quarta-feira, 28 de novembro de 2012

"Saudade" - Gilka Machado


Saudade

De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?


De quem é esta saudade,
de quem?


Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo...


E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo...


De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?


Gilka Machado

 

Fúria e humor de um pacifista israelense

O velho Uri Avnery tem 89 anos e ainda luta. O escritor mundialmente conhecido ainda é um dos maiores guerreiros da esquerda de Israel, ainda exige paz com os palestinos, paz com o Hamas e um estado palestino nas fronteiras de 67 – com pequenos acertos de território para um lado e para o outro. Ainda crê que Israel poderia ter paz, amanhã ou na semana que vem. Se Netanyahu quisesse paz. “A desventura de um otimista incorrigível” – assim ele descreve o próprio destino. Ou talvez seja, na verdade, só um mágico?
Ainda é o mesmo sujeito que encontrei há 30 anos, jogando xadrez com Yasser Arafat nas ruínas de Beirute. Cabelos e barbas hoje brancos, lança palavras – diz que ultimamente anda um pouco surdo – com a mesma fúria e o humor de sempre. Pergunto a Avnery o que estão fazendo Netanyahu e seu governo. Qual o objetivo deles nessa guerra de Gaza? Os olhos dele brilham e ele responde.
Leia a entrevista de Uri Avnery concedida a Robert Fisk aqui

“O modelo da boa sociedade não é a meritocracia”

No livro “A sociedade dos iguais”, Pierre Rosanvallon traça a história das políticas em favor da igualdade que marcaram o século XIX e o século XX. Em entrevista à Carta Maior, Rosanvallon analisa a crise contemporânea marcada por uma perigosa dualidade: o avanço da democracia política, dos direitos, e a paulatina desaparição do laço social que cria e alimenta as sociedades democráticas. E critica as teorias da justiça promovidas por autores como John Rawls e suas ideias de igualdade de possibilidades e de meritocracia.
Leia a entrevista de Pierre Rosanvallon clicando aqui

Gaza ou a revisão da história

Há sessenta e quatro anos que Israel usa dois discursos para legitimar as suas intervenções nos territórios ilegitimamente ocupados da Palestina: um é o discurso da "eliminação definitiva do terror palestino"; o outro é o da "legítima defesa contra os ataques de que Israel é alvo". Ambos projetam uma revisão ardilosa da História. Atacar Gaza dá votos e legitima o imobilismo político de Tel Aviv. E sobretudo desvia a atenção da História real para uma História conveniente.
O artigo de José Manuel Pureza pode ser lido aqui

Nneka a revelação nigeriana da Soul Music!

Nigeriana radicada na Alemanha, Nneka impressiona. Passeando com fluência pelo R&B, soul, hip-hop, afrobeat e outros ritmos da música negra, não deixa escapar sua admiração pelo conterrâneo Fela Kuti (percussor do afrobeat): "Fela Kuti é uma grande inspiração para todos os nigerianos. Ele e sua luta pela democracia e pela liberdade artística", e completa "É o rei do afrobeat; um dos pais da música africana. Ele era capaz de exprimir as vontades do povo". Justificando em parte suas letras que tratam, além de sentimentos pessoais e experiências de vida, problemas sociais e políticos da África. "O que acontece ao meu redor e as pessoas com as quais convivo são minha grande inspiração". Rimando e cantando em estilos diferentes, a própria dá a dica do que esperar de cada disco. "Se tivesse que colocar em uma categoria, o primeiro disco (Victim of Truth) é hip hop, afro hip hop e soul. Já ‘No Longer at Ease’ não sei como definir. É um CD repleto de diversidade e, ao mesmo tempo, muito pessoal. Fala de temas que me tocam muito seriamente. Diria que é louco."
Podem escutá-la interpretando “Africans” clicando aqui e interpretando “Shining Star” clicando aqui

Castells vê “expansão do não-capitalismo”

O professor Manuel Castells é um dos sociólogos mais citados no mundo. Em 1990, quando os mais tecnologicamente integrados de nós ainda lutavam para conseguir conectar seus modens, o acadêmico espanhol já documentava o surgimento da Sociedade em Rede e estudava a interação entre o uso da internet, a contracultura, movimentos de protesto urbanos e a identidade pessoal.
Paul Mason, editor de notícias econômicas da rádio BBC, entrevistou o professor Castells na London School of Economics (Escola de Economia de Londres) sobre seu último livro, “Aftermath: The Cultures of Economic Crisis” (“Resultado: as Culturas da Crise Econômica”), ainda sem tradução para português.
Castells sugere que talvez estejamos prestes a ver o surgimento de um novo tipo de economia. Os novos estilos de viver dão sentido à existência, mas a mudança tem também um segundo motor: consumidores que não têm dinheiro para consumir.
São práticas econômicas não motivadas pelo lucro, tais como o escambo, as moedas sociais, as cooperativas, as redes de agricultura e de ajuda mútua, com serviços gratuitos – tudo isso já existe e está se expandindo ao redor do mundo, diz ele. Se as instituições políticas vão se abrir para as mudanças que acontecem na sociedade – é cedo para saber. Seguem trechos da conversa.
Para ler a entrevista de Manuel Castells clique aqui

