sexta-feira, 29 de março de 2013

Drogas: a lei medieval em debate no Congresso e como enfrentá-la

Está para ser votado na Câmara dos Deputados o projeto de lei 7663, de autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), considerado por muitos especialistas em psicoativos como um tremendo retrocesso. Punição aos usuários, reforço do modelo manicomial de segregação e desrespeito aos direitos humanos, implantação do denuncismo vazio em escolas por suspeita de uso de drogas, aumento de penas sem um debate mais amplo. Segue, assim, o padrão das políticas públicas brasileiras: aumentar a punição ao invés de instituir o debate e meios de prevenção.
Mauricio Fiore, antropólogo, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP), é autor de diversos trabalhos sobre uso de substâncias psicoativas e um dos maiores especialistas brasileiros no tema.
Para ler a entrevista de Mauricio Fiore clique aqui

Como os ingleses reagiram aos abusos da mídia

Quatro meses depois da publicação do Relatório Leveson (ver “Alguma lição para o Brasil?“), os três principais partidos ingleses – Conservador, Trabalhista e Liberal Democrata – anunciaram em 18/3 o fechamento de um acordo para regulação da imprensa (jornais, revistas e internet) no Reino Unido.
A nova instância, independente do governo e das empresas de mídia, substituirá a agência autorreguladora Press Complaints Commission, formada por integrantes da própria imprensa, que o Relatório Leveson considerou incapaz de coibir os crimes cometidos pela imprensa britânica além de funcionar, na prática, como um lobby dela mesma, a imprensa.
Para ler o atigo completo de Venício A. de Lima clique aqui

O laboratório de uma nova cultura política

Liberdade, união, igualdade, autonomia, possibilidade de errar. Com a experiência de quem ajudou a criar o Fórum Social Mundial – cuja 12ª edição termina neste sábado, 30, na Tunísia –, e uma visão que atravessa décadas de participação em movimentos políticos, o arquiteto e ativista Chico Whitaker fala sobre os valores que sustentam uma nova cultura política.
“Novas formas de organização dos que querem mudar o mundo implicam ter redes funcionando, autonomia de todos os membros e um sistema decisório por livre consenso”, diz ele. “A rede é um processo, uma ligação horizontal entre as pessoas em que a comunicação se dá entre todos e a adesão a uma proposta se faz por convicção — não por hierarquia, disciplina ou ordem”, diz. “A novidade é exatamente a possibilidade de lançar convites no ar e ver quem vem.”
Para Chico, a cultura política que os Fóruns Sociais expressam é anterior a eles e está também presente em fenômenos de grande repercussão global, como a Primavera Árabe, e movimentos como os dos Indignados e o “Occupy”.
Para ler a entrevista de Chico Whitaker clique aqui

quinta-feira, 28 de março de 2013

O romance fantástico de Marcos Peres

Em 2010, em um texto sobre a produção literária maringaense publicado no site do projeto Contos Maringaenses, escrevi que Marcos Peres era “um escritor do fantástico em ascensão”. Nos últimos três anos, Peres tem sido responsável por criativas histórias publicadas no Contos. Alguns desses contos foram republicados em sites de cultura independente, como o Nego Dito. Seus textos, porém, têm circulado apenas entre um pequeno círculo intelectual de Maringá e região, formado por escritores e críticos da pacata Space City (utilizando aqui a expressão do Nelson Alexandre, um dos nomes fortes do norte do Paraná). De fato, há toda uma produção literária alternativa circulando por meios virtuais e físicos, afastada dos veículos editoriais tradicionais.
Entretanto, esse perfil underground de Marcos Peres indubitavelmente vai mudar. Nessa semana, ele foi contemplado com o Prêmio Sesc de Literatura, na categoria melhor romance. Dentre os 37 finalistas, a obra O Evangelho Segundo Hitler foi considerada a mais criativa e estimulante, arrebatando a premiação nacional. Como resultado da premiação, o livro será publicado pela Editora Record. Em muito breve, os leitores brasileiros terão o prazer de conhecer o estilo de escrita do jovem Peres.
A notícia do prêmio do Sesc foi divulgada pelo crítico literário José Flauzino Alves, que, além de revisar o manuscrito de O Evangelho Segundo Hitler, também analisou os originais de Nihonjin, de Oskar Nakasato, vencedor do prêmio Jabuti de 2012. Na noite de sábado (16/03), Flauzino – um crítico que tem acompanhado de perto os escritores do Contos Maringaenses – escreveu: “Honradamente, o prêmio é merecido pelo Marcos. Dono de uma imaginação prodigiosa, dá-nos uma trama inteligente. O livro surpreende. E mais: o cara nem 30 anos tem. Está só começando. Sua literatura há de amadurecer”.
Os elogios de Flauzino não são exagerados. A imaginação de Marcos é realmente prodigiosa. Aliás, o título do livro premiado é genial. Quem não ficaria curioso com o conteúdo de um livro com o título O Evangelho Segundo Hitler? A obra de Marcos Peres, entretanto, não possui semelhança com a polêmica publicação de José Saramago. O livro homenageia os escritores que brincam com elementos fantásticos, como Umberto Eco e Jorge Luis Borges, através de uma trama embevecida em teorias conspiratórias que une dois personagens contemporâneos.
Entrevistei o escritor Marcos Peres pela internet nesta noite de sábado. Neste breve bate-papo, ele responde algumas questões sobre suas influências, sobre o livro premiado e sobre a produção literária de Maringá. A conversa mostra a honestidade intelectual de Peres e seu sentimento de gratidão com a criação colaborativa proporcionada pela literatura.
Para ler a entrevista de Marcos Peres clique aqui

Notas sobre «Caderno de Memórias Coloniais»

