Docentes dos EUA criticam em manifesto cerco a cursos que falam em 'golpe de 2016'

Docentes dos EUA criticam em manifesto cerco a
cursos que falam em 'golpe de 2016'
Movimento contra a ameaça de Mendonça Filho (MEC) de investigar
disciplina reuniu quase cem assinaturas.
12.mar.2018
Silas Martí
NOVA YORK
Cerca de
cem professores das universidades mais importantes dos EUA, entre elas Brown,
Harvard, Princeton e Yale, assinaram uma carta de repúdio ao que entendem como
tentativa do governo brasileiro de “tolher a liberdade de expressão nas
universidades” do país.
O
movimento “Acadêmicos e Ativistas pela Democracia no Brasil” tem como alvo a declaração do ministro da Educação, Mendonça Filho, de que
mandaria investigar por improbidade administrativa o professor da UnB
(Universidade de Brasília) que criou um curso em que chama de golpe de 2016 o
processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
“O pedido
para que investiguem o professor e o seu departamento é uma séria ameaça à
democracia no Brasil”, afirma a carta do grupo endereçada ao ministro.
No rastro da polêmica, outras dez universidades criaram
disciplinas que falam em golpe de 2016 –as aulas do professor Luis Felipe
Miguel começaram há uma semana na UnB.
O
manifesto foi organizado pelo americano James Green, professor da Universidade
Brown. Ele também assina outra carta, de diretores da Associação de Estudos
Brasileiros, centro de estudos de brasilianistas, que ataca a ameaça ao curso e
aponta “séria violação da liberdade acadêmica”.
“Somos
todos pessoas que conhecem o Brasil e as ameaças à democracia que estão
ocorrendo lá”, diz Green.
Fora do
universo acadêmico, Green ficou conhecido no ano passado como o suposto
namorado de Dilma quando foi visto com ela em passeios por Nova York –eles são
apenas amigos, esclarece o professor, que é homossexual e militante dos
direitos LGBT.
Questionado
se a amizade com Dilma pode enfraquecer o movimento, o professor disse que
também é amigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a quem dava
carona em visitas à universidade.
“Sou amigo
de todo mundo no Brasil, menos do Jair Bolsonaro”, diz Green. “Há unanimidade
contra esses tipos de repressão.”
Ele
compara a situação, aliás, ao que houve durante a ditadura, quando FHC teve seu
posto na USP cassado. Green escreveu um livro sobre como acadêmicos americanos
nessa época tentaram ajudar os brasileiros.
“Esse
governo está tomando medidas que vão na mesma direção da lei da ditadura que
proibia qualquer atividade política dos estudantes”, afirma.
Nesse
ponto, o nome da disciplina sobre o “golpe” se tornou o pivô da discussão.
“Se eu der
um curso sobre a ditadura militar brasileira, digo que é um curso sobre o golpe
militar ou a revolução de 1964? O professor tem todo o direito de dizer que foi
um golpe como de dizer que foi impeachment”, afirma.
“Aqui nos
EUA eu teria o direito de dar um curso sobre Donald Trump, por exemplo, porque
há tradição de liberdade de expressão, e os professores usam rigor acadêmico.”
FONTE: Aqui
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