terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CASO CESARE BATTISTI : Um peso e várias medidas


Historicamente, a grande imprensa brasileira (leia-se famílias Marinho, Civita, Saad e Frias) está acostumada a manipular boa parte da população e a impor a sua ideologia conservadora como “verdade inquestionável”. Todavia, nos últimos anos, nossa “mídia oficial” vem sofrendo importantes derrotas: nas últimas três eleições presidenciais, por exemplo, não conseguiu eleger os seus candidatos preferidos e, mais recentemente, não pôde impedir a grande repercussão e sucesso de vendas do livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Quando contrariados, os poderosos conglomerados do setor de comunicação não se furtam em procurar distorcer a realidade e despejam todo o seu ódio contra aqueles que não compactuam com suas ideias. Chegam até, em alguns casos, a tentar passar por cima da justiça brasileira. Um caso emblemático dessa prática nefasta foi a cobertura midiática sobre a negação do governo brasileiro ao pedido de extradição do escritor e ex-ativista político italiano Cesare Battisti.
Para ler o texto completo de Francisco Fernandes Ladeira clique aqui

Linguistas e gramáticos


Os estereótipos são que os gramáticos defendem o português correto, formal, e que os linguistas defendem todas as variantes. Minha impressão pessoal é que o predicado “defensor” até pode ser aplicado ao gramático, mas é incorretamente aplicado ao linguista. As principais diferenças entre os dois grupos, ou entre os dois grupos de teorias (sem esgotá-las), considerados diversos critérios são apresentados por Sírio Possenti aqui

A neutralidade não existe na imprensa - Entrevista/Ignácio Ramonet


O diretor de redação do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, acredita que a mídia deveria se posicionar claramente sobre a linha ideológica e política que segue. Doutor em Sociologia e professor de Teoria da Comunicação, o jornalista, que comanda um periódico abertamente de esquerda, diz que não existe a tão aclamada neutralidade da imprensa.
“Um jornal que diz que é objetivo é um jornal alinhado à direita e que tenta esconder seu ponto de vista”, explica. Ramonet entende que os veículos de comunicação deveriam deixar claras as posições políticas e ideológicas que defendem. “Não tenho nada contra um jornal ser de direita, acho interessante que existam. Mas que fique claro que representa o ponto de vista dos empresários, da burguesia e da classe conservadora”, aponta.
O jornalista esteve em Porto Alegre na semana passada para participar das atividades do Fórum Social Temático e mesmo com uma apertada agenda encontrou tempo para conversar durante meia hora com a reportagem do Sul21. Nesta entrevista, ele analisa também o papel das esquerdas na crise capitalista que assola a Europa e contrapõe a situação no velho continente ao momento vivido pela América Latina. “A América Latina está construindo o Estado de bem-estar social, enquanto na Europa ele está sendo destruído”, compara.
Para ler a entrevista clique aqui

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Imagens incríveis do mundo submarino


Alguns mergulhadores fotografaram a vida subaquática nas proximidades das ilhas de Fiji e Tonga no Pacífico Sul. Munidos de câmeras de alta definição, perscrutaram a vida marinha “navegando” por recifes de corais coloridos e por cavernas subaquáticas, deparando-se com enormes cardumes de peixes tropicais, tubarões, baleias, cavalos marinhos...
É um mundo mágico submerso nas águas dos mares e oceanos...E tudo ficou intacto por centenas de anos até que inventassem as poderosas microcâmeras. Para se deliciar com  estas imagens incríveis do mundo submarino, clique aqui

Meu nome é Clay? Qual é meu nome, idiota?


“Se eu ganhasse um dólar por cada coisa que há de errado no esporte, Bill Gates seria meu mordomo”, disse certa vez o cronista esportivo estadunidense Dave Zirin. Vivendo em Washington, capital dos Estados Unidos, Zirin se diferencia da imensa maioria dos colegas de profissão por seu estilo contestador. Critica o esporte como negócio e seu uso por políticos oportunistas. Sobretudo, abomina a mídia esportiva de seu país que, de tão corporativa, “diminui os esportistas que expressam opiniões políticas”. Segundo ele, nunca houve espaço nos jornais para demonstrações de resistência, ou para manifestações radicais no setor esportivo. São histórias muitas vezes escondidas, “pela mesma razão que a maioria das histórias de radicalismo nos EUA está escondida”. Mas Zirin se propõe a trazê-las à luz. Pela editora Haymarket Books (www.haymarketbooks.org), lançou o livro What’s my name, fool? Resistance in the United States (em tradução livre, Qual é meu nome, idiota? Esportes e resistência nos Estados Unidos). Na obra, resgata exemplos de resistência no esporte desde o começo do século 20 até os dias atuais.
Leia a entrevista com o cronista Dave Zirin sobre o livro que tem como personagem central Muhammad Ali,aqui

Inferno na torre de marfim


Certas profissões e ocupações povoam os sonhos dos jovens, sugerindo autorrealização ou simbolizando status. Porém, após conhecerem o apogeu, parecem seguir para um inevitável declínio. A engenharia, a advocacia e a medicina já tiveram dias melhores, mas seguem a trilha da proletarização, perdendo o prestígio e a aura. A economia e a administração também mostram sinais de decadência, depois de momentos fugazes de glória. Fenômeno similar parece atingir a ocupação de professor-pesquisador, praticada por uma pequena elite, incrustada nos andares mais elevados das torres de marfim do ensino superior. Comecemos pelo sonho. Depois, o feijão.
O professor-pesquisador, profissional que atua em programas de pós-graduação, é um ser privilegiado.
Para ler o artigo completo de Thomaz Wood Jr. Clique aqui

