaque da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, encerrada neste mês, o vídeo e instalação "Carrópolis", produzido pelo grupo vapor 324, conseguiu impressionar o público da mostra com um trabalho que é, a um só tempo, sensível e documental, contundente e revelador dos impactos do carro na vida das cidades, sobretudo a partir da segunda metade do século passado.
Thomas Frenk, membro da vapor 324, conta que o convite para a realização desse trabalho partiu dos curadores da Bienal, que tinham uma série de documentos, vídeos e fotos, e queriam dar uma unidade a esse material. "O que fizemos foi transformar uma coleção estática de telas, com o tema do carro, em um produto dinâmico". O público da Bienal pode ver, de uma arquibancada, cenas como a do ex-prefeito Paulo Maluf apresentando sua "grandiosa obra", o Minhocão, que ele dizia ser uma nova solução de sistema viário para São Paulo. 
Veja o vídeo "Carrópolis" clicando aqui
 


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Baltazar Garzón: em defesa do conceito de vítima universal


 
Baltazar Garzón não cruza os braços. O juiz espanhol que acusou Pinochet e conseguiu prendê-lo em Londres, que colocou muitos militantes do grupo separatista basco ETA na cadeia e promoveu dezenas de investigações sobre corrupção, terrorismo, tráfico de drogas e de armas, foi destituído e processado quando tentou investigar na Espanha os crimes do franquismo. A grande democracia espanhola não quis mexer nas tumbas com dezenas de mortos anônimos. Entre a verdade e a injustiça, escolheu a segunda e Garzon pagou o tributo. A história judicial deve muito a ele e às vítimas das ditaduras latino-americanas que, diante da surdez das justiças nacionais que se negavam a processar os genocidas, recorreram a Espanha e a Garzon.
A história deu muitas voltas: nem Baltazar Garzón pode exercer na Espanha, nem os espanhóis podem hoje recorrer a sua própria justiça para conhecer a verdade sobre os crimes de massa do franquismo. Vivem a mesma situação que viveram chilenos e argentinos. Por isso, ante o silêncio da justiça espanhola se dirigem agora à Justiça argentina. O princípio de justiça universal restaurado primeiro na Espanha, e negado depois, volta a viver na América Latina.
Em entrevista exclusiva à Carta Maior realizada em Paris, Baltazar Garzón fala do alcance do Plano Condor e de sua ideologia assassina. Apesar do que ocorreu com ele, Garzón segue acreditando na verdade judicial que a justiça espanhola proibiu que buscasse.
Para ler a entrevista de Baltazar Garzón clique aqui


sábado, 14 de dezembro de 2013

"Sugar Plum Fairy" de Tchaikovsky & "Fragile" de Sting - Harpa de vidro tocada pelo Glass Duo

A harpa de vidro, conhecida também como harpa de taças e órgão de taças compõe um conjunto de taças de cristal com uma determinada quantidade de água dentro. Ao serem tangidas, cada taça emite uma nota musical dependendo da quantidade de água e do tamanho da taça. O Glass Duo, dupla formada pelos poloneses Anna e Arkadiusz Szafraniec, utilizam as habilidosas mãos na  interpretação da música de P. Tchaikovsky, a clássica "Sugar Plum Fairy", executada no festival de música da Câmara, na cidade de Bolonha, Itália, que todo ano acontece nas masmorras da Basílica di Santo Stefano.
Ouça a interpretação "Sugar Plum Fairy" de Tchaikovsky clicando aqui
Ouça a interpretação "Fragile" uma das mais importantes canções de Sting, acompanhado pela famosa orquestra Sinfónica  de Varsóvia clicando aqui

A questão ideológica do Brasil contemporâneo

Embora já surrada, a questão do “fim das ideologias”, assim como do “fim da história”, reaparecem de tempos em tempos, abertamente ou de forma subliminar. Trata-se de uma questão internacional, mas com contornos específicos no Brasil.
Há, de certa forma, uma espécie de “ideologia da não ideologia”, isto é, a tentativa permanente, aguçada em períodos pré-eleitorais e eleitorais, dos setores liberais e conservadores desqualificarem, por estratégias diversas, os pressupostos, objetivos e formas de atuação dos grupos à esquerda.
Mesmo que os aspectos concretos quanto à forma de atuar dos grupos sociais – à esquerda, ao centro e à direita no espectro – dependa de um conjunto de circunstâncias históricas, tais como o contexto internacional, a correlação de forças numa dada sociedade, o grau de organização e mobilização das forças sociais, o papel das instituições políticas, os padrões do modelo de acumulação, entre outras variáveis, há elementos essencialmente definidores do significado de esquerda e direita.
Vejamos, de forma panorâmica e sem a pretensão de esgotar suas características, alguns desses elementos essenciais quanto à atualidade da esquerda.
Para ler o texto completo deFrancisco Fonseca clique aqui


