domingo, 13 de outubro de 2019

"De esperas construímos o amor intenso e súbito..." - Joaquim Pessoa

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De esperas construímos o amor intenso e súbito...
De esperas construímos o amor intenso e súbito
que encheu as tuas mãos de sol e a tua boca de beijos.
Em estranhos desencontros nos amamos. 
Havia o rio mas sempre ficávamos na margem. 
Eu tocava o teu peito e os teus olhos e, nas minhas mãos, 
a tarde projetava as suas grandes sombras 
enquanto as gaivotas disputavam sobre a água
talvez um peixe inquieto, algo que nunca pudemos ver. 
As nossas bocas procuravam-se sempre, ávidas e macias 
E por muito tempo permaneciam assim, unidas, 
Machucando-se, torturando as nossas línguas quase enlouquecidas. 
Depois olhávamo-nos nos olhos 
No mais profundo silêncio. E, sem palavras, 
Partíamos com as mãos docemente amarradas

e os corações estoirando uma alegria breve 
Quando a noite descia apaixonada 
Como o longo beijo da nossa despedida.


Joaquim Pessoa

Não se engane: Luciano Huck tem lado na política - o lado direito


Parece que a candidatura de Luciano Huck à presidência da República é mesmo pra valer. O apresentador vem conversando com lideranças partidárias, participando de palestras e dando entrevistas com frequência. Na última eleição, ele esteve muito perto de concorrer, mas desistiu após a revelação de que comprou um avião com milhões emprestados do BNDES com juros subsidiados. Não foi fácil abandonar o sonho de ser presidente. “Vou ali chorar um pouquinho e já volto”, disse para amigos ao anunciar a desistência. Huck só adiou o seu projeto político de conquistar o Planalto.
Desta vez parece que Huck está disposto a enfrentar tudo por esse grande sonho. Angélica, sua esposa, vê a candidatura como uma realidade da qual ele “não tem mais controle”. É uma “espécie de chamado”, segunda ela. A apresentadora conferiu um ar messiânico ao projeto do marido. É um mau começo. A última candidatura que se apresentou com essa aura mística, como se estivesse numa missão divina para salvar o país, foi a do chimpanzé presidencial que nos governa.
Para ler o texto completo de João Filho clique aqui


Encontro ultraconservador busca novo fôlego bolsonarista em meio à perda da popularidade 

Eduardo Bolsonaro abraça bandeira do Brasil durante evento conservador em São Paulo, no dia 11 de outubro.

O deputado e aspirante a embaixador Eduardo Bolsonaro importa dos Estados Unidos um evento político destinado a estimular sua base mais ideológica diante do desgaste da imagem do presidente.
Para ler o texto completo de Naiara Galarraga Gortázar clique aqui


Audácia de invasores na Amazônia divide territórios e mantém rotina de assassinatos na floresta

O cacique Turu Arara observa sua terra devastada por madeireiros.

Pará lidera onda de destruição da mata e homicídios fazem parte do cotidiano na região do Xingu. Agricultores são ameaçados por grileiros e indígenas assistem a madeireiros desmatarem suas terras sem reação do poder público.
Para ler o texto completo de Felipe Betim clique aqui







James Howard Kunstler: O colapso das universidades que se avizinha nos Estados Unidos

James Howard Kunstler

James Howard Kunstler analisa o colapso do sistema universitário que se avizinha na América. São boas notícias. Não conheço ninguém que descreva melhor que ele a decadência da sociedade americana, auxiliado pela sua poderosa escrita.
Para ler seu texto completo clique aqui


Lady Gaga - "Bad Romance"

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Para assistir à interpretação de  "Bad Romance" na voz de Lady Gaga clique no vídeo aqui

Noam Chomsky: “Desmantelar o imperialismo é um projeto perfeitamente viável”

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ENTREVISTA

Noam Chomsky: “Desmantelar o imperialismo é um projeto perfeitamente viável”

A poucos meses de completar 91 anos, o anarco-sindicalista e socialista libertário Noam Chomsky defende que desmantelar o imperialismo continua a ser um “projeto perfeitamente viável”. Sem “razão para o desespero”, a esperança do acadêmico — que se tornou um dos mais citados da atualidade — é revigorada por movimentos como o EUA Sunrise e o Extinction Rebellion. No entanto, quando se fala do amanhã, prefere que as questões sejam dirigidas a quem ainda está para vir.