O sagrado intolerante: uma abordagem sobre as origens da discriminação aos ateístas na sociedade contemporânea


O presente artigo examina o contexto de discriminação religiosa – com ênfase no segmento denominado mundialmente como ateísmo – a partir de um enfoque pautado na analise dos fundamentos metafísicos da ética religiosa judaico-cristã e sua relação como possível causa do preconceito direcionado aos indivíduos que professam a descrença em divindades. Para tanto, discute não apenas conceitos e definições relacionados ao ateísmo e ao agnosticismo, sua classificação e seus antecedentes históricos, mas também a própria problemática da fundamentação moral desse segmento sob o prisma da chamada “ética pós-metafísica”, mediante uma abordagem bibliográfica de autores seletos.
Para ler o texto completo de Francisco Chagas Vieira Lima Júnior clique aqui

Um pensador do Brasil nas telas


Certa vez, o cineasta Roberto Santos definiu assim a reputação de que ainda goza seu colega Nelson Pereira dos Santos. “É muito chato falar sobre Nelson. Tudo já foi dito e só resta fazer elogios.” Referia-se, claro, de forma afetiva e amigável, à trajetória de quem efetivou o Cinema Novo e contribui de modo decisivo para entender melhor o Brasil, explorando-o em sua riqueza na tela. São palavras conformadas, ditas não por algum interesse bajulador (não há parentesco entre esses Santos, diga-se), mas pela parceria profissional desses dois paulistanos nascidos em 1928 e que auxiliaram um ao outro em suas respectivas estreias como diretor. Roberto integrou a equipe de Rio 40 Graus, título fundador de uma nova estética e temática no País, e Nelson respondeu a esse apoio ao seu filme com a produção de O Grande Momento, não por acaso filmado no Brás, onde ambos cresceram. Roberto Santos morreu em 1987 e Nelson prossegue atuante. Aos 83 anos, com vitalidade e desembaraço impressionantes, lança na sexta 20 o documentário A Música Segundo Tom Jobim. O ex-parceiro por certo enxergaria ecos de suas sábias palavras na decisão que norteou a realização desse filme sobre o cantor e compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927-1994), a qual somente um mestre respeitado e investido do papel de renovador do cinema brasileiro poderia fazer valer. Porque aqui também temos uma daquelas reputações unânimes da qual pode ser aborrecido e desnecessário falar ou, pior, ouvir outros explanarem sobre ela. “Há um imenso rastro de estudiosos sobre o músico para quem quiser seguir”, diz a CartaCapital. Ele acha graça ao ser lembrado da citação do companheiro de primeira hora e arrisca uma comparação. “Cinema e música têm de falar por si sós. Quando se encontram, então, aí mesmo é melhor ficar de fora, só apreciando, sem muita intromissão.”
Para ler o artigo completo de Orlando Margarido clique aqui

domingo, 29 de janeiro de 2012

Pinheirinho: o papel do jornalismo independente e as "Dez mentiras que cercam o Pinheirinho"


Está circulando nas redes sociais um vídeo imprescindível. Chama-se: Massacre do Pinheirinho: a verdade não mora ao lado. Acaba de ser produzido, por uma equipe que conhece o poder do jornalismo de profundidade e o pratica, mesmo tendo em mãos meios tecnológicos precários. Seus autores — Cristina Bescow, Yan Caramel, Gabriel de Bacelos e Jefferson Vasques — articulam-se no Coletivo de Comunicadores Populares e na Camará Comunicação Popular (Camaracom).
Para ver o vídeo clique aqui


Para ler o texto de Hugo Albuquerque sobre as “Dez mentiras que cercam o Pinheirinho clique aqui

sábado, 28 de janeiro de 2012

Arquitetura + Engenharia + Equilibrio


Nosso mundo está, sem dúvida, com perda de equilíbrio! É ainda possível restaurar esse equilíbrio? E se a resposta for positiva, durante quanto tempo? Simbolicamente, este desempenho de André Heller, fundador do RIGOLO SWISS NOUVEAU CIRQUE prova seu elevado domínio do controle de seus movimentos físicos e mentais ao capturar aqueles momentos precisos do equilíbrio e da serenidade, que todos nós, em maior ou menor grau, há muito perdemos! O artista começa a construir um gigantesco artefato móvel, altamente frágil, mantendo cada espectador num excitante e elevado suspense! Um momento de felicidade coroa a sucessão de vários equilíbrios. Na assistência, um maravilhoso murmúrio emerge, a respiração de cada um, finalmente, relaxa. Esta felicidade é breve, apenas um momento de fantasia. Após alcançar seu objetivo, o mestre pisa o artefato tão laboriosamente construído para destruí-lo, como se estivesse nos dizendo: “Encontrei o ponto, o objetivo. E não é este equilíbrio que instala um novo desequilíbrio, perturbando nosso destino, nossa segurança?”
Não respire! Nem fale! Nem mesmo pense! Só assista!!! Concentração, equilíbrio e controle. Impressionante e hipnotizante. Sensacional. Para apreciar este desempenho espetacular clique aqui