domingo, 25 de novembro de 2012

Fronteiras, hibridismo e mestiçagem e seus desdobramentos formativos

Neste trabalho começaremos por discutir os conceitos de fronteira, hibridismo e mestiçagem, procurando realizar um esforço transdisciplinar, que atravesse as fronteiras do saber, do pensar e do viver contemporâneo que contém relações multiculturais, elementos diferentes que, ao entrarem em contato, se misturam e configuram novas particularidades. Seguidamente, e privilegiando alguns recortes temáticos, procuraremos incitar cinco autores de vários campos do saber, - autores que designamos por “provocadores” - , ao diálogo com a Educação. São intelectuais que trabalham temas da Filosofia (Michel Onfray), da História (Jack Goody), da Ciência Política (Domenico Losurdo) e da Sociologia (Zygmunt Bauman e Boaventura de Sousa Santos). Onfray procura olhar os “estilhaços” acumulados sob o peso monumental da filosofia idealista que ignorou os filósofos vencidos. Goody analisa o “roubo”, perpetrado pelo Ocidente, das conquistas de outras culturas o que tem conduzido ao nacionalismo estreito, à xenofobia e ao racismo. Losurdo desmantela as ideologias vigentes e historicamente determinadas, justificadoras do domínio da modernidade capitalista do Ocidente e de seu poder desmedido. Bauman embora faça referência a um fato específico - o holocausto -, mostra-nos como sua reflexão pode (e deve) ser aplicada aos conflitos do mundo de hoje no que consiste à (busca da) compreensão da (ir) racionalidade humana. Santos desnuda o modo como as epistemologias dominantes refletem os interesses dominantes — que, de modo mais ou menos direto, são os do capitalismo global — se compreendendo, então, como é tão difícil a luta por justiça social quanto à luta por justiça cognitiva.
Para ler o texto completo de José de Sousa Miguel Lopes clique em
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sábado, 24 de novembro de 2012

Mostra de Cinema e Direitos Humanos inicia com visita atual à memória e à verdade

Sem necessidade de colocar imagens reais ou ficcionais dos anos de chumbo, o filme "Hoje", de Tata Amaral (foto), utiliza dores contemporâneas da vida de uma mulher, ex-militante e ex-companheira de um militante de esquerda, para retratar cicatrizes não estancadas de familiares de mortos e desaparecidos políticos. Filme abriu 7ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, quinta (22), em São Paulo.
Para ler o artigo completo de Fabio Nassif clique aqui

NOAM CHOMSKY: Impressões de uma visita a Gaza


Na Faixa de Gaza, a área de maior densidade populacional do planeta, um milhão e meio de pessoas estão constantemente sujeitas a eventuais e amiúde ferozes e arbitrárias punições, cujo propósito não é senão humilhar e rebaixar a população palestina e ulteriormente garantir tanto o esmagamento das esperanças de um futuro decente quanto a nulidade do vasto apoio internacional para um acordo diplomático que sancione o direito a essas esperanças.
Para ler o artigo completo de Noam Chomsky clique aqui

O furacão Sandy e as escolhas da humanidade

Menos de três dias depois de a tempestade Sandy chegar à terra firme na costa leste dos Estados Unidos, Iain Murray do Competitive Enterprise Institute culpou a resistência dos nova-iorquinos às mega-lojas como causa da miséria que eles estavam prestes a enfrentar. Escrevendo na Forbes.com[1], ele explicou que a recusa da cidade em adotar o Walmart provavelmente vai tornar a recuperação urbana muito mais difícil. “As pequenas lojas simplesmente não podem fazer o que podem as grandes lojas nessas circunstâncias”, escreveu ele. Também alertou que, se o ritmo de reconstrução acabar por ser lento (como tantas vezes é), a culpa será das “leis sindicais como a Lei David-Bacon[2]“, referindo-se à norma que exige que os trabalhos em projetos de obras públicos sejam baseados não no salário mínimo, mas no salário prevalecente na região.
No mesmo dia, Frank Rapoport, um advogado que representa construtoras bilionárias e vários empreiteiros imobiliários, escreveu sugerindo que muitos dos projetos públicos de obras não devem ser integralmente públicos. Em vez disso, sem dinheiro, os governos deveriam recorrer às parcerias público-privadas, conhecidas como “P3″ nos Estados Unidos. Isso significa estradas, pontes e túneis sendo reconstruídos por empresas privadas, através das quais, por exemplo, poderiam construir pedágios e manter os lucros. Esses acordos não são autorizados em Nova York ou Nova Jersey, mas Rapoport acredita que isso pode mudar. “Em Nova York e Nova Jersey, algumas das pontes atingidas precisam de substituição estrutural, e isso será muito caro”, disse ele. “O governo pode muito bem não ter o dinheiro para construí-las de maneira certa. E aí você se interessa por um P3″.
Para ler o texto completo de Naomi Klein clique aqui

Israel conspira contra si mesmo

Terror, terror, terror, terror, terror. Lá vamos nós novamente. Israel vai “extirpar o terror palestino” – o que vem proclamando há 64 anos, sem sucesso – enquanto o Hamas, a mais recente das milícias mórbidas “palestinas”, anuncia que Israel “abriu os portões do inferno” ao assassinar seu líder militar, Ahmed AL-Jabari.
O Hezbollah anunciou várias vezes que Israel “abriu os portões do inferno” ao atacar o Líbano. Yasser Arafat, que era um superterrorista, depois um superestadista (após capitular sobre o gramado da Casa Branca) e mais tarde converteu-se novamente em superterrorista, quando percebeu que havia sido enganado, nos acordos de Camp David, em 1982, também falou muito sobre os “portões do inferno”.
E os jornalistas estão escrevendo como ursos amestrados, repetindo todos os clichês que temos usado nos últimos quarenta anos. O assassinato de Jabari, líder militar do Hamas, foi uma “ofensiva com alvo”, um “ataque aéreo cirúrgico” – como os “ataques aéreos cirúrgicos” israelenses que mataram quase 17 mil civis no Líbano, em 1982; os 1.200 libaneses, a maioria civis, em 2006; ou os 1.300 palestinos, a maioria civis, em Gaza em 2008-09; ou ainda a mulher grávida e o bebê que foram assassinados pelos “ataques aéreos cirúrgicos” em Gaza na semana passada – e os 11 civis mortos em uma só casa em Gaza, ontem. Ao menos o Hamas não atribui a seus foguetes “Godzilla” nada de cirúrgico. Seu objetivo é matar israelenses – quaisquer israelenses, homens, mulheres ou crianças.
Para ler o texto completo de Robert Fisk clique aqui

O Julgamento e as Masmorras Modernas

Durante encontro com empresários ocorrido esta semana, o ministro da Justiça respondeu a uma pergunta sobre a pena de morte afirmando que morrer seria preferível a viver nas medievais prisões brasileiras. O comentário, embora não seja inverídico nem inédito, soou um tanto desconcertado, já que o governo federal é, em boa parte, responsável por este estado de coisas.
Além disso, é difícil dissociar este comentário do fato de ele ter sido proferido no dia seguinte à imposição pelo Superior Tribunal Federal de pena de prisão de 10 anos e 10 meses em regime fechado ao ex-ministro da Casa Civil, pena esta que levou outro ministro, Dias Toffoli, do próprio STF, a também remeter à Idade Média, comparando-a ao que acontecia na inquisição espanhola do século XV.
A referência dos ministros à época medieval nos lembra que o sistema penal, tal como conhecemos, não tem duzentos anos. Antes dele, a forma predominante de punição era o suplício. Seguindo Foucault, notamos que esta mudança promoveu dois importantes deslocamentos: o julgamento, antes secreto, tornou-se público; em contrapartida, a punição, de pública, passou a ser privada.
Para ler o texto completo de Helena Singer clique aqui

O racismo faz mal à saúde

Entre a emergência de uma parturiente negra e uma branca, o médico brasileiro escolhe a branca porque “as negras são mais resistentes à dor e estão acostumadas a parir”. As convenções culturais e sociais brasileiras “imputam ao negro condições de estereótipo, que fazem com que não tenha as mesmas garantias de tratamento da saúde que um branco”, disse à IPS a psicóloga Crisfanny Souza Soares, da Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra. Estes estereótipos refletem um racismo que faz mal à saúde e que uma campanha tenta extirpar do sistema hospitalar brasileiro.
Para ler o texto completo de Fabiana Frayssinet clique aqui

Ladislau Dowbor: A Ruptura

Duas previsões opostas, porém igualmente verossímeis, são comuns quando se debatem os sentidos do século 21. Há quem mire, com otimismo, as grandes mobilizações sociais; a valorização da autonomia e das redes cidadãs não-hierárquicas; a tentativa de superar a crise da representação e reinventar a democracia; a expansão da consciência ambiental. Um olhar mais pessimista chama atenção para a ultra-concentração de riquezas; o esvaziamento da política, colonizada pelas grandes corporações (especialmente financeiras); a devastação da natureza e a procrastinação, pelos governos, das medidas que poderiam evitar grandes desastres naturais.
Coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (NEF) da PUC-São Paulo, o economista Ladislau Dowbor parece prestes a dar um passo além desta disjuntiva. Ao desnudar alguns dos fatores que estão por trás das incertezas contemporâneas, seus estudos recentes desenham um modelo em que riscos e de oportunidades não são estanques: estão sobrepostos no mesmo cenário. Aparece com clareza, então, uma alternativa além do pessimismo ou do otimismo. Ladislau lembra que, mais uma vez, o futuro está em aberto – e identifica os possíveis pontos da ruptura.
Para ler a entrevista de Ladislau Dowbor clique aqui

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O existencialismo tropical do cineasta Marcelo Gomes

Fala fácil, jeito doce, alma de andarilho. O cineasta pernambucano Marcelo Gomes, 41 anos, parece feliz como nunca. Seu terceiro longa-metragem, “Era uma Vez Eu, Verônica”, e o segundo que realiza sozinho desde o bem-sucedido “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), saiu do Festival de San Sebastián, na Espanha, com uma menção honrosa, e do Festival de Cinema de Brasília, em setembro, com seis troféus Candango, incluindo o de melhor filme.
Nesta entrevista exclusiva à Revista de CINEMA, Marcelo Gomes revela como chegou à opção de fazer um filme sob um foco feminino, o primeiro ambientado na sua cidade, Recife, sobre uma mulher esmorecida, uma médica que transfere para os cuidados do pai envelhecido, a sua única razão de viver. Uma mulher que vive um existencialismo tropical, como define o roteirista e diretor. Revela um pouco sobre o boom do cinema pernambucano, e os próximos projetos.
Havia um pouco de expectativa de como seria o seu próximo filme de ficção, após o super-premiado “Cinema, Aspirinas e Urubus”, que correu o mundo contando a história do encontro entre um homem interiorano e um imigrante em aventuras pelo sertão (o filme chegou a ser pré-indicado à disputa do Oscar Estrangeiro pelo MinC). Sua segunda experiência na direção foi um tipo de relato existencialista em um filme de viés documental, “Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo” (2009), codirigido com o cearense Karim Aïnouz. Os próximos filmes já estão em andamento, numa parceria com o mineiro Cao Guimarães; um filme inspirado no livro “Relato de um Certo Oriente”, de Milton Hatoum, em fase de roteiro, e “O Homem das Multidões”, inspirado em conto de Edgar Allan Poe. Marcelo Gomes hoje se divide entre Recife e São Paulo, mas diz “ando e moro por onde meus projetos estiverem”.
Para ler a entrevista de Marcelo Gomes clique aqui

O que há de novo: sobre a "nova classe média"

Um espectro ronda o Brasil: a “nova classe média”.
Para lhe fazer companhia, os balanços das eleições municipais de 2012 ressaltaram, à exaustão, as ideias de renovação, tempos novos, novidade. Fica, no entanto, uma pergunta no ar: quanto disso é fato, quanto é ferramenta de marketing, quanto é recurso retórico que produz boas manchetes e parcas matérias?
Fato número um: a integração de dezenas de milhões de brasileiros à faixa intermédia de renda significa isso mesmo. Estão “no meio”, por artes da aritmética, mas “classe média” não são (nos sentidos sociológico, econômico ou político que, tradicionalmente, se atribuem à categoria).
Trata-se de uma imponente ampliação quantitativa da classe dos trabalhadores assalariados, ao lado de uma visível expansão paralela de atividades de pequeno comércio e prestação de serviços autônomos.
Segundo fato, este sim, novo: pela primeira vez na história nacional a expansão quantitativa do trabalho assalariado urbano se fez acompanhar, simultaneamente, por alguma redução na desigualdade social; por crescente formalização das relações de emprego; por manutenção e, até, expansão de direitos; e, também, por forte ganho real na renda do trabalho.
Fato número três: a origem dessa movimentação econômica e social está na ação deliberada do governo federal e tem no Estado Nacional seu protagonista e elemento dinâmico. A combinação dos programas de combate à miséria com a política de decidida valorização do salário mínimo é a melhor tradução sintética dessa orientação, ainda que muitas outras iniciativas e programas convirjam positivamente.
Para ler o texto completo de Artur Araújo clique aqui
Pode ainda ler o texto “Nova classe média”: preferências econômicas e políticas de William Nozaki clicando aqui