O livro de Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais, tem uma forte dimensão pessoal, mas enquadra-se nas análises profundas – que Portugal tem pretendido ignorar – sobre o “nosso colonialismo inocente”1, pensado por Eduardo Lourenço, ficcionalmente trabalhado por Hélder Macedo no romance Partes de África, 1991, e por António Lobo Antunes, em O Esplendor de Portugal, de 1997. Em 1991, Partes de África constituía um livro pioneiro neste aspecto, “inclassificável” na ficção portuguesa de então e, à semelhança, de Caderno, de Isabela Figueiredo, era fundado sobre um diálogo póstumo com a figura do pai, transfigurada ora na nação portuguesa, ora na própria imagem do colonialismo português em África. Mais tarde, O Esplendor de Portugal trazia a discussão sobre a questão identitária do colonizador e do ex-colonizador, não tanto a partir da análise das relações desiguais de poder, como em Caderno de Isabela Figueiredo, mas a partir da fracturada relação de pertença/ posse dos sujeitos brancos à terra de Angola outrora colonizada, deixando-os a todos sem lugar. Resumindo, todos estes livros mostram, a partir de diferentes posicionamentos, o quanto a descolonização não tinha sido apenas um movimento a sul, que emancipou os países colonizados, mas também um movimento que atingiu radicalmente o continente colonizador que foi a Europa e, no caso sob análise, Portugal.
Para ler o texto completo de Margarida Calafate Ribeiro clique aqui

quarta-feira, 27 de março de 2013

Submissões, permissões e pactos: das "democracias" liberais, ditaduras e totalitarismos à possibilidade de pactos democráticos não hegemônicos

O capitalismo tem sido capaz de, até o momento, resignificar os símbolos e discursos de rebeldia e luta em consumo. Assim o movimento Hippie e Punk foi limitado aos símbolos de rebeldia controlados, onde as calças rasgadas já vem rasgadas de fábrica e os cabelos são pintados com tintas facilmente removíveis; Che Guevara é vendido na Champs Elisée e os pichadores e grafiteiros expõem no Museu de Arte de São Paulo. Tudo é incorporado, domado e pasteurizado. A "diversidade" está em uma praça de alimentação de Shopping Center ou no Epcot Center, onde é possível comer comidas de diversos lugares do mundo com um sabor e tempero adaptados ao nosso paladar. Da mesma forma funciona a democracia parlamentar (democracia liberal ou liberal social representativa e majoritária). As opções são limitadas, e os partidos políticos, da esquerda "radical" a direita "democrática", se parecem com a diversidade de comidas com tempero parecido dos Shopping Centers. Escolher entre esquerda e direita, especialmente nas "democracias" "ocidentais" da Europa e EUA (ou Canadá e Austrália) dá no mesmo. Muda o marketing, as caras e as roupas, muda a embalagem, mas o conteúdo é muito semelhante.
Para ler o texto completo de José Luiz Quadros de Magalhães clique aqui

terça-feira, 26 de março de 2013

SEBASTIÃO SALGADO: Um dos mais prestigiados fotojornalistas do mundo


Sebastião Salgado (1944) é um fotógrafo brasileiro reconhecido mundialmente por seu estilo único de fotografar. Nascido em Minas Gerais, é um dos mais respeitados fotojornalistas da atualidade. Nomeado como representante especial do UNICEF em 3 de abril de 2001, dedicou-se a fazer crônicas sobre a vida das pessoas excluídas, trabalho que resultou na publicação de dez livros e realização de várias exposições, tendo recebido vários prêmios e homenagens na  Europa e no continente americano. "Espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair" diz Sebastião Salgado. "Eu acredito que uma pessoa comum pode ajudar muito, não apenas doando bens materiais, mas participando, sendo parte das trocas de ideias, estando realmente preocupada sobre o que está acontecendo no mundo".
É um dos grandes nomes da fotografia mundial, com uma premiada obra marcada pelo olhar original e pela preocupação com as camadas mais desfavorecidas da sociedade. Entre seus livros destacam-se: Outras Américas (1986), que retrata as condições de vida dos camponeses latino-americanos; Trabalhadores (1993); e Terra (1997), que trata da questão agrária no Brasil. Em 2000, deflagra o projeto Êxodos, em que percorre o mundo expondo fotos, realizadas em 47 países, sobre a migração do campo para as cidades.
Pode ver algumas de suas fotos presentes no vídeo clicando aqui

ENTREVISTA / FÁBIO KONDER COMPARATO: “O poder capitalista na Comunicação é contrário à dignidade humana”

Unidade entrevistou o jurista Fábio Konder Comparato, professor doutor titular aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, doutor em Direito pela Universidade de Paris e doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra sobre os meios de comunicação brasileiro.
Leia a entrevista clicando aqui

O marketing como ferramenta do jornalismo

Jornalismo e marketing são áreas que erroneamente sempre foram classificadas – e ainda são – como disciplinas opostas. De um lado teríamos o segmento que lida com informações, factuais ou não, e que procura transpassar um tipo de conteúdo para um público que sempre espera transparência, honestidade, imparcialidade e, acima de tudo, um público que “deposita” sua confiança no olhar daqueles determinados profissionais da imprensa. Do outro lado do muro ficariam os profissionais que fariam de tudo com o único objetivo de vender, vender e vender. Seria a lógica dos mocinhos e bandidos, um olhar romântico e extremamente pobre.
Bom, na definição de Kotler, “marketing é a função dentro de uma empresa que identifica as necessidades e os desejos do consumidor, determina quais mercados-alvo a organização pode atender melhor e planeja produtos e serviços adequados para satisfazer estes mercados de uma forma mais eficiente do que os seus concorrentes”. Na prática, o jornalismo tem em suas atividades mais rotineiras todos esses conceitos apresentados na definição.
Mas vamos por partes. O jornalismo sempre identificou necessidades e desejos do consumidor (leitor) toda vez que procurou lançar novas publicações específicas no mercado, seja uma revista segmentada, um programa de rádio ou até mesmo um jornal voltado para um público com maior ou menor poder aquisitivo. O direcionamento que uma publicação toma tem como base o estudo da viabilidade de mercado, ou seja, nenhuma empresa de mídia iria apostar em um caderno especial ou uma revista se não existisse a menor possibilidade de que alguma parcela significativa de público fosse atingida.
Para ler o texto completo de Cleyton Carlos Torres clique aqui

