terça-feira, 28 de janeiro de 2020

"Os amantes com casa" - Joaquim Pessoa

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Os amantes com casa

Andavam pela casa amando-se

no chão e contra as paredes.
Respiravam exaustos como se tivessem
nascido da terra
de dentro das sementeiras.
Beijavam-se magoados
até se magoarem mais.
Um no outro eram prisioneiros um do outro
e livres libertavam-se
para a vida e para o amor.
Vivendo a própria morte
voltavam a andar pela casa amando-se
no chão e contra as paredes.
Então era música, como se
cada corpo atravessasse o outro corpo
e recebesse dele nova presença, agora
serena e mais pobre mas avidamente rica
por essa pobreza.
A nudez corria-lhes pelas mãos
e chegava aonde tudo é branco e firme.
Aquele fogo de carne
era a carne do amor,
era o fogo do amor,
o fogo de arder amando-se e por toda a casa,
contra as paredes,
no chão.
Se mais não pressentissem bastaria
aquela linguagem de falar tocando-se
como dormem as aves.
E os olhos gastos
por amor de olhar,
por olhar o amor.
E no chão
contra as paredes se amaram e
pela casa andavam como
se dentro das sementeiras respirassem.
Prisioneiros libertados, um
no outro eram livres
e para a vida e para o amor se beijaram
magoando-se mais, até
ficarem magoados.
E uma presença rica,
agora nova e mais serena,
avidamente recebeu a música que atravessou de
um corpo a outro corpo
chegando às mãos
onde toda a nudez é branca e firme.
Com uma carne de fogo,
incarnando o amor,
incarnando o fogo,
contra o chão das paredes se amaram
pressentindo que
andando pela casa bastaria tocarem-se
para ficarem dormindo
como acordam as aves. 

Joaquim Pessoa


Bolsonaro fala em sabotagem no Enem. Sim, ela se chama Abraham Weintraub

Antonio Cruz/Ag Brasil

O presidente Jair Bolsonaro resolveu se pronunciar sobre o chabu do Enem 2019, "apenas" 11 dias após pipocarem as reclamações de candidatos dizendo que suas notas estavam bichadas. Afirmou que a situação está "complicada" e que o governo tem que apurar "se realmente foi uma falha nossa, se tem uma falha humana, sabotagem". Independentemente do que a (necessária) investigação aponte, houve clara sabotagem. Mas ela foi interna, de seu próprio governo. Um presidente da República coloca em uma das mais importantes funções do país duas figuras - primeiro, Ricardo Vélez, depois, Abraham Weintraub - claramente incapazes de garantir uma gestão profissional e racional da coisa pública e e depois quer que tudo dê certo? Por mais que o bolsonarismo não seja afeito à ciência, deve entender que toda ação leva a uma reação. Em outras palavras, se você deixar um confeiteiro fazendo o trabalho de um pedreiro, o cliente não pode reclamar se vier uma casa de marshmallow com portas e janelas de chocolate. 
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Coronavírus expõe a nossa desinformação sobre a China, o maior fenômeno econômico dos nossos tempos

Policial mede a temperatura de motorista nas ruas de Wuhan, capital da província de Hubei, nesta segunda-feira, 27 de janeiro.
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Epidemias, doenças contagiosas e crises sanitárias são momentos que desvelam racismo, estigma e discursos colonialistas que se perpetuam no mundo. No Brasil, um exemplo disso ocorreu em 2014, quando a possibilidade da ebola chegar ao país gerou um surto, não da doença, mas do vírus letal da xenofobia, como bem definiu Eliane Brum. A atual repercussão do coronavírus na China reabre esse debate que, em última instância, é sobre produção de conhecimento e poder.
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António Zambujo e Miguel Araújo - "No Rancho Fundo"

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Para assistir à interpretação de  "No Rancho Fundo"  nas vozes de António Zambujo e Miguel Araújo clique no vídeo aqui

Adoráveis Mulheres

Adoráveis Mulheres  - filme

Um melodrama sensível. Essa nova versão de Adoráveis Mulheres tem a essência do texto de Louisa May Alcott, mas também a alma de Greta Gerwig que se apropria da história e demonstra sua marca na direção. O elenco igualmente afinado ajuda com a proposta de discutir a vida daquelas mulheres do século XIX com um toque de atualidade. 
Para ler o texto de Amanda Aouad clique aqui

Agradecimento a quem fala com voz grossa em Angola

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Isabel dos Santos é hoje investigada em Angola a propósito da cruel realidade de “uma acumulação primitiva de capital” por uma oligarquia. 
Para ler o texto de Francisco Louçã clique aqui

Celulares em sala de aula: vale restringir ou não?


Aqui está um tema que vem provocando a divisão de opiniões entre pais, alunos e familiares, ou seja, até que ponto a presença de um telefone em sala de aula pode ser positiva? Há menos de uma década, esse assunto sequer passava do lado de fora dos estabelecimentos de ensino, entretanto, à medida que o avanço da tecnologia veio ocorrendo, de maneira exponencial, seguramente, essa é apenas a ponta do iceberg de um assunto que ainda vai trazer muita discussão. 
Para ler o texto de Cristiano Nabuco clique aqui

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