Salman Rushdie, um gigante literário ainda cercado por preconceitos


Depois de vários dias de rumores, foi confirmado na semana passada que Salman Rushdie cancelou sua participação no Festival de Literatura de Jaipur, na Índia, o maior e mais prestigioso encontro literário da Ásia. Rushdie explicou sua decisão no Twitter: “Disseram-me que a máfia de Mumbai enviou armas para dois atiradores me ‘eliminarem’. Então farei um vídeo-link.” Quem pode culpá-lo? Não há nada como ser alvo de uma trama de assassinato para fazer um vídeo-link parecer a opção mais prudente. Quando se mencionou que Rushdie estaria presente em Jaipur, o Darul Uloom Deoband, um influente seminário islâmico fundamentalista no estado vizinho de Uttar Pradesh, pediu que seu visto fosse cancelado. Mas Rushdie nasceu na Índia, como ele mesmo notou secamente, e não precisaria de visto. Como a abordagem “diplomática” para afastá-lo havia falhado, alguns de seus adversários religiosos recorreram a um meio de censura mais confiável: a ameaça de morte. O fato deprimente é que quase 23 anos depois que o aiatolá Khomeini emitiu sua fatwa (espécie de resposta a um questionamento nas leis do Islã) ordenando a morte de Rushdie, e 13 anos depois que o governo iraniano prometeu parar de apoiar seu assassinato, o romancista ainda é alvo de ordens de execução sumária.
Para ler o artigo completo de Andrew Anthony clique aqui

2012: a crise americana cinco anos depois


A política de Obama de combate à crise foi fundamentalmente uma política de resgate dos grandes, isto é, dos grandes bancos, das grandes indústrias e dos ricos. Foi uma saída que salvou os mais aquinhoados. Mas, que deixou a economia congelada, sem oxigênio no seu mercado de consumo.
Para ler o artigo completo de João Sicsu clique aqui

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pós-colonialidades e hibridismos: os desafios ao pluralismo cultural em Moçambique


Neste trabalho serão analisados, inicialmente, a problemática da pós-colonialidade e do hibridismo, apoiando-se para esse efeito na ciência antropológica e na ciência histórica. Pretende-se mostrar como é ínfima a margem de manobra dos povos saídos recentemente do quadro colonial, como é o caso de Moçambique. Dado que o mundo colonial foi pensado como um mundo dividido em dois, que funcionava segundo uma dialética de exclusão recíproca das identidades nele simetricamente colocadas, o mundo pós-colonial define-se pelo desaparecimento dessa dialética. Ele não está mais dividido em dois, mas mostra-se, antes, em termos de diferenças, de misturas, de hibridismo e de ambivalência.

Em seguida será abordada a questão da diversidade cultural pois, através dela, configuram-se, de modo consciente ou inconsciente, duas posições que desde a independência do país procuram conciliar a construção da unidade nacional com a diversidade cultural. Nessas reflexões será tratada a questão do pluralismo cultural que, para que se verifique plenamente exige, por um lado, a descentralização das decisões e, por outro lado, que as diferentes culturas de grupos, meios sociais, classes e segmentos de classes da sociedade moçambicana mantenham, cada uma, sua especificidade ao mesmo tempo que entram em equilíbrio com as demais, sem que se possa registrar entre elas uma relação de dominância ou, em todo caso, de sufocação.


A análise será finalizada, propondo uma “paz pelo direito”, que respeite ao mesmo tempo o racional e o afetivo, que faça justiça aos vários grupos étnicos e à coletividade.
Para ler o texto completo de José de Sousa Miguel Lopes clique aqui

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Claude Lévi-Strauss: o mitólogo

O antropólogo mais famoso do século XX poderia intimidar qualquer candidato a biógrafo. Claude Lévi-Strauss, que morreu há dois anos, negava que sua pessoa tivesse qualquer interesse. Dizia que lembrava pouco de seu passado e tinha a sensação de que não havia escrito os próprios livros. Segundo suas palavras, ele era apenas uma “encruzilhada passiva” onde “coisas aconteciam”: “Eu nunca tive, e ainda não tenho, a percepção de sentir minha identidade pessoal. Eu me vejo como o lugar onde alguma coisa está acontecendo, mas não existe um ‘eu’.”
Essas afirmativas tampouco eram meras confissões pessoais. Seu sistema intelectual baseava-se numa rejeição radical da significação do sujeito e até mesmo de sua realidade. Essa dupla barreira seria obstáculo suficiente para uma biografia. Mas há outro obstáculo, ainda mais difícil: paradoxalmente, Lévi-Strauss é também autor de um livro de memórias, Tristes Trópicos, uma obra-prima literária incontestável, na qual ele definiu as experiências que considerava decisivas de sua vida. Quem poderia fazer melhor? Com certeza, nenhum cronista convencional. Na cultura francesa, onde há muito tempo a arte da biografia é notoriamente fraca, a única tentativa de traçar um retrato de corpo inteiro do antropólogo, feita por Denis Bertholet em 2003, é testemunho suficiente dessa deficiência.
Patrick Wilcken desafiou todas as dificuldades. Claude Lévi-Strauss: O Poeta no Laboratório, publicado pela editoraObjetiva, é ao mesmo tempo uma biografia e um estudo crítico do pensador do mais alto nível. Gracioso e vívido como narrativa, é também um modelo de apreciação intelectual. Livre tanto do impulso reverencial como da tentação de desmascarar, Wilcken produziu um relato maravilhosamente tranquilo e lúcido da vida e do pensamento de seu biografado.
Para ler o texto completo de Perry Anderson, clique aqui