ENTREVISTA / ROSENTAL CALMON ALVES: “Estamos outra vez vivendo uma era Gutenberg”

O professor de jornalismo online Rosental Calmon Alves é taxativo ao dizer que estamos vivendo uma revolução tecnológica que afeta profundamente a educação e o jornalismo, como também todos os outros setores da sociedade. “Um momento revolucionário com muito poucos paralelos na história da humanidade”, afirmou ao Porvirem uma conversa em seu escritório no Belo New Media Center, na Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos, na semana em que lançava o segundo Mooc para jornalistas sobre cobertura de eleições. “Ontem tive uma reunião com colegas e soube que muitos professores responderam uma pesquisa dizendo que viam osMoocse o ensino online como uma ameaça para torná-los obsoletos, o que demonstra uma falta de informação.”
Rosental é brasileiro, foi correspondente do Jornal do Brasil na Espanha, Argentina, México e Estados Unidos, e responsável por lançar a versão on-line do jornal, o primeiro do país a ser disponibilizado na internet. Ele também foi o primeiro jornalista escolhido como Knight Chair de jornalismo internacional pelo James L. and John S. Knight Foundation, de quem recebeu recursos para fundar o Centro Knight de Jornalismo para Américas, que hoje coordena.
Para ele, cobrar ou não conteúdo, usar as redes sociais como fonte de informação, são questionamentos que foram levantados há alguns anos, com a expansão da internet, sobre o futuro do jornalismo, e que hoje são válidos também para a educação. “O que está acontecendo com os jornais hoje, e que já havíamos previsto há 10 anos, vai acontecer com a educação amanhã.”
Confira a entrevista de Rosental Calmon Alves na íntegra clicando aqui

Brasil de “fé” e circo

Promessas humanas de ordem e de paz: ao longo da história, o planeta vivenciou episódios violentos, como a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que vitimou milhões e marcou sequelas irreparáveis após a explosão da bomba atômica. No cenário brasileiro, um dos principais períodos de conflito se escreve nas páginas de repressão do regime militar, que vigorou no país na época de 1964 até 1985, quando os últimos vestígios da ditadura foram apagados pela emenda constitucional. Exércitos e grupos extremistas fazem munição da vida humana para defender ideologias e impor seu poder sobre as civilizações.
Cada gota de sangue derramada nunca é suficiente para matar a sede dessas pessoas, homens e governos movidos poder econômico e moral. No Brasil, acreditávamos estar livres de tais cenas de tortura, mas o que se tem presenciado com bastante intensidade é uma série de comandos, projetos e declarações combativas que atentam os direitos humanos e caminham na direção de uma “Nova Guerra Fria”, cuja principal bandeira passa pelos territórios da sexualidade humana.
Para ler o texto completo de Jo Fagner clique aqui 

segunda-feira, 25 de março de 2013

OCTAVIO PAZ: "Antes do começo"



 Antes do começo
 
Ruídos confusos, claridade incerta.
Outro dia começa.
Um quarto em penumbra
e dois corpos estendidos.
Em minha fronte me perco
numa planície vazia.
E as horas afiam suas navalhas.
Mas a meu lado tu respiras;
íntima e longínqua
fluis e não te moves.
Inacessível se te penso,
com os olhos te apalpo,
te vejo com as mãos.
Os sonhos nos separam
e o sangue nos reúne:
Somos um rio que pulsa.
Sob tuas pálpebras amadurece
a semente do sol.
O mundo
No entanto, não é real,
o tempo duvida:
Só uma coisa é certa,
o calor da tua pele.
Em tua respiração escuto
as marés do ser,
a sílaba esquecida do Começo.
 
Octavio Paz

Programa Universidade para Todos: democratizar ou mercantilizar?

A expansão das matrículas do ensino médio, o recrutamento de força de trabalho pelo capital e as mobilizações de estudantes e docentes em prol de uma reforma universitária tornaram improrrogável a questão da democratização do acesso à educação superior. O crescimento econômico motivou a emergente classe média a investir – como o passaporte para a mobilidade social – em cursinhos pré-vestibulares para garantir o acesso de seus filhos à universidade. Os estudantes excedentes (aprovados, mas sem vagas) saíram às ruas em protestos que abalavam a imagem do “Brasil potência”.
Diante das pressões, o governo argumentou que as vagas públicas não poderiam atender prontamente à demanda. “Sensível” aos reclamos sociais, induziu a abertura de vagas no setor privado, em instituições universitárias ou não (uma firula, diante da causa democrática), por meio de pesadas isenções tributárias e empréstimos estudantis fortemente subsidiados pelo poder público. Assim, o anseio dos estudantes poderia ser realizado “aqui e agora”. Ao mesmo tempo, contemplaria os interesses capitalistas dos empresários da educação, segmento que demonstrara força política no processo de elaboração da Lei de Diretrizes e Bases.
Para ler o texto completo de Roberto Leher clique aqui

TELEVISÃO - Reality Show: mais real do que se gostaria


Enquanto estudava a exploração no mundo do trabalho, a socióloga Silvia Viana enxergou aquilo que estava pesquisando nos reality shows. O tema virou seu doutorado e foi lançado o livro Rituais de sofrimento, no qual ela revela que a sociedade tem mais semelhanças com o ambiente cruel e brutal dos BBBs do que se imagina.
Para ler a entrevista  de Silvia Viana clique aqui
 

Iraque dez anos depois: a guerra é um grande negócio!