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A moral de ontem e a política de hoje

Marcus Tullius Cícero concorreu à posição de Cônsul de Roma no ano de 64 antes de Cristo. Atribui-se a seu irmão mais novo, Quintus, a autoria de uma carta com recomendações de campanha. Em edição bilíngüe, a Universidade de Oxford republicou a Commentariolum Petitionis, em 2012, com tradução e introdução de Philip Freeman. Transcrevo o resumo de alguns de uma longa lista de conselhos.
De início, a trivial recomendação de construir sólida e larga base de apoio. Toda a arte da campanha consiste em identificar de quem devem ser os apoios e como conquistá-los. Desde logo, o candidato lembrará a todos a quem tenha prestado favores que chegou a oportunidade de retribuir. E que, se eleito, poderá ajudar outra vez no futuro. Prometa tudo a todo mundo, aos grupos de interesse, organizações locais, populações rurais, jovens eleitores, aconselha Quintus.
Para ler o texto completo deWanderley Guilherme dos Santos clique aqui



El País, decadência e arrogância

Demissões editoriais em massa, enquanto dirigentes ganham 1 milhão de dólares por mês e se aproximam dos grandes grupos empresariais europeus
O lançamento, na semana passada, da seção em português da edição de internet do jornal espanhol El Pais, elucida e ilustra, com clareza, a visão neocolonial e rasteira que continua dominando o comportamento dos espanhóis com relação ao Brasil — apesar da condição de crise e de extrema fragilidade que caracteriza a Espanha neste momento.
Sem entrar nos detalhes do regabofe promovido pelo Grupo Prisa em São Paulo, vale a pena analisar o fato, e o que se pode ler nas entrelinhas do evento e da publicação.
Controlado em pouco mais de 30% pela família Polanco, e com o restante do capital na mão de investidores e fundos internacionais — não espanhóis — o Grupo Prisa, que edita o El Pais, tem atravessado sucessivas crises nos últimos anos.
Em 2008, o valor de suas ações despencou 80%, o lucro diminuiu em 56%, foi preciso suspender o pagamento de dividendos aos acionistas e vender ativos imobiliários, entre os quais a própria sede do jornal El Pais, no valor de 300 milhões de euros, para fazer frente a compromissos.
Isso não impede, no entanto, que o Grupo Prisa seja conhecido tanto pelos altíssimos salários que paga aos seus executivos — Juan Luis Cebrian ganha mais de 1 milhão de euros por mês — quanto pelos problemas que tem com os sindicatos locais.
Os jornalistas do grupo têm ido às ruas protestar contra as frequentes ondas de demissões que varrem as redações de suas publicações e emissoras. A última, no mês passado, atingiu a revista ON Madrid.
Para ler o texto completo de Mauro Satayana clique aqui

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira

ec51 300x225 “Nova classe média”: preferências econômicas e políticas
A primeira vez que ouvi a Marilena Chauí bradar contra a classe média, chamá-la de fascista, violenta e ignorante, tive a reação que provavelmente a maioria teve: fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente. Afinal, além de pertencer a ela, aprendi a saudar a classe média. Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível. Então, o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base. A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária. Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração.
Então, eu, que bebi da racionalidade desde as primeiras gotas de leite materno, como afirmou certa vez um filósofo, não comprei a tese assim, facilmente. Não sem uma razão. E a Marilena não me ofereceu esta razão. Ela identificou algo, um fenômeno, o reacionarismo da classe média brasileira, mas não desvendou o sentido do fenômeno. Descreveu “O QUE” estava acontecendo, mas não nos ofereceu o “PORQUE”. Por que logo a classe média? Não seria mais razoável afirmar que as elites é que são o “atraso de vida” do Brasil, como sempre foi dito? E mais, ela fala da classe média brasileira, não da classe média de maneira geral, não como categoria social. Então, para ela, a identificação deste fenômeno não tem uma fundamentação eminentemente filosófica ou sociológica, e sim empírica: é fruto da sua observação, sobretudo da classe média paulistana. E por que a classe média brasileira e não a classe média em geral? Estas indagações me perturbavam, e eu ficava reticente com as afirmações de dona Marilena.
Com o passar do tempo, porém, observando muitos representantes da classe média próximos de mim (coisa fácil, pois faço parte dela), bem como a postura desta mesma classe nas manifestações de junho deste ano, comecei lentamente a dar razão à filósofa. A classe média parece mesmo reacionária, talvez não toda, mas grande parte dela. Mas ainda me perguntava “por que” a classe média, e “por que” a brasileira? Havia um elo perdido neste fenômeno, algo a ser explicado, um sentido a ser desvendado.
Para ler o texto completo de Renato Santos de Souza clique aqui

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

NELSON MANDELA (1918-2013): A morte de um libertador

Nelson Mandela, que comandou a emancipação da África do Sul do seu regime da minoria branca e foi o primeiro presidente negro do seu país, tornando-se um símbolo internacional de dignidade e tolerância, morreu na noite de quinta-feira, aos 95 anos, segundo anúncio feito pelo presidente sul-africano, Jacob Zuma.
Há muito tempo, Mandela havia dito que desejava sair de cena discretamente, mas seu período de hospitalização no último inverno em Pretória foi um clamor de disputas familiares, meios de comunicação ávidos por notícias, políticos em busca de atenção e uma efusão nacional de afeto e pesar. Ao final, Mandela faleceu em sua casa, às 20h50 (hora local; 16h50 em Brasília), e será enterrado, de acordo com seu desejo, na aldeia do Qunu, onde cresceu. No começo de julho, um mandado judicial determinou que os restos exumados de três filhos dele voltassem a ser sepultados ali, encerrando assim uma briga familiar que tinha causado sensação na imprensa.
Para ler o texto completo de Bill Keller clique aqui
Leia o texto "Mandela, Hannah Arendt e o perdão" de Celso Lafer clicando aqui
Leia o texto "Um grande líder, mas escorregou em algumas áreas" de Greg Marinovich clicando aqui
Leia o texto "A morte de um estadista" de Renato Janine Ribeiro clicando aqui
Leia o texto "O ser humano e o estadista" de Dorrit Harazim clicando aqui
Leia o texto "O círculo da vida se fecha pacificamente" de Gilles Lapouge clicando aqui
Leia o texto "Um grande homem, mas não um santo" de Adam Roberts clicando aqui
Leia o texto "O Evangelho segundo Mandela" de Alain Gresh clicando aqui
 
 
 
 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

DOSSIER NELSON MANDELA

(...) No decorrer de longas e atrozes horas de solidão, empurrado à beira da loucura, ele redescobrirá o essencial, aquilo que gira em torno do silêncio e do detalhe. Tudo para ele falará de novo: uma formiga que corre para não sei onde, a semente enterrada que morre e ressuscita dando a ilusão de um jardim, um pedaço de coisa, não importa qual; o silêncio dos dias sombrios que parecem não se mover, o tempo que se estende indefinidamente; a lentidão dos dias e o frio das noites; a fala rara; o mundo exterior do qual não se ouvem senão murmúrios, o abismo que foi Robben Island, e os traços da penitenciária agora na sua face esculpida pela dor, em seus olhos apertados pela luz do sol refletida no quartzo, nas suas lágrimas que não vertem mais, a poeira sobre a face transformada em espectro fantasmático e em seus pulmões, na ponta dos pés, e acima de tudo este sorriso alegre e brilhante, esta postura altiva, ereta, de pé, o punho cerrado, pronto a abraçar novamente o mundo e fazer sussurrar a tempestade.
Privado de quase tudo, ele lutará passo a passo para não ceder o resto de humanidade que seus carcereiros queriam a todo custo extrair dele e exibir como o último troféu. Reduzido a viver com quase nada, ele aprende a economizar tudo, mas também a cultivar um profundo desapego das coisas da vida profana, inclusive os prazeres da sexualidade. Até o ponto em que, prisioneiro de fato, confinado entre pouco mais que dois muros, ele não é, contudo, escravo de ninguém.
Homem de carne e osso, Mandela viveu no entanto próximo ao abismo. Ele penetrou na noite da vida, o mais perto da escuridão, à procura de uma ideia, de como aprender a viver livre da raça e da dominação do mesmo nome. Suas escolhas o levaram à beira do precipício. Ele fascinou o mundo por ter saído vivo do país das sombras, jorrando vigor ao anoitecer de um século envelhecido e que não soube mais sonhar.(...)
Para ler o texto "Os caminhos inesperados de Nelson Mandela" de Achille Mbembe clique aqui
Para ler o texto "O verdadeiro bom combate" de Ariel Dorfman clique aqui
Para ler o texto "Todos amam Mandela" de Gary Younhe  clique aqui
Para ler o texto "Chorando por Mandela" de Elizabeth Carvalho clique aqui
Para ler o texto "Chora por Mandela, mas acha um absurdo pobre querer os mesmos direitos" de Leonardo Sakamoto clique aqui
Para ler o texto "Magnanimidade!" de John Carlin clique aqui
 
 
 


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