A banda "O Teatro Mágico": algo novo no cenário musical brasileiro


A banda "O Teatro Mágico" é um grupo independente. Não tem contrato com produtoras, pois seu membros acreditam que elas destroem a arte em favor do dinheiro. Também defendem a liberação de todos os tipos de arte ao cidadão. Para os integrantes da banda, todos deveriam ter acesso à arte, seja qual for sua classe social. Portanto, se alguém não tem dinheiro para pagar pela arte, então ela terá que ser usufruída de graça. Desta forma, no site da banda podem-se comprar seus produtos e podem-se baixar todas as músicas e vídeos de graça! Ou seja, quem quiser pode pagar pelos CDs, DVDs, camisetas, etc. Se não quiser comprar, pode baixar as músicas, pois, estão liberadas! A banda tem cativado uma massa de fãs alternativos. A idolatria dos seus seguidores não é apenas em relação à música, mas a algo muito mais amplo: música, arte, filosofia, ideais, valores. Nos shows que apresentam, vemos dezenas de pessoas fantasiadas como eles. Todos cantam as músicas e declamam as poesias. Os membros da banda se maquiam de palhaço, e usam peças de vestuário bem artísticas. Compõem letras simples, porém com temas de ordem filosófica, política e social. São excelentes músicos. Possuem malabaristas, trapezistas, atores, etc., que dividem o palco com eles durante os shows, cuspindo fogo, fazendo malabarismos em cima da plateia durante o espetáculo (Miguel Gasparoni).

Pode ver a banda “O Teatro Mágico” interpretando “Sonho de uma Flautaclicando aqui  e interpretando “Zaluzejoclicando aqui

Por que se louva deus na moeda de um Estado laico?

O MPF (Ministério Público Federal) quer retirar das cédulas de reais a expressão “Deus seja louvado”. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo entrou, nesta segunda-feira (12/11), com um pedido liminar na Justiça Federal para efetuar a mudança.
A procuradoria argumenta que o Estado brasileiro é laico e, portanto, deve estar completamente desvinculado de qualquer manifestação religiosa. Para o MPF, a frase “Deus seja louvado” atenta contra os princípios da igualdade e da não exclusão de minorias já que privilegia uma religião em detrimento de outras.
“Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxossi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza, haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus”, exemplifica o procurador Jefferson Aparecido Dias, autor da ação (clique aqui para ler a íntegra).
Para o procurador, o objetivo principal do pedido é proteger a “liberdade religiosa de todos os cidadãos”. Embora Dias reconheça que a maioria dos brasileiros professe religiões de origem cristã, ele lembra que “o Brasil optou por ser um Estado laico” e, portanto, não pode tomar partido de nenhuma religião.
Para ler o artigo completo clique aqui

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA: "Quando os amantes dormem"

Quando as pessoas se amam e
querem se amar, selam um pacto:
dormir juntas.

E quando se fala "dormir juntos" o
sentido é duplo:

Significa primeiro amar acordado
em plena vigília da carne, mas,
depois, na lassidão do pós-gozo,
deixar os corpos lado a lado,
à deriva, dormindo, talvez.

Na verdade, os amantes, quando
são amantes mesmo, mesmo
enquanto dormem se amam.

Agora ouço esses versos de Aragón
cantados por Ferrat:
"Durante o tempo que você quiser
Nós dormiremos juntos".

E penso. É um projeto de vida, dormir juntos, continuamente.

A mesma ambiguidade: dormir/amar
juntos, dormir/acordar juntos, ou
então, dormir/morrer de amor juntos.

Deve ser por causa disto que os franceses chamam o orgasmo de "pequena morte".
Deve ser por isto que os amantes julgam poder continuar amando mesmo
através da morte, como Inês

de Castro e D. Pedro, que foram
sepultados um diante do outro, para
que no dia do reencontro um
seja o primeiro que o outro veja.

Amor: um projeto de vida, um projeto
de morte.
Se numa noite dessas o vento da insônia soprar em suas frestas, repare no
corpo dormindo despojado ao seu lado.

Ver o outro dormir é negócio de muita responsabilidade.

Mais que ver as águas de um rio
represado gerando uma usina de sonhos,
é ver uma semente na noite pedindo um guardião.

Pode ser banal, mas é isto: amar é ser
o guardião do sonho alheio.

Os surrealistas diziam: o poeta enquanto dorme trabalha.

Pois os amantes enquanto dormem,
se amam.

Se amam inconscientemente, quando
seus desejos enlaçam raízes e seivas.

O pé de um toca o pé do outro, a mão espalmada corre sobre o lençol e toca
o corpo alheio e, dormindo,
se abraçam animados.

Quando isso ocorre, pode ter vários significados.

Talvez um tenha lançado um apelo
silencioso ao outro:

"Ajude-me a atravessar esse sonho",
ou:
"Venha, sonhe esse sonho comigo,
é bonito demais".

E o outro, às vezes, sem se mexer,
parte em seu socorro.

É que certos sonhos, sobretudo os de
quem ama, não cabem num só corpo.

Transbordam os poros da noite e
pedem cumplicidade.

E se há um pesadelo, aí um se agarra
ao tronco do outro na crispação
do instante, e o corpo do parceiro é
bóia na escuridão.

Por isto, no ritual do casamento,
quando o sacerdote indaga se os que
se amam sabem que terão que se
socorrer na saúde e na doença, na
opulência e na miséria etc...

Deveria se inserir um tópico a mais
e advertir:

... Amar é ser cúmplice do sonho alheio.

Passar a metade da vida dormindo a
o lado do outro.

