quarta-feira, 27 de maio de 2020

No curto prazo todos estaremos mortos: apontamentos críticos sobre o novo consenso "keynesiano"


Quando aqueles que querem acelerar o trilho da barbárie diante da pandemia afirmam que “preservar as economias implica aceitar perdas de vida”, a despeito do caráter assassino e eugenista de tal proposição, eles não deixam de expressar de forma distorcida uma “verdade”: sim, a lógica econômica de nossas sociedades, é cada vez mais a aceleração de um processo crescentemente hostil à vida. 
Para ler o texto de Daniel Feldmann clique aqui

VÍDEO: Tom Foolery - Uma história sobre coronavírus

Poema que descreve mundo pós-pandemia viraliza no YouTube; assista ...

O trabalho de Tom Foolery, que reimagina nosso mundo pós-pandemia, é escrito na forma de uma história de ninar lida para uma criança.
Para assistir a esta história (3:37) clique no vídeo aqui

Uma paixão que coloca todos em risco


O preconceito é uma tendência que pode se tornar ação, quando suscitado por condições políticas propícias. 
Para ler o texto completo clique aqui

terça-feira, 26 de maio de 2020

"Tabacaria" - Fernando Pessoa

Tabacaria” é o poema de Fernando Pessoa mais citado na Internet ...


Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.

Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei -de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe? Nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...

O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem crescesses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Fernando Pessoa

Este país não é o Brasil


A melhor série de streaming é o governo do Brasil. O produto mais barato do país é a vida humana. Que série superaria um presidente protagonista de uma reunião de quase duas horas atirando 34 palavrões e os ministros da Economia, Casa Civil, Educação junto com o presidente do Banco Central somando mais meia dúzia? Todos deixando de lado o assunto mais importante, o vírus? Isso não existe na vida real.
Que país a caminho de 23 mil mortes e mais de 300 mil casos confirmados da doença ouviria da ministra dos Direitos Humanos que iria pedir prisão para os governadores e prefeitos que recomendassem o isolamento à sua população? “A maior violação de Direitos Humanos dos últimos 30 anos”, diz Damares. 
Para ler o texto de Norma Couri clique aqui


Sidarta Ribeiro: O caminho do meio 

Para neurocientista, salvação está na combinação entre melhor da ciência e nossa capacidade de cuidar do outro. 
Para ler o texto de Sidarta Ribeiro clique aqui

Leia "Fotojornalista Sebastião Salgado: a irresponsável resposta brasileira do COVID ameaça a sobrevivência indígena" clicando aqui

Leia "Imprensa e Bolsonaro: o que está em jogo na batalha pela opinião pública" de Carlos Castilho clicando aqui

Leia "Com os olhos do "convertido"" de Debora Rezende de Almeida clicando aqui

Leia "Coronavírus e a necropolítica a brasileira: ações e inações do Estado no fomento à morte" de Flavio Tonnetti clicando aqui

Leia "Armar o país: a "guerra santa" bolsonarista" de Robson Sávio Reis Souza clicando aqui

Leia "A estética e a (anti)ética da reunião ministerial" de Vanice Oliveira Sargentini clicando aqui

Leia "A insuportável leveza da liberdade" de Flavio Aguiar clicando aqui

Leia "Quando Paulo Guedes afrouxa a gravata" de Paulo Kliass clicando aqui

Leia "Um governo contra o governo? (2) Um movimento que "existe e não existe ao mesmo tempo"" de Manolo clicando aqui

Leia "Bolsonaro insistiu em reduzir controle de armas quatro vezes na pandemia para "armar população"" de Felipe Betim clicando aqui

Leia "Como se arma um tsunami de desemprego" Entrevista com José Dari Krein clicando aqui

Leia "As 'boiadas' de Salles para driblar as instituições ambientais inclusivas" de João Felippe Cury M. Mathias clicando aqui

Leia "Canetada abre Amazônia à cana-de-açúcar" de Caio de Freitas Paes clicando aqui