Dez anos depois, está claro que a estratégia do presidente George W. Bush fracassou: os EUA e seus aliados não conseguiram alcançar os objetivos anunciados e as consequências da operação militar foram desastrosas, seja do ponto de vista moral, econômico ou militar. Mas o que o discurso sobre a derrota dos EUA não revela é que essa guerra foi e continua sendo uma grande vitória para alguns.
A análise de Reginaldo Mattar Nasser pode ser lida clicando aqui

domingo, 24 de março de 2013

Fred Astaire e Eleanor Powell: o melhor número de sapateado do cinema


A dança de Eleanor Powell e Fred Astaire, no filme Melodia da Broadway, de 1940, sapateando "Begin the Beguine", de Cole Porter é, na opinião de especialistas, é o melhor número de sapateado  do cinema. A dança foi filmada, sem cortes, num registo único. Como diz Frank Sinatra no áudio sobreposto, "nunca mais se verá algo assim".
É ARTE PURA! Apreciem clicando aqui

Até o mainstream já questiona as patentes

O sistema de patentes deveria ser abolido, porque sufoca a inovação, e a vantagem de chegar primeiro ao mercado com uma nova tecnologia já é suficiente para garantir ao inventor o retorno de seu investimento, diz artigo de autoria de dois economistas do Fed, o banco central dos Estados Unidos, publicado na edição do inverno de 2013 do periódico Journal of Economic Perspectives.
De acordo com Michele Boldrin e David Levine, que também são autores do livro Against Intellectual Monopoly, publicado em 2008 e que põe em questão o valor social não só das patentes, mas também dos direitos de propriedade intelectual como o copyright de músicas e filmes, “não existe evidência empírica de que as patentes servem para aumentar a inovação ou a produtividade, a menos que se identifique produtividade com o número de patentes concedidas”.
Eles afirmam que não há correlação entre o número de patentes e a produtividade real da economia. Outro artigo publicado na mesma edição do periódico, de autoria de Petra Moser, da Universidade Stanford, faz uma análise da história da relação entre inovação e leis de patentes e chega a uma conclusão parecida: “No geral, o peso da evidência histórica (…) indica que políticas de patente, que garantem fortes direitos de propriedade intelectual às primeiras gerações de inventores, podem desencorajar a inovação”.
“A solução que propomos é abolir as patentes por completo, e identificar outros instrumentos legislativos menos abertos ao lobby e ao rentismo, para estimular a inovação onde houver clara evidência de que a plena liberdade de mercado não a fornece em escala suficiente”, escrevem Boldrin e Levine em seu artigo.
Para ler o texto completo de Carlos Orsi clique aqui

Os últimos anos do proibicionismo

Realizado todos os anos, o encontro da Comissão sobre Drogas Narcóticas da ONU (CND, em inglês) é, há mais de cinco décadas, uma reunião sem surpresas. Representantes de dezenas de países assumem rotineiramente o compromisso de manter proibida uma longa lista de substâncias psicoativas consideradas “ilícitas” — e de reprimir com dureza seu consumo e comércio. Porém, nesta semana, quando a comissão realizou, em Viena, seu 56º encontro, o script foi quebrado. O secretário da Presidência do Uruguai, Diego Cánepa, defendeu a legalização e regulamentação do uso da maconha, previstos por um projeto de lei que tramita em seu país.
Pouco usual nas sessões da CND, a fala de Cánepa reflete, contudo, um movimento que se espalha e pode tornar-se irreversível em breve. Na América do Sul, Europa e Estados Unidos, um vasto conjunto de iniciativas está questionando o proibicionismo — política que sugere o banimento absoluto de drogas como a maconha, a cocaína, o haxixe e o ópio, e até mesmo das plantas de que são derivadas. Não se trata de protestos de pequenos grupos, mas de uma mudança rápida na opinião das sociedades sobre o tema e também no comportamento dos governos e legisladores. Consenso até há bem pouco, o proibicionismo tornou-se um barco com o casco cheio de buracos e remendos. Nos próprios anos e décadas, será provavelmente substituído por novas políticas — ainda que a mudança seja lenta e penosa.
Para ler o texto completo de Gabriela Leite clique aqui

ROSA LUXEMBURGO: A atualidade de uma marxista rebelde

Para transformar a vida, pensava Rosa, as sociedades precisavam enxergá-la; deviam superar a alienação, a repetição quase inconsciente de relações consolidadas ao longo do tempo. Esta lenta conquista de autonomia exige, é claro, abertura ao debate, à crítica e à polêmica. Por isso, Rosa, embora aliada a Lênin na luta contra o amortecimento e burocratização do marxismo, no início do século 20, divergiu abertamente das tendências centralizadoras do revolucionário russo. Em consequência, “foi posta no índex dos partidos comunistas”, diz Isabel Loureiro.
Mas esta combinação de rebeldia contra o capitalismo e desejo de valorizar a autonomia não fará de Rosa uma autora a ser estudada com atenção especial em nossos dias? Sua obra não será, de certa forma, um convite a rever a obra de Marx e reinventar seus sentidos? Isabel pensa que sim. Construiu o curso que começa hoje buscando recuperar, precisamente, as possíveis contribuições da marxista assassinada em 1918 a uma época marcada por reviravoltas na América do Sul, grandes mobilizações da juventude em todo o mundo e… necessidade de construir alternativas.
Para ler a entrevista de Isabel Loureiro clique aqui

O nacionalismo militante em o "Livro dos rios", de José Luandino Vieira

A expressão “nacionalismo militante” confunde-se, em conceito, com o termo “resistência” - já pensado e formulado entre os anos 1930 e 50, quando vários intelectuais se engajaram na luta contra o fascismo, nazismo, franquismo, salazarismo e, sobretudo contra o colonialismo. Ao longo desses anos firma-se uma frente de carácter libertador que, nas lutas de guerrilha, procura a libertação do jugo colonial. É um período muito candente, de união de forças, esforço intelectual e popular, pressistente na memória dos escritores ou narradores e que produz a chamada literatura militante ou de resistência. A literatura assume uma face neo-realista e os escritores despem-se de preconceitos, crenças, origens e raças desiguiais e tiram partido do imaginário e das experiências para plasmarem uma linguagem aderente ao real e aos valores do progresso, justiça e liberdade. O neo-realismo da literatura significa também a libertação das normas de escrita mais convencionais.
O nacionalismo politico-militante procura também a revolução no plano da narrativa e numa estilização da linguagem. O espírito inquieto das vanguardas, desse tempo conturbado, exige uma escolha sóbria, lúcida, sem ilusões literárias, sem individualismos exagerados, comprometida apenas com o que liberta o homem do jugo colonial. As opções de cada escritor, por mais diferenciadas que fossem, provêm todas de um mesmo pano de fundo, de uma mesma base, de uma mentalidade anticolonial gerada dialecticamente como um grande não lançado à ideologia dominante.
Para ler o texto completo de Francisco Kulikolelwa Edmundo clique aqui

Quem dá mais? Brasil à venda: Preços módicos!


