segunda-feira, 15 de abril de 2024

"Meu Quintana" - Manuel Bandeira

 

Amigos reunidos: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Manuel Bandeira, Mario Quintana e Paulo Mendes Campos


Meu Quintana

 




Meu Quintana, os teus cantares


Não são, Quintana, cantares:


São, Quintana, quintanares.


Quinta-essência de cantares…


Insólitos, singulares…


Cantares? Não! Quintanares!


Quer livres, quer regulares,


Abrem sempre os teus cantares


Como flor de quintanares.


São cantigas sem esgares.


Onde as lágrimas são mares


De amor, os teus quintanares.


São feitos esses cantares


De um tudo-nada: ao falares,


Luzem estrelas luares.


São para dizer em bares


Como em mansões seculares


Quintana, os teus quintanares.


Sim, em bares, onde os pares


Se beijam sem que repares


Que são casais exemplares.


E quer no pudor dos lares.


Quer no horror dos lupanares.


Cheiram sempre os teus cantares


Ao ar dos melhores ares,


Pois são simples, invulgares.


Quintana, os teus quintanares.


Por isso peço não pares,


Quintana, nos teus cantares…


Perdão! digo quintanares.



 

Manuel Bandeira




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