Uma "redescoberta" da literatura africana no Brasil


A Editora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) colocou no mercado uma nova coleção, Poetas de Moçambique, em que apresenta antologias dos maiores poetas modernos de língua portuguesa e origem moçambicana. Segundo a editora, os autores escolhidos estabeleceram freqüentemente diálogo com a literatura brasileira, especialmente com as obras de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Cecília Meireles (1901-1964), Vinicius de Moraes (1913-1980) e Manuel Bandeira (1886-1968). Os primeiros volumes são dedicados a José Craveirinha (1922-2003) e Rui Knopfli (1932-1997).
Craveirinha, primeiro autor africano galardoado com o Prêmio Camões, em 1991, é um dos nomes fundamentais da literatura moçambicana. Filho de pai algarvio e mãe ronga, é dono de uma obra concisa, que cobre cinco livros publicados em vida e duas coletâneas póstumas, além de dezenas de poemas espalhados em periódicos e antologias. Este livro reúne os principais poemas do autor com nota biobibliográfica de Emílio Maciel.
Para ler o artigo completo de Adelto Gonçalves clique aqui

Contra a ética do varejo - ENTREVISTA / RENATO JANINE RIBEIRO


A polêmica sobre a natureza e a intensidade das carícias sob um certo edredom, numa certa madrugada, ao longo da 12ª edição do Big Brother Brasil, da Rede Globo, perdeu força com o depoimento à polícia da participante supostamente vítima de estupro. Sem se lembrar bem do que ocorrera na noite anterior, num quarto escuro vigiado por câmeras, a moça disse que tudo fora consentido. Mas a discussão não saiu do ar – especialmente entre internautas mais exaltados, via redes sociais. Justificam-se manifestações tão apaixonadas? “Eu jamais defenderia o fim dos reality shows, mas esta é uma oportunidade de discutir os limites desse tipo de programa”, avalia o filósofo e professor da Universidade de São Paulo Renato Janine Ribeiro.
Mestre pela Universidade Paris 1 em 1973 e doutor pela USP em 1984 – ano-título do romance de George Orwell que imortalizou o termo “Grande Irmão”, que dá nome ao programa – Janine Ribeiro concebeu e apresentou uma série de televisão sobre Ética na TV Futura, depois exibida na Globo, e notabilizou-se, em diversos artigos, pela crítica de produtos dos meios de comunicação de massa.
Na entrevista a seguir ele questiona a exploração da intimidade como artifício para alavancar audiência, especula se o direito individual à privacidade é renunciável e repudia o recurso à embriaguez para elevar a temperatura entre participantes de uma competição – aspecto contra o qual se manifestara, na quarta-feira, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-guardião do “padrão Globo de qualidade” e pai de Boninho, diretor do BBB: “Não me atrai esse conceito que eles pegaram da Holanda, em que ficam dando bebida alcoólica e promovendo festinhas”.
Para Renato Janine Ribeiro, é preciso tirar o olho da fechadura dos pequenos escândalos para vislumbrar o que está por trás dessa controvertida fórmula de entretenimento televisivo. “Não adianta abrir mão da ética no atacado e depois exigir um preceito ético num detalhe.”
Para ler a entrevista de Renato Janine Ribeiro clique aqui

Diretor da FAO quer tratar a fome como um tema de guerra

Em entrevista à Carta Maior, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, fala sobre a prioridade da entidade para os próximos anos: a luta contra a fome no mundo. E Graziano quer transformar essa luta numa guerra: "O século XXI não pode conviver mais com a fome. Estou defendendo que a segurança alimentar seja tratada no mesmo nível dos temas tratados no Conselho de Segurança da ONU, ou seja, como um tema de guerra. Essa é uma guerra que vale a pena".
Confira a entrevista concedida por José Graziano da Silva aqui

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Entrevista com o dono da livraria "Poesia Incompleta" - a única livraria (apenas de) poesia de Portugal


Fica no nº 11 da Rua Cecílio de Sousa, em Lisboa, e está aberta de segunda a sábado, das 10h às 19.45h. Para quem quiser ir de metro, a estação mais próxima é a do Rato (linha amarela). Se preferir o autocarro, pode apanhar o 758, que passa no Príncipe Real, embora o 773 e o 790 também possam deixá-lo lá perto. Também se pode ir a pé, ou de trotinete, e chega-se mais depressa. Chama-se Poesia Incompleta e é a única livraria (apenas de) poesia do país, sendo pouco certo que tenha congéneres para lá de Badajoz. O seu sócio principal, patrão, empregado, moço de fretes e fumador com estilo ostenta o nome de guerra Changuito e além de ser uma pessoa com boas ideias é ainda um livreiro de boas práticas. Propusemos-lhe entrevista e não se fez rogado exprimindo-se, de preferência, em verso livre. Agradecemos a Changuito a disponibilidade manifestada. Pela nossa parte, estaremos sempre disponíveis para publicitar quem assim exerce na área da «formação cívica».
Leia a entrevista aqui

Pierre Lévy e suas visões do futuro


Em conferência na USP, o filósofo de origem francesa Pierre Lévy fala sobre a linguagem que desenvolve atualmente – a IEML – e prevê o máximo desenvolvimento das conexões entre o corpo humano e as mídias digitais.
Para ler o artigo completo de Paulo Hebemüller clique aqui