O enredo é vendido, para os incautos e desavisados, como a busca da chave encantada, que serviria de ingresso pleno para o paraíso. Afinal - já pensou que maravilha? - o Brasil estaria sendo muito bem aceito lá fora, sempre atuando como plataforma cordial de ganhos assaz interessantes para o capital financeiro.
Para ler o artigo completo de Paulo Kliass clique aqui

A obesidade e a indústria do emagrecimento

A obesidade tem sido considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um problema de saúde pública mundial. Alguns estudos afirmam que esse problema tem se agravado, o que tem gerado custos significativos para o sistema de saúde pública no Brasil e no mundo. Assim, essa tem sido uma preocupação constante da comunidade científica, bem como dos profissionais da área de saúde. Uma evidência significativa disso são os estudos sobre prevalência e incidência da obesidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo.
Para ler o artigo completo de Tadeu João Ribeiro Paptista clique aqui

sábado, 23 de março de 2013

Tributo a Emílo Santiago - "Saigon" & "Insensatez"



Uma das mais belas vozes da música brasileira acaba de nos deixar. Aqui duas de suas mais famosas interpretações.
Para escutar "Saigon" clique aqui
Para escutar "Insensatez" clique aqui

terça-feira, 19 de março de 2013

Milésima postagem no blog “Navegações nas Fronteiras do Pensamento”

Hoje, dia 19/03/2013, o blog “Navegações nas Fronteiras do Pensamento” insere a sua milésima postagem, em menos de dois anos de funcionamento. No dia de sua primeira postagem (13/05/2011) na carta de apresentação de seus idealizadores, referia-se que se pretendia:

...o estabelecimento de enfoques dialógicos e, porque não - quando a necessidade assim o exigir - o desencadeamento de “enfrentamentos” ao lugar comum, ao definitivamente aceite, visando fazer emergir novas e estimulantes perspectivas de olhar o mundo em facetas até então ignoradas ou obscurecidas pelo pensamento hegemônico. Estabelecer e fomentar tais diálogos implica direcionar nosso olhar para uma perspectiva de fronteira, na qual nosso posicionamento no mundo se faça de modo mais aberto.
Pensamos que esses objetivos foram alcançados, pelo número significativo de leitores fiéis, que nos têm incentivado a manter os enfoques dialógicos e os “enfrentamentos” ao lugar comum numa perspectiva de fronteira.
Tivemos leitores em quase todos os países o mundo, com um total de cerca de 40.000 acessos. Apresentamos a seguir apenas os 10 países com maior número de acessos:

PAÍSES
NÚMERO APROXIMADO DE ACESSOS
Brasil
26.000
Estados Unidos
4.500
Portugal
3.000
Alemanha
2.000
Rússia
1.500
Moçambique
500
França
350
Ucrânia
140
Reino Unido
130
Espanha
130
Empenhados em manter e melhorar cada vez mais as características que nos propusemos desde a criação deste blog e que fizeram dele um local de visita para tantos leitores, aqui deixamos nosso agradecimento a todos aqueles que em nós acreditaram. E nada melhor que o voo poético de Manoel de Barros para celebrarmos esta milésima postagem.

José de Sousa Miguel Lopes

A maior riqueza do homem

é a sua incompletude.

Nesse ponto sou abastado.

Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,

que puxa válvulas, que olha o relógio,

que compra pão às 6 horas da tarde,

que vai lá fora, que aponta lápis,

que vê a uva etc. etc.

Perdoai

Mas eu preciso ser Outros.

Eu penso renovar o homem usando borboletas.

 
Manoel de Barros

Dois filmes para duvidar do que conhecemos


Caverna dos Sonhos Esquecidos (2010) e Sem Sol (1982), dirigidos por Werner Herzog e Chris Marker, respectivamente, partem de temas distintos: o primeiro investiga as pinturas rupestres mais antigas da História, descobertas na gruta de Chauvet, na França. Já o segundo mostra os relatos de viagem de um homem anônimo, que percorreu o Japão, Guiné-Bissau e outros países, estabelecendo reflexões sobre as culturas e ritos locais. Apesar dos pontos de partida distintos, a obsessão que perpassa os dois filmes, e de certa maneira a filmografia inteira de ambos os cineastas, é a mesma: o papel da memória e a representação da natureza em imagens.
Para ler o texto completo de Bruno Carmelo clique aqui

Sem vergonha, sem culpa – e sem dominação

Nos últimos anos tenho me ocupado bastante em buscar uma consciência corporal, pois acredito que é através do corpo que experimentamos o mundo. Após doze anos de terapia bioenergética, percebo que meu corpo mudou muito. Mas, ainda assim, não são raras as vezes que identifico tensões que limitam minha capacidade de sentir. Em uma das sessões de terapia que realizamos todas as quartas-feiras na Comunidade Osho Rachana, me dei conta do quanto a repressão vivida na infância e na adolescência insiste em limitar o movimento da minha pelve.
A técnica utilizada consiste simplesmente em respirar profundamente na região pélvica. O objetivo é acessar conteúdos emocionais inconscientes aprisionados no corpo e liberar a energia. Durante o exercício, memórias do passado bloqueavam o meu movimento. Porém, o mais difícil foi aceitar o quanto utilizo o sexo como descarga ou como forma de dominação. Falando assim, pode parecer estranho. Mas cada vez mais compreendo e vejo em mim e nos outros o abismo que estabelecemos entre o sexo e o coração. Na verdade, não somos ensinados a amar em liberdade. Por isso, a prioridade é possuir o outro e não o amor. E isso está intimamente relacionado com a incapacidade de percepção do corpo.
Para ler o texto completo de Katia Marko clique aqui