Andreia Friaças
 
13/10/2019

Começou por ser um convite para um café em Nova Iorque no início do ano. Noam Chomsky, que se mudou para Tucson há três anos para leccionar na Universidade do Arizona, sugeriu remediar o desencontro de agendas e ofereceu-se a responder por e-mail. O que acabou por acontecer, ainda que vários meses mais tarde. Conhecido pelas duras críticas tecidas aos meios de comunicação social — que acusou, várias vezes, de cederem aos caprichos do capitalismo —, e à política norte-americana — posição que lhe valeu um lugar na lista de inimigos de Richard Nixon —, o chamado “pai da linguística moderna” diz continuar “preocupado” com a paisagem política e social que nos circunda. Destaca como a raiva e o ressentimento foram o pontapé de partida para a ascensão de “demagogos”, a tentativa do capitalismo em nos tornar “sacos de batatas” e a solidão emocional promovida pelas elites.
Mas o que se faz quando a velha ordem parece declinar e ainda nada se levantou para a substituir? “Não há segredos”, defende o autor de mais de uma centena de livros sobre política, linguística e media. Ainda assim, há “boas razões” para desenhar um esquisso do futuro que gostaríamos de ter. O que o impede? “Isso é uma pergunta que cada pessoa deve fazer a si mesmo. Porque é que não estou a levar a cabo ações que sei que são viáveis?”
Em países como EUA ou o Brasil, a descrença nos media acabou por abrir caminho à disseminação de fake news, o que ajudou a determinar as eleições. Os media estão a falhar redondamente às pessoas?
Os media de língua inglesa, que são os que conheço melhor, têm muitas falhas sérias —são tópicos que estudei e sobre os quais escrevi durante muitos anos, mas não acho que possamos simplesmente associar a descrença e a porta aberta para o fenômeno fake news às falhas dos media. No geral, o respeito pelas instituições tem diminuído acentuadamente ao longo dos anos — pelos parlamentos, pelas empresas, pelos media, pelos tribunais, tudo, menos pelas instituições militares. As razões são muito mais profundas do que as falhas dos media. As políticas socioeconômicas durante a era neoliberal tiveram um impacto severo. A riqueza concentrou-se fortemente com o poder político, enquanto a maioria das pessoas estagnou ou viu o seu rendimento cair, e sentiu-se — justamente — pouco representada pelo sistema político. Gramsci [filósofo italiano, 1891-1937] escreveu, na sua cela na prisão, sobre os “sintomas mórbidos” de como a velha ordem declina e nada ainda se levantou para a substituir. Observamos isto em muitos aspectos da nossa vida. A raiva e o ressentimento oferecem oportunidades aos demagogos cínicos como Trump, Bolsonaro ou Salvini, que estão a degradar a arena política, e que podem descartar a feia realidade pela qual são responsáveis ao dizer que são “fake news”. Bolsonaro foi ao ponto de rejeitar como fake news relatórios do seu próprio Governo sobre a destruição da Amazónia, que o próprio autorizou seguindo o interesse dos seus amigos na mineração e no agro-negócio. E Trump é um mestre desta arte.
As fake news são uma forma eficiente de manipulação. Sempre existiram, mas têm ganho uma nova dimensão, como aconteceu nas últimas eleições nos países referidos. Que medidas devem os meios de comunicação levar a cabo para lidar com as fake news?
Não vejo as coisas dessa forma. As condições sociais como as que referi criam condições sob as quais os demagogos de extrema-direita podem ganhar poder. Eles podem catalogar as críticas como fake news e criar as suas próprias fake news numa escalada sem precedentes, ao usar os recursos tecnológicos das redes sociais. Vimos isso de forma dramática na campanha eleitoral de Bolsonaro. Depois das manobras fraudulentas, que vão sendo expostas, para silenciar o provável vencedor das eleições (Lula da Silva, o prisioneiro político mais importante do mundo), uma enorme campanha nas redes sociais foi inventada com as mentiras mais escandalosas para demonizar a oposição política e apoiar a figura depravada, que foi favorecida pelas elites brasileiras. Este foi o passo final de um “golpe suave” que remonta há vários anos.
Nos Estados Unidos, houve uma campanha semelhante, embora não tenha atingido a escala ou a vulgaridade do que aconteceu no Brasil. Foi organizada pela empresa de extrema-direita Cambridge Analytica. Com a plena cooperação do Facebook, segmentaram mensagens específicas para os eleitores apoiarem o favorito de direita — o nível de sucesso é difícil de julgar, mas foi quase certamente muito maior do que os pequenos esforços russos que despertaram tanta atenção.
EUA, Turquia, Itália, Hungria, Brasil... vemos presidentes com ideias de extrema-direita a ascender ao poder em vários países. É este momento comparável, de alguma forma, com o início da década de 1930?
Se pudermos fazer uma comparação é a da “falsa tragédia”, como diz a famosa frase de Marx. Eu sou velho o suficiente para me lembrar da década de 1930: os Camisas Negras [nome dado à Milícia Voluntária para Segurança Nacional Italiana que apoiava Mussolini], as Tropas de Assalto [soldados especializados do Exército alemão na Primeira Guerra Mundial], os campos de concentração que se tornaram campos da morte, a destruição violenta dos movimentos dos trabalhadores, a purga nas escolas e universidades, uma doutrina de Gleichschaltung [a política de uniformização utilizada por Hitler] em que um Estado superpoderoso sob o partido no poder coordena e controla toda a sociedade, incluindo o mundo dos negócios. O que vemos hoje é bastante preocupante, mas não são os anos 1930.
Qual é a sua opinião acerca do desempenho do Governo português?
Não posso fingir que estou familiarizado com o assunto, mas pelo que pude ir apreendendo, parece-me um dos desenvolvimentos mais esperançosos do período atual.
Quais são as alternativas plausíveis aos atuais governos de direita?
Desmantelar o imperialismo é um projeto perfeitamente viável. Para o fazer, é necessário dar os passos que já foram dados no passado: educação, organização, protestos, manifestações, resistência direta, solidariedade para com as vítimas. Assim como já foi feito antes, muitas vezes com um sucesso considerável.
O que está a impedir que estas alternativas avancem?
Isso é uma pergunta que cada pessoa deve perguntar a si mesma. Porque é que eu não estou a levar a cabo ações que sei que são viáveis?
Alguns sociólogos, como Daniel Bell [1919-2011], defendem que depois de se alcançar a ideia de Estado social existe a sensação de que já não é necessário levar a cabo grandes transformações na sociedade. Bell chegou a dizer que a era da ideologia estava morta. Seguindo esta perspectiva, devemos romper com a ideia de consenso relativamente à forma de encarar o sistema que tem sido construída pela democracia?
A tese de Bell fez pouco sentido na sua época e há muito que foi consignada às cinzas da história ideológica. A ideologia sempre esteve viva e a florescer, e tem sido vingativa durante os anos neoliberais. O Estado social suavizou os contornos duros do capitalismo, mas tem sido corroído com sucesso pelo ataque neoliberal – uma questão que é muito bem compreendida, não apenas pela população que sofre as consequências mas também pela elite. O impacto do trabalho de Thomas Piketty [economista francês, n. 1971] sobre a desigualdade, coincidindo com o Occupy e outros movimentos populares, é apenas um exemplo.
É necessário repetir as ações que os movimentos que marcaram os anos 1960 fizeram, e que deram origem à ideia do “excesso da democracia”, ou existem outras alternativas de mobilização que devam ser exploradas?
A ideologia de “excesso de democracia” foi a resposta amedrontada das elites liberais ao ativismo da década de 1960, que ameaçou mobilizar a população em geral para a participação política direta, a libertação da passividade e da obediência, favorecida pela ideologia liberal. Houve, desde então, grandes esforços para minar os movimentos sociais, principalmente o movimento laboral, mas também outros, e para atomizar as pessoas —para transformar a população num “saco de batatas”, como dizia Karl Marx, quando criticava os Estados autoritários da sua época. Teve algum sucesso, mas de forma alguma completo. O ativismo permanece vivo e a funcionar.
Olhando para trás, não há nada de errado com as velhas formas de mobilização social. A tarefa é empregá-las eficazmente. Isso pode ser feito, e até certo ponto está a ser feito. Um exemplo da sobrevivência de uma sociedade organizada são os jovens ativistas do Sunrise Movement [organização norte-americana que defende a ação política sobre as alterações climáticas], que conseguiram colocar a ideia de um Green New Deal na agenda política, algo que seria quase inimaginável há alguns anos. Há, de certeza, um longo caminho a percorrer, mas não há nenhuma razão para o desespero.
Numa entrevista que deu ao The Independent, diz que o Antifa [um conglomerado de grupos de esquerda antifascista nos EUA] deveria seguir um confronto não violento e métodos de resistência. Quais são os limites da resistência, nunca responder com violência mesmo quando esta é usada pelos opositores?
Não há controvérsia sobre os métodos educacionais. O que é preocupante são as ações violentas, uma especialidade da Antifa — e diferente de outros movimentos populares que declaram os mesmos objetivos — que se torna um presente de boas-vindas para a extrema-direita.
Como é que se pode mostrar aos jovens que são eles que têm o poder?
Os jovens já são energéticos. Mencionei anteriormente o Sunrise Movement, podemos acrescentar a Extinction Rebellion, entre outros. É possível contribuir de todas as formas, entre elas apoiando vínculos com tradições mais antigas de luta, apoiar os seus pensamentos e as suas conquistas. Mas também por participação direta.
A atual crise repete várias formas de reduzir a sociedade a indivíduos, proporcionando a sensação de que vivemos numa solidão permanente. Como podemos criar ou desenvolver mecanismos de empatia uns pelos outros?

Esse é um objetivo tradicional e até compreensível da elite. Margaret Thatcher estava involuntariamente a parafrasear Marx quando declarou que não há sociedade, apenas indivíduos, que enfrentam sozinhos as forças hostis do mercado: um “saco de batatas”, sem nenhuma maneira de resistir à ideologia extremista que se tornou uma forma particularmente selvagem do capitalismo. E a atomização da sociedade teve efeitos muito claros, não apenas na raiva e ressentimento disseminado mas em fenômenos como o aumento da mortalidade nos EUA, nos últimos anos, algo inédito em sociedades desenvolvidas — “mortes de desespero”, como a crise é conhecida pelos economistas que a estudam, concentrada entre brancos da classe trabalhadora.
Como podemos superar isso? Não há segredos. Crucialmente, reconstruir um movimento de trabalho vibrante e ativo, mas também movimentos populares com base noutras preocupações. E criar instituições baseadas em solidariedade e ajuda mútua, como cooperativas e empresas que são propriedade dos trabalhadores, que estão agora a proliferar nas áreas industriais degradadas dos EUA. Mais uma vez, há um longo caminho a percorrer, mas não há mistérios a respeito de como proceder.
Já falou várias vezes da crise de valores do Ocidente. Disse, inclusive, que somos o primeiro poder da história que combina “uma incrível capacidade tecnológica com um total desrespeito perante o sofrimento e a miséria de terceiros”. O que podemos esperar no futuro?
Não é difícil construir visões do tipo de sociedade que gostaríamos de ter, e há certamente boas razões para formular, pelo menos, orientações gerais. Alguns ativistas — incluindo velhos — acham que é importante especificar os objetivos de maneira muito explícita, fornecendo respostas detalhadas para os problemas e questões que possam surgir. O que sinto é que realmente não sabemos o suficiente para responder às potenciais questões com grandes detalhes. Penso que Marx foi muito cauteloso em não dizer praticamente nada sobre a sociedade pós-capitalista, deixando que as questões fossem dirigidas ao proletariado liberto.

Fonte: Aqui

VÍDEO - Mia Couto e José Eduardo Agualusa: "O Brasil vive um ambiente pré-guerra civil"

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Os escritores Mia Couto e José Eduardo Agualusa falam do livro que ambos criaram e analisam os critérios do Prêmio Camões e do Nobel da Literatura. Sobre o Brasil, avisam: há um “ambiente de pré-guerra civil". São dois dos autores mais celebrados da literatura de língua portuguesa, amigos há mais de 30 anos – e inclusivamente representados pela mesma agência literária, a Mertin, com sede em Frankfurt – e juntaram-se agora para a criação um livro de contos: O Terrorista Elegante e Outras Histórias, editado pela Quetzal. Falam sobre literatura e política e sobre o diagnóstico de um Brasil "de luto", onde Bolsonaro não quer assinar o Prêmio Camões de Chico Buarque.
Para assistir à entrevista clique no vídeo aqui

Obras de arte surreais de Rafal Oblinski

surreal rafal oblinski

Obras de arte surreais de Rafal Oblinski


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