sábado, 22 de fevereiro de 2020

MOÇAMBIQUE - Virgílio de Lemos: Poesia em trânsito

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Esta tese apresenta leitura da obra poética de Virgílio de Lemos & seus heterônimos, considerando os ciclos representativos da escrita desse autor moçambicano; especialmente, o que foi produzido entre 1944 e 1963. Para tanto, consideram-se os trânsitos e diásporas desse poeta e de sua poesia pelas ilhas moçambicanas e pelas águas do Oceano Índico. Com a mesma intenção, analisa-se, também, a produção poética dos três principais heterônimos de Virgílio de Lemos – Duarte Galvão, Lee-Li Yang e Bruno dos Reis –, avaliando que o desdobramento em heterônimos é sintomático e confere a radicalização do fingimento poético à lírica desse escritor moçambicano. Analisam-se, ainda, outros trânsitos de Virgílio de Lemos e seus heterônimos, como a opção pelo Barroco Estético, o percurso pelo Simbolismo e Impressionismo, pelos movimentos das Vanguardas Europeias – especialmente, pelo Surrealismo, Cubismo e Dadaísmo –; pelas Vanguardas Latino- Americanas, pelo Modernismo Brasileiro e pelo Movimento Concretista. Esses trânsitos revelam uma lírica rebelde e transgressora em relação ao modelo literário predominante em Moçambique, fortalecendo uma atitude estética que ecoa subversão e resistência à repressão colonialista. 
Para ter aceso à tese completa de Luciana Brandão Leal clique aqui




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Alguns dados biográficos  de Virgílio de Lemos

Diogo Virgílio de Lemos - que assinava Virgílio de Lemos - nasceu a 29 de Novembro de 1929, na ilha de Ibo, em Moçambique. Escreveu os primeiros poemas entre 1944 e 1948 e entre 1947 e 1948 colaborou no Jornal da Mocidade Portuguesa, com o irmão e artista plástico Eugénio de Lemos, e com o jornalista Guilherme de Melo, onde foi redator até 1949.
Este jornal teve um papel fundamental no panorama da literatura moçambicana quando um grupo de jovens, com idades compreendidas entre os 14 e os 22 anos - entre os quais Rui Knopfli, Noémia de Sousa e Fonseca Amaral - começaram a colaborar com a publicação.
Considerado um dos grandes impulsionadores do movimento literário moçambicano nos finais dos anos 1940 e na década de 1950, Virgílio de Lemos foi colaborador da folha de poesia Mshao, contemporânea da revista Negritude de Aimé Césaire.
Em 1952, juntamente com Domingos Azevedo e Reinaldo Ferreira, Virgílio de Lemos editou a folha de poesia Msaho, que procurou enaltecer as culturas locais moçambicanas, criando uma poética que rompesse com os modelos literários impostos pela colonização.
Virgílio de Lemos foi absolvido de um processo judicial instaurado por crime de desrespeito pela bandeira portuguesa, por um poema escrito em 1954, com o heterônimo Duarte Galvão, no qual dizia que a bandeira portuguesa era uma capulana verde e vermelha.
Entre 1954 e 1961, o poeta colaborou com a resistência moçambicana, tendo escrito para publicações como O Brado AfricanoA Voz de Moçambique (jornal de esquerda na altura) Tribuna e Notícias.
Entre 1961 e 1962, o poeta e jornalista foi acusado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) de incitamento à independência de Moçambique.
Depois de libertado, e devido à repressão política existente na antiga colônia portuguesa, Virgílio de Lemos saiu de Moçambique, percorreu as ilhas do Oceano Índico, as da Grécia e da América Central, fixando-se, em 1963, em Paris, onde foi jornalista do canal televisivo TF1.
Poemas do Tempo Presente (1960), obra apreendida pela polícia política portuguesa (PIDE), L'Obscene Pensée d'Alice (1989), Ilha de Moçambique:a língua é o exílio do que sonhas (1999), Negra Azul (1999) e Eroticus Mozambicanus (1999) são obras de Virgílio de Lemos.
Virgílio de Lemos criou também três heterônimos: Lee-Li Yang, pelo seu erotismo; Duarte Galvão, pelo seu engajamento, e Bruno dos Reis, pela sua poesia geracional, associando a cada um uma temática poética.
Antologia das Ilhas A dimensão do desejo, obra que integra poemas de evocação a Reinado Ferreira, editados em 2009 e 2012 pela Associação Moçambicana de Língua Portuguesa (AMOLP), foram as últimas obras de Virgílio de Lemos.
Para o ensaísta Eduardo Lourenço, Virgílio de Lemos é "um dos incontornáveis pensadores portugueses do século XX" e, juntamente com José Craveirinha e Rui Knopfli, "um dos três poetas de vulto de Moçambique". Considerado um dos vanguardistas da lírica moçambicana, a sua poesia aborda temas como a liberdade do desejo e contém críticas às injustiças sociais e à repressão colonial.

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