Consumo, corpo e performance no contemporâneo


As relações entre o corpo, o consumo e a mídia hoje são analisadas por Wilton Garcia no texto aqui

A era da reconciliação - Luc Ferry


O sagrado mudou de rosto no Ocidente: não se encarna mais nos ideais pelos quais se matava e morria antes – Deus, a pátria ou a revolução – e se manifesta na preocupação com o ser humano e com o mundo que deixaremos às gerações que nos sucederão, diz em São Paulo o filósofo francês Luc Ferry.
O artigo de Paulo Hebmüller pode ser lido aqui

Fotógrafo revela mundo de cores em gotas d'água


O alemão Markus Reugels captura o mundo por meio de gotas d'água. O fotógrafo amador, que trabalha como instalador de pisos de madeira, diz que suas imagens mostram coisas belas nas quais não pensamos na nossa vida diária ou que não conseguimos ver com nossos próprios olhos. A ideia para a série "Refração" surgiu quando Reugels viu uma foto do Homem-aranha refletido em uma gota. Ele decidiu que queria produzir o mesmo tipo de fotografia. "Achei que seria incrível colocar a Terra em uma única gota", disse ele à BBC Brasil. Para alcançar o resultado, ele usa fotografia em alta velocidade e captura o momento exato em que a gota cai em frente a uma imagem, que pode ser a fotografia de um planeta, do símbolo de um super-herói ou uma imagem abstrata. "A luz, a distância do mapa, tudo precisa estar perfeito. O elemento mais importante é a luz, porque ela dá profundidade à gota." Reugels, 33, começou a fotografar três anos atrás porque queria tirar boas fotos para álbuns de família. Com o tempo, a fotografia virou um hobby importante em sua vida, especialmente a macrofotografia.
Recentemente, ele tem experimentado com cores e com outros tipos de fotografias com água. Para ver mais imagens de Reugels, clique aqui.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A revolta da burguesia assalariada - Slavoj Žižek

Como Bill Gates tornou-se o homem mais rico dos EUA? Sua riqueza nada tem a ver com os custos de produção do que a Microsoft vende: i.e., não é resultado de ele produzir bom software a preços mais baixos que a concorrência, nem de ‘explorar’ seus operários com melhores resultados (a Microsoft paga salários relativamente altos aos operários intelectuais que contrata). Fosse assim, a Microsoft já teria falido há muito tempo: as pessoas teriam escolhido sistemas abertos, como o Linux que são tão bons, ou até melhores, que os produtos Microsoft. Milhões de pessoas continuam a comprar software da Microsoft porque a Microsoft impôs-se, ela mesma, como padrão quase universal, praticamente monopolizou o campo, encarnação do que Marx chamou de ‘intelecto geral’[1], significando conhecimento coletivo em todas as suas formas, da ciência ao saberes práticos. Gates efetivamente privatizou parte do intelecto geral e enriqueceu apropriando-se do lucro que extraiu dessa apropriação.
Para ler o artigo completo de Slavoj Žižek clique aqui

China e Estados Unidos: bem além dos mitos





As relações entre a China e os Estados Unidos são uma grande preocupação dos que se preocupam compolítica (jornalistas, blogueiros, políticos, burocratas internacionais). A análise tradicional vê uma superpotência em declínio – os Estados Unidos – e um país que emerge rapidamente – a China. No mundo ocidental, a relação normalmente é definida como negativa, sendo a China vista como uma “ameaça”. Mas uma ameaça a quem, e em que sentido?
Alguns veem a “emergência” da China como a retomada de uma posição central no mundo — que o país já teve e estaria retomando. Outros enxergam um processo mais recente: a Beijing estaria desempenhando um novo papel nas relações geopolíticas e econômicas no sistema-mundo moderno. Para ler o artigo completo de Immanuel Wallerstein clique aqui

TV GLOBO: Cinismo, niilismo e utopia

Nos seus Manuscritos econômico-filosóficos (1844), Karl Marx argumentou que o capitalismo atua, para produzir mais-valia, associando fluxo não qualificado de dinheiro a fluxo não qualificado de trabalho, o que significa dizer que o capital intervém, no mundo, de forma pragmática, sem se preocupar com a origem das riquezas e de igual maneira sem levar em conta o perfil do “trabalhador” – se é branco, negro, amarelo, alfabetizado, analfabeto, homossexual, heterossexual; adulto, infantil; católico, muçulmano, antiamericano, americanizado, autoritário; libertário, comunista, alienado – desde que, num contexto ou noutro, tais e quais perfis humanos possam ser instigados, ainda que através de estratégicas revoltas, a colaborarem com presentes e futuros empreendimentos favoráveis à produção concentrada de riqueza, sob a forma de monopólio simbólico e produtivo.
O capital só conhece um único valor, a sua autovalorização sem fim, por isso não acredita em Deus e nem em nada, razão pela qual ele é, ante de tudo, cínico, pois, embora não se fundamente senão em si mesmo, ele manipula crenças, identidades, conhecimentos, técnicas, a fim de conseguir seu único e unidimensional objetivo imanente, ainda que nos apresentado de forma transcendental: autovalorizar-se à custa de sofrimentos e exclusões, guerras, indiferenças, genocídios.
O capital é moderno e ser moderno é ter consciência de que, porque morremos, nada nos garante de forma transcendental. Ser moderno é ampliar a consciência da morte individual, “eu morro, nós morremos”, levando às últimas consequências o argumento de que, porque morremos, somos todos iguais, razão pela qual qualquer forma de privilégio constitui um atentado contra o comum que somos, porque morremos.
Para ler o artigo completo de Luís Eustáquio Soares clique aqui

