domingo, 4 de março de 2018

Dezoito fragmentos mínimos do “Livro de Eros ou as Teias do Desejo” - Casimiro de Brito

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Dezoito fragmentos mínimos do “Livro de Eros ou as Teias do Desejo”

523
Acaricio-te os cabelos. Tanto ouro!

530
Por que me parece puro o que dizem ser obsceno?

539
Água fomos, e vaso, um do outro.

543
“Foste a um concerto? Por que não vieste para a minha cama?”

546
Todas virgens. A vida inteira. Poucas sabem.

558
Um casal de amorosos : o mais belo parlamento.

563
A fonte selada. A boca silenciosa. Abrindo-se, sem chave.

570
“A alegria beija-nos, dá-nos vinho.” Schiller, Hino à Alegria.

581
Amo-te. Quero dizer: faz de mim o teu banquete.

585
Ó tão macio o mármore de quando nos amamos.

594
Poliste-me quando te poli.

599
“Beija-me e verás como sou importante.” Sylvia Plath.

615
Este fragmento está vazio sem a tua respiração.

625
Dou-te a minha flauta. Dás-me a tua viola? Música de câmara.

634
Seios: tenho inveja do ar que os acaricia, quando os soltas.

640
Amo-te por mim e não por ti. Um saudável egoísmo.

650
Espalmadas no teu corpo as minhas mãos passaram a ter mil formas.

660
Trémula. Trémula a estrela que se assoma no teu olhar.

673
Tanta, ó tanta a humidade da minha amada, e nem sei se a mereço.

678
A minha sombra tem saudades da tua.


Casimiro de Brito

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