Há pessoas que vivem 25 anos -
bodas de prata,

50 anos - bodas de ouro, 75 anos -
bodas de diamante;

Ao lado do outro, e não sabem com
que o outro sonha.

E há quem passe uma tarde, uma
noite ou uma temporada ao lado de
um corpo e sabe seus sonhos
para sempre.

Engana-se quem escuta o silêncio
no quarto dos que amam.

Estranhos rumores percorrem o
sonho alheio.

Não é o rugir do tigre pelas brenhas.

Não é o bater das ondas na enseada.

Nem os pássaros perfurando
a madrugada.

São os sonhos dos amantes em plena elaboração.

E se numa noite dessas o vento da
insÿnia de novo soprar em suas
frestas, olhe pela janela os muitos apartamentos onde pulsam dormindo
os amorosos.

Quando se compra um apartamento
novo, nas alturas, alguns compram
lunetas e ficam vasculhando a vida
alheia.

Mas para ouvir o ruído dos sonhos
basta abrir os ouvidos na escuridão.

Os sonhos pulsam na madrugada.
Era uma vez um chinês que toda vez
que sonhava com sua amada
acordava perfumado.

Deve ser por isso que, ainda hoje,
o quarto dos amantes amanhece
com um perfume de almíscar, lavanda
e alfazema.

E é comum achar troféus dos sonhos
ao pé da cama de quem ama.

Quando se abre a pálpebra do dia,
aí pode-se ver um unicórnio de ouro
e uma coroas de rubis.

À noite os sonhos dos amantes
se cristalizam e de dia se liquefazem
em beijos e lágrimas.

Quem ama diz boa-noite como quem abre/fecha a porta de um jardim.

Não apenas como quem viaja, mas
como quem vai para a colheita.

Quando se ama, acontece de um
habitar o sonho do outro,
e fecundá-lo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Internet: o lobby contra a liberdade

Há cerca de dois meses, escrevemos que o Marco Civil da Internet, a principal proposta de estabelecimento de direitos civis na rede, estava na marca do pênalti (“Marco Civil na marca do pênalti”, 05/09/12), pronto para ser cobrado. Prestes a ser tento comemorado pela sociedade brasileira. No entanto, dois lobbies econômicos muito poderosos conseguiram, além de alterar o ótimo texto do projeto de lei, impedir sua votação: o lobby da indústria autoral e o das empresas de telecomunicações. Na última quarta-feira (7/11), mesmo com a bola no pés, Governo e deputados não cobraram o pênalti. E, se tivessem cobrado, seria um chutão pra lua.
O Marco Civil da Internet – que tramita agora através do PL 5.403/2001 – estabelece os princípios, objetivos, direitos, obrigações e responsabilidades na rede. É a base legal para a cidadania virtual, para o tratamento isonômico dos usuários, para a não discriminação de sua navegação e para a concretização de uma Internet efetivamente livre: para a expressão, para a troca, para a criação, para a inovação, enfim, para o desenvolvimento. É por isso que a proposta elenca, como um de seus princípios, a neutralidade da rede, para evitar que interesses econômicos injustificados se sobreponham ao direito de todos se manifestarem e usarem a rede como quiserem. E é por isso também que o projeto estabelecia, no seu artigo 15, a retirada de conteúdos do ar apenas com decisão judicial, após realizado o contraditório e a ampla defesa, em plena consonância com os pilares do Estado democrático de direito. Trata-se de priorizar a liberdade de expressão e o direito de acesso e afastar a censura privada na Internet.
Para ler o artigo completo de Guilherme Varella clique aqui

MIA COUTO: a literatura como forma de ativismo

Amantes da poesia lotaram o Bar do Zé Batidão, na zona sul, para acompanhar a conversa com Mia Couto e o sarau da Cooperifa Sob a laje de um sobrado no Jardim São Luís, bairro de periferia na zona Sul de São Paulo, mais de cem pessoas se acomodavam para escutar atentamente e com confesso deslumbramento uma palestra informal do poeta, biólogo e jornalista moçambicano Mia Couto, autor de obras como “Terra Sonâmbula” (Cia. Das Letras, 1992 (1ª ed.), 208 pgs.), de passagem pelo Brasil para a divulgação de seu mais recente livro, “A Confissão da Leoa” (Cia das Letras, 2012, 256 pgs.).
Em meio aos populares do Bar do Zé Batidão, onde ainda participou de um sarau organizado pelo coletivo Cooperifa, na última quarta-feira (07/11), Mia parecia mais à vontade do que no dia anterior, quando conversou amigavelmente com um público mais elitizado, em uma sala de cinema do Conjunto Nacional, localizado nos Jardins, bairro ‘nobre’ da zona oeste.
Para ler o texto completo de João Novaes clique aqui

Condenado sem domínio nem fato


O futuro dirá o que aconteceu hoje, no Supremo Tribunal Federal.
O primeiro cidadão brasileiro condenado por corrupção ativa num processo de repercussão nacional se chama José Dirceu de Oliveira.
Foi líder estudantil em 1968, combateu a ditadura militar, teve um papel importante na organização da campanha pelas diretas-já e foi um dos construtores do PT, partido que em 2010 conseguiu um terceiro mandato consecutivo para governar o país.
Pela decisão, irá cumprir um sexto da pena em regime fechado, em cela de presos comuns.
O sigilo fiscal e bancário de Dirceu foi quebrado várias vezes. Nada se encontrou de irregular, nem de suspeito.
Ficará numa cela em companhia de assaltantes, ladrões, traficantes de drogas.
Vamos raciocinar como cidadãos. Ninguém pode fazer o que quer só porque tem uma boa biografia.
Para entender o que aconteceu, vamos ouvir o que diz Claus Roxin, um dos criadores da teoria do domínio do fato – aquela que foi empregada pelo STF para condenar Dirceu. A Folha publicou, ontem, uma entrevista de Cristina Grillo e Denise Menchen com Roxin.
Para ler o texto completo de Paulo Moreira Leite clique aqui