Tragédia na Itália: a metáfora do Costa Concordia

É provável que pouca gente esteja disposta a aceitar que o acidente envolvendo o navio Costa Concordia, junto à ilha de Giglio, na costa italiana, integre um processo de degeneração mais amplo que o considerado à primeira vista. As pessoas preferem a lógica elementar, ainda que, com frequência, ela se mostre incapaz de iluminar suficientemente os acontecimentos. É o bastante para demonstrar que a revolução copernicana não se completou. Quando o Sol nasce, está no horizonte leste. Ao meio-dia, sobre a cabeça de um observador e, no fim da tarde, no horizonte oeste. O testemunho dos sentidos, a lógica elementar, indica que o Sol gira em torno da Terra, e não o contrário disso.
No caso do Costa Concordia, quem conhece um mínimo de navegação sabe, desde as primeiras informações, que: 1) o navio estava fora de rota; 2) o capitão não estava na ponte de navegação. Ou, se estava, esteve alheio às manobras que eram realizadas; e 3) o capitão Francesco Schettino, de 52 anos, 30 deles no mar, é um grande patife (um “merda”, segundo a classificação de um de seus colegas à imprensa italiana).
O que significa dizer que o comportamento de Schettino – traindo um princípio sagrado aos homens do mar ao abandonar covardemente seu navio – não é um ato isolado, mas uma atitude articulada com o que vem ocorrendo na vida pública italiana? Significa que covardias e fugas às responsabilidades na escala exibida pelo capitão do Costa Concordia integram um ambiente maior e, neste sentido, não há como ignorar o deplorável exemplo dado ao longo dos últimos tempos pelo bufão Silvio Berlusconi, só recentemente apeado do poder. E isso, devido à insustentável situação político-econômica a que a Itália chegou. Para ler o artigo completo de Ulisses Capozzoli clique aqui

Visibilidade e poder democrático

A luta entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) define uma nova e importante etapa na democratização do Estado brasileiro. Como previsível, os intocáveis do Judiciário aliam-se aos congressistas e políticos do Executivo, ampliando a campanha contra a imprensa. Novamente o erro é atribuído a quem divulga os males institucionais. A publicidade integra a doutrina e a prática do Estado moderno. Como o Brasil só com boa vontade merece o nome de plena democracia (o nome certo do nosso regime é federação oligárquica), até hoje venceram o privilégio e a impunidade. Descobertos os seus erros, os donos dos palácios desejam aplicar viseiras novas no Ministério Público (MP) e na mídia.

“São proveitosos o ato justo e a obediência às leis, quando existem testemunhas da conduta. Mas se não corre o risco de ser descoberto, o indivíduo não precisa ser justo.” A frase vem do sofista Antifonte (século 5.º a.C.), mas serve com perfeição às nossas elites. O debate sobre a visibilidade do justo ou injusto marca o Ocidente. Platão narra a fábula de Giges: pastor humilde, o herói descobre um anel que, se girado no dedo, o torna invisível. Ele usa tal privilégio para matar o governante, ganhando a rainha e o trono. O mito de Giges ilustra a razão de Estado: o poderoso busca o sigilo para seus atos, mas tenta ver o que se passa nas casas das pessoas “comuns” (sobretudo nos bolsos) e nos países estrangeiros. Nasce daí a censura unida às polícias secretas, à espionagem, ao desejo de impor aos governados normas éticas jamais seguidas pelos dirigentes.
O ideal do governo que tudo enxerga, tudo ouve, tudo alcança é a base histórica das atuais políticas autoritárias. O governante acumula segredos e deseja que os súditos sejam controlados. Desse modo se estabelece a heterogeneidade entre cidadãos e dirigentes.
Para ler o artigo completo de Roberto Romano clique aqui

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

As utopias de Edgar Morin


Em palestra na Sala São Paulo, o pensador francês, Edgar Morin, afirma que é preciso construir um novo caminho para a humanidade, que inclua a integração dos saberes e o equilíbrio entre unidade e diversidade.
Para ler o artigo completo de Paulo Hebmüller clique aqui

Cultura acústica e cultura letrada: o sinuoso percurso da literatura em Moçambique


De que modo os escritores moçambicanos fazem uso das fontes “populares” orais das sociedades que lhe são originários? Como conciliaram até agora uma tradição de cultura oral com uma literatura escrita numa língua europeia? E, assim fazendo, como criaram uma nova cultura – a escrita moçambicana?


Estas são algumas das questões que José de Sousa Miguel Lopes se propõe discutir no texto aqui

BIG BROTHER BRASIL: Por que tanta audiência?