Showrnalismo e o papa

“Showrnalismo em torno da escolha do novo presidente da Igreja Católica S.A. é impressionante. Não há qualquer discussão aprofundada sobre o significado real de tudo isso, sobre a trajetória histórica que traz até aqui. Nada é questionado. É só show, e esse show não aceita reflexão, apenas oba-oba.” (Alexandre Haubrich)

A eleição do papa, segundo a imprensa brasileira, é um momento de festa. Um momento de mudança sem que haja efetiva mudança, de coberturas especiais sobre cores de fumaça e previsões mirabolantes que sempre se mostram erradas. Quem será o novo papa? Qual o país do novo papa? Qual a roupa/comida/bebida favorita do novo papa? Mas as perguntas realmente pertinentes são deixadas de lado. Qual a ideologia do novo papa? Será que o novo papa será aberto ao diálogo e respeitará minorias? O novo papa possui ligações com grupos criminosos, com antigas ditaduras ou foi ele mesmo colaborador destas? Dentre tantas outras possíveis. Aliás, necessárias.
Para ler o texto completo de Raphael Tsavkko Garcia clique aqui

‘Curtir’ algo no Facebook diz muita coisa sobre você

Um amplo estudo acadêmico acaba de revelar a crescente quantidade de informações pessoais que podem ser recolhidas por programas de computador que monitoram a maneira como as pessoas usam o Facebook. Esses programas podem discernir informações privadas confidenciais, como as preferências sexuais dos usuários do Facebook, o uso de drogas e até mesmo se eles têm pais que se separaram quando eles eram jovens, mostra o estudo da Universidade de Cambridge.
Trata-se de um dos maiores estudos do tipo já feitos e nele a equipe de psicometria da universidade e um centro de pesquisas bancado pela Microsoft analisaram dados de 58 mil usuários do Facebook para prever características pessoais e outras informações que não foram fornecidas em seus perfis. Os algoritmos foram 88% precisos na previsão da orientação sexual, 95% na previsão de raça e 80% no quesito inclinação religiosa e política. Tipos de personalidade e estabilidade emocional também foram previstos com exatidão que vai de 62% a 75%. O Facebook não quis comentar o assunto.
Para ler o artigo completo de Bede McCarthy e Robert Cookson clique aqui

domingo, 17 de março de 2013

PEDRO ABRUNHOSA: "Ilumina-me"

Para ouvir Pedro Abrunhosa interpretando “Ilumina-me” clique aqui

Aulas enlatadas: para onde caminha a política educacional brasileira?


Há décadas o mundo curvou-se ao prêt-à-porter, ao fast-food, à intensidade consumista e assim foi se acostumando com a rapidez com que o tudo pronto, o nem sempre necessário, o efêmero se impõem à nossa vida.Enlatam-se frutas, sopas, carnes e tudo que couber em belas embalagens que, com a força de uma boa campanha publicitária, virarão dólares, mesmo com gosto pasteurizado ou sem sabor. Aulas não se podem enlatar. Ou podem? O Ministério da Educação anunciou nos últimos dias que comprará aulas semi-prontas, industrializadas, uma espécie de modelo tamanho único para ‘auxiliar’ pedagogicamente os professores. (Dilma convida professor norte-americano Salman Khan para parceria em projeto na educação básica, agência Brasil, 16/01/2013 – 19h10).
Para ler o texto completo de Maria Amélia Santoro Franco (Unisantos), Marineide Gomes (Unifesp/EFLCH), Cristina Pedroso (USP/FFCLRP) e Valéria Belletatti (Instituto Federal de São Paulo) clique aqui


O Doping das Crianças

Um estudo divulgado na semana passada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deveria ter disparado um alarme dentro das casas e das escolas – e aberto um grande debate no país. A pesquisa mostra que, entre 2009 e 2011, o consumo do metilfenidato, medicamento comercializado no Brasil com os nomes Ritalina e Concerta, aumentou 75% entre crianças e adolescentes na faixa dos 6 aos 16 anos. A droga é usada para combater uma patologia controversa chamada de TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. A pesquisa detectou ainda uma variação perturbadora no consumo do remédio: aumenta no segundo semestre do ano e diminui no período das férias escolares. Isso significa que há uma relação direta entre a escola e o uso de uma droga tarja preta, com atuação sobre o sistema nervoso central e criação de dependência física e psíquica. Uma observação: o metilfenidato é conhecido como “a droga da obediência”. 
Para ler o texto completo de Eliane Brum clique aqui

sábado, 16 de março de 2013

Feminismo para homens, um curso rápido

De homem para homem, algumas noções básicas e indispensáveis sobre feminismo.
O texto é longo. Cada uma das subseções poderia facilmente ser um texto independente. Teríamos multiplicado nossos pageviews, mas o conteúdo ficaria disperso e espalhado, difícil de acessar e consultar.
Preferimos publicar tudo de uma vez. Salvem. Leiam aos poucos. Repassem aos amigos. A discussão vai ser longa.
Para facilitar a referência a seções específicas, cada uma tem seu próprio link permanente.
Para ler o texto de Alex Castro clique aqui

quinta-feira, 14 de março de 2013

Nós – somente nós – estamos no mapa

Árabes são retratados como inferiores, hostis e ameaçadores em livros didáticos de história e geografia em Israel. É um sinal de que não apenas falta educação para a paz no país, mas também de que os livros usados nas escolas judaicas estão educando ativamente para o ódio.
O artigo da linguista Nurit Peled-Elhanan, professora da Universidade Hebraica de Jerusalém, pode ser lido clicando aqui