SUBURBIA: A intensidade e a supremacia da forma

Luiz Fernando Carvalho realizou obras marcantes no cinema e na TV, com ousadia estética amplamente reconhecida. O compromisso formal articula-se, agora, na série Suburbia, com uma leitura reconstrutiva da sociedade carioca, promovendo um resultado soberbo. O roteiro foi escrito pelo diretor com Paulo Lins e Carla Madeira. Os atores e atrizes, quase todos negros, são descobertas notáveis, que jogam por música com alguns talentos veteranos.
De Cidade de Deus a Desde que o samba é samba, Paulo Lins se dedica a mesclar observação etnográfica com elaboração narrativa ficcional. Sua experiência biográfica enriquece a etnografia, transmitindo ao olhar reflexivo um sabor testemunhal, ao mesmo tempo em que confere ao testemunho densidade analítica. Por isso, seus escritos são tão ricos e fortes.
Em Suburbia, a poesia dos criadores captura a vitalidade da Zona Norte e flagra a urgência de uma sociedade que ferve no fogo do medo e do desejo, no alvoroço das possibilidades, na fricção das contradições, longe do olhar bovino da Casa Grande, que acha feio o que não é clichê, que decalca o futuro nos moldes do passado idealizado, que discrimina e não se crê racista, que ainda sonha o velho sonho americano da prosperidade ilimitada, cujo prazo de validade esgotou-se na matriz.
Para ler o texto completo de Luiz Eduardo Soares clique aqui

ENTREVISTA / MUNIZ SODRÉ: “A imprensa reflete o racismo no Brasil por inteiro"


Muniz Sodré é negro, baiano, fala russo, alemão, iorubá e francês, é faixa-preta em caratê e jiu-jítsu. Mas não foi por isso que um dia, quando trabalhava na revista Manchete, agrediu fisicamente Adolpho Bloch – coisa que muito jornalista já teve vontade de fazer. Sodré completou 70 anos em 2012, no dia 12 de janeiro, e entre os vários eventos que lhe prestam homenagem, um leva o nome de um grande amigo.
O Prêmio de Jornalismo Abdias Nascimento – organizado pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), ligada ao Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio – vai homenagear este professor emérito da Escola de Comunicação da UFRJ. Na noite de segunda-feira (12/11), em meio à entrega dos prêmios aos jornalistas vencedores, Sodré será chamado ao palco. Ele vai ouvir algumas palavras, por sua militância contra a discriminação racial e contribuição à diversidade cultural, e falar algumas outras.
Antes disso, o site do Sindicato dos Jornalistas foi até sua casa, no bairro carioca do Cosme Velho, para uma entrevista sobre imprensa, jornalismo de hoje, de ontem, racismo e preconceito. Confira a a sua entrevista clicando aqui

domingo, 18 de novembro de 2012

O rock contemporâneo da banda mineira "Transmissor"

“Transmissor” é uma banda mineira independente e uma das mais promissoras dos últimos anos. O rock contemporâneo que interpretam é fruto de muita inspiração. As composições se baseiam na vida pessoal dos integrantes Leonardo, Thiago, Henrique, Pedro e Jenifer. O som peculiar da banda é incrementado por instrumentos inusitados como “Ukelele” e “Rhodes” que têm uma sonoridade muito específica.
“Tocamos músicas com uma sonoridade nostálgica, mas com um pezinho no presente. São canções de fácil assimilação, que tentam resumir um pouquinho nossas vidas”, diz Leonardo Marques.
Em 2008 gravaram o primeiro álbum, "Sociedade do Crivo Mútuo". Em 2011 lançaram o segundo álbum, Nacional, que teve a participação de James Valentine, do Maroon 5.
Podem ouvir a banda “Transmissor” interpretando a música “Bonina aqui
e a música “Primeiro de Agosto aqui

sábado, 17 de novembro de 2012

Manifesto defende reaglutinação de forças no Brasil para enfrentar crise mundial

Um grupo de forças populares, progressistas e de esquerda está articulando um manifesto de reflexão sobre a crise econômica e política mundial e de reaglutinação de forças no Brasil. A reunião de lançamento desse manifesto deve ocorrer no início de dezembro, no Rio de Janeiro. A pauta principal dessa primeira reunião será definir formas e meios de ação a partir de um programa de 11 pontos adotado no texto. Para tanto, será debatida a criação de um movimento em defesa da democracia, do Brasil e da paz. A ideia é que Oscar Niemeyer seja aclamado como presidente de honra desse movimento que tem como integrantes de sua comissão organizadora, Luiz Pinguelli Rosa, Marcio Pochmann, João Pedro Stédile, Samuel Pinheiro Guimarães, Pedro Celestino, Roberto Amaral e Ubirajara Brito.
 O manifesto já reúne mais de 150 signatários. Além dos nomes citados acima há outras personalidades de renome nacional como Carlos Lessa, Ennio Candotti, Geraldo Sarno, Luiz Alberto Moniz Bandeira, Luiz Carlos Bresser Pereira, Manuel Domingos Neto, Mauro Santayana e Pedro Casaldáliga.
Para ler o manifesto clique aqui

Contra a censura, pela cultura: A grande trilha sonora da ditadura militar

Recentemente em novembro de 2011, a presidente Dilma Rouseff aprovou duas novas leis que poderão ser usadas para passar a limpo um dos momentos mais violentos da história recente do Brasil, a ditadura militar (1964-1985). Essas leis determinam o fim do sigilo de documentos do governo e a permissão para apuração de crimes cometidos por agentes públicos.
E nesse clima de procura pela verdade e pela justiça nada mais justo do que homenagear os grandes compositores que transformaram seus violões em armas potentes contra o regime de a favor da liberdade usando de metáforas e camuflagens em suas letras para que não fossem vítimas da censura e pudessem espalhar sua mensagem pelo Brasil afora, se fazer ouvir e provocar um sentimento de revolta nos jovens, o que eles conseguiram.
Para ler o texto completo de Isabel Nobre e ouvir algumas das principais canções censuradas pela ditadura militar clique aqui

Os autorretratos surreais e em mundos de fantasia de Joel Robinson

Este jovem fotógrafo canadense que gosta de bicicletas, florestas e fantasia (incluindo sobretudo Harry Potter), tira fotos de si mesmo e as manipula digitalmente, inserindo-se em mundos de fantasia oníricos e surreais, no mesmo estilo de artistas como Dara Scully e Brooke Shaden, que inclusive inspirou alguns trabalhos de Robinson.
Com um estilo sensível e sonhador, as fotos-manipulações de Robinson são interessantes e instigantes. E o rapaz ainda tem um
blog no wordpress, onde dá dicas de fotografia e Photoshop.
Vejam os autorretratos surreais em mundos de fantasia e sonhos de Joel Robinson aqui

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Brasil: sempre distante da América Latina?


