Dezoito fragmentos mínimos do “Livro de Eros ou as Teias do Desejo” - Casimiro de Brito

523
Acaricio-te os cabelos. Tanto ouro!
530
Por que me parece puro o que dizem ser obsceno?
539
Água fomos, e vaso, um do outro.
543
“Foste a um concerto? Por que não vieste para a minha cama?”
546
Todas virgens. A vida inteira. Poucas sabem.
558
Um casal de amorosos : o mais belo parlamento.
563
A fonte selada. A boca silenciosa. Abrindo-se, sem chave.
570
“A alegria beija-nos, dá-nos vinho.” Schiller, Hino à Alegria.
581
Amo-te. Quero dizer: faz de mim o teu banquete.
585
Ó tão macio o mármore de quando nos amamos.
594
Poliste-me quando te poli.
599
“Beija-me e verás como sou importante.” Sylvia Plath.
615
Este fragmento está vazio sem a tua respiração.
625
Dou-te a minha flauta. Dás-me a tua viola? Música de câmara.
634
Seios: tenho inveja do ar que os acaricia, quando os soltas.
640
Amo-te por mim e não por ti. Um saudável egoísmo.
650
Espalmadas no teu corpo as minhas mãos passaram a ter mil formas.
660
Trémula. Trémula a estrela que se assoma no teu olhar.
673
Tanta, ó tanta a humidade da minha amada, e nem sei se a mereço.
678
A minha sombra tem saudades da tua.
Casimiro de Brito
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