O angolano que começou a escravatura nos Estados Unidos

Para muitos norte-americanos, em especial os do Sul, a palavra Angola é sinónimo de uma das prisões com a pior das famas, conhecida pela «Alcatraz do Sul», construída em 1901. Considerada uma das prisões de máxima segurança dos Estados Unidos, a Penitenciária Estadual da Luisiana foi construída nos terrenos de uma antiga plantação para onde vinham trabalhar escravos oriundos dessa região africana.Mas a mesma palavra Angola serviu para batizar uma outra plantação, no norte do país, no estado do Maryland, em memória daquele que terá sido o primeiro escravo angolano a pisar terras da América do Norte, no século XVII.Pode-se dizer que António, ou Anthony Johnson, entrou nas páginas da história dos Estados Unidos graças à sua tenaz personalidade, extraordinária capacidade de trabalho e uma vontade inequívoca em trilhar e vencer todas as curvas e as valas da vida. Mas o acaso acabaria por dar o empurrão definitivo nesse sentido.

Para ler o texto completo de Joaquim Arena clique aqui

terça-feira, 12 de março de 2013

As condições de vida e trabalho dos professores no Brasil

A história da educação no Brasil é marcada por descasos, improvisações e exploração da força laboral dos trabalhadores escolares, fatos intrínsecos ao modelo de colonização que deu origem ao patrimonialismo estatal e à disseminação de misérias até hoje não superadas pelo país.
Para ler o texto completo de Roberto Franklin de Leão clique aqui

O comunismo moral-prático do século 21

Inspiro-me novamente no livro Crítica da razão indolente. Contra o desperdício da experiência (2003), de Boaventura de Souza Santos, a fim de sustentar o argumento de que a história das civilizações tem sido marcada pela relação hierárquica entre três formas de conhecimento: 1) o conhecimento moral-prático, 2) o conhecimento estético-expressivo; 3) o conhecimento cognitivo-instrumental.
O conhecimento moral-prático é simplesmente o que está vinculado ao reino das necessidades, inscrevendo, no plano da produção do saber, a seguinte virtude: penso, produzo conhecimentos, porque crio as condições técnicas, laborais, afetivas, psicológicas, ambientais, estéticas, comportamentais, discursivas, religiosas e mnemônicas que garantirão a dignidade alimentar, habitacional, corporal, educacional para os conhecidos (a família, as pessoas da comunidade) e para os desconhecidos de outras comunidades, outras famílias, paragens, terras.
Para ler o texto completo de Luís Eustáquio Soares clique aqui

ENTREVISTA / ELIANE BRUM: “O bom jornalismo se aplica a tudo o que é da vida”

Conhecida como new journalism ou jornalismo literário, Eliane Brum prefere classificar como “bom jornalismo” a reportagem que não reduz o mundo, que busca captar palavras, silêncios, hesitações, texturas e gestos. Detalhes únicos que enriquecem o texto, que fazem com que o leitor imagine a cena, desloque-se no tempo e no espaço e se emocione. Natural de Ijuí (RS), a escritora e documentarista começou a carreira no jornal Zero Hora, em 1988, e defende que a boa matéria é feita na rua. “A reportagem é o exercício de se despir de si para alcançar o outro. E isso se faz carne a carne.”
Além de escrever, a repórter gosta de ler bons textos e cita o exemplo do conteúdo produzido por João Moreira Salles. Quando ele escreve, Eliane senta melhor no sofá, “antecipando o prazer de ler um perfil bem apurado e bem contado”. Ela admite que o início na carreira como jornalista não é fácil, mas ressalta que “resistir e insistir na reportagem é escolher uma vida com sentido”.
Colunista da revista Época, ela ganhou mais de 40 prêmios, entre eles Esso, Vladimir Herzog, Ayrton Senna, Ethos e Sociedade Interamericana de Imprensa. Eliane também conquistou o Prêmio Jabuti em 2007, por A vida que ninguém vê e o Prêmio Açores de Literatura de 1994 por Coluna Prestes – O avesso da lenda. Esgotado, este livro é resultado do trabalho de apuração feito em 1993, quando a jornalista percorreu todo o caminho feito pela Coluna Prestes ao longo de 20 anos. “Foi esta reportagem que me forjou como repórter e na qual comecei a conhecer e a me apaixonar pelo Brasil e pelo povo brasileiro”. Ela adianta ao Comunique-se que termina de escrever um novo livro até o meio do ano, mas afirma: “Nunca falo sobre o que estou fazendo até terminar. Seria como um parto prematuro.” Neste Dia Internacional da Mulher, confira a íntegra da entrevista com a jornalista clicando aqui

‘A Separação’ entre o joio e o trigo

‘A Separação’ (2012), filme iraniano dirigido por Asghar Farhadi, estrutura diversas críticas à teocracia iraniana, mas ao mesmo tempo parece reverberar uma máxima para o espectador ocidental. “Se Alá existe, nem tudo é permitido”.
O artigo de Flávio Ricardo Vassoler pode ser lido clicando aqui

segunda-feira, 11 de março de 2013

Shakespeare atrás das grades

Roubei o título acima do documentário Shakespeare behind bars (Hank Rogerson, 2005), que retratava uma montagem da peça A tempestade por vinte detentos de uma prisão no Kentucky. Uma experiência análoga é o que fazem os irmãos Paolo e Vittorio Taviani no pungente César deve morrer, atualmente em cartaz (inclusive no IMS).
No filme dos Taviani, a peça de Shakespeare é Julio César e o palco é uma prisão romana de segurança máxima. Os atores são presidiários condenados a longos períodos ou à prisão perpétua. No mais das vezes, traficantes e homicidas ligados às diversas máfias que assolam a Itália.
Para ler o artigo completo de José Gerlado Couto clique aqui

