sábado, 11 de abril de 2026

"Espera" - Sophia de Mello Breyner Andresen

 



Espera



Deito-me tarde


Espero por uma espécie de silêncio


Que nunca chega cedo


Espero a atenção a concentração da hora tardia


Ardente e nua


É então que os espelhos acendem o seu segundo brilho


É então que se vê o desenho do vazio


É então que se vê subitamente


A nossa própria mão poisada sobre a mesa


 
É então que se vê o passar do silêncio


 
Navegação antiquíssima e solene




Sophia de Mello Breyner Andresen


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