Em entrevista à Carta Maior, o escritor, dramaturgo e roteirista de cinema cubano Reinaldo Montero fala da influência da cultura brasileira sobre a literatura, música e cinema cubano e do desconhecimento que a maioria da população brasileira tem da cultura latinoamericana. Vencedor do Casa de las Américas e de vários outros prêmios em Cuba, Espanha e França, Montero também fala sobre a relação entre inspiração e transpiração no ato de escrever, sobre o impacto da internet e das redes sociais na literatura e na relação dos autores com críticos e público, e sobre o atual momento da vida cultural cubana.
Para ler a entrevista de Reinaldo Montero clique aqui

A reforma da política migratória em Cuba


 
A partir de 14 de janeiro de 2013, uma nova política migratória entrará em vigor em Cuba. Esperada há muito tempo, esta reforma, que responde a uma aspiração da população, facilitará as viagens dos cubanos ao exterior. Eles já não necessitarão da famosa “Tarjeta Blanca” (Cartão branco), permissão de saída outorgada pelas autoridades a um custo de 150 dólares. Do mesmo modo, já não fará falta ter uma “carta-convite” (200 dólares) de algum um estrangeiro para deixar o país.
Para viajar ao exterior, os cubanos só precisarão de um passaporte (válido por seis anos) ao preço de 100 pesos cubanos (4€), de um visto no país de acolhida e, sem qualquer outra formalidade, dos recursos financeiros para descobrir o mundo durante dois anos em vez de 11 meses. Além deste prazo de 24 meses, as pessoas que desejarem aumentar sua estadia fora do território nacional poderão fazê-lo por meio de uma permissão concedida pelo consulado local. Também poderão voltar a Cuba e sair novamente de lá por um período similar, renovável indefinidamente.
Para ler o artigo completo de Salim Lamrani clique aqui

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

CLARICE LISPECTOR: "Há Momentos"



Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

 

Alain de Botton: “Temos de descobrir a juventude e a velhice como categorias de trabalho”

O grande desafio na forma como a sociedade olha para os reformados é mudar a atitude para com o trabalho e pensar que “não trabalhar não é o fim do ser humano”, diz o filósofo do quotidiano Alain de Botton.
Leia sua entrevista aqui

terça-feira, 13 de novembro de 2012

MÍDIA & CRISE: A crise orgânica do sistema de produção capitalista

Para a filosofia, nada é divino, nada é misterioso, nada é causa de si mesmo. Em suma: nada é um fetiche. Tudo tem um princípio. Por princípio podemos entender o ponto de partida de uma produção ou aquilo do qual parte um conhecimento, por exemplo: as premissas de uma demonstração. Assim, as incongruências dos ideólogos do capitalismo estão justamente na falta e/ou omissão em explicitar a origem ou princípio da crise orgânica do sistema. O modo de produção capitalista, na figura dos economistas liberais, postulou ser um princípio de autorregulação. Tal sistema, por não poder ser refutado, revela o seu caráter totalitário e autocontraditório, conforme a conotação de Karl Marx.
Para ler o texto completo de José Valmir Dantas de Andrade clique aqui

Enganos, mitos e tropeços da revolução tecnológica

Há uma tendência no pensamento contemporâneo em considerar a revolução digital como uma ruptura quase absoluta com as tecnologias mais antigas, de tempos há muito passados. Como se a revolução digital fosse um sonho projetado do futuro no presente. E os tempos que vivemos não guardassem relação com o mundo do passado. A ilusão de velocidade e a capacidade de superar as barreiras do espaço através das mídias digitais provocam a ilusão de que estamos vivendo num mundo futurístico sem passado, em que as grandes corporações que lideram a revolução digital vão criando cotidianos virtuais e conteúdos que preenchem nossas vidas e de nossas crianças como em outros tempos os velhos mestres e a boa escola o faziam.
Para ler o artigo completo de Sergio da Motta e Albuquerque clique aqui

Wallerstein: “nenhum sistema é para sempre”

Em dois sentidos, pelo menos, o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerestein parece disposto a contrariar as ideias que ainda predominam sobre a crise iniciada em 2007. Primeiro, no diagnóstico do fenômeno. Para ele, estamos diante de algo muito mais profundo que uma mera turbulência financeira. Foram abaladas as bases do próprio capitalismo. Ou, para usar um conceito caro a Wallerstein, do “sistema-mundo” que se desenhou a partir do século 16, em algumas partes da Europa, e se tornou globalmente hegemônico desde os anos 1800. Tal sistema teria atingido “o limite de suas possibilidades”, sendo incapaz de sobreviver à crise atual. Se ainda temos dificuldade para compreender o alcance das transformações em curso é porque, presos à inércia, demoramos a aceitar que “há alguns dilemas insolúveis”. “Nada dura para sempre – nem o Universo”, lembra Wallerstein, um tanto irônico.
Leia a entrevista de Immanuel Wallerestein clicando aqui

MIA COUTO: Olhos nos olhos ou Olhos nus: Olhos?

Os personagens são: Clarice, a mulher abandonada que sofre; João Rosa, o ex-marido que descobre que não é possível se separar de alguém de verdade e Adélia, a nova namorada do ex-marido de Clarice.
A título de curiosidade, os nomes das personagens são homenagens de Mia a grandes nomes da literatura, Clarice é Clarice Lispector e João Rosa é João Guimarães Rosa. Entretanto, é necessário frisar que as homenagens cessão aos nomes. Clarice é no conto uma mulher que se encontra triste e reflexiva, e pode até parecer com a Lispector, mas João Rosa é um economista sedutor, que não consegue enfrentar a ex-mulher, que é completamente diferente o médico altruísta Guimarães Rosa.