Everardo Rocha é antropólogo. Professor do Departamento de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é autor de vários livros, entre eles O que é etnocentrismo?, Magia e Capitalismo, Representações do consumo, O que é mito? e A sociedade do sonho. A revistapontocom conversou esta semana com o professor. Objetivo: discutir, à luz da Antropologia, o interesse das pessoas pelos reality shows, mas especificamente o interesse dos brasileiros. O debate não é à-toa, a maior rede de televisão do país, a Rede Globo, acaba de estrear a 12ª edição do Big Brother Brasil, que já na primeira semana alcançou as páginas dos jornais e da concorrência com o suposto caso de estupro entre participantes da casa.
Como explicar a audiência? Qual é o impacto do programa no dia a dia das pessoas? O que dizer das críticas que a programação recebe? Trata-se de um reality show ou é mais um entretenimento narrativo ficcional?
Confira as principais ideias do professor aqui

ASSALTO ORQUESTRADO - um bem humorado curta metragem dinamarquês


Uma “orquestra de assaltantes”, constituída por um “maestro” e três “músicos” demolidores atua, de forma sincrônica, com uma verdadeira orquestra de música sinfônica. É este o tema deste pequeno filme dinamarquês “Olsen Gang” realizado por Erik Balling em 1972  e com a duração de 9 minutos. O resultado é hilariante. Veja aqui

Pinheirinho: "Direita oligárquica não descansa", diz Boaventura

Em Canoas para uma oficina da universidade Popular dos Movimentos Sociais, evento pré-Fórum Social Temático, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos condenou duramente a ação de reintegração de posse autorizada pela justiça paulista e executada pelo governo de Geraldo Alckimin (PSDB). "A violência é um recado da direita oligárquica, que não descansa, a todos os movimentos sociais que lutam por seus direitos", disse Boaventura.
Veja a fala de Boaventura de Sousa Santos no vídeo aqui

domingo, 22 de janeiro de 2012

O Homem e a Natureza em movimento


Uma sequência de imagens incríveis (algumas de tirar o fôlego) podem ser vistas no vídeo aqui

#StopSOPA: hipóteses sobre a luta pela internet livre


Na noite de quarta-feira (18/1), quando alguns dos sites de maior audiência no planeta ainda exibiam os símbolos da campanha contra as leis de censura em debate nos EUA, surgiram os primeiros sinais claros de vitória. Diversos parlamentares, de ambos os partidos, que apoiavam os projetos denominados SOPA [1] (na Câmara de Representantes) e PIPA [2] (no Senado), anunciaram (no Twitter ou Facebook…) que estavam revendo suas posições. No Senado, a mudança de clima teve sabor de um gol nos últimos suspiros do segundo tempo. Há poucas semanas, o Comitê Judiciário (semelhante à Comissão de Constituição e Justiça no Brasil), havia aprovado a PIPA – por unanimidade e sem nenhuma controvérsia. A votação final começaria na semana que vem. Está suspensa. Mesmo os principais defensores do projeto agora se dizem favoráveis a “decidir sem pressa”.
Não foi, evidentemente, um resultado definitivo. Há mais de uma década, a internet está na mira de grandes corporações que não aceitam o compartilhamento livre de bens culturais – porque ganham dinheiro vendendo o que poderia ser de todos. Mesmo a SOPA e a PIPA não morreram: estão “esperando nas sombras”, como alerta a Wikipedia, em nota divulgada quinta-feira para celebrar e agradecer a mobilização dos internautas contra as leis.
Um sinal de que a disputa será longa e bruta deu-se já na quinta-feira. Uma mega-operação conjunta do Departamento de Justiça dos EUA e do FBI fechou, sob acusação de pirataria, o site MegaUpload. Era um espaço muito popular para troca de conteúdo digital entre internautas (72ª maior audiência da internet, segundo o comparador Alexa). Seu bloqueio deu-se com base em legislação já existente. Teve dimensão internacional: quatro pessoas estão presas na Nova Zelândia, por “crimes” (operar os servidores do site) que podem resultar em 55 anos de prisão. Foi consequência de uma ação movida contra o Megaload pelos cartéis da indústria cultural; Tiveram seu prêmio de consolação… [3]
Pelo menos dois grandes motivos convidam a examinar em profundidade a grande jornada de quarta-feira e seu resultado. Há muito em jogo: SOPA e PIPA poderão desencadear, se aprovadas, uma onda de proibições e limites capaz de desfigurar o que o sociólogo Manuel Castells como a “cultura de liberdade” na internet. Par ler o artigo completo de Antonio Martins clique aqui

sábado, 21 de janeiro de 2012

O poder da liberdade e da imaginação: conversando com escritor turco Orhan Pamuk, Prêmio Nobel de Literatura de 2006

Lemos romances porque temos a sensação de que falta algo em nossa vida e porque queremos nos sentir em casa na Terra, diz em conferência em São Paulo o escritor turco Orhan Pamuk, Prêmio Nobel de Literatura
A primeira edição paulista do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento – realizado desde 2007 em Porto Alegre e que estreou em São Paulo no ano passado – foi encerrada no dia 6 de dezembro com a palestra do escritor turco Orhan Pamuk, Prêmio Nobel de Literatura de 2006. O Nobel, aliás, motivou uma das respostas mais bem-humoradas do escritor no debate que se seguiu à conferência. O jornalista Mario Vitor Santos, ex-ombudsman da Folha de S. Paulo e diretor da Casa do Saber, uma das apoiadoras do projeto, perguntou se não haveria um lado ruim ao ganhar o prêmio – pelo risco do que qualificou como “o nome do escritor ficar tão grande a ponto de obstaculizar ou obscurecer o que ele gostaria de falar”. Pamuk respondeu: “A única coisa ruim do Nobel é que todos me perguntam o que há de ruim no Nobel. Nunca vi nada de mau no meu prêmio, nem no de ninguém mais. O Nobel é um bom prêmio e eu o recomendo a todos.” Seguiram-se muitas risadas e aplausos do público.
Para ler o texto completo de Paulo Hebmüller clique aqui