Eutanásia: o que aprendi com minha mãe

Meu pai, irmã e eu sentamos num restaurante chinês quase vazio, escolhendo nossos pratos, incapazes de evitar a discussão que nos levara ali: quando seria o momento de deixar mamãe morrer?
Tinha sido um dia exaustivo no hospital, esperando – rezando – por qualquer sinal de que minha mãe poderia emergir de seu coma. Três dias antes, ela havia sido internada por náuseas; teve uma tosse horrível e enfrentava problemas para manter os alimentos no estômago. Mas quando a enfermeira tentou introduzir uma sonda nasogástrica, seu coração parou. Ela precisou de ressuscitação cardiovascular por nove minutos. Antes de que eu voasse para Chicago, um ventilador já estava respirando por ela, e a medicação intravenosa mantinha a pressão arterial estável. Hora após hora, meu pai, minha irmã e eu tentamos falar com ela, tocando suas músicas favoritas, encorajando-a a apertar nossas mãos ou abrir os olhos.
Os médicos não podiam dizer exatamente o que havia de errado, mas o prognóstico era sombrio, e eles sugeriram removê-la do respirador. Assim, aquela noite de janeiro, nos dirigimos a um restaurante no subúrbio de Detroit para uma inevitável reunião familiar.
Meu pai e irmã olharam para mim em busca de meus pensamentos. Em nossa família, sou a referência para todos os assuntos médicos. Por 15 anos, trabalhei como repórter de saúde: no Dallas Morning News, no Los Angeles Times e agora na ProPublica. Como tenho uma noção relativamente boa do complexo sistema norte-americano de saúde, fui eu quem ajudou meus pais a definir planos de medicamentos do Medicare1, pesquisar novos diagnósticos e questionar médicos sobre os tratamentos recomendados.
Para ler o artigo completo clique aqui

Por uma democracia menos cacique

As sociedades indígenas podem ser exemplos inspiradores para nós, caras pálidas. Estamos condicionados a observar apenas suas carências. Não enxergamos outro aspecto, que poderia nos inspirar: “São sociedades sofisticadas”. Cultivam as relações horizontais, a liberdade de não receber ordem de ninguém; o acesso livre à informação; respeito e liberdade nas relações entre homem e mulher. Quem convida a esta nova mirada é o jornalista Washington Novaes, voltado há mais de 50 anos ao exame de assuntos ligados a ambiente, desenvolvimento e democracia. Autor do documentário “Xingu, a terra ameaçada”, reconhecido por inúmeros prêmios nacionais e internacionais, autor de treze livros, Novaes foi entrevistado no âmbito do estudo Política Cidadã, produzido pelo instituto Ideafix para o IDS (Instituto Democracia e Sustentabilidade).
Décadas de convívio com grupos indígenas levaram-no, por exemplo, a observar que, entre eles, ninguém se apropria da informação para transformá-la em poder político ou econômico. E a sugerir que talvez a era da internet, e o fim da comunicação de massas, tenham recriado condições para isso entre nós – desde que alcançadas certas condições políticas. “Para ser democrática, a informação tem que pertencer à sociedade. Mas não há legislação que proteja isso.”
Para ler a entrevista de Washington Novaes clique aqui

NOAM CHOMSKY: Quem é o dono do mundo?

Uma vez que ultrapassamos o marco dos estados nacionais como entidades unificadas sem divisões internas, podemos ver que há uma mudança do poder mundial, mas a direção dessa mudança é da força de trabalho para os donos do mundo: o capital transnacional, as instituições financeiras mundiais. A análise é do pensador norte-americano Noam Chomsky, que conversa nesta entrevista com David Barsamian, do ‘Alternative Radio’. A entrevista pode ser lida clicando aqui

domingo, 10 de março de 2013

Diretrizes fundamentais – 20 pontos para democratizar as comunicações no Brasil

O novo marco regulatório deve garantir o direito à comunicação e a liberdade de expressão de todos os cidadãos e cidadãs, de forma que as diferentes ideias, opiniões e pontos de vista, e os diferentes grupos sociais, culturais, étnico-raciais e políticos possam se manifestar em igualdade de condições no espaço público midiático. Nesse sentido, ele deve reconhecer e afirmar o caráter público de toda a comunicação social e basear todos os processos regulatórios no interesse público.
Para ler o texto completo clique aqui

O bate-papo que desmascarou a blogueira Yoani Sánchez

Yoani Sánchez ganhou espaço como colunista do Globo, recebeu o Jornal Nacional, é integrante do Instituto Millenium e tem dado entrevista pra todos os órgãos de imprensa brasileiros, mas o único jornalista do mundo até aqui a confrontá-la com perguntas elementares foi Salim Lamrani.
Leia a entrevista que ele realizou com Yoani Sánchez clicando aqui

A guerra do Ocidente contra a África

A verdade é exatamente o contrário disso. O ocidente é que depende existencialmente do que extráia da África. O que o ocidente obtém da África é obtido de várias, muitas maneiras. Dentre essas maneiras, os fluxos ilícitos de recursos; os lucros que, invariavelmente, acabam nos cofres dos bancos ocidentais pelas trilhas dos paraísos fiscais, como já está fartamente documentado no livro Poisoned Wells [Poços envenenados], de Nicholas Shaxson. Ou pelo mecanismo de extorsão do sistema das dívidas nacionais, pelo qual bancos ocidentais emprestam dinheiro a governantes militares, quase sempre postos no poder com a ajuda de forças ocidentais, como Mobutu, ex-presidente do Congo; esses governantes apropriam-se do dinheiro emprestado, quase sempre em contas privadas no próprio banco que emprestou ao país, cabendo ao país a missão de pagar juros exorbitantes que crescem exponencialmente.
Pesquisa recente de Leonce Ndikumana e James K. Boyce descobriu que mais de 80 centavos de cada dólar emprestado deixaram o país devedor em "voos do capital", no período de um ano, sem jamais terem sido investidos no país devedor; e que $20 bilhões são drenados da África, por ano, como pagamento "do serviço da dívida" desses "empréstimos" essencialmente fraudulentos.
Para ler o texto completo de Dan Glazebrook clique aqui

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