Para ler o conto de Mia Couto clique aqui

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A revolução não será televisionada....


As grandes capitais brasileiras estão sofrendo. Esse sofrimento tem fortes e perigosos vínculos com traços históricos de autoritarismo, manifestado por governantes; governantes estes (re)eleitos pelo povo. Um povo que se encontra cada vez mais é iludido e enganado por uma publicidade institucional mentirosa e de um discurso desenvolvimentista e empreendedor, aliado a um silenciamento dos grandes veículos da midia, que escondem os abusos de governantes do Rio, São Paulo e Belo Horizonte. m-se um discurso dissimulado, cujo cenário oculta incêndios criminosos, desocupações violentas e invasões autorizadas pela justiça, sendo justificadas sempre com os mesmos argumentos: manter a ordem, evitar a baderna, conter uma população enfurecida e repreender traficantes e viciados em drogas.

O mais recente, e gritante, exemplo de autoritarismo encenado pelo prefeito de Belo Horizonte pode ser visto nesta última sexta feira, no dia 9 de novembro de 2012, em um dos locais mais tradicionais da boemia de belohorizontina: o edifício Maletta. Prédio histórico para a cidade, local do encontro de artistas, intelectuais, estudantes, políticos de esquerda desde a década de 1960. Ele foi incubadora de ideias, nele surgiram grupos que defenderam, e sofreram, pela luta por maior liberdade e democracia, tanto para a cidade quanto para o país.

Atualmente o lugar passou por transformações. Novos, e jovens, empreendedores abriram cafés, bares, salas onde grupos discutem ideias, propostas, se encontram para beber, conversar e se divertir. Tais transformações revitalizaram o espaço, trazendo novas pessoas com ideias e ideais, movimentos e tendências, ou seja, o velho Maletta estava "reconquistando" o seu lugar na noite da cidade. O grande número de pessoas que lá se encontram também pode ser entendido como reflexo do fechamento de outros espaços alternativos, deixando com que as pessoas que gostavam de locais mais informais e alternativos; aqueles espaços mais despojados, onde se abraça os encontros entre os múltiplos olhares, ficassem sem espaços para se encontrar. Um anacronismo ao se pensar uma cidade que, sempre teve como propaganda, possuir a maior concentração de bares por pessoa, mas que agora, tem um cerceamento à ocupação urbana, com o fechamento de espaços de mobilização cultural, fazendo uso de artifícios e lacunas legais para legitimar uma ação mais violenta.

Nesta sexta feira, do dia 9 de novembro, os clientes que se encontravam nos estabelecimentos do edificio Maletta tiveram um gostinho da nova versão, "não mais bonzinho" do nosso prefeito. Munido do aparelho repressor que lhe cabe: a polícia, acompanhada  por oficiais de justiça, cães e o juizado de menores, invadiram e lacraram o espaço, numa sexta à noite, deixando atônitos consumidores, famílias, jovens, mulheres e idosos. Chegaram trazendo pânico para pessoas que não tinham a menor ideia do que estava acontecendo, interrompendo de maneira traumática seu momento de lazer, tendo o seu direito de ir e vir, principalmente ao da informação, simplesmente negados pelos oficiais em serviço.

Indignados, alguns retiraram seus celulares e buscaram registrar toda aquela ação, que ocorria sem a menor justificativa, sem a divulgação de algum mandado de busca que justificasse tal ação, nada. O que se teve foram pessoas sendo violentadas, aterrorizadas e arrastadas para camburões sem ao menos saber: por quê?

Suspeita-se que a ação foi uma meneira de intimidar o grupo de manifestantes e críticos ao prefeito chamado "Fora Lacerda", que havia marcado pela internet, numa das dependências do edifício Maletta, um local para o recebimento de doações para auxiliar as vítimas da Comunidade Eliana Silva. Famílias que foram expulsos de suas casas de forma violenta, sem direito a explicação ou ao conhecimento dos fatos; simplesmente recebendo, de maneira abrupta e maciça, dos braços repressores do Estado, um tratamento desumano e humilhante, que é a negação e a pilhagem de seus parcos pertences.

Quando fiquei sabendo do ocorrido da sexta à noite, corri para buscar mais informações em sites e jornais de Belo Horizonte e, eis que, para minha "surpresa", nada havia sido noticiado ainda. Percebi um movimento de indignação correu as redes sociais, sites de notícia independentes, alertando para o fato ocorrido em Belo Horizonte. Links, fotos, alguns poucos vídeos e depoimentos foram compartilhados e retuitados na rede, mas, nos demais veículos de comunicação, apenas o silêncio.

Confesso que temo que uma versão deturpada do acontecimento seja veiculado. Uma versão que acabe por colocar aqueles que foram presos, sob a acusação de "desacato à autoridade", como bandidos e baderneiros, jogando um veu opaco sobre mais um trabalho truculento dos agentes de segurança. Agentes que repreenderam cidadãos de bem que estavam apenas querendo registrar a forma abusiva e autoritária que funcionários e agentes públicos abordavam pessoas, obrigando-as a passar por revistas individuais humilhantes, quebrando e saqueando aparelhos eletronicos; agentes que aterrorizaram pessoas que estavam, inocentemente, desfrutando de um início de fim de semana com seus familiares entre comidas e bebidas de forma inocente.

Abaixo apresento o texto do professor Fernando Torres Pacheco, morador de Belo Horizonte, mas que atualmente trabalha no Amazonas. Fernando apresenta suas impressões sobre as ações que sufocam o cidadão comum, assim como ele, de Belo Horizonte. Sua angústia também pode ser vista como uma crônica triste da realidade que assola as demais capitais do sudeste, locais onde a publicidade e a maquiagem ganham espaço, e um grupo cada vez maior de iludidos vão tendo sua liberdade cerceada sem ter a menor ideia do que se passa (Bruno Paes).
Para ler o texto, clique aqui.

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