A importância do livro para a educação e o desenvolvimento

No final de 2011, quando as agências internacionais noticiaram que a economia brasileira já era a sexta do mundo, ultrapassando a da Inglaterra, num primeiro momento houve euforia. A seguir, analistas nacionais e internacionais ponderaram que ainda falta muito para o país chegar ao nível de qualidade de vida e infraestrutura existentes nas nações mais desenvolvidas.
Ao lado de fatores como renda per capita muito mais baixa e problemas com transportes, saneamento (como mostram as recentes inundações, que se repetem todos os anos), um especial se destacou: a educação. Hoje, no Brasil, um dos aspectos que ainda retardam o crescimento é a falta de mão de obra especializada e um ensino de alta qualidade. Ora, todos sabemos que só por meio do aprendizado conquistamos a verdadeira plenitude, que alia a qualidade de vida profissional e pessoal e nos completa como cidadãos.
Para ler o artigo completo de Dieter Bandt clique aqui

Bonga – Entrevista e músicas do mais importante cantor de Angola

Há 40 anos que faz música de Angola, tem quase 500 temas gravados e muitos quilómetros de estrada. Sente-se hoje compensado por todo esse esforço e colaboração. O novo disco de Bonga, Hora Kota, apela à mais profunda identidade africana, valorizando ensinamentos e princípios ancestrais, na escuta das estórias dos mais-velhos, que podem contribuir com alguma clarividência num mundo confuso e conflituoso como aquele em que vivemos. Este cantor, que tantas vezes se tem confundido com a própria voz de Angola, sempre esteve atento à realidade do seu país, preservando e divulgando a tradição musical do semba. “Tal como o Brasil tem samba e a América rock, Angola tem semba. É a música na qual fui embalado.” O seu caminho musical pautou-se por esse respeito à “origem, tradição e pulsação do semba”, levando-o ao mundo.
Uma conversa num hotel em Lisboa com o compositor e cantor angolano, no seu jeito provocador e expansivo, um longo percurso que fala por si.
Leia o texto de Marta Lança aqui e
ouça duas músicas do último Álbum "Hora Kota" (2011): "Boto Boto" aqui e "Kambuà" aqui

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A profunda vinculação com a experiência humana das literaturas africanas

Entrevista à professora Simone Schimidt, académica brasileira, que tem desempenhado ao longo da sua carreira um papel fundamental para os estudos de género, nomeadamente na REF (Revista Estudos Feministas). É bastante profícua a sua produção científica no âmbito das teorias feministas e pós-coloniais, das quais destaco: “Como e por que somos feministas”, (Revista Estudos Feministas, 2004), “Uma casa chamada exílio” (Revista Gragoatá, 2005), “Navegando no Atlântico Pardo ou a ‘lusofonia’ reinventada” (Revista Crítica Cultural, 2006), “Niketche, uma dança para muitos corpos” (Susana B. Funck e Luzinete S. Minella (orgs.), Saberes e Fazeres de Gênero: entre o local e o global. Florianópolis: Editora da UFSC, 2006), mais recentemente “Desmundo, desmando, desencanto” (Portuguese Cultural Studies, 2007), “Oropa, França e Bahia, ou quando as madames viajam” (Revista Uniletras, 2007) e “De volta pra casa ou o caminho sem volta em duas narrativa do Brasil” (Revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, 2008). Feminista assumida, desde cedo revelou o seu fascínio pelo triângulo e trânsitos entre África-Portugal-Brasil que nos aproximam. Deles falaremos oportunamente, certo que os laços académicos foram sendo estreitados no curso da sua formação académica de que salientaria o Pós-doutoramento feito na Universidade Nova de Lisboa.
Para ler a entrevista clique aqui

A cena do Big Brother é um problema do Brasil


Às vezes repetir um argumento cansa. Quando os interlocutores não estão dispostos a abandonar seus próprios preconceitos e aprender um pouco, ainda mais. A repetição é exaustiva. Pois é assim que me sinto hoje, escrevendo esta coluna para o Outras Palavras. Um assunto que vai e vem e que não é resolvido praticamente em país nenhum: estupro de vulnerável.
Provavelmente muitos leitores daqui ouviram por alto — e sequer acompanham ou se preocupam com o Big Brother Brasil. Outros devem ser da opinião de que a indignação com o caso de estupro registrado pelas câmeras do programa no final de semana seria mais útil para expulsar o Sarney do Senado. Aí é que se enganam.
A opressão de gênero, que se utiliza frequentemente de violências sistemáticas como o estupro ou o controle sobre o corpo para se manter, independe do Senado, do sistema político, da economia, do tipo de organização social, do sistema produtivo. Achar que a corrupção deve ser mais importante do que isso, é a verdadeira falácia. Se vocês assistem Big Brother Brasil ou não, entendam: discutir o que ocorreu no programa não é apenas discutir o que ocorreu no programa. É discutir uma prática constante de violência sexual de gênero que assola todos os grupos sociais no Brasil e fora dele.
Para ler o artigo completo de Marília Moschkovich clique aqui

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