Leia "Em carta aberta, industriais paraenses apoiam o "passar a boiada" de Ricardo Salles" de Bruno Stankevicius Bassi clicando aqui

Leia "PL da regularização fundiária: "as justificativas do governo são altamente enganadoras"" Entrevista com Philip Fearnisde clicando aqui

Leia "O Ministério da Saúde sob intervenção militar" de Leandro Augusto Pires Gonçalves clicando aqui

Leia "Censura inédita na Escola Superior de Guerra e carta de Heleno mostram a falta de apreço dos militares pela democracia" de Lucas Rezende clicando aqui

Leia "A retórica da guerra versus a ciência no enfrentamento da pandemia" de Alfredo Wagner Berno de Almeida clicando aqui

Leia "O neoliberalismo e o sucesso do BBB 20" de Guilherme Cogo, Giovanna Borges Bortotto e Arnon Manhães Ceolin clicando aqui

Leia "Manifesto pelo resgate da Cinemateca Brasileira" clicando aqui

Jacinda Ardern torna a Nova Zelândia a nova utopia para onde todo mundo quer se mudar

Jacinda Ardern Continues to Be the Coolest World Leader | Vogue

As medidas progressistas da primeira-ministra agitam a Internet. O que aconteceu para que já não sonhemos (tanto) com o modelo escandinavo? 
Para ler o texto de Noelia Ramírez clique aqui


Diário da Covid-19: As lições do sucesso da Nova Zelândia

País da Oceania mostra como a liderança carismática, a determinação, a transparência e a união nacional podem derrotar o coronavírus.
Para ler o texto de José Eustáquio Diniz Alves clique aqui


A invisibilização da África na cobertura da mídia brasileira 

Não foi à toa que no dia 30 de abril a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), juntamente com a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira), veio a público repudiar o comportamento racista e excludente da imprensa, que via de regra deixa de divulgar informações pertinentes sobre a África, assim como não evidencia, com poucas exceções, o recorte racial das consequências da COVID-19 no Brasil. 
Para ler o texto de Ivana Barreto clique aqui

África Subsaariana: 63% da população das áreas urbanas não tem ...

África Subsaariana: 63% da população das áreas urbanas não tem acesso à possibilidade de lavar as mãos 

O crescimento econômico de 5,5 a 6% da África Subsaariana nas duas últimas décadas não foi inclusivo e 437 milhões de pessoas vivem na pobreza extrema, com 1,90 dólares por dia. A previsão para 2030 é que nove de dez pessoas em extrema pobreza no mundo viverão na região, diz o economista Raphael Bicudo. 
Para ler sua entrevista clique aqui


Leia "O neoliberalismo já não é uma ideologia de consumo, mas de morte" de Claudio Katz clicando aqui

Leia "Uma crise econômica violenta, estrutural e profunda" de Romaric Godin clicando aqui

Leia "Pandemia: o que nos ensina o olhar de Milton Santos" de Paul Clívinan Santos Firmino clicando aqui

Leia "Irã e Venezuela desafiam embargo dos EUA" de Guilllermo D. Olmo clicando aqui

Leia "Ao culpabilizar China, Trump continua tentando esconder fracasso no combate à pandemia" de David Brooks clicando aqui

Leia "Como a pandemia mina o centralismo de Putin na Rússia" de João Paulo Charleaux clicando aqui

Leia "Não consegue 'ver' o aumento do nível do mar? Você está procurando no lugar errado" de Alan Buis clicando aqui

Leia "Com a destruição do exército, uso do cristianismo e fortes slogans, nascia o nazismo" de Carlos Russo Jr. clicando aqui

Leia "A indústria da carne está enferma - há tempos" de Ricardo Abramovay clicando aqui

Deltino Guerreiro - "Sonho"

Deltino Guerreiro - Sonho | Conversas ao Sul | RTP África - YouTube

Para assistir à interpretação de "Sonho" pelo cantor moçambicano Deltino Guerreiro clique no vídeo aqui

  © Blogger template 'Solitude' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP